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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

13
Jul20

Amanhã há mais

Rita Pirolita
Mais uma vez na praia...
Os dias passam em calma e entre sonecas na sombra fresca e passeios à beira mar, a molhar o pé com dor de tornozelo do gelo da água mas ombros a escaldar de um sol que se vai tornando baixo e doentio.
Casas de pescadores não tão pobres como antigamente mas sempre em protesto a puxar à chinela e faca na liga, cheira a peixe podre, a lixo ainda mais podre, moscas moles, cães poeirentos, rafeiros, velhos ternorentos ou rufias temerosos que espantam do território lulus de meia tigela à trela, sem a mínima autonomia de se defenderem, se não fossem os donos, a dentada já fervia!  
Vou reparando na fauna que pontilha o areal com as dunas e arriba em pano de fundo. 
Tios a fumar charuto com a sua extremosa gaja de falsas madeixas loiras, cabelo queimado do secador e do sol, pele bem passada, com bikini de cores fluorescentes de surfista reformada.
Homens de tanga, pensei que já não existissem de todo, embora em extinção mas ainda se vêem.
Pescadores que deixam peixe-porco na areia com anzol, surfistas a mostrar o rabo de lula na mudança do fato, caravanistas que trazem e deixam lixo para trás, o mais giro que trazem e levam com eles são os cães.
Gente ao sol das 11 às 16, hora do cancro em grande estilo estrela do mar, fica muito mal esta posição só deve acontecer no recato do lar, se tanto na piscina ou varanda e nunca em frente a menores, mais que isso é...estrela ressequida fora de água.
Baleias encalhadas, coxas presunteiras, gente super fit e insuflada, maratonistas de Verão, ciclistas alucinados, cães com raros donos apanhadores de merda.
Ritas fumadeiras aos pares, estendidas na toalha a fazer topless ou a dar gritinhos no mar, que a água até arrepia os cabelos do estômago, de mama descaída e refegos nas costas ao nível dos rins...se alguém olhar, que se lixe, elas já têm o 25 de Abril no sangue faz muito tempo, além de que agora está na moda, todos se assumirem seguros do seu físico, nem que seja só uma atitude porque não há outra saída.
Gajos sozinhos que se deitam ao lado de gajas sozinhas, a uma distância segura que não passe despercebido mas denote algum respeito pela privacidade mas acima de tudo a uma distância que não deixe escapar a oportunidade de lançar uns olhares em tentativa de abordagem... 
Gente que abanca o dia todo com putos, 50 chapéus de sol, marmitas, geleiras, barraquice que dê até antes do sol-pôr, depois é meter a pequenada na banheira, vai tudo a banhos de água doce antes do jantar e antes de alguém dizer 3 vezes arroz, já os petizes estão com a pálpebra pesada, moídos que baste para aturar o João Pestana. 
Outros ainda põem o pé na areia como quem é alérgico e tem prurido da ralé, só estão de passagem que aquela não é a sua praia, só vão para molhar o pézito de toalha debaixo do braço e chaves do carro enfiada no dedo mindinho, a balançar o reluzente porta chaves Mercedes ou Audi!
Quando o calor aperta vou para casa e vi isto tudo em duas horas pela fresca, entre passeios, um olho aberto e outro fechado de lanzeira que me atinge sempre na leitura de apenas duas páginas do livro da praia que já ando à um mês para terminar, lendo a mesma linha repetidas vezes de olhos trocados com molenguice...
Amanhã há mais se o tempo deixar e eu quiser!   
22
Jun20

Crónicas Femininas - Pensos diários e não rápidos

Rita Pirolita
Esta será a primeira de algumas, muitas ou poucas, espécie de crónicas sobre coisas de gaja! 
Não vou andar com rodeios, aliás como é meu apanágio, vou direitinha e crua ao assunto que for, descasco, espanco, desnudo e desmascaro à descarada. 
Nesta média-curta aviso já que não vou escrever testamento como costumo, porque os assuntos serão parcos e áridos, de despacho rápido.
 
