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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

06
Ago20

Miss Boazuda

Rita Pirolita
 
 
Hoje saí para mais uma caminhada diária no meu querido bairro de casas caras com quintais lindos demais para serem usados, e se já chegaram os dias bons para arejar o piolho e apanhar banhos de sol?
Agora, aos 30 minutos de caminhada dá-me um sono que chego a fechar os olhos a andar mas na verdade sinto-me tão tentada em me aninhar à sombra, num pedaço de relva fresca e fofa e passar pelas brasas só 5 minutos, resisto à tentação, penso que não ia ficar muito bem na fotografia para quem passa mas também estou farta de fazer figuras tristes, era mais uma. 
O que realmente me preocupa são os gansos selvagens que por esta altura andam cheios de filharada desajeitada atrás deles e tornam-se ainda mais territoriais e protectores ao ponto de se atirarem à bicada a quem passe, além de terem o tamanho de perús, cagam como elefantes e por isso não me deito na relva, senão arrisco-me a chegar a casa com penas no cabelo e a cheirar a merda de ganso que ainda por cima é um bicho feio e cinzentão mas venha de onde vier, merda é merda e pronto.  
Bem, à parte estes pormenores que me assaltam todos os dias de caminhada, hoje vim ao meu cantinho da escrita para falar de outra coisa. 
Ia eu então no meu exercício compassado, já me tinha passado a soneira e tinha mais meia hora pela frente de suor a escorrer pelo rego do cu abaixo, parece o Pulo do Lobo com água de menos para rio e demais para rego, ia eu então em passo acelerado quando surge vinda do nada, deve viver num palácio por ali perto, a "Miss Boazuda do Bairro e Arredores que até sabe Correr", nunca consigo ver a cara da moça, apanho-a sempre por trás, salvo seja, só espero que tenha uma fronha de cu de babuíno, seja desdentada e três vezes mais vesga que a Rita Pereira.
É que é demais, ser saudável e boazuda, ter um cabelo lindo que ofusca e ainda saber correr é ser quase perfeita, ninguém aguenta!
04
Ago20

Ai a Primavera...

Rita Pirolita
Ai a Primavera, fom, fom, fom...

Ai que depois segue-se a canícula do Verão mas ainda está tanto frio para as abelhinhas andarem a picar de parvo em parva!  

Ai as minhas alergias e lá tenho que ir a correr à farmácia comprar os anti-istaminicos genéricos que uma pessoa não ganha para estar doente e falar à fanhoso.

Ai que está tanto frio e os meus ossos já não aguentam! 

Ai que chove tanto e esta humidade dá-me cabo do cabelo mas faz tão bem às unhas e à pele e por efeito colateral acaba com esta seca!  

Infelizmente os caprichos de todos contribuem para algum desequilíbrio climático e quando a inteligência e vontade de aproveitar os recursos naturais falham só nos resta rezar por chuva mas sem inundações, por sol e calor mas que também não queime tudo, por brisas refrescantes mas que não arranquem telhados!

Ainda bem que o tempo é naturalmente imprevisível e não maluco-bipolar-esquizofrénico como as pessoas! 

Paravam logo de se queixar de barriga cheia se fossem metidos num cargueiro, despejados aqui no Canadá e à chegada fossem enrabados por um "enxame de ursos" como saudação de boas vindas, neste sítio desolado onde os Invernos são de 7 meses com médias de 20 graus negativos, os Verões mais parecem Primaveras cheias de mosquitos com lagos onde nem se pode dar um mergulho, mar nem vê-lo e ainda pagarem e bem por tudo isto como eu paguei quando emigrei para aqui mas sem levar no pacote porque já estava farta de ser enrabada por políticos manhosos em Portugal! 

Deus dá nozes a palermas desdentados ou a quem dá vontade de lhe partir os dentes todinhos de uma só virada!
20
Jul20

Nostalgia da memória

Rita Pirolita
Por vezes dou comigo envolvida em sensações e energia que tento recuperar ao visualizar determinado local e situações que me fizeram rebentar de alegria e bem estar. 

