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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

Pensamentos à solta

Rita Pirolita
 
 
Se Deus existisse ia ter uma enorme dificuldade em explicar que vivemos no mesmo planeta e temos a mesma origem!  
Gostava de acreditar em Deus, OVNIS e promessas.
Vejo o mundo a preto e branco para que a minha alma descanse da falsa cor!
A inocência alimenta o sonho e anula a maldade!
Faz por nunca apresentares os teus mamilos ao teu umbigo!
Humanidade desgraçada que ainda não percebeu que o barco é o mesmo e está a afundar! Acordem!!! 
Estou chocada comigo, porque consigo jantar em frente à TV e ver corpos rebentados, sangue e terror, sem que isso me tire a fome.
Portugal está à espera de ser corrido da UE, podíamos agir com dignidade e sair pelo nosso pé de cabeça levantada!
Descobri conhecidos que muito não via e apenas reconheço por foto, porque o perfil que inventaram nas redes sociais é o oposto daquilo que lhes conheço e as pessoas não mudam, o mais que podem é refinar com a idade! São todos pais babados, dedicados à meditação e a espalhar amor, bondade e ajuda a cãezinhos abandonados, caramba sinto-me a única pessoa reles neste planeta, rodeada de gente imperfeita na vida real, os únicos humanos exemplares estão atrás de um écran.
22
Jul20

Sonho morto

Rita Pirolita
Porque se compara o amor a um jogo de sorte ou azar, merecido na presença ou castigador na ausência, porque se preferem pessoas que gostem mais dos outros que delas próprias, porque se quer mudar o outro à nossa imagem sem nunca admitir, porque se têm ciúmes e inseguranças, porque falamos em liberdade de expressão mas a opinião dos outros nunca é considerada, porque gostamos e odiamos tudo à distância e ao perto só desprezamos ou somos indiferentes a nunca assumir carinho e amor, porque nos queremos prender em contratos de casas, casamentos e carros e passamos a vida a querer escapar e ser livres? 
Queremos estar arrumados em prateleiras, embora arejadas mas no lugar do dever expectável e cumprido?
Porque fazemos uma coisa, dizemos outra e passamos a vida a sonhar com uma terceira que podia ser as duas primeiras?
Matamos o sonho à nascença porque vivemos uma realidade desencantada por nós também! 
17
Jul20

Deep, deep inside...

Rita Pirolita
Até gosto das redes sociais! 
Não fiquem já de orelha no ar, passo a explicar por exclusão de partes! 
Se as pessoas são uma merda ao vivo e se reinventam e mentem no virtual, quererei conhecer a realidade para ficar mais zangada com a constatação do pior? 
Prefiro mentira vergonhosa e descarada que não me toque e sei não dever acreditar que realidade suja de que fujo com nojo! 
Eu quero lá saber o que as pessoas são na realidade quando não me relaciono com elas e por isso quanto mais longe melhor?! 
Se querem inventar para agradar, força, aprecio mais esse circo imaginado a colorir a vossa aridez!
A melhor maneira de se protegerem é nem se aproximarem de um computador, não é manterem a conta e só irem lá de vez em quando, porque não se lembram do aniversário dos amigos! Basta terem um cartão de crédito e sabe-se logo por onde andam e o que andam a fazer!
Se entregamos os pontos por 8 também vendemos por 80, ou acham que o Zuckerberg seria milionário se não recebesse nada em troca pela informação que traficou?
Muitas pessoas não vão gostar de ler isto, primeiro porque sabem que é sincero e depois porque correm o risco de admitir não serem gostadas.
Só para amar não é preciso razão e à maioria falta tudo, nem razão para odiar, nem inconsequência para amar!
Começam depois a vir à memória os pontapés da vida, os camelos que abandonaram e deixaram a falar para as paredes, as boas pessoas que vocês sempre tentaram ser com tanto esforço e no fundo nunca ninguém mereceu a vossa cândida e desinteressada alma, tão desinteressante na procura de aprovação e reciprocidade, diga-se de passagem.
São sempre demais aqueles que adensam o trauma e medo de futuras entregas. 
Quem abre o coração não deve ficar à espera de esmolas, o amor é uma partilha não uma troca contada!
Poucos são os que dizem não gostar e ainda menos os que lidam bem com o ser desgostado, desamigado ou bloqueado, por isso é que mentimos tanto, na ilusão de sermos aceites satisfatoriamente, se for plenamente ainda melhor.
Até parece que fazem ouvidos moucos do provérbio que não se pode agradar a Gregos e Troianos ao mesmo tempo, se nos desunharmos para conseguir o oposto a essa vergonhosa façanha, é mau sinal, sinal que não temos convicções nem coerência, pelo menos connosco próprios e que andamos sempre com paninhos quentes para manter o seguro ambiente tépido ou tapar com manta de pobre, que não só descobre as pontas como deixa tudo a nu.
A vantagem do virtual é que mesmo a mentira tendo perna curta, pode-se manter, adensar, embelezar ou destruir e mudar para outra, quando bem entendermos. A verdade é uma quimera, somos nós que a moldamos, tal como a mentira.
Há lá melhor maneira de viver o mundo sonhado na realidade de um écran?!...
Fora destes mundos a minha vida é uma realidade solitária, simples e limpa de intoxicações!
14
Jul20

