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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

06
Ago20

Carta a CR7

Rita Pirolita
 
 
 
Cris Rony, 
Permite-me um batizado virtual com este nome de cariz internacional, brega que chegue mas com power e cheio de estilo!
Quanto aos impostos que esses nuestros hermanos te fizeram pagar é para aprenderes a não emigrar, o país queixa-se que tem vindo a perder tantos profissionais, não devias ter saído de Portugal e muito menos da Madeira, este nosso cantinho solarengo aguenta a tua fama e aqui, gente que até ganha um poucochinho menos que tu, NUNCA paga impostos e nesse aspecto a tua ilha é um Paraíso. 
O que no fundo te queria dizer com esta lenga-lenga toda é que para ti estarei sempre disponível para adopção sem perder a esperança, sou uma vegetariana sossegadita que gosta muito de sofá e só preciso de um cão ou dois para estar entretida!  
 

 

17
Jul20

Deep, deep inside...

Rita Pirolita
Até gosto das redes sociais! 
Não fiquem já de orelha no ar, passo a explicar por exclusão de partes! 
Se as pessoas são uma merda ao vivo e se reinventam e mentem no virtual, quererei conhecer a realidade para ficar mais zangada com a constatação do pior? 
Prefiro mentira vergonhosa e descarada que não me toque e sei não dever acreditar que realidade suja de que fujo com nojo! 
Eu quero lá saber o que as pessoas são na realidade quando não me relaciono com elas e por isso quanto mais longe melhor?! 
Se querem inventar para agradar, força, aprecio mais esse circo imaginado a colorir a vossa aridez!
A melhor maneira de se protegerem é nem se aproximarem de um computador, não é manterem a conta e só irem lá de vez em quando, porque não se lembram do aniversário dos amigos! Basta terem um cartão de crédito e sabe-se logo por onde andam e o que andam a fazer!
Se entregamos os pontos por 8 também vendemos por 80, ou acham que o Zuckerberg seria milionário se não recebesse nada em troca pela informação que traficou?
Muitas pessoas não vão gostar de ler isto, primeiro porque sabem que é sincero e depois porque correm o risco de admitir não serem gostadas.
Só para amar não é preciso razão e à maioria falta tudo, nem razão para odiar, nem inconsequência para amar!
Começam depois a vir à memória os pontapés da vida, os camelos que abandonaram e deixaram a falar para as paredes, as boas pessoas que vocês sempre tentaram ser com tanto esforço e no fundo nunca ninguém mereceu a vossa cândida e desinteressada alma, tão desinteressante na procura de aprovação e reciprocidade, diga-se de passagem.
São sempre demais aqueles que adensam o trauma e medo de futuras entregas. 
Quem abre o coração não deve ficar à espera de esmolas, o amor é uma partilha não uma troca contada!
Poucos são os que dizem não gostar e ainda menos os que lidam bem com o ser desgostado, desamigado ou bloqueado, por isso é que mentimos tanto, na ilusão de sermos aceites satisfatoriamente, se for plenamente ainda melhor.
Até parece que fazem ouvidos moucos do provérbio que não se pode agradar a Gregos e Troianos ao mesmo tempo, se nos desunharmos para conseguir o oposto a essa vergonhosa façanha, é mau sinal, sinal que não temos convicções nem coerência, pelo menos connosco próprios e que andamos sempre com paninhos quentes para manter o seguro ambiente tépido ou tapar com manta de pobre, que não só descobre as pontas como deixa tudo a nu.
A vantagem do virtual é que mesmo a mentira tendo perna curta, pode-se manter, adensar, embelezar ou destruir e mudar para outra, quando bem entendermos. A verdade é uma quimera, somos nós que a moldamos, tal como a mentira.
Há lá melhor maneira de viver o mundo sonhado na realidade de um écran?!...
Fora destes mundos a minha vida é uma realidade solitária, simples e limpa de intoxicações!
15
Jul20

As desculpas que inventamos

Rita Pirolita
É tão mais fácil disfarçar a falta de jeito para desencontros e evitar chatices nas relações através do virtual. 
Nunca o convívio foi tão interessante de enfadonho e irresponsável. 
Como solitária que sou, agradeço o descanso, protecção e limpeza da distância!
Adoro esta troca de ideias sem o incómodo de aturar gente que não gosto, não sou daquelas que usa e vem para aqui queixar-se que sente falta do convívio face to face! 
Sou solitária e adoro ser assim, sinto-me saudável e o certo é que a proximidade imposta me põe doente! 
A maioria usa as relações para cobrar, não para se libertar, interiorizou-se o discurso de ter amigos, família e fazer esforço por ser social e agradar, há dificuldade em compreender ou não se quer, anda-se iludido pela obrigação de nos darmos todos bem e gostarmos uns dos outros e assim estaremos protegidos e seremos humanos mais bondosos e comunicativos, prontos a ajudar!
O virtual é o que fazemos dele, eu aproveito o melhor que me serve, só existe porque o criamos, não é uma entidade que nos afasta uns dos outros! 
Se calhar temos que reconhecer que o futuro das relações vai mudar muito e isso não tem que ser mau ou bom, é o que merecemos por aquilo que fazemos!
As pessoas isolam-se com a dependência exagerada das redes sociais porque deixam de ter interesse ou medo da vida real e assim perdem a capacidade de se relacionar intimamente! 
No fundo são sempre elas que fazem escolhas de se deixar dominar ou não!
Nas mentes limitadas só existem dois tipos de vidas que têm que ser forçosamente sociais e notadas, a vida real com pessoas de merda ou a vida virtual com as mesmas pessoas de merda, ninguém quer estar no anonimato, todos querem ter o seu quinhão de importância num mundo cada vez mais baralhado e aqueles que não encaixam nisto são excluídos do tal meio que vive sob o falso baluarte da inclusão!
Preocupar-me-ia se não tivesse já sítios para onde fugir, até lá vou aproveitar e não perder tempo com queixumes ou a viciar-me em coisas dispensáveis e que nem são a única coisa que vislumbro como burro com palas!
 

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