Quase sempre coisas tão simples como andar numa rua que gostei, ver um pôr-do-sol na costa alentejana ou a lua por trás do Pico, quase nunca na interacção com gente a não ser na infância com outros miúdos da mesma idade.

Infelizmente os relacionamentos adultos são sempre complicados, previsíveis a descambar para o péssimo, entediantes, enfadados, monótonos até estagnados, ao ponto da única mudança positiva ser o terminus das relações! 

Pessoas que vou deixando de contactar até que se esqueçam de mim, nem sempre se esquecem tão rápido como gostaria e irritam-me ao ponto de ter que ser drástica e me zangar, coisa que não gosto de fazer, já que consome energia e tempo para fazer outras coisas mais importantes na vida, não gosto de perder tempo com outras merdas...de pessoas que não percebem que o meu silêncio é um afastamento suave porque detesto discussões, gritaria e guerras descabeladas, onde nunca me controlo mas quando tem que ser não me acanho!

Voltando ao tema que gosto porque já todos estão carecas de saber que não simpatizo com gente, cada vez mais tenho recorrido a esta nostalgia alegre, se é que existe tal coisa, a esta memória de sensações que tenho a certeza ainda vou repetir a overdose again and again, como uma droga que me impede de ficar triste, me renova a capacidade de sentir e ser feliz com o mais simples da vida, que de tão grande não tem preço, que me enche a alma mais que os filhos que não tive ou a família que não me acolheu e amparou, que me faz sentir não precisar de comer para sobreviver, porque tudo está ali quase como se vivesse do ar, do orvalho, da luz do sol e da lua, das manhãs acordadas na tenda a ouvir a passarada, das noites a ver a raposa que já passa próximo demais, no perverso apetite de comida fácil que ofusca a sua selvagem condição!  

Brincar nas férias de Verão mais de 8 horas por dia, com interrupções atabalhoadas para rápidas refeições para voltar à adrenalina das caricas, da macaca, de esfolar joelhos e mãos, de cortar minhocas aos pedaços ou queimar formigas em agonia, debaixo de um pedaço de vidro ao sol.

Sentir-me em casa na Austrália, vá-se lá saber porquê e ainda bem que não sei até hoje, só senti!

Ter a certeza que a melhor refeição até hoje foi um pão alentejano com atum de lata, degustado num carro com mais de 20 anos a ver o pôr-do-sol alentejano com a melhor companhia do mundo, a que gostei até hoje!

Repetir a cena do outro lado do mundo mas a comer fast-food, o sol era o mesmo, a comida não foi a melhor mas a companhia continuou a ser a melhor de sempre!

Se calhar sou maluca, sei que não estou só mas sou única nas minhas recordações e sua nostalgia!
21
Mai19

Os ursos também hibernam!

