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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

22
Set19

Cinefilando

Rita Pirolita
 
 
Ora bem, já chega de fazerem filmes de merda nomeados para 50 mil Oscares. 
 
O último barrete que me enfiaram foi O Renascido, filmado no Canadá, cujas paisagens de bonito pouco têm, faz um frio de rachar, só quem cá vive é que sabe e tem como protagonista um Leonardo Dicaprio que mesmo ao fim de tanto tempo de ferimentos, mais ou menos três horas de filme, fome e maus tratos continua com uma cara rechonchuda e ainda dá porrada no outro, até que a morte os separe. 
 
Os outros barretes já não os enfiei, estou a referir-me às  50 Sombras de Grey, às 50 Sombras Mais Negras ou 50 Tons Mais Escuros, como preferirem, são dois títulos péssimos e ao La La Land.
Quanto às sombras do Grey não li os livros, nem vi os filmes, o facto de todas as mulheres andarem a ter orgasmos ao comentar as cenas mais escaldantes tirou-me a vontade de ver e pôs em causa a credibilidade de tanta fama e bom gosto. 
Para já não me identifico com as mulheres da minha idade (40's), idade das divorciadas com patareca aos saltos que foram as que correram em massa a ver este tipo de filme, depois houve tanta gente que viu a dizer bem e tanta gente que não viu a dizer mal, outros leram o livro e como lhes pareceu tão mau não foram ver o filme, outros ainda houve que leram os livros todos numa noite e foram ver o filme e ficaram desiludidos por comparação à leitura.
Quanto às 'Sombras mais Escuras', não merece a pena, não se deve ver quase nada porque deve ter sido filmado com muito menos iluminação que o anterior.
 
Enfim, parece-me que se passa o mesmo com os que ouvem música pimba, não assumem que gostam, mas lá em casa têm os discos todos do Marco Paulo e Dino Meira e contribuíram assim para tanto disco de ouro e platina que forram as paredes dos verdadeiros artistas.
Eu ainda sou pior, não vou falar mal do que não vi mas também não tenho vontade de ir ver e gostar...ou não.
 
Os filmes que me marcaram já têm 20 ou mais anos, Blade Runner, Rumble Fish, Laranja Mecânica, Pulp Fiction e Um Peixe Chamado Vanda, são alguns bons exemplos, com excepção da série Breaking Bad que tem menos de 20 anos mas que me encheu tanto as medidas que já vi as temporadas todas, 6 vezes, eu sei, é demais. 
 
Comparando com toda a porcaria que desde aí para a frente se fez, fico sem vontade de ver seja o que for e já não acredito em surpresas criativas. 
Os filmes assemelham-se a histórias de encantar para adultos imaturos que não cresceram ou cujos 20 anos são a nova adolescência e os 30 a nova idade adulta. 
 
O La La Land, pelo que ouvi, é uma história de amor desencontrado em jeito de musical. 
Primeiro não acho piada nenhuma a musicais e consequentemente a um género mais rasca tipicamente português, a revista, acho mesmo um parente muito pobre do teatro ao ponto de o rebaixar a rábulas de riso fácil com cantadeiras de Moulin Rouge, por outro lado não gosto de histórias de amor sem densidade, embaladas na dança e contadoria.
 
Mas uma mentira dita muitas vezes passa a verdade, tal como as obras de arte que não o são passarão a ser obras de valor incalculável porque um bando de borra-botas se eleva a uma elite de emproados que incrementam a importância da obra de arte a ponto de a tornar indissociável e indispensável na vida do dia-a-dia. 
Eu sou artista, melhor, pinto uns quadros e tenho jeito para o desenho e nunca vendi a minha arte como essencial à sobrevivência de alguém ou que ponha comida na mesa e mate a fome aos filhos. 

Desde sempre, agora ainda mais, ouço os actores queixarem-se que estão desempregados, são eles e uns milhares de portugueses; que sobrevivem com dificuldade, são eles e mais uns quantos pensionistas que recebem uma miséria ao fim de cada mês.
Também se fartam de berrar aos sete ventos que é essencial levar público ao teatro e que a cultura é indispensável para  despertar a critica e a consciência social nas massas. 

