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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

20
Jul20

Nem a Bimby

Rita Pirolita
Os meus pais passaram uma vida inteira em violência fisica e verbal sem me ligar nenhuma, eu como sempre armada em responsável que fui obrigada a ser desde a infância, por estar por minha conta e risco desde muito cedo, tinha o péssimo hábito de dar uns berros para eles se calarem por um segundo que fosse, como não tinha para onde fugir, nem família por perto, nem havia CPCJ, nem psicólogos, nem APAV ou SuperNannys, um dia dentro do carro o meu pai que era marinheiro do Alfeite e tinha a mania que dava porrada em todos, não vai de modas, estava ao volante e puxa a culatra bem lá à frente e espeta-me uma arrochada no banco de trás que apaguei, desmaiei e não tugi nem mugi. 
Nunca me habituei, não gostei mas levei muitas mais por tudo e por nada e sempre de bico calado que mesmo que alguma vizinha soubesse, passava-me a mão pela cabeça e dizia que era passageiro e a vida era assim para todos!
A minha mãe já não está cá e com o meu pai pouco ou nada falo, quase todos podem continuar a defender em prol do necessário para uma boa educação, que uma palmada na hora certa nunca fez mal a ninguém e todos lhe sobrevivem mas muitas e dadas com muita força marcam para sempre e matam, não só a alma!
Não se assustem, porque lá por não ter tido educação nenhuma de jeito e já ter visto muita coisa nunca bati em ninguém, a não ser na escola primária, não gosto de pessoas em geral, não confio nem desconfio, se me chateiam muito afasto-me e se me chateiam ainda mais tenho vontade de as fazer desparecer com um estalido de dedos. 
Fujo de conflitos como o diabo da cruz, tenho a estratégia salvadora de não criar intimidade nem espaço para intromissões e nunca me pôr a jeito de ser importunada! 
A selecção de quem tem sucesso ou fica votado ao anonimato é feita pela sociedade, os rituais de passagem e selecção, as relações na escola, no trabalho ou entre família serão cada vez mais violentas através de bullying, assédio, violações físicas e de espaço, castigos, chantagens, trocas de favores.
Os critérios para eleger quem serve ou não, serão cada vez mais enganosos, menos altruístas e honestos, até mais desumanos e chegar ao topo vai ser cada vez mais difícil no meio de tanta gente normal.  
Interessa acima de tudo combater o tédio do anonimato da normalidade, para se ser anormal e destacar dos demais vale tudo, até a vida e quando o anormal passa a normalidade, tudo tem que mudar a um ritmo alucinante para se realçar, num crescendo de loucura. 
Vejam só os exemplos de bravura inconsciente a que os adolescentes se submetem, como rituais de passagem e aceitação cada vez mais espartilhados, inexplicáveis, impenetráveis e secretos como a obscura maçonaria, Baleia Azul, queimarem-se com água quente, fazer orgias sem preservativos com pelo menos um infiltrado portador de SIDA...
Em vez de passarem tempo de qualidade e comunicarem para serem gente livre e independente na devida altura, cada um está no seu canto a ver TV, agarrado ao telemóvel ou a comer pastilhas de detergente!
Os pais meteram na cabeça que os seus filhos são os especiais e eleitos, umas crianças índigo, umas sumidades hiperativas e autistas, uns esgrouviados geniais, uns espertos inteligentes. 
Em nome de aturar tudo aos meninos, deixam que lhes batam, faltem ao respeito, façam birras de meia-noite e até lhes deixem de falar quando bem lhes apetece. 
Aos filhos responsáveis não é pedido mais que o normal e não fazem mais que a sua obrigação de tirar boas classificações na escola e se passarem com alguma distinção ainda melhor, para eles claro, os mimados que se fazem de mulas, são compensados a cada período escolar e no final de ano se passarem apenas mesmo à rasca, com presentes e elogios de génio!... 
Aos espertos que têm todos os desequilíbrios do foro psicológico, tudo lhes é permitido, até meterem-se nas drogas, porque não lhes cabe tanta inteligência nos cornos  passam sempre por sumidades e os outros não são mais que pessoas responsavelmente normais e só se lixam porque como aguentam bem com a vida, ainda lhes põem mais carga em cima, sem ajuda e para lhes ocupar o tempo, para não perderem o foco de uma vida equilibrada, votada ao sustento das birras de outros! 
É o culto dos coitadinhos que cria inválidos sociais e atrasados mentais a cada minuto.
Desculpem pais extremosos mas muitos de vocês são uns parvalhões, muitos outros não merecem os filhos que têm e quase todos merecem tudo o que os filhos lhes fizerem desde insultarem, abusarem, extorquirem ou até nem ligarem nenhuma!
Os adultos são os piores ao exporem as crianças nas redes sociais, sabendo de todos os perigos associados.
Querem tirar cristo da cruz sem marcas de tortura? 
Quando se pergunta aos fedelhos de hoje em dia o que querem ser, não poucas vezes respondem o Ronaldo, a Shakira ou até Youtuber ou se não conseguirem ir tão longe, já ficam contentes de participar num reality show para serem vistos e conhecidos na rua, depois caem em depressão pós-parto da fama tão pequenina, confinada ao bairro e a meia dúzia de admiradores nacionais nas redes sociais. 
Os miúdos sempre nasceram com informação genética e são tudo menos inocentes, absorvem tudo e reproduzem com níveis de crueldade cada vez mais altos.
Querem dar a comer malvadez e hipocrisia para cagarem amor e bondade??? Nem a Bimby faz isso!
31
Mar20