Se assim fosse...

Rita Pirolita

Morava na casa onde minha mãe nasceu, os pais foram-me deixando ficar, por protecção e ajuda em início de vida, mudei-me para a rua abaixo, ao pé dos avós maternos. 

O primeiro namorado foi do largo do mercado, ao cimo da rua, depois de coordenadas quezílias e amuos, acabamos por ficar juntos com forte aval da família. 

A mãe avisava para a vida com alguns espinhos mas nada que não se ultrapassasse com muito carinho e dedicação! 
Assim o fiz a quem vi fazer!
Íamos jantar a casa dos avós todos os dias, aos fins de semana ficávamos em casa dos pais a vegetar, a ouvir os canários e periquitos a palrear, o cão deitado de barriga ao sol a giboiar em cima de nós, tinhamos ovos e galinhas caseiras até não poder mais, bolos doces como a família, cheirava a comida de forno, cobertores em sofás de afundar, TV a reunir todos em frente aos Jogos sem Fronteiras, Festival da Canção ou Miss Portugal, tapetes em soalho para não arrefecer os pés, casacos para todos para o resto do corpo, música para a alma, clássica ou portuguesa, luz cálida de abundância remediada, névoa de sonho à hora das refeições.
Os avós adoravam-me e faziam qualquer coisa por mim, os pais desdobravam-se em sacrifícios para me darem todos os mimos possíveis, sem medo de me estragarem, nunca sem desrespeitar ou abusar do amor, aproveitei toda a união familiar, era eu o seu orgulho.
Fazíamos praia combinada com demorados piqueniques, visitávamos e eramos visitados pelos primos e tios, sempre de cesta plantada de iguarias da terra, cobertas com panos alvos de linho a serem levados de volta para a próxima visita, repleta de chouriças, azeite luminoso, couves doces, nabiças amargas e fruta picada, castanhas já livres de ouriço, nozes e avelãs sem ranço.
As festas populares eram de presença obrigatória e combinado convívio, os feriados religiosos com passagem pela igreja mas sem grande aparato, em nome da tradição.
Um dia o avô morreu de ataque fulminante, o coração explodiu, a avó disse que foi de tanta bondade, chorou o amor de uma vida de forma tão bonita e doce em homenagem de lágrimas e cerimónia simples.
Continuamos a viver todos juntos, perto em ruas, casa e coração, os Natais e aniversários eram celebrados com alegre parcimónia e saudade recordada e contida. 
Casei, depois de estudos concluídos e trabalho arranjado por conhecimentos do pai, lá nas finanças, o avô já não estava nem viu netos, dois lindos gémeos que romperam para a vida, um casalinho sonhado por todos de feições suaves e calma beleza, meninos de sua mãe, dóceis, sem sobressaltos ou traumas, mimados pelos avós e bisavó, mostrados a babar elogios no bairro onde todos respeitavam a família pela antiguidade e nada a apontar! Perfeita!
A avó foi deixando de andar, tratamos dela em casa, recusamos o lar de idosos, recorremos ao médico em domicílio, fizemos tudo para seu conforto, morreu feliz rodeada por todos, com dor minimizada pelo aconchego e amor verdadeiro e inocente. 
Os pais foram envelhecendo, os doces gémeos botaram corpo, orgulho meu e do pai que tanto os protegia, homem caseiro, ganhador, dócil de gestos contidos, não se bebia nem fumava em casa limpa e arejada todos os dias, não se levantava a voz, não se discutia com gritos de mãos agarradas à cabeça, tudo exemplar, sem trauma ou segredos.
Os pais partiram, deixaram a casinha de suas alegrias, naturalmente a mim, filha única, genro e netos adorados, ficamos algum tempo em desabafo de luto, os gémeos mostraram-se à altura da séria morte, choraram o que deviam, controlaram a dor e a vida continuou sem extravaso, sem sobressaltos de outro planeta. 
Fui sempre feliz, não dei desgosto aos pais, mereço os filhos que tenho, fui talhada para ser abençoada!
 
