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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

Séries

Rita Pirolita

As séries são novelas suportáveis mas já enjoam as histórias de advogados e médicos que se comem todos uns aos outros na sala de arrumos.
Ninguém repete uma única blusa, vestido ou fato, se tivessem tanta roupa na vida real tinham que alugar guarda-fatos na Lua por falta de espaço aqui, a não ser que estivessem todos presos e ai andavam com a mesma farpela até ao fim da série.
Filmes de zombies, tanta gente com mau aspecto, vampiros bonzões, Lost em ilhas, ninguém se perde numa ilha o mais que pode acontecer é andar às voltas o dia todo.
A melhor série que fizeram até hoje, duvido que façam uma tão boa nos próximos 100 anos, foi o Breaking Bad e no seguimento o Better Call Saul mas como tudo o que é bom tem um fim...os autores parece que queimaram o fusível numa espiral de alucinação criativa...ou consumiram cristal a mais!
Ando a chuchar no dedo faz algum tempo, à espera de alguma coisa que me surpreenda.
20
Jul20

Deixem-se de parvoíces

Rita Pirolita
Sabem aquelas pessoas que a cada minuto do dia que lêem uma coisa diferente sobre vida saudável, assim que podem vão logo praticar ou comer, nem que seja com uma cenoura enfiada no cu enquanto bebem um copo de leite de burra a tapar o nariz! 
Tudo o que apareça nas redes sociais ou digam na TV, é verdade! 
Tanto é que conseguiram convencer as pessoas que a diabetes é hereditária e não resultado de maus hábitos alimentares que despoletam tendências familiares que foram potênciadas por alimentação cada vez mais processada ao longo de gerações e assim se desresponsabilizam pela própria saúde. 
Assim as cadeias de fast-food cumprem o seu acordo com os laboratórios, uma mão lava a outra do mal que provocam oferecendo de bandeja aos laboratórios mais doentes e dependentes de medicação, que são mantidos mais tempo vivos graças aos avanços da medicina para continuarem a gerar lucro. 
Vivos mad doentes a arrastarem-se, magros ou gordos demais e com um mau aspecto de zombies! 
Um sistema que mexe com a nossa vida cada vez mais perverso, lucrativo e nada fiável!   
O Estado no seu estado paternalista tenta impingir hábitos de vida saudáveis como se se preocupasse deveras connosco, começando pelo conselho de reduzir o consumo de açucar, como se começassemos a fazer dieta ou a deixar de fumar e passados um ou dois anos de bom comportamento tivéssemos o corpinho limpo de todas as toxinas. 
O mal já está lá e quanto mais tarde a mudança mais difícil é recuperar mas sem dúvida mais vale tarde que nunca.
Temos agora que estar mais atentos e até quem sabe ir tirar um mini-curso de leitura de rótulos de embalagens, quando todos sabemos que os ingredientes não são controlados e a informação nutricional também não. 
Não existe marca nenhuma que vá alterar o sabor do produto para algo menos apelativo, reduzindo efectivamente os ingredientes prejudiciais, sabendo que se tirarem uns têm que substituir por outros tão maus ou ainda piores. 
Por isso nada vai mudar e os rótulos vão corresponder cada vez menos à verdade!  
Após esta breve opinião que espero tenha sido elucidativa continuam mesmo assim a gozar da liberdade de se empaturrarem de merd@, voltando à esquizofrenia bipolar dos yogas, sumos detox, dieta do ar, da Lua e mais do raio que os parta, eu conheço gente assim, que salta de dieta em dieta, o corpo deve ficar tão baralhado que absorve tudo, numa de prevenir os períodos de jejum de coisas boas de que a dona maluca o pode privar num futuro tão alucinadamente imprevisto, tanto que ao fim de um mês ou dois, o próprio corpinho deve cagar no assunto e o ponteiro da balança nem mexe! 
É impossível alguém comer tudo num dia que faça parte da roda dos alimentos e ainda por cima nas quantidades recomendadas, já que a própria roda está sempre a sofrer alterações e cada vez mais se inventam alergias e intolerâncias disto e daquilo, quando o problema está no processamento e não no produto original, cujo resultado final é tudo menos o que vendem. 
Não acredito que o leite ou carne de hoje em dia tenham algo a ver com os produtos de há 100 anos atrás e já havia a venenosa Coca-Cola mas ainda havia esperança, a perdição tinha apenas começado!
Gente que mistura no mesmo prato salada com sobremesa, tudo numa amalgama vomitada!..
A nossa açorda pode não ser o melhor exemplo de boa aparência mas os olhos também comem e já sabemos só de cheirar, que a açorda é boa como a porra e tão simples que é de fazer, agora dar mau aspecto a comida que vocês detestam mas fingem que adoram, espetar com fruta e vegetais num copo misturador e beber meio litro de pega-monstros, isso já é um Inferno, depois andam a comer salsicha alheia às escondidas e despejam o mau-humor da flatulência das sementes de chia nos outros!
Ora, deixem-se de parvoíces, criancices e figuras tristes, sejam felizes e percam tempo com coisas realmente importantes!
19
Jul20