Rita Pirolita
Das coisas que tenho mais pena de deixar quando morrer, são o Sol e o Mar, adoro calor, o cheiro da praia, os dias longos, as noites quentes. É um sacrifício desumano viver num país frio, o convívio não é espontâneo, dão apertos de mão de lampreia morta. Quem não é convicto nem nos pequenos gestos da vida, merece viver no país dos ursos, eu é que não mereço viver aqui, tenho a certeza do tipo de sítio a que pertenço e nunca desistirei de lá assentar costados e ficar para sempre. Entre ursos, coiotes, montanhas e cães de marca, prefiro caracóis, cães rafeiros e planícies amarelas, num pais pequeno que chega para quem lá está. Igrejas frescas, refúgio perfeito em dias quentes, areia, mar, açorianos que têm vergonha do seu sotaque deste lado do Atlântico. Neste sítio frio, estou sempre na plateia, nunca no palco! Sou música de fundo num bar de bêbedos! É difícil fazer amigos, no máximo tens conhecidos delambidos, que marcam encontro com uma semana de antecedência e sujeito a confirmação no dia anterior, para beber um café no Tim Hortons, uma coisa intragável, não há cá expresso bom e cheiroso, ora eu sei lá se daqui a uma semana me apetece beber um café com aquela pessoa, isto tira a tesão a qualquer latino. Não há cá jantares de 5 horas com os amigos, daí a duas horas a mesa já tem outro dono. As eficientes empregadas parecem deficientes a debitar sem emoção e quase sem respirar, os pratos mais caros do menu, como sendo as melhores sugestões e escolhas que algum dia possas fazer nas redondezas. Informam das promoções e "happy hours" do dia e rematam com um "here, everything is made from scratch", o que me soa sempre a "vais comer raspas e sobras de outros pratos". Para estes amantes de fast-food, basta abrir uma lata de feijão, misturar ketchup, aquecer no micro-ondas e servir, como se o mais natural fosse o feijão nascer enlatado, no máximo, emborcas duas bebidas, engoles a refeição, pagas e bye bye, pontapé no cu, assim que terminas a refeição, sem pedir, já tens a conta em cima da mesa, se deixares gorjeta abaixo de 10 ou 15% do total, pelo pobre serviço, tens tromba à despedida, se não deixas nada pelo mísero serviço, se pudessem, cospiam-te na comida e mijavam-te no vinho na próxima reserva...Mas nem coragem para isso têm! Fraquinhos! Nem pensar ir a um bar ou dar um pezinho de dança, até pelo menos à meia noite, a malta está sempre de rastos, trabalha muito e tem filhos. Tenho cá a impressão que nem fazem filhos da mesma forma que nós! Nunca vi esta merda de atitude em Portugal ou outros países com salero! Também se trabalha, tem-se filhos, os putos vão à tasca com os pais comer caracóis, podes beber uma cerveja em local público, podes fumar na praia, na Califórnia levas multa, por lá, ou deixas de fumar ou deixas de ir à praia. Queridos países a norte do hemisfério norte, vocês são conhecidos por trabalhar muito e gozar pouco, no inverno até os ursos hibernam e vocês, desculpem que vos diga, é que fazem figura de ursos. Canadianos, um conselho, não gastem tanto tempo a mostrar que são completamente diferentes dos americanos. Não têm comida nem boa nem típica e são quase todos obesos e cor-de-rosa. Os canadianos esforçam-se por ser mais educados e mostrar um pouco mais de literacia e cultura, de resto já se questionaram porque ambos falam a mesma língua? Porque os colonizadores foram os mesmos, que vão carregar o karma de ter sacrificado tantos nativos à sua chegada e até hoje não os respeitarem. Dito isto, num dia cinzento, a descoberta deste vídeo foi um raio de sol que fez a minha alma rir a bandeiras despregadas. Enjoy it!

16
Mai19

Portugueses pelo Mundo e Hora dos Portugueses

Rita Pirolita

 

 
Sempre gostei muito de ver estes programas, fazem-me sonhar e acreditar que os portugueses são pessoas de sucesso para qualquer lado que se virem. 

Incrível, o nosso sangue lusitano de descobridores corajosos e fofinhos, que não mataram, não roubaram o ouro nem violaram a liberdade dos povos que colonizaram, ao contrário dos espanhóis, ingleses, alemães, franceses e holandeses, esses malandros, impetuosose chacinadores!
Lá levamos doenças que ceifaram a vida de muitos nativos, mas disso não tivemos culpa, já nos estava no sangue. 

Realmente os portugueses são únicos e esta singularidade manteve-se até aos nossos dias, ora vejamos.
 
Portugueses Pelo Mundo:
Esta crónica lusa vai aos mais variados locais, desde Paris ao longínquo oriente, com quem sempre tivemos uma relação fresca, até oferecermos literalmente de bandeja, Macau aos chineses, mas isso é outra história! 