O sexo sem hu(a)mor não tem tanta piada!

Rita Pirolita
Vou falar de sexo com o pudor que merece da minha parte ou seja, nenhum!
Não precisam de comentar ou expor o vosso comportamento mas vejam lá se não sentem também um pouco do que eu sinto. 
Sempre me intrigou o seguinte, filmes românticos, eróticos, de suspense, policiais, de zombies, vampiros ou até canibais, parece que agora não há género que não tenha que enfiar no guião como condição sine quo non, uma cena lá pelo meio de pirueta em vale de lençóis, no elevador, nas escadas, é onde calhar, nunca se pensa em DST's, preservativos ou mesmo tirar as collants e calças, tudo é penetrável, até a roupa. 
Ora bem, estão a ver aqueles filmes em que na cena quente ela é filmada em slow motion com os cabelos ao vento em posições sem refegos, celulite ou mama descaída, tudo é perfeito e rápido que nem coelhos, elas surgem na cena seguinte de roupão ou com a camisa dele enfiada à porcalhona desleixada mas maquilhada que nem Bela Adormecida e com o cabelo sem pintelho a despontar fora do sítio, tudo arrumadinho mas com um olhar de badalhoca, que só Deus sabe e o gajo que esteve com ela na cama!?
Estão por outro lado a ver os filmes que são uma sátira a estes? Em que ela na cena sensualona cai da cama, parte um pé, entala os dedos na mesinha de cabeceira ou aparece o cão dele com um olhar que a intimida e envergonha e junta-se à cena, não, corta, isto já sou eu a delirar! 
Pois, eu sou mais inclinada para estes lados, para este tipo de tragicomédia, não que já não tenha tentado fazer de boazuda, sempre me foram dizendo que sou gira e devia explorar mais a minha faceta sexy, que segundo todos os homens, todas temos. 
Sinceramente nunca me senti assim, prefiro pensar em mim como alguém com graça e piada, de ar divertido de quem está bem com a vida, a nível fisico a imagem que penso transmitir é de alguém com uma postura pragmática, porte mais para o atlético, calço o 41 e sendo alta posso dormir de pé como as galinhas, é sempre o que me dizem para serem simpáticos e não desagradáveis ao confirmar que de facto sou patuda, tenho umas mãos enormes, embora seja proporcional, isto não é de todo o cumulo da feminilidade e delicadeza, por mais que tente não parecer um elefante dentro de uma loja de cristais! 
Ora bem na senda de tentar descobrir alguma coisa em mim que os outros viam mas eu não queria admitir, tentei em algumas alturas forçar-me a ser sensual, em câmera lenta e tudo, confesso, não deu o resultado esperado, saiu mal, deu merda mas fartei-me de rir, não sendo a única a ser contagiada pela cena, quem estava comigo também confirmou, que estávamos lá para foder e rir se assim fosse o caso e houvesse oportunidade e não para andarmos a brincar aos cowboys, a esconder-me do Índio que me quer dar com a pena na moleirinha para castigo ou fazer-me cócegas nos mamilos como tortura. 
Por falar em personagens de filmes, nem me queiram imaginar vestida de enfermeira put@ e ele com arreios de cavalo, porque se não aí é que morro de riso e não fodemos! 
Ainda mais, detesto lingerie com fitinhas, botões, lacinhos, rendinhas e outro tipo de tirinhas, em vermelho e preto ainda pior, não vai com a cor dos meus olhos. 
Detesto que tentem impor celebrações como o dia dos Namorados, lembrar o dia em que o conhecemos, celebrar a primeira queca, a primeira semana, mês, trimestre, meio ano ou ano...arre, não!
Detesto flores empinocadas, então aqueles arranjos de florista não têm piada nenhuma, nunca consigo distinguir um ramo de festa de um para funerais.
Não gosto que arranquem flores em geral, deixem ficá-las no jardim que são mais bonitas e mantêm-se vivas por mais tempo. 
Pétalas de rosa e velas, suporto numa massagem, se for oferecida tanto melhor e como estou de olhos fechados também não vejo as paneleirices da decoração.
Por outro lado sempre achei que as minhas colegas de escola na altura das descobertas e não era do caminho marítimo para a Índia, romanceavam e mentiam muito sobre a cena, quando descobriam que para engravidar não é preciso saber foder, é só preciso foder...já era tarde e que além disso para foder não é preciso amar ou andar em busca do amor nas cavalgadas, também só é preciso foder! 
É óbvio que se uma pessoa encontra alguém com quem se dá bem, que existe aquela química, como costumam dizer os entendidos desses subterfúgios da fod@, tem mais tempo de descontraidamente ir descobrindo as teias do prazer e explorar afectos, não os beijoqueiros do Marcelo, valha-me Nossa Senhora da Espuma aos Cantos da Boca, kanoije!
Pronto, já perceberam por esta altura qual é a minha visão e verdadeiro comportamento incontornável que tenho e tanto me caracteriza, de me rir de tudo e ter prazer ao mesmo tempo. 
Não se resumirá também o amor a um animalesco desejo, bastante humor à mistura e algumas dores de corpo pela ilusão e boa vontade, de em determinada idade insistir em fazer posições de há 20 anos atrás, dentro do carro já nem se fala, ou inventar novas posições que não dão em nada, a não ser em torcicolos e quedas mais ou menos aparatosas?!...Mas nada nos pára! 
28
Jun19

