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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

01
Abr20

Quizzzzzzz

Rita Pirolita
Se me perguntarem qual a minha cor preferida?...

Turquesa-mar quase sempre, laranja muitas vezes, verde, roxo com verde pistachio, vermelho com fuskia, tantas vezes o preto e branco.

Que carro gostaria de ter?...

Não precisar!

E viver numa mansão?

Antes o aconchego

Numa Ilha?

Sem sair

Casar?

Nunca

Ter filhos?

Muito menos

Um filme denso?

Esplendor na relva

Romântico?

Detesto o género

Musical?

Idem

Destino preferido para viajar?

Em mim 

Para viver?

O isolamento

Partilhar?

O simples 

Não complicar?

O simples 

Trabalho?

Que forma estranha de vida

Felicidade?

Sempre, sem pensar

Pobreza? 

Nunca, nem saber o que é

Ir à Lua?

E voltar

Contemplar?

Sem parar 

Aceitar?

O que é 

Não reclamar?

Do que não é

A natureza? 

Das coisas

O Universo?

Avança

E eu descanso...
28
Fev20

Fogo-fátuo

Rita Pirolita
Será que acredito que existo?

Sempre senti que o conhecimento já veio agarrado a mim desde o momento da parição mas a existência sempre teimou em afastar a realidade. 

Sinto-me num corpo desalmado, que flutua e vê de fora por dentro, que julga a justeza de seres alheios que tenta expiar os males do mundo como um redentor que sofrendo as dores de outros, purifica e alivia quem em desespero de guerra e doença luta por ficar vivo. 

Será que é assim tão importante ficar por este mundo o máximo de tempo que conseguirmos a fintar a morte? 

Quase todos acreditam noutra dimensão mas ninguém nunca teve confirmações do além a não ser inventadas, nunca nada vem de luz divina fora da nossa imaginação. 

Que Deus tão fogo-fátuo que vive no nosso meio, inventado à nossa medida e nos abandona na morte, quando o deixamos de pensar. 

E se não acredito em mundos divinos e sim num Universo matemático, porque me sinto fantasma desta terra, observadora a planar por cima de catástrofes e a chorar da pena que sinto do sofrimento que não acaba, pela recusa do simples e Belo, que a humanidade sempre teve de graça mas nunca aproveitou até hoje?...
02
Fev20

Tanta desculpa

Rita Pirolita
Temos aí outra onda de pedidos de desculpa que se vão repetindo na história vergonhosa da humanidade. 
Canadianos pediram desculpa a Indios e Japoneses, Australianos a aborígenes, brancos a escravos...
Ninguém pede desculpa pelas guerras, pelos homicídios e roubos, mas tudo continua a acontecer a cada segundo em cada canto do mundo, por diferença de raça, religião ou simples malvadez. 
Com tanta desculpa que ainda teríamos que dar, não chegariam 10 milhões de anos. 
As desculpas evitam-se, ou os erros são inevitáveis?
Não estaremos condenados a inventar outra dimensão, que comporte um recomeçar limpo e exorcizado dos erros desta existência aleatória? 
Não desejaríamos ser o oposto, seja lá isso o que for, desta miserável falta de senso? 
Como não temos comparação com outros mundos, não competimos para sermos melhor e ainda assim conseguimos ser o nosso pior pesadelo.
Somos filhos abandonados à nascença, órfãos de altruísmo.
Não estará na altura de pedir desculpa por existirmos, por não termos evoluído, por apenas sermos mal do mesmo mal?
Não está na altura de pensar que se um meteorito nos travar a reprodução, não se perde nada e tudo se transforma, sem deixar rasto nem memória, sem arrependimento nem saudade do nada que fomos?
13
Dez19

Big Bang no buraco negro

Rita Pirolita
 
 

Toda a gente inteligente com mais de 3 anos de idade se questiona sobre o Universo, outros morrem sem mesmo questionar a sua existência.

Como e quando surgiu? 
Existirá desde sempre ou teve um início e vai ter um fim?

Tenho cá para mim que o Universo não nasceu nem vai morrer, se não existe o passado de um princípio não pode por isso haver um futuro com fim, o que não nasce também não pode morrer, tudo é imortal, nada desaparece, só a forma muda, serão eternos os pensamentos?...

Não sou nenhum génio da astrofísica ou astronomia, nas minhas limitações de ser humano não consigo imaginar nada sem referências, sem passado e início, sem projecções e desaparecimento mas que o infinito existe sem existir, ai isso existe e está para ficar para a eternidade!

