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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

02
Abr20

Fim do Mundo

Rita Pirolita
Disseram alguns nos últimos tempos com ares de ciência/bruxaria, o fim do mundo está aí, com grande ajuda nossa mas nunca em nosso nome ou honra!
O que nos confere tanto convencimento em acreditarmos que conseguimos destruir o mundo? 
Conseguimos baralhar as ideias e voltar a dar mas andamos a apostar nas estrelas erradas!
Fala-se no domínio de uma elite, que quer reduzir a população mundial impondo medidas e impostos às alterações climáticas para redimir os pecados da poluição humana, assinando tratados atrás de tratados que não tratam de nada nem beneficiam ninguém principalmente se não sairem do papel. 
Uns dizem que as alterações do clima, nomeadamente aumento das temperaturas, degelo dos glaciares e subida do nível da água do mar, são cíclicas, outros que a poluição vai ser a grande responsável pela nossa extinção, já andamos há milhares de anos a viver em sucessivas camadas de lixo e cadáveres e isso nunca destruiu nações, pelo contrário, alimenta a terra e recicla, se ficássemos cá todos já não havia espaço para tanta porcaria, por isso tem que ser bem calcadinha em camadas sedimentares ou dissolvida em CO2, outros ainda dizem que o Trump tem razão em se estar a cagar para isso, que tudo não passa de uma falácia inventada por quem quer destruir e controlar um líder que veio marcar a diferença.
Outros ainda dizem que tudo está incontrolavelmente destinado nas sagradas escrituras ou o poder está nas nossas mãos, na mudança de consciências e educação para uma vida melhor e um planeta mais sustentável.
Assim se criam teorias da conspiração sobre invenções que queriam passar por verdades. 
Eu até posso tentar encontrar lógica na maioria das especulações sobre o fim do mundo mas nenhuma ultrapassa nem se compadece, com o meteorito que vai f@der isto tudo sem termos tempo de dizer ui ou no aquecimento global que vai queimar a crosta terrestre que nem ferro incandescente em leite creme ou que vamos ficar sem água potável e morrer sequinhos que nem carapaus! 
 Acreditem ou não, pouco me importa quando isto acabar, desde que até lá tenha tempo de ganhar o euromilhões e não ter preocupações de pobre com impostos e reciclagens para um mundo melhorzinho e paradisíaco para as nossas criancinhas. Não tenho cria nenhuma a quem deixar herança e tal como todos os seres humanos, não me preocupo com o vizinho do lado e não lhe desejo a morte, desde que ele não me chateie os cornos. 
O meu mundo será muito melhor, sem balelas hipócritas e discussões de oradores palermas que só atafulham o silêncio sem dizer népia e muito menos fazer nada de jeito!   
26
Fev20

Sair de pijama à rua...

Rita Pirolita
No país dos veados e eu não tenho cornos que saiba, dos ursos e eu não sou nada peluda, que tenho a certeza, dos esquilos e eu não tenho pelos no rabo, porque tenho a certeza que não sou peluda, os chamados cuelhos por oposição aos pintelhos do pinto ou pito, dos coiotes e eu não uivo, das cabras e eu sou do monte e não da montanha... 
Trago ainda no corpo, clima de gente e não de ursos, o vício entranhado de pensar no que vestir antes de sair à rua.
Nem me passa pela cabeça sair de pijama e casaco da neve como tanta gente aqui faz, figuras tristes. 
Dou-me ao trabalho de abrir o armário da roupa e olhar para as coisas que possam fazer pamdam, não tenho muita roupa mas a que tenho está bem escolhida para rimar como deve de ser e não embarcar na moda da falta de gosto, que também abunda por estas terras de esquimó.
Fazem questão de vestir a pior coisa que têm lá por casa, tão má que mais parece o pano do chão e despentear o cabelo de propósito atrás, na nuca, para ter aquele ar 'negligé', de quem acabou de acordar e sai para a rua com a beleza que Deus lhe deu, que não é nenhuma e ainda piora quando se querem vestir pior que um sem-abrigo, andam de calças rotas, que aquilo é mais buraco que pano e com camisolas cheias de buracos das traças mas tudo a exibir a marca cara como a porra.
É para dizer que têm pouco mas bom? Que estão solidários com as pessoas que vivem na rua? Que usam a roupa à exaustão até ficarem naquele estado miserável e por isso mostram que são muito poupados e andam a contribuir para um mundo melhor com uma vida mais sustentável?
Não sei mas andam todos convencidos que andam a fazer uma boa figura e uma pessoa nem se aproxima para lhes dar uma moeda ou oferecer um café e donuts do Starbucks, porque têm cara de malucos em vez de desgraçados e esfomeados!
Pois eu ainda dedico uns segundos de preocupação com a indumentária e ao início ainda me chegava a vestir toda bonitinha, para depois cobrir tudo com um casaco da neve que mais parecia um edredão, linhas direitas e tufos tipo Michelin.  
Comecei a entranhar a ideia que não merecia a pena desperdiçar tempo com cores ou padrões, o melhor era resumir a cor ao preto, que dá com tudo e que fosse confortável e quente para depois lhe espetar em cima com um casaco tipo chouriço nada feminino, que não realça curvas nem banha, só serve para o que foi criado, proteger bem do frio e nessa tarefa dou os meus parabéns a quem concebeu estes cobertores ambulantes, cumprem o propósito.  
Não cheguei ao ponto de colocar sequer a hipótese do pijama, seja de que padrão fôr e tenho quase a certeza que nunca lá chegarei, mas também já estive mais longe de compreender o seu desfile em público! 

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