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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

13
Ago19

Susceptibilidades

Rita Pirolita
É uma longa palavra, difícil de dizer e não soa muito bem mas também não soa tão mal como uma asneira, é possivelmente o que mais haters cria por esse mundo fora, que os famosos tanto fingem adorar, só porque não conseguem combater a sua proliferação. Os haters são normalmente indelicados, pouco cultos, iliteratos, malcriados, pessimistas, frustrados e escrevem mal para caraças, não sei se é pela rapidez furiosa que imprimem às suas respostas nas redes sociais mas deduzo que a maioria seja mesmo por burrice. 
Parece que vivemos no tempo do 'penso pouco mas logo digo mal'.

Digo já que não sou famosa nem faço de conta que gosto que me odeiem, gosto sim de gente que desafie a minha curiosidade e inteligência no debate das suas opiniões.

Hoje em dia, quem quer parecer radical combate o ultrapassado e fora de moda 'politicamente correcto', sendo mentiroso e armando-se em filantropo nos gestos e ecuménico na aceitação. Não vejo mal nenhum em não gostar de grupos ou pessoas, é o mesmo que não gostar de uma cor ou comida, se não se gosta não é preciso bater mais no ceguinho e o que não se come não é preciso deitar fora, pode haver quem queira e não é preciso matar de ódio com palavras. 

Eu por exemplo não reconheço elegância ao ver lésbicas camionistas mas têm todo o direito à existência e isso felizmente não depende do meu aval e com toda a certeza preferia estar no meio delas que rodeada dum bando de machistas.
Sempre existirão negros e gays tal como pretos e paneleiros, depende do ponto de vista. 

Já vi muitos serem trucidados por fazerem bom uso do humor negro e serem mais mordazes, como o Rui Sinel de Cordes ou Rui Sino das Cordas, como me dá mais jeito chamar, apesar de ser um beto do caraças, fala de atrasados mentais ou pessoas com trissomia 21, de lésbicas ou fufas, lá está tudo depende da capacidade de encaixe da terminologia. Quando as mães de crianças com trissomia 21 se atiram ao ar com as piadas sobre atrasados mentais, vêm sempre com o argumento que os filhos foram um milagre nas suas vidas, que as fez relativizar tudo e aprenderam muito sobre tolerância, aceitação e amor incondicional...Eu acredito nisto tudo mas porra, todos os filhos não provocam isto? Não me venham com tretas para acreditarmos que não preferiam ter um filho sem tantas dificuldades de relacionamento e aprendizagem, que fosse mais independente e que não aumentasse a angústia de não saber quem irá tratar dele quando vocês já não estiverem cá? Até podemos viver noutra dimensão mas a realidade fode a cabeça a uma pessoa, principalmente a quem goste de ter pequenos seres dependentes de si até ao fim da vida, para preencher o enorme vazio emocional de que se sofre. Somos todos parecidos mas os critérios são muito diferentes, como um puto rico que cria necessidades em cima do muito que já tem, enquanto um pobretanas sonha para lá do pouco ou nada que tem. 
As necessidades paralelas criam-se, as verdadeiras estão lá sempre! 

A Júlia Pinheiro disse uma vez em entrevista que somos aquilo que podemos e nos deixam ser, em resposta ao Rui Unas, que com pezinhos de lã, quis saber o que achava a mãe da homossexualidade recentemente assumida pelo filho. 
Tal como o Guilherme Duarte é filho da insalubre Buraca dos gangs, o Rui Unas é uma boa representação do beto, chique brega da Margem Sul forever, que ainda insiste em vestir Mike Davis e Diesel, eu sou de lá, sei do que falo e até critico com orgulho mas sem deixar de rir. 
A classe média destas bandas, composta por gente pobre, com fortes raízes no campo, veio à procura de uma vida melhor num sítio que era mais barato para viver que Lisboa. A capital do colarinho e dos capitães, em oposição aos operários de fato-macaco azulão, camaradas, ciganos, comunistas, retornados que tratavam todos por 'tu', soldados rasos e marinheiros do Alfeite com correspondentes putas. 

Não se pode amar ou odiar para sempre tudo ou nada. 
As vezes que cai bem, rimos e elogiamos, as que cai mal, choramos ou esconjuramos. 
Eu por acaso agora, ando numa fase de Môce dum Cabréste, gosto do puto sei lá! Já o Nuno Markl assume o seu desconforto em ser odiado por anónimos e confrontado com criticas bota-abaixo, é uma criança grande e gorducha, ávida de aceitação, que quer brincar no seu mundo sem nunca estar de castigo. 

Mediante isto, pensam vocês e bem e tu ó minha marmanja asneirenta e desbocada, sem perfil, sem nome próprio, sem idade ou terra, sem foto pessoal ou gostos musicais ou outros?
Eu como já disse, não tenho paciência para haters e esta desinformação de que me faço acompanhar funciona como escudo protector contra invejas e mau-olhado e por pobreza de não ter dinheiro suficiente para pagar a um bom advogado que me livre de acusações de difamação e devassa. É sempre tempo perdido resolver o estado do humor na barra de um tribunal a toque de lesma. 