As cores não existem sem luz e isso é válido para muitas outras coisas que nem vemos que existem por serem enormes como o Universo ou pequenas demais como os ácaros. 
E nós? Será que existimos como nos vemos, pensamos ou imaginamos? Somos apenas um sonho?
Será que tudo está organizado e tem um propósito?

O caos cria o cosmos e vice versa.
Estamos rodeados de meteoritos, estrelas cadentes, colisões, explosões, luz e escuridão, tempo e espaço, buracos negros...
Será que tudo isto sabe o que anda a fazer e para onde vai? Eu muitas vezes não sei mas a perdição é catártica!

O Universo resulta de uma explosão ou de uma aglomeração de matéria? 
Eu prefiro a teoria do espalha-brasas mas isso dá-me os números vencedores do euro-milhões?...Não!

Em alguma altura gostaria de sentir que a velocidade do tempo anula o espaço e que há espaço sem tempo, ser omnipresente para não gastar tanto dinheiro em viagens, omnipotente para meter os maus em buracos negros e os bons parti-los ao meio para fazer dois e omnisciente para saber que o planeta terra não seria o melhor sítio para constituir família.

O símbolo do infinito (∞) já de si é uma pescadinha de rabo na boca, um ovo que não se sabe se caiu primeiro do cu da galinha ou se a galinha saiu primeiro do ovo.

05
Dez19

Retórica gramatical

Rita Pirolita
Precisamos de nos sentir precisados! 

De sermos chamados dos melhores pais do mundo, melhores avós, filhos, netos, alunos, amigos, trabalhadores, combatentes...

Precisamos de um papel que nos defina e prenda por prazer!

Precisamos de admiração e aceitação, nem tanto de compreensão, muitas vezes nem nos entendemos a nós próprios ou não queremos, quanto mais os outros darem-se a esse trabalho, tantas vezes inglório, superficial e pouco lucrativo!

Precisamos do mundo para lhe pousar os pés, mais para o espezinhar, coisa que temos feito até hoje de forma magistralmente egoísta mas o mundo não precisa de nós para continuar a girar, nem se rende às nossas guerras e maldade, apenas responde na mesma moeda mas sempre em trocos, porque os grandes diálogos do mundo, são naturais e imprevisíveis, incompreensíveis por mentes tão pequenas como as nossas, encarados como castigos a inocentes. O mais que poderiam ser, era castigos à nossa prepotência! 

Temo-nos erradamente em tão grande conta, que achamos que a natureza age apenas para nos martirizar e irritar e não para equilibrar as suas energias, estando nós apenas no seu caminho imparável!

A nossa sensibilidade perdida deu lugar à irracionalidade da religião, da incompreensão da morte, sofrida e chorada e nunca entranhada como transformação incontornável.  

Quereríamos nós aproximar-nos de deuses imortais que não existem em parte alguma do Universo?

Só nós inventámos o nosso poder, tão frágil e efémero? 

Com tal ruinosa imaginação e falta de senso, os humanos alheados perdem muito em não observar com olhos de ver. 

Os animais não racionalizam a morte, já nascem com ela nas entranhas sem saber, esta ignorância pura e primitiva, encerra a verdade do sentido e instinto da vida. 

O mundo se-lo-á sempre até à sua extinção e continuará a girar mesmo que não estejamos cá para o chamar pelo nome de mundo. 

E assim consegui reduzir a existência humana a pura retórica gramatical!

Os restantes seres, que não aprendam a falar, continuem a sentir e a ser felizes sem saber, a viver num mundo que não lhe sabem o nome! Já agora, para quê?
20
Set19

Não cobro um tostão!

Rita Pirolita

NAVA é acrónimo de uma Nova Arte de Viver Aqui e Agora, inventado por Anamar e Fortuna, o seu novo livro com uma  frase por página.

Assim também eu escrevo um livro em 2 dias com trezentas páginas e se lhe acrescentar bonecada, passa a quinhentas com facilidade.

Aqui deixo uma das frases, como bom exemplo de pensamento profundo em águas baixas e paradas. "Enquanto chove aqueço os motores." in FORTUNA
 
"Jesus Via Alexandra Solnado", assim terminam todos os seus textos, escritos em português e com muitos erros. 
Ou a Alexandra é uma tradutora fenomenal até de línguas que já não existem e desculpamos os erros de tradução ou Jesus é o maior poliglota deste Universo e até fala a nossa língua. 
 
"(...) Quando falas contigo, estás a falar com Ele; quando te ouves, estás a ouvi-Lo; quando escolhes sentir, estás a senti-Lo; quando te respeitas, estás a respeitá-Lo; quando te assumes, estás a assumi-Lo.
Ele é o amor. E tu és o amor que Ele é. (...)" in "AMA-TE, Nível 2 - ASSUMIR A ALMA" de Gustavo Santos.
 