Nesta primeira incursão, nada aconselhável a mente máscula, vou dissertar assertivamente, espero eu, sobre pensos diários. 
Ainda sou do tempo em que apanhei a minha avó e suas quatro filhas a usarem panos turcos, branco-alvo de tão repetidamente lavados, depois de postos a corar com sabão azul e branco ao sol, para amparar o sanguinário menstruo. 
Eu já não usei nada disso e apanhei os práticos pensos, compra, suja e deita fora, gordos que nem almofadas, faziam imenso calor, parecia que andávamos com um edredão de Inverno metido entre as pernas, com um interior de plástico que às primeiras passadas ainda fazia um barulhinho mas depois de amachucado era pacifico e deixava de se ouvir. 
Lá se foram adelgaçando, passando a haver para a noite, para o dia, fluxo de chihuahua, gazela ou elefanta, super absorventes ou nem tanto, com abas para voares ou sem para não fugires do período, perfumados, neutros, sensitive...
Começaram depois a aparvalhar nos formatos dos pensos diários e a merda deu-se, com uma cola irritante que sempre me fez alergia, não raras vezes me indaguei, se as outras mulheres tinham o mesmo problema que eu, passo a explicar. 
Não é suposto um penso diário evitar que se sujem as cuecas à frente e borrem atrás? Então porque é que fazem um penso para cona de formiga, que me obriga a pensar seriamente em usar dois, um coladinho atrás do outro mas depois lá fico com o problema de acumular tanta coisa na coisa que corro o risco de tudo ir parar ao chão ou deixar numa qualquer cadeira de serviços públicos o fedorento mata-borrão, o que seria um embaraço! 
Se assim não fôr será que tenho uma distância maior que todas as outras mulheres, desde o primeiro até ao último buraco? 
Será que estes pensos são imaginados por homens que pensam só termos 2 buracos em vez de 3 e com uma distância tão curta que são quase 2 em 1? Nada disso, temos da frente para trás, chichi, período-fornicação-bebés e cocó!
 
O mais estapafúrdio é o formato tanga, como é que uma pessoa segura um pedacinho de penso a um pedacinho de pano? Às tantas aquela coisa perde a cola com o suor e começa a escapar-se pelas bordas em risco de cair ali em plena rua, o completo terror, se formos de saia é directo no chão, sempre podemos continuar a andar e disfarçar que nada caiu dos entrefolhos, se formos de calças, começa-se a enfiar por uma das pernas e também é capaz de cair, tanto mais se as calças não forem muito justas!...
Ora isto causa uma insegurança tal que mais vale cagar as cuecas e mudá-las todos os dias!

Vezes demais me dá vontade de não usar cuecas, só não o faço para não ficar toda assada e para segurar o nojento e fétido período, claro.
É verdade que ter uma galinha degolada entre as pernas todos os meses é sinal que somos jovens, saudáveis e não estamos grávidas mas para pessoas como eu que sempre souberam desde a infância que não queriam ter filhos, se Deus existisse, podia-nos conceber mulheres sem período, desde que não afectasse a nossa longevidade e a continuação da raça, mas tudo em concessão criteriosa, senão cada uma que visse um parto, pedia logo para não ter filhos, como desconfio que se legalizarem a eutanásia, há muita gente que vai querer experimentar, o problema é que só o fazem uma vez mas voltando à hemoglobina que vomitamos por baixo, há para aí gente a pontapé que gostava tanto de ter filhos e depois nascem sem útero, é marado, deve ser como um homem nascer sem tomates, deve sentir umas correntes de ar na blica de vez em quando, os tubaros sempre devem dar algum aconchego, além da sua função de armazenar num ambiente tépido aqueles girinos-rabejadores microscópicos!
 
Prometi que não ia escrever muito, mesmo assim o texto fez-se mais longo que os pensos, assim eu tenha realidade para imaginar e dissertar sobre!
Não falei dos tampões mas esses também são pensos em cápsula e a única observação de monta é a preocupação em esconder aquele fio verde-água nas bordas, porque se formos a confiar no bikini para guardar segredo, escapa sempre uma ponta!
Também não falei dos Tena-Lady, fica para quando tiver perdas de urina, não deve faltar muito! 
E as fraldas para borrados? Bom, por altura de usar essas já nem devo ter força para me peidar quanto mais escrever um texto!

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