Se assim fosse...eu era outra que não esta, tão imperfeita pela mágoa, tão avessa a que me agarrassem para me destruir, sempre atraí sentimentos de desprezo, sempre fui cavalo para espicaçar e besta a abater, a culpar pela minha força, para domar, porque a liberdade natural é invejada, quase tanto como a riqueza ou a beleza!
14
Jul20

Palpites palpitantes

Rita Pirolita
Nas redes sociais onde me sinto confortável com a distância e consequente frieza de poder dizer tudo sem me lançarem olhares paternalistas de reprovação, que por acaso sempre detestei, acham-se superiores para me lançarem facas pelos olhos e tentarem irremedialvelmente pôr-me no lugar?! 

Pois aqui deixo algumas considerações para os coninhas pagodeiros e pregoeiros da família, do amor e amigos forever.

A família para mim foi o pior exemplo de felicidade, destruiram o meu ânimo por uns tempos, até eu deixar, puseram-me no mundo para me dizerem que não devia existir e assim descarregarem as suas frustrações em comparações humilhantes, não causando eu problemas a ninguém achavam que tinha espaço de sobra para me puderem complicar a vida e consumir o meu tempo a levar com os defeitos e maldade dos outros, até que coloquei um travão e me largaram as saias. 

Pasmem, não sou a única, existem muitos, diria que a maioria vive estas situações, uns não se apercebem e outros andam convencidos que para terem apoio, não se sentirem desamparados e até sobreviverem, têm que aturar a tribo, sofrer as suas investidas e abusos de confiança que surgem sempre após convívio frequente, imposto por leis imaginárias da união que faz a força, quando muitas vezes o melhor seria ser órfã de seres e filha apenas do mundo. 

Quem não gostou de ser filha não tem que vestir a pele de mãe!

Se muitos assim vivem, eu devo ser das poucas que deram um pontapé nesses enganos e já foi tarde demais, mesmo assim não me livrei de tudo, vou continuar com um passado negro a morder-me os calcanhares. 

O meu pai levou a minha mãe ao suicídio, convivo com ele muito amiúde e quando acontece faço-o com muito nojo, ele sabendo do meu sentimento tenta limpar e fazer-me esquecer, não consegue nem conseguirá até ao fim da sua e da minha vida. Ainda tenho dó dele quando o vejo constipado mas passado um par de horas começam os tratamentos de coice e arrependo-me logo!

Não pude obrigar quem me pôs no mundo, supostamente mais sábia e experiente, a mudar de vida, ofereci apenas a minha ajuda para acabar com uma união obsessiva cozinhada nos infernos, ninguém quis saber de pôr um ponto final, às tantas parece-me que as pessoas habituam-se ou ficam viciadas na adrenalina da discordia, não querem mudar, ficam mais confortáveis com o que já conhecem, mesmo que seja monstruoso.

Aconteceu e não me livrei nesta situação de perda de sentir o que todos pensam, que não cheguei a tempo, que não fiz tudo ao meu alcance para evitar tal desfecho, que não me apercebi do que aí vinha por andar distraida ou ocupada demais, sinto sempre culpa em algum momento de recordação do tormento, uma angústia corrosiva e cortante!

