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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

15
Jul20

Jazz again

Rita Pirolita
Lá fui outra vez ao jazz com a sogrinha, o moço gosta até bastante mas ficou em casa a dar banho ao cão. 

Desta vez as composições eram do old Mississipi, finais da década de 20 e anos 30, do Delta a Chicago, fez-se ouvir um free jazz de clarinete arrebitado com o saxofone, uma bateria calma mas notável e um violoncelo tão gutural, macio e elegante como o violão.

De início um compasso de minimalismo Michael Nymaniano, depois uma desorganização de cigano romeno, bem ao estilo Kusturika, entrámos depois sim na raiz do jazz ancestral.

Como é  possivel um auditório, ainda que pequeno, não estar cheio e depois uma Ariana Grande, uns U2 ou mesmo um Tony Carreira, enchem pavilhões ou estádios, desculpem, para mim estes três exemplos estão todos ao mesmo nível do mau gosto musical! 

Podem fazer muitos concertos a favor das vítimas da fome e da guerra mas dizem pouco, berram muito, têm agenda política e de conveniência e não enchem almas nem regam imaginação! 

Bardamerda que a música como arte não é isso!

A dada altura imaginei um qualquer animador vestido de Laranjina C a passar por trás dos músicos em passo de bailarina gorda e desajeitada, mais tarde visualuzei uma Pantera Cor-de-Rosa agarrada a uma Schweppes, uma Betty Boop, um Gato Silvestre ou mesmo os malucos das Máquinas Voadoras com o cão de quem eu sempre soube imitar o riso de gozo, Mutley, o prognata, de ombros encolhidos perante quedas aparatosas.

Só pergunto, quando começaram exactamente a encher de porrada que até ferve, os desenhos animados e a tirar o jazz como música de fundo, tão em sintonia com o movimento da bonecada?...
29
Mar20

