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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

05
Ago20

Feminismo

Rita Pirolita

O feminismo não reclama mais que um dos princípios da Revolução Francesa, a igualdade e neste caso especifico entre sexos, a fraternidade e a liberdade também deviam entrar nesta luta já que as feministas de hoje se transformaram em extremistas com muito fel pronto a disparar em todas as direcções para calar opiniões divergentes.


Mulheres frustradas que invocam sempre a inimizade e ataque feroz como sendo do piorio entre elas, mal comparado aos homens que não estão nem aí. 

Desejam secretamente que o seu rol de traumas incluísse uma tentativa de violação não concretizada na adolescência, para poderem falar com conhecimento de causa, editar um livro e lutar muito pelos direitos das que verdadeiramente sofreram às mãos de um qualquer grunho, ou então gostavam de ter uma pila retrátil que saltasse cá para fora para violar mulheres que não lutam afincadamente como elas e perguntar a todo o segundo 'Estás a gostar? Dói não dói? É para sentires o que eu quase sofri.' Experimentam assim a igualdade de estar do outro lado a fazer de gajo estúpido.

Levam tudo a sério, viram feras carrancudas na defesa das virgens ofendidas enquanto deviam aproveitar as vantagens que têm em ser mulheres, como por exemplo ter um filho do Ronaldo e nunca mais trabalhar na vida, não ir à guerra, ser dona-de-casa, dar a desculpa de estar com o período e fazer o que lhe der na bolha... 

 
18
Jul20

Caros leitores

Rita Pirolita
Neste texto vou expor as minhas deduções sobre quem me leu uma vez e jurou para nunca mais, ficou a deitar fumo pelas orelhas e me desejou a morte, quem continua porque simplesmente gosta ou quem não consegue deixar de ler e fica à espera da próxima patacoada que vou vomitar, quanto aos indiferentes, gostava de acreditar que não encalharam por estas bandas. 
Aviso já que não sou bruxa nem tenho hipótese de saber se acertei muito, pouco ou nada. 
Muitos que me lêem, mais os que não gostam ou mesmo odeiam, devem indignar-se com o tratamento radical, escandaloso e às vezes até sanguinário que dou aos temas, nunca superficial e sempre a dsr-lhe com fé!
Para já, cada vez mais tenho certeza de menos coisas por isso a convicção vai com os porcos com a grande ajuda de um mundo louco que muda de opinião a cada milésimo de segundo que se ofende com duas ou três palavrinhas apenas e que volta sempre a cair no mesmo erro, dar palpites sobre vida alheia que no fundo é o que estou a fazer mas sem maldade ou critica desbragada. 
Como sempre só me quero divertir com a minha própria coisinha...a imaginação!
Meus caros leitores eu não sou de outros mundos, sou como vocês, alguém que abana ilusões instaladas que dos traumas dita acções e tenta minimizar a corrosão da revolta, alguém que selecciona princípios e responsabilidades, destrói dúvidas e cria decisões pelo caminho que vai escolhendo fazer. 
Sim somos todos produto da adversidade e da luta mais que da boa vida de bandeja que tanto desejamos de vez em quando, para descansar um pouco da lucidez que revela a dureza da realidade, traz tristeza, enlouquece e inquieta.
Uma coisa já aprendi, só a morte me vai anestesiar tal como vocês não se ficam cá a rir para sempre!
14
Jul20

Assunto carnudo

Rita Pirolita
Se há dias que não me apetece ter opinião sobre assunto algum é hoje e cada vez mais me acontece, outros, mais raramente vão surgindo de contestação e revolta, de querer abrir olhos alheios e mostrar o meu lado da questão, influenciado pelo meu passado de traumas e sucessos! 

Mas porque queremos todos opinar em alguma altura da vida, sobre seja o que for? 

Confesso que este sentimento de dever parecer a uma plateia anónima com a idade se vai desvanecendo, cada vez menos me importa o que os outros pensam de mim, o que pensam comumente e em comunidade-rebanho, não quero atrair atenções nem puxar a razão a mim! 

Poderia dizer que me estou a cagar para tudo mas na realidade não posso porque sou sociedade também, seria tamanho empertigamento pôr-me à parte daqueles que preciso para viver como uma observadora externa e independente, não permeável a vícios, tristeza, amor e paixões. 

Posso dizer que vivo bem sem muitos, convivo mal com a maioria mas não posso de todo deixar de viver sem alguns. É neste desequilíbrio que a minha solidão vai solidificando sem empedernir, espero eu!

Deixei faz tempo de tentar contactar fosse quem fosse em altura de celebrações e sinceramente espero que ninguém se lembre que não o fiz, porque no momento em que o fizerem perdem a oportunidade de estar calados por não poderem cobrar aquilo que nunca partilharam!

Quem não se lembra de mim em momentos de abundância, agradeço que não me fale em tempos de fome! 

Que obrigação ou prazer tenho eu em contactar gente que resolveu esquecer-me como castigo, por eu ter abandonado o país e aqueles que diziam gostar da minha companhia, não gostavam de mim e agora que não me vêem têm inveja de uma felicidade e riqueza material que adivinham nas suas tontas cabeças. Ser feliz sem ser rica, ainda mais me cobiçam.

Estas limpezas e reciclagem são como mudar de número de telemóvel, tiram contactos contaminados e relações impostas e doentias, só merecem ser apagados, esquecidos e se possivel nunca mais revisitados.

Quando não encontro assunto carnudo para escrever, mesmo assim de algo tento fazer tema e foi isso que se deu aqui, caso não tenham reparado.