Eu vivo com a minha parte de culpa, real ou inventada, para me martirizar e assim cansar a inquietação! 

A minha vida dava um filme de terror, pensam alguns mas eu aceito-a como normal, com a naturalidade de me terem acontecido coisas que são deste mundo e acontecem a tantos outros, a muitos ainda pior!

Passaram-me genes amassados, sou fruta persistente mas pedrada que se agarra ao ramo para não cair e apodrecer no chão, sem não antes mostrar a raça da sua polpa na boca de quem a gosta!

Estão a ver como as redes sociais são uma catarse para mim que não procurei psicólogos para me venderem banha da cobra a peso de ouro, não falei com amigos, uns não aguentaram a minha desgraça por a reflectirem neles, se lhes acontecesse pensaram eles que dariam em loucos, outros julgaram e deram palpite, com pais destes afastar-se-iam para todo o sempre e o moço? Esse esteve ao meu lado em silêncio, à espera que eu fosse falando quando tivesse coragem, fui falando, pouco, sem quase nunca chorar mas não resolveu nada, sou eu que tenho que curar a minha ferida com aceitação muito forçada do que aconteceu.

Existe uma condição fisica e mental para cometer suicídio, mas tudo o resto que a ele leva não cai do céu. 

Agora que passei a dor de ver a minha mãe morta no meio de um pinhal, a revolta tem-se adensado e é com isso que estou a lidar.

Os amigos não se mantêm à distância, tal como os amores, quando emigrei deixaram de me considerar na lista, levei ao menos comigo o moço e sua amada amizade que tanto respeita o meu espaço como eu o dele, sabendo o quão preciosa e rara é esta atitude prezo-o muito! 

Não sou dada a olhares românticos sobre sentimentos humanitários, a este ponto da evolução se não fizessemos mal uns aos outros, se não fossemos egoístas e invejosos já era um grande avanço. 

Não entendo os que me tentam puxar à sua razão, a razão do peace and love sem drogas, os que me acham uma solitária sofredora, sem amigos, amedrontada e em defesa constante para evitar ser magoada? Antes diria que aprendi com o que passei e observo muito para não errar, seria burra se não o fizesse, se errar é humano, evitar o erro é superar-me e melhorar.

Prefiro ter esta visão do mundo e das gentes que nele habitam, brutal, desencantada e para alguns insuportável de tão crua, que andar a brincar às princesas pobres sem reino, nem altar ou trono. 

Não me venham com caminhos floreados, o sonho pode comandar a vida mas a vida não é apenas e só um sonho, é para ser vivida como melhor sei e me vão deixando.

Ao magoarem-me tornaram-me mais alerta, menos respeitosa e com menos consideração por quem quer que seja, apenas me sinto mais limpa estando mais só que acompanhada, parece que este bem estar é inacreditável e até uma afronta para quem não sabe estar sozinho e por isso também não sabe estar bem em companhia, não sabendo têm inveja de um estado de espírito solitário-depurador, acham que ameaçamos a coesão de uma sociedade, ela mesma completamente esfrangalhada sem solução à vista!

O convívio constante trava a minha evolução e aumenta o desânimo, o convívio esporádico, sem apego, liberta-me e ler os escritos, ver os filmes e outras obras de arte, ouvir a música de quem gosto, faz-me sentir que estou neste mundo sem no entanto lhe pertencer ou me deixar agarrar, com um pé cá e outro lá, onde nem eu sei bem!

Os valores de família e amor foram tão candidamente incutidos, sem exemplo palpável que acredita a maioria, não poder viver sem isso, caprichos esses de sociedade de primeiro mundo que não tem mais nada com que se preocupar além da fútil moda, perfumes ou carros.

Somos tão iguais na frieza como no sexo, na amizade ou no amor, embora sejamos mais verdadeiros nos actos que nas ideias romanceadas dos sentimentos!