Quem vê caras, às vezes vê focinhos também

Rita Pirolita
Não sei se vos acontece mas acreditando que sou tanto ou mais parvalhona que qualquer outro mortal, tenho tendência a comparar objectos e animais que me fazem lembrar determinadas pessoas!
Há pouco tempo andei à procura de umas botas que fossem confortáveis, aliás, todo o meu calçado tem que o ser, até parece que nasci em África e andei quase sempre descalça e agora qualquer sapato me magoa, também não tenho joanetes ou qualquer tipo de micose, apenas tenho uns pés saudáveis mas pouco femininos, feios de tão ossudos que são, tenho pés de figurante de morgue, apenas a cor não é tão azulada mas é pálida, como eu toda me transformei, num ser de pele pálida desde que estou na terra dos coiotes, dos ursos, dos veados e mais outros bichos fofos à distância!
Ora estava eu a dizer que andei recentemente à procura de umas botas que dessem para o dia-a-dia, para caminhada e que fossem bonitinhas também, uma bota versátil e todo o terreno. 
Já as comprei mas para as descobrir comecei a perceber que o lado dos homens 'had much more fun'. 
Lá comprei o número que me servia, para uma patuda como eu, no lado dos homens senti-me uma princesa, por calçar dois números abaixo, já que as formas são maiores!
Mas enquanto andei no início das buscas pelo lado das ladys só me deparei com coisas que apertavam os cascos, com ar de fufa ou com ar de bruxa que só lhe faltava a vassoura e assim surgiu a comparação ali por volta do 2º ou 3º par. 
O moço começou a saga e disse logo, isso são botas à não sei quantas, que é feia como um bode, tem uns olhos pequeninos de morcego e um queixo quase a bater no nariz, entremeados por uma boca de lábios muito finos e sumiticos, a aparência está tão próxima que só lhe faltam mesmo as botas de ar rústico, de atacadores até meia canela, todas esgoiladas e uma vassoura de cerdas desalinhadas, prontinha a voar!  
Há outra comparação que costumamos fazer, de mais longa data, tal como a amiga em comparação com a bruxinha!
Por estes lados, é normal os carros serem todos enormes mas há uns que exageram, então de vez em quando lá se vê passar uma pick-up de rodado duplo atrás, o que a faz parecer uma amiga nossa que tem um grande pandeiro. 
O namorado da altura em vez de dizer que era gorda, era mansinho e dizia antes que ela tinha os ossos largos, quando passou a ex, começou a dizer aquilo que pensava e passou a chamá-la de gorda mesmo!
Por isso quando vemos passar uma destas, lá dizemos, olha vai ali a fulana tal de traseiras generosas! 
Todas as outras comparações são muito corriqueiras, menos pessoais e todos vocês já as devem ter feito, atribuir animais a determinadas carantonhas que saltam logo à vista. 
Já todos nós vimos milhentas encarnações de porco, de cachaço a fazer duas e três dobras de gordura, de nariz de papagaio, de olhos enviesados como os peixes...
O moço a mim, diz que tenho "cara de focinho" de esquilo, por ter um nariz arrebitado e bochecha que se veja para guardar umas quantas avelãs!
Os orientais nos seus diagnósticos pela face, além de lerem tendências e doenças instaladas, também conseguem determinar o excessivo consumo de determinado alimento em gerações anteriores, dizem por isso, que eles próprios por comerem tanto peixe têm feições 'peixivoras', eu espero que noutras vidas não tenha comido muitos esquilos, além de serem uns fofinhos eu sinto que já devo ser vegan faz umas quantas reencarnações! 
Tarde reconheço que os animais me inspiram e as pessoas me esvaziam?!...
Outros casos, são retratos fieis de quem vê caras não vê boa disposição, os chamados cara de poucos amigos ou mesmo cara de cu, que até podem ser muito boas pessoas mas a mim não me convencem nem a chegar-lhes perto. 
Dou apenas alguns exemplos e depois vou-me embora, para não ser trucidada pelos respectivos fãs. 
Dizem que o Mourinho é uma pessoa muito bem disposta...
Com aquela cara de cu?! Duvido!
As mulheres acham sexy aquele ar, que meio mundo lhe deve dinheiro! 
Para mim nem barrado com maionese vegan!
Dizem também que o Tony Carreira é uma pessoa muito divertida!
Enche pavilhões é certo com as quarentonas ressabiadas e encalhadas mas quando dá uma simples entrevista é tão apagadinho, sem brilho ou ânimo, parece que já morreu e esqueceram-se de o meter no caixão! Não se esqueçam é de pôr o capachinho quando o homem morrer!
A Simone de Oliveira, uma referência enorme no panorama da música ligeira portuguesa mas a senhora a quem todos elogiavam a belezura, aos meus olhos sempre pareceu um camafeu e pode ser muito boa pessoa, amiga do seu amigo mas sempre que fala é tão amarga e revoltada, não é uma pessoa que serenou com a idade, está sempre a chover no molhado com a conversa da Revolução e da censura!
O António Sala em novo tinha ar de actor porno e agora tem ar de pedófilo e continuo a dizer o que digo dos outros, se calhar e espero bem que sim, é uma jóia de pessoa!
A Amália Rodrigues em tudo tão diferente da irmã Celeste, que sempre teve um ar sóbrio, sereno e de gente certinha da cabeça. Acredito que a Amália já tenha nascido com aquele ar esgrouviado e olhar vazio e nunca pôde fazer nada mas podia ter deixado de cantar, quando já só murmurava fado arrastado como um bebedolas!
Já o Toy, mostra o que é!
15
Ago19

Toda a vida não fui romântica

Rita Pirolita
 

Somos seres fúteis de ciclos e modas.
 
Agora toda a gente fica famosa por dar palpites e escrever verdadeiros manuais de instruções sobre comida, sexo, amor e amizade.

Já passei dos 40 e nunca fui ver o Tony Carreira montada em bota bicuda branca de cano alto, camisola de lantejoulas, unha de gel e brincos à Ana Malhoa. Ainda estou muito a tempo!

Os românticos passam dias em preliminares a adiar a ejaculação do envolvimento.
Que chatice! E quem não é romântico? Existe manual de sobrevivência? Eu tenho de certeza um cérebro hermafrodita!

Os homens desfasem-se em manobras de jantares, flores e chocolates porque quase todas as gajas gostam, as que não estão para aí viradas ficam no limbo, rotuladas de esgrouviadas e condenadas a relações curtas e pouco sérias.

Não somos só nós, os homens às vezes também não sabem o que querem, a pieguice feminina de que tanto se queixam desvia a atenção do seu lado sensível e assim se convencem estar imunes ao sofrimento por amor.  
É muito mais fácil suspirar pelo que não existe ou que pertence a um passado irrecuperável e romanceado.
Amar é uma ginástica saltitante entre entrega do ouro e defesa do reino, mas em situação alguma deixes alguém ser maior que a tua própria vida.

Um dia uma criança apenas disse que 'amar é o dobro', seja lá isso o que for é simples e agrada-me. 
O amor se não for justo transforma-se na tal coisa poética que escraviza, manipula e vampiriza energia.

Amor e razão vêm do mesmo sítio, algures entre as virilhas e o couro cabeludo.
 
Não tenho jeito nenhum para escrever sobre estas merdas, perdoem-me os amantes das balelas amorosas.
 

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