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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

05
Ago20

THE END

Rita Pirolita
Já tanta gente escreveu sobre nada ter para escrever no momento em que decide escrever e depois acabam por escrever qualquer coisa sobre nada escrever, o que posso escrever sobre isso?

Nada e tudo ou nem por isso? Porque os 'desassuntos' também merecem silêncio de reflexão ao seu respeitoso vazio! 

Tenho tanto tema que me apetece escrever que neste momento de agora não consigo vislumbrar ou escolher claramente nenhum entre ideias engalfinhadas que seja consistente para transformar em símbolos e transpor para aqui em palavra materializada, escrita desenhada!

E o tempo vai passando a passo de tempo e o espaço da página é preenchido aqui, sem ocupar memória nem desocupar espaço! 

Não sei sobre o que escrevo nem tenho a mínima ideia do que vai surgir até acabar de escrever!

Se calhar terminava por aqui ou dava mais um tempo?...

Dedico essa espera a quem? A mim ou a vós?

THE END
17
Jul20

Vida que baste

Rita Pirolita
Raras vezes me fogem as palavras ou o ânimo se esvai, as ideias ficam por um qualquer recanto ou o sentido do que faço se perde entre pensamentos e a acção pára nas mãos.

Por um segundo a vida pode ser assim mas em quase todos os outros momentos não o é, para desassossego meu, inquietação que não me larga, responsabilidade que tanto se agarra ao destino tentado. 

Sofro de sono em alerta, de tormenta que me pode ferir o equilíbrio, matar a paz em mim antes de ser sem saber o que é ser. 

Não quero tempo de sobra, quero vida que baste.

 

 
03
Jan20

Inocência canina

Rita Pirolita
A minha mãe tinha uma perfeita noção do tamanho certo de recipiente para cada quantidade, bem como uma noção quase matemática do tempo de espera. 

Eu sou uma perfeita anormal para esses cálculos humanos e tenho a inocência típica de um cão! 
Estar longe dos sítios ou coisas que gosto, seja por 15 minutos, uma semana ou um mês, provoca-me sempre a mesma emoção no momento do reencontro. 

Quanto aos recipientes, opto sempre pelo maior, onde cabe pouco e um pouco mais.
13
Dez19

Big Bang no buraco negro

Rita Pirolita
 
 

Toda a gente inteligente com mais de 3 anos de idade se questiona sobre o Universo, outros morrem sem mesmo questionar a sua existência.

Como e quando surgiu? 
Existirá desde sempre ou teve um início e vai ter um fim?

Tenho cá para mim que o Universo não nasceu nem vai morrer, se não existe o passado de um princípio não pode por isso haver um futuro com fim, o que não nasce também não pode morrer, tudo é imortal, nada desaparece, só a forma muda, serão eternos os pensamentos?...

Não sou nenhum génio da astrofísica ou astronomia, nas minhas limitações de ser humano não consigo imaginar nada sem referências, sem passado e início, sem projecções e desaparecimento mas que o infinito existe sem existir, ai isso existe e está para ficar para a eternidade!

As cores não existem sem luz e isso é válido para muitas outras coisas que nem vemos que existem por serem enormes como o Universo ou pequenas demais como os ácaros. 
E nós? Será que existimos como nos vemos, pensamos ou imaginamos? Somos apenas um sonho?
Será que tudo está organizado e tem um propósito?

O caos cria o cosmos e vice versa.
Estamos rodeados de meteoritos, estrelas cadentes, colisões, explosões, luz e escuridão, tempo e espaço, buracos negros...
Será que tudo isto sabe o que anda a fazer e para onde vai? Eu muitas vezes não sei mas a perdição é catártica!

O Universo resulta de uma explosão ou de uma aglomeração de matéria? 
Eu prefiro a teoria do espalha-brasas mas isso dá-me os números vencedores do euro-milhões?...Não!

Em alguma altura gostaria de sentir que a velocidade do tempo anula o espaço e que há espaço sem tempo, ser omnipresente para não gastar tanto dinheiro em viagens, omnipotente para meter os maus em buracos negros e os bons parti-los ao meio para fazer dois e omnisciente para saber que o planeta terra não seria o melhor sítio para constituir família.

O símbolo do infinito (∞) já de si é uma pescadinha de rabo na boca, um ovo que não se sabe se caiu primeiro do cu da galinha ou se a galinha saiu primeiro do ovo.

21
Set19

A liberdade da responsabilidade

Rita Pirolita
 
 
Mais liberdade mais responsabilidade...é verdade, quase todos os dias o sinto na pele, mas só na minha pele, porque alguns invejam a minha liberdade ao ponto de a tentar gerir ou tirar.
 
Gosto de ser livre sem criar mais responsabilidades, assumindo as que vêm com a minha vida, mas alguns invejam o meu tempo e tentam partilhar mais chatices que alegrias porque estou disponível e feliz demais. 

Quem é inseguro torna-se perigoso para a minha liberdade mas cuidado com pessoas massacradas como eu...sabem como sobreviver. 
Quem se sente arrependido e não consegue sair das malhas da vida que criou tenta arrastar quem está são para perto de si para que também apodreça.
 