Eu é que sou agressiva de tão directa e ainda continuamos a torturar gente e animais? Não faço mal a uma mosca mas poderia arranjar todas as razões que eu quisesse para o fazer!

Trabalhar, ter filhos para perpetuar uma humanidade balofa que se consome a ela própria, como doença auto-imune que se ataca e flagela, pagar impostos, ser um bom exemplo só para exibir, nunca uma constante de verdade, morrer e deixar nada que se veja, sem passar princípios de jeito a filhos que não veremos muito velhos, refinados no seu pior a serem tratados como mal trataram os seus, que construiram um mundo de beiça torta porque estavam ocupados demais para pensar no melhor a deixar aos vindouros, quiseram apenas viver à sua maneira, donos de um egoismo, prepotência e independência tão mas tão mesquinhas!...

Pasmem-se, os nossos pais querem que olhemos para o que nunca fazem e dêmos atenção ao que apregoam de peito aberto, estão-se a cagar para o mundo que deixam e isso é inegável, está à vista. 

Não se demitam da responsabilidade e troquem a liberdade por segurança, ao porem a culpa nos líderes que elegeram e porque são tão iguais a nós, têm a mesma falta de vergonha e pudor, em desviar olhar e não limpar a merda que todos fazemos!

Falem sinceramente com o vosso interior, deixem de ser mentirosos e perigosos para as vossas entranhas, assumam que amar não tem nada a ver com estas balelas, amar é não saber que se é livre, não estar amarrado à calhandrice do mundo que nos puxa para um inferno terreno que tanto custa aguentar, criado de fresco por nós sobre lixo velho todos os dias!

A humanidade começou e proliferou, porque fodemos uns com os outros e contém-se em números quase insuportáveis porque nos fodemos uns aos outros a cada minuto!

Se acham os ecuménicos, cisores do bem e do mal, falsos altruístas e filantropos-lamechas de trazer por casa como chinelos escafeados que para sermos um bom exemplo em nome do amor, devemos a todo o custo e até contra-vontade manter a coesão da família e o valor da adorável amizade, é porque não vivem neste planeta!

Ide-vos foder, só eu sei das minhas maleitas e o Universo nem sabe da sua própria (in)existência!

 

PS - Eu sei que podia e talvez devesse, dividir este texto em 2, 3 ou mesmo 4 partes mas assim quem precisar e estiver a jeito apanha já com a injecção de uma só vez nas nalgas, esperando eu não ser necessário que alguns levem com um dedo pelo cu acima para abrir a pestana e perceberem melhor!

Isto tudo para não me chatearem mais os cornos com conversas da merda de salvação e conversão de almas!

IDE PARA O C@R@LHO!!!

01
Fev20

Não percebem?...

Rita Pirolita
Não percebem que fui croma de escola, sempre posta de parte, a quem ninguém ligava por ter bons resultados sem grande esforço, apresentar trabalhos e falar de coisas que só os professores percebiam e me deitavam o olhar de pergunta telepática: 'Que estás aqui a fazer, num ensino redutor até para professores quanto mais para alunos, que não responde a quase nada do que perguntas, que te obriga a memorizar mentiras, que não satisfaz nem estimula a tua curiosidade, que te tenta amarrar o sonho a profundezas tristes e pesadas??? Que fazemos contigo? Não temos onde te pôr e para casa não te podemos mandar!'
Que não tinha ninguém com quem falar sobre Nietzsche, Carl Sagan, Salvador Dali, António Aleixo, Jorge de Sena, Haldous Huxley?...  
Não percebem que há muito desisti de procurar sabedoria  nos mais velhos e experientes? Só os maus exemplos de vida alheia me abriram os olhos.
Hoje sou o resultado de ter contrariado tudo o que vi e não gostei.
Não percebem que as minhas tentativas de diálogo são uma forma de evoluir e sobreviver neste marasmo de alienação, falta de ideias e tacanha argumentação?
Não percebem que fico profundamente triste quando calo alguém, não quero ganhar batalhas, quero-me tornar maior, se não for à vossa custa, lá terá que ser sozinha...
Não percebem que para chegar à conclusão que nada no mundo faz sentido, não precisava de ninguém nem ninguém de mim?...

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