Quem escreve assim nãé gago e mexe bem os dedos no teclado, acha-se esperto e anda a iludir.
 
Ou eu sou muito burra, vou arder no Inferno para sempre e não consigo tirar nenhuma conclusão nem sentir nada ao ler estas bonitas frases, ou estas sentenças querem dizer tudo ou ainda, são tão vazias de conteúdo, que qualquer pessoa em qualquer situação de vida, se identifica com o seu significado e cada um interpreta como lhe dá jeito.
 
Os livros não são de graça, as palestras e conferências também não e os níveis para atingir a espiritualidade desejável também se fazem pagar bem.
 
Estes ensinamentos são todos muito ancestrais mas os seus divulgadores mostram pouca sabedoria na manipulação  e transmissão das ideias e uma atitude gananciosa encapotada pelo desejo puro de ajuda e divulgação da verdade de uma forma quase gratuita. 
Muitas almas alienadas caem na conversa do bandido, pagam, são enganadas e ainda agradecem muito. 
 
Nestas andanças os mentores cultivam o agradecimento por tudo, principalmente pelos papalvos que lhes dão dinheiro a ganhar. 
Estes "gurus" da era moderna não possuem inteligência ancestral mas sim, esperteza oportunista, como todas as religiões, cultos e seitas desde sempre.
O mundo está num tal estado de fraqueza social e mental que é terreno fértil para o aparecimento destes charlatães e neles só acredita quem quer. 
Ambos os lados se consomem numa espiral de necessidade sôfrega de bem estar ilusório e não no caminho calmo da lucidez e clarividência.
 
Se todos temos a possibilidade de tudo e de nada dentro de nós, porque existem pessoas tão iluminadas que nos têm que ensinar? São seres privilegiados? Se não são, só estão a partilhar a sua experiência? Porque sai tão caro partilhar e aprender a amar outros, quando sempre ouvi, que partilhar deve ser gratuito e desinteressado e sentimentos não têm preço?...
Tudo à nossa volta é isso mesmo, uma partilha com impossibilidade de posse.
 
Como já repararam, a minha pessoa não acredita em nada disto, desconfio muito, tenho poucas certezas e tenho a perfeita consciência da minha pequenez neste imenso Universo, esse sim, ensina, reinventa-se, transforma e transforma-se e segue o seu caminho sem se deter por causa de nós, mas segue connosco no seu colo infinito.

Se fossemos seres assim tão evoluídos não acham que  este planeta seria um lugar melhor para todos e não só para alguns? Que já não tínhamos tido tempo de corrigir os erros em milhares de anos de existência??? Que em vez de evitar que milhões morram à sede com água por perto, andamos à procura do precioso liquido em Marte?
 
A razão da nossa existência é a mesma do Universo, se existe não sabemos e se um dia soubermos será talvez a maior desilusão e não nos servirá de nada.
 
A minha visão mais humorística de tudo isto não merece mais que um sorriso e resume-se à frase de minha autoria:
"Somos um grão de areia enfiado no olho (do cu) do Universo, mais conhecido por buraco negro!"

Grata pela atenção e não cobro um tostão que seja...pelas vossas criticas!
 
27
Jun19

Pai que estais no céu...

Rita Pirolita

A humanidade recusa-se a crescer espiritualmente, daí a necessidade de imaginar um deus protector no seu castigo, que nos arrasta para sacrifícios dolorosos e mutiladores para atingir o perdão e a felicidade.

Um deus que pede sacrifício em troca de bem estar, é um ser dantesco que vive do medo e alienação dos seus seguidores. 
A libertação vem de dentro para fora, não é mensurável em tempo ou espaço fisico, por isso a minha liberdade não acaba quando começa a do outro, é uma liberdade partilhada sem domínios de propriedade. 
Na nossa dimensão limitada de seres humanos não temos capacidade para imaginar um Deus que nos liberte, apenas queremos estar presos no conforto de pouco decidir. 
Se pararmos de criar Deus, ficaremos abandonados à nossa pequenez e frágil condição no Universo.
Se Deus existisse tinha morrido muito, de tanto rir da figura que fazemos. 
Nunca vamos querer estar por nossa conta e destino, por isso acreditamos num pai redentor e confortável que perdoa e nos demite de responsabilidades.
Deus é o que se pode arranjar nas nossas limitações e finitude, somos os cruéis predadores que atacam a sua própria espécie sem proveito nem piedade, para lá do propósito da sobrevivência pura e dura, sinal de um atraso evolutivo profundo. 

Um dia seremos diferentes, quando existirmos noutra dimensão, libertos de informação genética contaminada.

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