Seria tão mais fácil não medir consequências nem assumir responsabilidades, não questionar a existência ou o caminho a seguir...Para os irresponsáveis tudo é mais fácil, algo os demite do Karma e cria a ilusão de imunidade e salvação.  

Vou confessar um desejo secreto, gostava tanto de ser loira, não saber que era burra e ser podre de rica como a Paris Hilton!!!
 
Gostava de ser palerma ao ponto de pensar que os cubos de gelo podem entupir a pia...seria tão mais feliz, assim sei que estou sempre insatisfeita.
09
Set19

Viagens

Rita Pirolita
Hoje é dos dias que escrevo sobre nada mas escrevo mesmo assim, não consigo conter o desejo de o fazer!
As malas de viagem são mais mochilas maneirinhas, que esticam e encolhem com a simplicidade e boa vontade, o tamanho da bagagem diz muito sobre o viajante e o que vai ou não lá dentro, diz mais ainda!
Prefiro levar pouco e poupar espaço para trazer, nem que seja brisas de mar e grãos de areia...há quem leve o que nunca usou, só use menos de metade e traga mais que não vai usar.
As viagens são para descansar braços e atafulhar a alma. 
Há quem compre a madeira, a concha, o osso, a escama, o marfim, a pele e o couro, a carapaça, o iman Made in China...tudo seco e ressequido que nem carapau, lambido e revendido. 
Há quem compre porque não levou e precisa, há quem não compre porque não precisa de precisar ou porque não lhe apetece precisar e as viagens são o cruzamento com locais, vidas e cheiros, alimento para repor a energia ou para fazer salivar os sentidos em hora de descanso.
Para uns a corrida contra o tempo, para outros o tempo que houver ajustado ao ritmo que se tiver. 
Uns reclamam a mordomia que nunca tiveram, outros aproveitam a benção da liberdade de não ter rotinas e contar apenas com a roupa que se veste e a alegria do imprevisto, de se perder por não ter mapa e acabar em paraísos.
Há quem programe tudo e faça lista, há quem deixe o acaso calhar e a intuição ditar. 
12
Mai19

O Retiro

Rita Pirolita
Rentabilize o seu tempo, não faça nada, faça jejum, limpeza espiritual, durma em cima de tábuas, faça silêncio e ouça a sua alma respirar, tudo isto como se estivesse no conforto da sua casa e pela módica quantia de 500€ o fim-de-semana.   
 
Ainda bem que isto é caro e por isso só dirigido a pessoas que não têm dificuldades em sobreviver, o comum dos mortais com pouco dinheiro, dorme que nem uma pedra ou sofre de insónias, cansaço do trabalho e de aturar filhos, come com um orçamento apertado o que o obriga a uma ginástica mental capaz de atrasar o aparecimento de Alzheimer, acorda sem paciência para as filas de trânsito ou para aturar o patrão, não há tempo nem para invocar Buda ou dizer Namastê pela manhã mas lá vai lutando pelo tempo que encurte até à reforma.
 
Ele há pacotes de yoga+surf, para grávidas, para rir, suspenso, suspenso a beber cerveja, em cima da prancha de paddle, palestras de coaching espiritual, livros de auto-ajuda tão repetitivos e enfadonhos que concluímos que tudo se poderia resumir a um panfleto de uma página ou nem precisava de ter sido escrito. 
Tudo tem níveis de evolução com preços diferentes e quando somos virgens nestas andanças se não tivermos cuidado fazem-nos sentir burros, sobretudo com a pergunta 'o que andamos cá a fazer?' Acham que se andássemos cá a fazer alguma coisa de jeito já não tínhamos encontrado a resposta?...  

Qualquer tentativa de denunciar estas actividades por extursão nunca resultará porque só lá vai quem quer, como os bruxos e demais charlatães - "Traz até mim o teu dinheiro, assim ficas com menos para gastar em coisas que não te trazem felicidade e eu sei dar-lhe melhor destino."
Já todos sabemos o fim infeliz que muitas seitas tiveram e cujos mentores apenas queriam satisfazer os seus desejos mais doentios, numa tentativa de se iludirem e iludirem os seus seguidores de que tudo era em nome do bem e da salvação. 
 
Se isto é tão importante e natural porque não promovem encontros gratuítos, na India não há cá frescura, ninguém pode pagar e os gurus estão na rua a receber a comida que quem passa pode dar, emborcam arroz com caril até ao fim da vida, mantêm-se magros porque comem quando há e o jejum forçado abre portas à clarividência espiritual.
 
Sou muito boa a fazer nada, não passo fome com comida à frente, é uma ofensa para quem não tem o que comer, cada vez falo menos porque aprendi que só traz vantagens e quase sempre me falha a paciência para ouvir gente, durmo que nem um passarinho, respiro muito bem porque desde que nasci fui obrigada a fazê-lo e não desperdiço dinheiro, muito menos em promessas vãs

A felicidade é uma perspectiva e cada um com a sua, não se compra nem se ensina, quando pensas que és feliz...já foste!

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