Falar do trivial e constatar o óbvio, faz parte de momentos apesar de simples, de tédio também. 

Estou em modo monotonia mas com pouca nostalgia, estou deitada a sentir o tempo passar sem a preocupação de o preencher com opinião, estou apenas e só, aqui e agora, sozinha e bem!
20
Fev20

Balde do lixo

Rita Pirolita
Vou falar de um balde do lixo doméstico que caiu dentro de um contentor do lixo por minha culpa mas tudo acabou bem, apesar do mau cheiro!
Desde que me lembro de ter desenvolvido as minhas capacidades motoras em pleno que usava mais para correr, saltar e brincar, lá em casa já me incutiam a responsabilidade de tarefas, como limpar o pó todos os dias, sim, todos os santos dias, menos ao domingo, o que não custava muito num andar minúsculo de 2 assoalhadas.
Um quarto para os progenitores e uma sala que acumulava as funções de estar, jantar e à noite virava o meu quarto, com um sofá-cama forrado a bombazina verde-musgo, muito na moda, que abriu e fechou durante muitos anos, as vezes que foi preciso, no sono e na doença, cumprindo a sua função perfeitamente até ao fim do seu uso, que se deu com a mudança de casa e um quarto só para mim, mas só lá para a adolescência! 
Numa casa onde imperava a discórdia, destruição, gritos e violência ninguém se preocupava com educação ou compreensão, impunham-se regras para diluir a falta de respeito e iludir uma normalidade que nunca existiu. 
A obrigação de ajudar era uma forma de marcar autoridade por imposição maternal, quase como uma vingança e transferência de raiva, vinda de alguém que era tratada como gata borralheira e se queria sentir como a irrepreensível fada do lar, com poder no seu pequeno reino doméstico, já que a sua existência era todos os dias assombrada por discussões humilhantes e uma incompatibilidade visceral mantida à força, um amor doentio, obsessivo e destruidor, com resultados nefastos no futuro...para mim também! 
Os meus dias decorriam embuídos de uma inocência que de alguma forma me protegia do caos à minha volta e cujas memórias apenas mais tarde vieram a ser processadas, por uma cabeça que foi obrigada prematuramente a deixar de ser pueril. 
Nunca éramos desgraçados de quem alguém tivesse pena, não tínhamos onde nos queixar ou recolher, vínhamos ao mundo numa família que nos dava comida e nos punha na escola e só tínhamos que cumprir com o mínimo de obrigações, não fazer birras e se fosse caso disso levávamos dois tabefes que nos acertavam o passo, até à próxima choradeira típica de miúdos, por tudo ou por nada. 
A vizinha do prédio da frente batia na filha com colher de pau todos os dias, partia colheres a toda a hora no lombo da miúda e fartava-se de gritar com ela, eu como não levava tanto, encolhia-me como se as colheradas me estivessem a cair em cima do pêlo, como a dividir as dores em solidariedade para com a minha colega de escola que não esperava ver inteira no dia a seguir, mas lá aparecia ela sem ponta de queixa ou perda de peças, embora tivesse de certeza aquele rabo todo negro!  
Além da limpeza do pó e dos vidros, com vinagre e jornal amachucado que me deixava as mãos pretas mas os vidros imaculados também tinha a tarefa de ir despejar o balde do lixo, o que até gostava, visto que qualquer pretexto para andar com o cu na rua era bem vindo. 
Certa vez ao fim de um dia longo de verão lá fui despejar o lixo no contentor que ficava nem a 100 metros do meu prédio, era uma hora calma de fim de jantar, não se via vivalma e nem os pássaros se ouviam, derretidos na molenga dos ramos. 
Ao virar o balde para despejar aliviei demais as mãos e aquela porra escapuliu-se e foi parar ao fundo do contentor que ainda por cima estava vazio. 
Olhei incrédula para dentro daquele buraco mal cheiroso com paredes incrustadas de camadas de gordura e humidade fétida e não me dando por vencida nem ir a correr chamar a mãezinha que não era nada o meu género, investi em me desenrascar sozinha. 
Tentei esticar um braço ao máximo, depois os dois, depois aos saltinhos e depois de tanta tentativa infrutífera e a enxutar moscas com chapadas de raiva no ar, bichos da merda, que tinham tirado o fim do dia para me chatear e não tinham qualquer sentido de oportunidade ou condescendência com a minha difícil tarefa de salvar o balde do lixo de ficar no lixo, decidi empoleirar-me nas pegas laterais, qual mangusto chafurdeiro e com cuidado para não ir parar lá dentro e fazer companhia ao balde, empenhei-me no equilíbrio e de uma penada lá consegui alcançar o balde. 
Cheguei a casa como se nada fosse, calada que nem um rato, mas com os sovacos doridos e a tresandar a lixo. 
Não tive a pior infância do mundo, nem por lá perto, mas podia ter seguido caminhos piores e mesmo assim ainda bati em algumas portas erradas que me prontifiquei a fechar assim que desse com o erro e a retomar caminho que me parecia menos mau. 
Não tive muito tempo para brincar, a responsabilidade chamou-me logo a alinhar na vida muito cedo e agora olhando para trás, a minha sorte seria outra se me tivessem recolhido sem pena, qual cão de rua abandonado que amassem porque tinham para dar, sem se importarem com o meu curto mas já dolorido passado, traumas e medos e eu iria agradecer que para meu bem me dessem educação com um propósito e não o vazio imposto do "vais fazer porque sim, porque eu digo, posso e mando em ti!"

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