Tanta baboseira senhores artistas, um gajo de barriga vazia pode olhar para um quadro mas não o aprecia como deve ser, nem se aguenta num espetáculo, nem muito menos gasta dez euros num bilhete que dá para uma refeição mas se outros comem barato e mal para andarem a mostrar o carro que têm, isso já é escolha do próprio cagão.
 
Por último, ouço sempre dizer que o país é pequeno para tamanhos talentos, isso já todos sabemos que somos um cu de mundo mas também existem sítios mais encafuados no meio de outras pátrias, olha o Vaticano ou o Liechtenstein.
 
Não existem países tão pequenos que não suportem grandes talentos.
31
Mai19

Os artistas, esses malucos

Rita Pirolita
 

Até hoje, o discurso que mais ouço vindo da boca dos artistas, mais especificamente os actores de teatro, é que precisam imenso do apoio do estado para sobreviver, isso é o que as pessoas normais fazem, trabalham e recebem em troca o 'apoio' para que trabalharam, o ordenado. 

Por oposição, nunca os ouvi dizer que se tivessem falta de trabalho e precisassem de comer, iam para trás de uma caixa de supermercado ou limpar escadas. 
Uns tiraram cursos no Conservatório, outros no Chapitô, outros andaram a passear por Londres e Estados Unidos e até serviram às mesas para pagar o estupefaciente, lá fora ninguém os conhece, não parece mal.
Acham mesmo assim, que são mais que os outros e queimaram mais pestanas que um engenheiro ou um médico? 
Os médicos têm sempre trabalho na área, porque são necessários e nem toda a gente consegue ver sangue sem desmaiar, por isso nunca precisam de ir limpar retretes, a não ser que sejam da India e emigrem para o Canadá para acabar a conduzir um táxi ou a fazer limpezas, o que já não é mau do ponto de vista do país que os acolhe, que fica de peito cheio por dar trabalho a desgraçados que fazem o que os canadianos não querem fazer, sem reconhecerem e aproveitarem a sua formação de origem. 
Os que se auto-denominam canadianos, são um bando de emigrantes que sempre desrespeitaram os verdadeiros autóctones, os índios. Mas isso é outro circo.

Quase todas as outras pessoas que tiraram cursos ditos normais, se sujeitam basicamente a fazer o que aparece para sobreviverem, debaixo de pressão social e deprimidos de tanta frustração. 
De fora ficam os jogadores da bola, políticos, banqueiros, Igreja e milionários, calam-se que nem ratos por trás da riqueza e não ligam a criticas e julgamentos porque fazem orelhas moucas às vozes da pobreza, da qual se alimentam e lhes enche os bolsos.

Muitos ainda, têm o descaramento de dizer que até nem queriam ser artistas, nem nunca sonharam com tal carreira mas que alguém insistiu tanto que eles lá aceitaram por favor e empurrados até acabaram por gostar. 
Ora, estas declarações são verdadeiros insultos para quem tem talento e anda uma vida inteira a sonhar e a fazer de tudo à espera que lhe saia a sorte grande de ser escolhido. 

Tal como não podemos ser todos médicos também nem todos podem ser artistas mas a maioria são-no por um acaso feliz, pertencem à família certa.
Os artistas gostam muito da ribalta, das purpurinas e da triste nostalgia de uma casa repleta de quinquilharia que coleccionaram ao longo dos golden years, onde depois dão entrevistas que cheiram a mofo, acompanhadas do queixume da baixa ou inexistente reforma, do abandono, do esquecimento...
Eu também gostava de trabalhar pouco, ganhar muito e reformar-me cedo!
Meus amores, só uma ínfima parte da população é conhecida mundialmente ou mais modestamente nos seus países de origem e para serem reconhecidos e lembrados com agrado, têm que saber abandonar o palco na hora certa e evitar fazer figuras tristes como fez a Amália, ao cantar até morrer quando devia ter parado quando deixou de soar agradavelmente aos nossos ouvidos e quando já mostrava um esforço penoso em fazê-lo. 
Quanto ao parco rendimento?...Quem não come por ter comido, não é morte de perigo e sempre podem ter a sorte de ir passando os dias na Casa do Artista ou sair-vos a sorte grande e comer, dormir e cagar por lá até morrer.