Coitadinhos, enconados e demais aleijadinhos

Rita Pirolita
Nunca sei como começar mas depois de o fazer lá sai enxurrada de coisas certas ou desacertadas, umas loucas outras quase insanas mas nunca nada contido.
Reunam-se à volta da fogueira das vaidades e vejam lá a quem serve a carapuça! 
Como se distingue uma pessoa enconada?
À distancia, a grande distância, até cheira a chamusco mafarrico. 
Costumam ter um ar social-benevolente, na intimidade são mimados e egoístas e a cada par de cuecas que não é passado a ferro, clamam pela mãe que lhes valha e vá fazer aquele bacalhauzinho à Brás como só ela, que os consola e ainda arruma a casa ao mesmo tempo. 
Dizem que não sabem fazer nada fora do horário de trabalho que envolva algum esforço e criação, apenas estão sempre prontos para a lanzice na esplanada mais in lá do bairro, arrabaldes piores que o sítio do Pica-Pau Amarelo, onde foram criados como os reis de Loures ou Algueirão, antes de morrer os avós ainda tiveram tempo de meter na cabeça do incauto netinho ou netinha, que foram caseiros do Barão da Mula Russa, gente importante na quinta que ali existia da qual apenas sobra um muro pintado de graffitis, ao lado do canal de esgoto a céu aberto que dizem ser uma ribeira para escoar águas pluviais.
Convencem-se que a vida será fácil se tirarem um curso que os papás pagam e depois é só comprar um apartamento muito perto dos progenitores que também entraram e bem com a lã para obtenção do empréstimo, para depois passarem lá a vida a limpar e a levar sopa em Tupperwares, porque os filhotes são uns aleijadinhos das mãos e não os ensinaram a fazer nada nem a saberem desenrascar-se. Mais valia mantê-los em casa, sempre estavam mais perto para limpar o rabinho e o cheiro ficava num só lar.
Criaram monstros gordos e sugadores que precisarão sempre de tudo, dependem de todos como de ar para respirar. 
Comigo morriam asfixiados logo no primeiro minuto de enconadice. 
Os coitadinhos, eles andam aí...
Também se distinguem bem ao longe pelo semblante macilento e amarelinho icterícia, ao perto emanam uma energia chupista, olhar vidrado e fixo, vampiros de boas vibrações, zombies que assombram a nossa vida e aparecem atrás de cada porta a acreditar nas piores previsões do zodíaco.  
Estes são os das depressões crónicas, pessimistas a tempo inteiro e nas horas extraordinárias que atraem tudo de mau porque o seu nascimento já foi o azar dos azares que se queixam como ninguém a ver se levam mais alguns para o fundo do poço onde estão sentados de rabo frio e húmido.
Nada lhes corre bem e a vida dos outros será também uma amaldiçoada e previsível fonte de tristeza e infeliz destino, tudo dominado pela inveja e medo da mudança, sentem-se mais seguros e quentinhos na merda porque já lhe conhecem o cheiro e o tépido aconchego e combater a agorafobia da liberdade a perder de vista, cansa e não deixa espaço para reclamações.
O denominador comum a estes dois grupos é que parecem um encosto, fazendo uso da terminologia espirita, uns não se desenrascam e outros enrascam tudo, não desamparam a loja, numa melice peganhenta e sempre dependente de alguma coisa, das suas coisinhas, o carrinho novinho sempre limpinho, o computadorzinho XPTOzinho, o tele-movelzinho última geração que a mamã deu...
Depois existe o grupo dos aleijadinhos e não venham cá com o mimimi das susceptibilidades feridas, eu chamo as coisas pelos nomes, vou directa ao assunto para que todos me entendam bem, porque se andarmos a chamar aos pretos, cara de merda e aos brancos cara de cu o insulto começa a subir de tom e não tenho jeito para mediar causas perdidas! 
Ponham os olhos nos aleijadinhos!
Estes são mesmo os deficientes, aleijados, incapacitados...na sua maioria a nível fisico, felizmente a outros níveis dão 10 a 0 a toda a gente normal que não sabe o bem que tem em ter nascido com braços e pernas mas muitas vezes sem um cérebro de jeito.
Os aleijados tiveram uma merda de sorte mas têm uma puta duma força e não se comparam à maioria dos normaizinhos que bem mereciam levar com uma marreca, cegueira, paralisias e outras coisas mais para cima de verrugas, só para terem noção dos verdadeiros atrasados mentais que são e como andam cá a atentar a vida dos outros...voltem para a cona da vossa mãe! 
Existe depois um grupo residual que nelas se traduz numa vida que acaba na ponta da unha de gel e neles na ponta da barba hipster, não convém partir uma ou cortar a outra.
Notaram alguma raiva ou revolta na minha descrição? 
Se calhar não estão longe da verdade, é que eu não encaixo em nenhuma destas definições, nem é uma questão de falta de noção, foi mesmo a puta da vida que me ensinou para sempre e bem.
Nunca tive ninguém que me desse alguma coisa de graça sem cobranças posteriores, por isso aprendi a não precisar de nada, nem ajuda nem dinheiro. 
Aprendi a não confiar nem desconfiar, espero que se mostrem e espalhem na primeira curva, eu fico a ver de longe o suficiente para não levar nem com um salpico de merda em cima. 
Nunca me comprometo nem prometo, sou sempre coerente e honesta comigo, os outros não precisam dessas preciosidades da minha parte.
No fundo quase de certeza tenho dor de cotovelo e uma invejazinha que até corrói.
Secretamente gostaria muito de ter sido uma mimada, nascida em berço de ouro, sempre amparada por mãozinha divina e com uma sorte diabólica...ia-me portar bem que nem uma cabra e seria obediente que nem uma mula!

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