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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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19
Jul20

TinTin e o Templo do Sol

Rita Pirolita
Ando a rever as aventuras de TinTin, desta vez os episódios estão dobrados e não têm legendas, não podendo ouvir o sonante francês em versão original que seria uma recordação mais fidedigna. 
O moço disse que os desenhos animados na altura, eram mais despretensiosos, embora seja uma palavra cara demais para a faixa etária de quem via estes bonecos de TV, assenta muito bem esta definição! 
Na altura, para além de ser criança vivia numa época definida por valores, tradições, atitudes e modas um pouco diferentes e verifico o quão tudo mudou, não forçosamente para melhor.
O Capitão Haddock dos mil trovões estava sempre mal disposto, fumava cachimbo, bebia alcool, às vezes demais até ficar grogue, isto tudo à frente de crianças e passado num só episódio, o Templo do Sol. 
Já não me lembrava destas coisas que nunca me fizeram confusão nenhuma, mesmo quando as vi pela primeira vez no écran a preto e branco lá de casa.  
Nessa altura muitos homens fumavam cachimbo, fumava-se em todo o lado, até na televisão em entrevistas, directos ou mesmo noticiários, em locais públicos e o meu pai em casa também fazia bem de chaminé. 
Antes de entrar para a primária já eu ia sozinha, sem medo que me raptassem, ao café da minha rua buscar doses de caracóis com muitos oregãos e garrafas de litro, não de 7 e meio, de cerveja ou vinho branco ou tinto à pressão. 
O café cheirava a petiscos, cerveja entranhada no balcão de madeira, que a ASAE ainda nem sonhava em existir e fumo, muito fumo que pairava por cima das cabeças e de um chão repleto de cascas de amendoim e tremoços, beatas, pastilhas Pirata ou Gorila e mais que viesse colado aos sapatos das dezenas de pessoas que passavam por ali todos os dias para beber um copo à pressa depois do trabalho e antes de jantar, assim as mulheres não chateavam muito, ou fazendo sala e ficando noite dentro, esparramados nas cadeiras de pau desconfortáveis que nem sepos ou encostados a segurar o balcão, para não cairem eles e o balcão! 
Todo este filme se passava em frente à minha futura escola primária! 
Ninguém ficava ofendido com esta promiscuidade e eu muito menos fiquei traumatizada, achava piada àquele ambiente confuso de tasca, com barulho de fundo de apitos de jogo da bola! 
Aos fins-de-semana e mais por altura do bom tempo, todos se sentavam na esplanada de olho em nós que brincávamos nos passeios ou no meio da estrada de uma rua sem saída, que era só das gentes daquele bairro do Feijó. 
21
Set19

Cozinhar para o povo!

Rita Pirolita
 
 
Até o Dr. Oz fala de comida, de dietas, de sumos Detox e leva fígados, vesículas e rins para mostrar a todos o mal que faz ao corpinho comer porcaria...

Mas hoje estou aqui para escrever sobre os programas de cozinha e os sentimentos que me provocam, já que não posso comer e cheirar o que fazem atrás do écran. 

Os olhos também comem?...Pelo menos quando vejo receitas do meu agrado começo a salivar e quase me consigo imaginar na mesa do repasto

Não me importo de comer mas sou uma esquisita do caraças, não posso comer, cheirar ou ver ovos, carne, sangue, banha de porco, polvo, ostras, baba de camelo, molotof e a lista continua.

A Filipa Gomes é a nossa Nigella Lawson portuguesa, lambonas rechonchudas sempre em dietas, num duelo interminável entre balança e goludice, não são lingrinhas como o Anthony Bordain, o Henrique Pessoa ou o Chacall, que parecem ter a bicha solitária ou andam sempre em petiscos, provam tudo e não comem nada. 
O Jamie Oliver se fosse português era criticado por usar poucos vegetais mas como é inglês toda a gente acha que faz comida muito saudável, basta pôr no BBQ uns pimentos e um alho francês e voilá, adeus colesterol britânico

A pioneira Maria de Lourdes Modesto com o seu inigualável livro Cozinha Tradicional Portuguesa, que todas as mães tinham no enxoval e a poupadinha Filipa Vacondeus e o seu arroz de cordéis de chouriço, tão bem retratada no Cozinho para o Povo do Herman, que nos pôs à procura de paprika nos supermercados, quando aquilo era simples colorau.
 

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