Voltando ao coitadinhismo dos subsídios pedidos em nome da cultura para alguns encherem o papo, não são os artistas que se querem sempre distinguir pela sua imaginação, criatividade, capacidade de adaptação, trabalhar de alma e coração?...
Porque é que tudo depende tanto de dinheiro? Já para não falar que são sempre os mesmos que recebem os apoios e fazem as novelas e não me venham com tretas que são os únicos que são bons, até podem ser mas também pertencem a grupos onde se movimentam muito à vontade, um deles são as bichas ou gays como vos aprouver chamar-lhes, contra os quais nada tenho a não ser vantagens porque sou mulher e posso levar no sítio que eles levam e mais um, e chupar no que eles chupam, mas isso também não é para este circo. 
Ora, as bichas lá se 'cobrem' umas às outras mas quando se zangam também ficam doidas como as mulheres, que são umas belíssimas cabras entre elas a toda a hora e ainda pior quando se zangam ou roubam maridos e namorados às amigas do lado, é vê-las deitar fel da língua e fumo das orelhas. 

Então o verdadeiro artista não é um entertainer pro bono do povo, um pobre  sonhador, um boémio como o Bocage...este romantismo já não vos atrai nos tempos modernos??? Querem todos ser comunistas-capitalistas a fazer a milésima reposição do Rei Lear e matar o Rui de Carvalho de cansaço em pleno palco? Andar a fazer merda sem o mínimo de qualidade, como um cocó de cão numa galeria de arte ou num qualquer museu, que roubou milhões aos bolsos dos contribuintes para ser construído?  
 
Meus amigos sou pintora, já fiz exposições por convite, vendi alguns quadros, tive algumas encomendas, sempre me imaginei a viver da arte e pelo menos em condições normais, sempre poderei criar até ao fim da vida, mas se não sair de casa, ninguém me põe comida na mesa, nem me compra roupa nem que seja na Primark. 
Ninguém me vai impedir de sonhar mas serei eu artista ou farei alguma coisa de jeito? Pelos elogios parece que sim, vi gente ao meu lado fazer menos pela arte e ter mais louros e fama, se mereciam??? Pelo menos estiveram no sítio certo, com hora e encontro marcado com as pessoas certas. 

Os famosos são conhecidos por serem bons no que fazem?...
Todos dizem que a arte é subjectiva e que só vêem os reality shows quando fazem zapping. 

Se não vivo da arte, não lutei o suficiente para que isso acontecesse? Se calhar não quero que isto seja um trabalho e sim um prazer, distração e divagação e talvez por aceitar isso não me sinta frustrada. 
Devemos lutar por fazer o que nos dá prazer mas nem sempre nem nunca isso acontece e menos vezes ainda, corresponde a sustento que se veja.
 
De qualquer maneira, quando ouço os artistas cagões a fazer o peditório choradinho em nome da cultura e não é a cultura das alcagoitas, imagino logo que são pessoas de famílias remediadas ou até abastadas, porque nunca tiveram que mexer o rabo para ganhar para comer e digo-vos uma coisa, de barriga vazia ninguém cria ou aprecia a criação mas sonha muito, nem que seja com um lombo de porco no forno, acompanhado do respectivo cheiro. 

Eu, sortuda que nunca passei fome, quando vos ouço a repetir a K7, fico logo com a cabeça na Lua e o pensamento voa para bem longe da vossa mesquinhez terrena. 

Eu é que sou a verdadeira artista, sonhadora sem precisar de subsídio!!!  

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