Este programa televisivo faz uma breve resenha de como os portugueses trabalham e aproveitam as poucas horas de lazer que têm, em locais tão diferentes como Londres ou o Butão.

Em cada episódio temos pelo menos três histórias sofridas de vida, as equipas de filmagem saltitam de Paris para o Bangladesh, no segundo a seguir já estão no Japão, passam as reportagens a fazer isto, a um ritmo alucinante, como se estivessem numa máquina supersónica. 
Não está mal feito o alinhamento, não senhor, muito radical, fresco e jovem.

Mas eu 'tô' aqui é para falar da vida sofrida destes bravos portugueses. 
A idade dos visados anda sempre entre os 20 e os 40 anos, época mais produtiva das nossas vidas, a parte que mais me fascina é que toda a minha gente faz o que gosta, pessoas realizadas nas suas profissões que não emigraram por necessidade e desempenham cargos tão importantes para o avanço da humanidade, como DJ na Índia, leitora em voz alta de textos de Camões no Egípto, chef gourmet de asas de libelinha roxa às riscas no Liechtenstein...

Enfim, uma parafernália de profissões impressionantes, prometedoras e às vezes até de alto risco. 
Em Portugal nem existem cursos nestas áreas, por isso ainda deve ter sido mais difícil para esta gente, serem estudantes-trabalhadores fora da sua pátria. 
Na Índia deve ser difícil, com aquele calor e humidade!...

Os nomes de família desta gente, que acredito não serão fictícios, por não ser jornalismo de investigação, são bonitos e sonantes mas não me diziam nada ao início, até que, num raro momento de actividade cerebral, pareceu-me que os portuguesinhos seriam talvez filhos de banqueiros, embaixadores, donos de redes de hotéis...
Sou sincera, não me parece que estes portugueses tenham tido a vida facilitada por serem filhos de quem são, não tem nada a ver de certeza!
 
Este programa é tão isento que deixa sempre a ideia de um retrato fidedigno de vidas reais e a coragem de viver além e sem fronteiras!!!
 

Hora dos Portugueses:
Pelo que tenho visto, o magazine não é tão Maria vai com todos como o anterior, mais na onda conservadora, anda por países de origem anglo-saxónica, Canadá, Estados Unidos, Austrália...a perpetuar o apego a Salazar, o continuar da tradição e admiração a Fátima, ao fado e futebol. 

A vida no campo continua a ser uma referência que mantêm, trazida de um país pobre, principalmente os Açorianos que são mais que as mães para esses lados. Deixaram as vacas nos socalcos e agora dedicam-se aos bois que correm em liberdade por herdades planas a perder de vista. 

São todos ricos ao estiloTexano. 
Elas são de um loiro tipicamente português e aparecem maquilhadas ao estilo novela Mexicana. 
Toda esta mescla de estilos só mostra que são 'open mind' e se adaptaram bem demais às tradições do país que os recebeu de braços abertos.
 
Meus amigos, eu sei que todos estes personagens existem, mas não representam a maioria. 
Eu também conheço outra realidade menos feliz, a dos portugueses que chegam a estes países sem nada e os primeiros a acolhê-los e explorá-los são os compatriotas que já lá estão de peito inchado e barriga cheia.
Muita gente chega, desilude-se e volta, ganham tanto como gastam. 

Se querem ter uma casa maior do que precisam, um carro que gasta tanto como um avião e estão dispostos a ser escravos destes bens materiais?…Emigrem. 

Se querem ter uma casa à medida da família, um carro à medida do país e do preço do combustível, usufruir de boa comida, sol, praia e amigos sem gastar muito dinheiro, que o sol ainda é de graça, fiquem.

Se tiverem o curso de engraxador e forem filhos de algum diplomata, podem ir para onde vos apetecer e até podem levar um balde para apanhar mais seja do que for!

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