A maioria anda sensível às palavras, a quase tudo se reage mal, discutem-se mais conceitos e semântica que actos, todos são políticos de trazer por casa.
Não precisam ser tão geniais mas façam como o António Variações, cantem para espantar os males. 

Se um dia for entrevistada, só aceito via telefone e se lançar um livro, nem apareço a dar o corpo às balas gratuítas, farei um diálogo em directo com os meus admiradores ou odiadores, via Skype num café de bairro popularucho, com a imagem projectada da poderosa Wonder Women.

De qualquer maneira vou deixar informação suficiente para baralhar mais.
Digo o que penso, sou poderosa sem poderes especiais.
Não sou nada de deitar fora nem a última Coca-Cola do deserto, de saltos fico com 1,80m, que raramente uso, sou espadauda, nunca precisei de silicone em nenhum milímetro do meu corpinho, tenho tatuagens e piercings, pareço mais nova do que realmente sou, porque não fui mãe e graças a uma herança genética fabulosa. 
Quem me vê pela primeira vez arrisca sempre...argentina, francesa, italiana, russa, holandesa???  Portuguesa? És alta demais e pouco morena! 

Mais digo e em jeito de conclusão para terminar a lenga-lenga, só me dou a conhecer a quem merece o melhor de mim, que não é muito mas é bonzito!
 
06
Jun19

Carlota Bolota e o bullying

Rita Pirolita
 
Não sei porquê mas do nada veio-me à ideia o nome de Carlota Bolota, fui ver e de facto esta menina existe, é gorda, bem disposta e sofre de bullying e isso já a incomodou mais que agora que é mais crescida.
 
Ora vamos por partes: 
 
Primeiro dizem que as estatísticas apontam para um aumento do número de crianças obesas, depois que devemos comer de tudo mas se queremos emagrecer...TUDO engorda, que devemos ser activos, mesmo quando temos 90 anos e só queremos sopas e descanso, que devemos ter uma ocupação, já que não há empregos quanto mais não seja a fazer voluntariado em coisas para as quais pagámos uma vida inteira mas que o estado arruinou por tanto roubar e por fim, que os gordinhos são na sua maioria bem dispostos ou porque se entregam aos prazeres da mesa e fazem o gosto ao dedo ou para esconder a frustração que sentem ao se olharem ao espelho todos os dias mas que acima de tudo se devem aceitar como são e há gostos para tudo e corpos para todos os gostos, baixos, magros, altos, gordos, obesos e até obesos mórbidos alimentados pelos seus pares cuidadores e aumentadores das várias camadas adiposas, refegos e banhas a transbordar de camas, de onde já não saem há anos num coma calórico. 
 
Dito isto, estão na moda corpos de mulheres masculinamente musculadas mas também corpos roliços de pin-ups de pele branca repletos de tatuagens de cupcakes e lollipops, bem como miúdas magricelas com aspecto andrógino ou de lábios picados por abelhas e cabelo despenteado à Maluquinha de Arroios. 
 
No meu tempo os gordos eram gordos ou buchas e ou levavam na corneta se fossem mariquinhas ou eram os latagões de quem todos tinham medo, os magros eram lingrinhas, os pitosgas eram caixa-de-óculos mas para andar à porrada tiravam os óculos para ver melhor o inimigo e não partir os fundos de garrafa que eram caríssimos, as morenas eram as Marias Peludas e as loiras, o sonho de qualquer mãe ou rapaz do recreio, os sardentos tinham cagadas de mosca na cara, já para não falar dos pernetas, manetas e outros aleijadinhos que eram isso mesmo, aleijadinhos, que de cadeira de rodas, de muletas ou botas ortopédicas se faziam notar como podiam. 
O nosso bullying era quase sempre à vez, ou seja, um dia estavas a levar na tromba, outro estavas a dar na trombeta de alguém, não havia espaço para insultos, não perdiamos tempo com palavras ruins e desejos de morte, apenas joelhos esfolados, canelas deitadas abaixo, cabeças, braços e pernas partidas e assim reagiamos ao que nos faziam, não andávamos cá a descarregar frustrações com a nossa imagem ou sexualidade.
 
Isto tudo para dizer que vivemos numa era onde as modas não são tão rígidas, cada um anda como quer mas depois somos criticados a toda a hora porque ofendemos com a mais pequena palavra ou postura, não somos politicamente correctos e agora até pensar fora da caixa já é mainstream.
Ou seja, vivemos tempos em que ninguém sabe quem é,  o que quer ou o que lhe dá prazer, queremos ser tudo e não desaparecer no meio de tanta gente tão igual a nós, queremos ser iguais e únicos, iguais e diferentes...

Porra, garanto-vos que não entendo, nem consigo seguir este ritmo alucinante e alucinado e digo isto passando um atestado de sanidade mental a mim própria, porque me sinto mais equilibrada e em paz por não pactuar com estes tempos doentios.

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