Passarão de lata

Rita Pirolita
Gosto muito de viajar e até hoje não me posso queixar, já fui a muitos sítios e muitos deles distantes o suficiente para ter que me meter na barriga de um passarão de lata, para chegar ao destino tão desejado o mais rápido possível. 
Andar lá em cima a fazer de conta que voamos melhor que os pássaros não me agrada muito, precisamente por não ser natural e sim mecânico e por isso passível de falhas tão graves que quando a coisa corre mal, muito poucos restam para contar como foi, mas o desejo de visitar mundo é tão grande que esse medo só surge em lembrança leve o suficiente para não criar pânico, antes de tirar os pés do chão, depois é só dormir e comer o que dão, porque não há livro de reclamações e não se pode sair porta fora e ir ao restaurante do outro lado da rua, por isso seja o que venha é bom e dormir é a única solução para que o tempo passe mais rápido. 
Muitas vezes antes de descolar já estou cheia de sono, desconfio que põem qualquer coisa no ar que só me afecta a mim e uns quantos, porque não vejo muita gente com esta soneira e descontração. 
Depois de levantar voo, asseguro-me que acompanho a manobra até a coisa estabilizar lá em cima, como se a minha supervisão de co-piloto de classe muito económica evitasse qualquer falha, volto a dormir e só acordo com o cheiro de comida no ar.
Deito um olho aos programas disponíveis, sempre na esperança de não adormecer passados 10 minutos de um filme, que me levou 20 a escolher. 
A maioria das vezes suspiro de alívio por não ir enchouriçada entre dois gordos e outras dou pulos de alegria se der para me deitar em três bancos corridos, porque o metro quadrado aéreo é muito caro e gente comprida como eu sujeita-se à  tortura da cadeira. 
Depois de instalada é só dormir e babar que nem uma camela até escorrer para o pescoço, de boca escancarada, parece que morri há uma semana e já estou dura que nem uma carcaça. 
Só acordo uma última vez na descida para o paraíso, aliás são as únicas vezes que se pode dizer que descemos para o paraíso porque a última vez que se sobe é fatal, derradeira e não precisa de reserva.

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