Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

08
Ago20

Silly Season

Rita Pirolita
Dia 1 de Agosto de 2017, ouvi a notícia de que a aprovação das medidas que permitiriam acelerar as indemnizações às vitimas dos incêndios foi adiada para Setembro, apenas porque o maior partido no poder se absteve de votar. 
Os políticos que por incúria deixaram que esta catástrofe natural, o fogo em si, passasse a humana são precisamente os mesmos  que adiam a medida que permitiria acelerar o processo de ajudar quem ficou desamparado. 
Esta foi a forma mais desrespeitosa que toda a corja política arranjou de ir de férias com os juros dos milhões de donativos e suspender vidas que não as deles até Setembro.
"Queimam" tempo para que caiam no esquecimento os mortos, quem ficou vivo sem nada que seja vencido pelo cansaço, dor e sofrimento da espera. 
Agosto vai canicular debaixo de chuva e trovoadas, repleto de emigrantes e afogamentos em ribeiras e rios, ninguém vai ligar à informação contida e controlada, a típica censura embrulhada em silly season, políticos pançudos rumam a praias famosas e chiques ou retiros frescos regados com bom vinho.
O tuga bem azeitado derrete o ordenado mínimo, o RSI, ou o subsídio de desemprego em sardinhadas, caracoladas, caldeiradas, cerveja e namoradas, vêm a novela do almoço no parque de campismo, sofrem ataques cardíacos, golpes de calor e escaldões e morrem à porta das urgências por falta de médicos que nem para os turistas chegam. 
Está tudo bem por cá, excepto o que está mal, muito mal...    
07
Ago20

Eutanásia

Rita Pirolita

 

 
Ninguém quer morrer cheio de saúde, não apetece!
Morre-se de suicídio, homicídio, doença ou acidente, de amor não
Mesmo os que estão doentes não querem morrer ou se querem é só da boca para fora, a não ser que estejam em dor insuportável e dependência humilhante.
Quem clama por eutanásia, fá-lo a pessoas que esperam nunca estejam na mesma situação. 
Quem a condena é egoísta.
Pede-se respeito e compaixão, não impor a sobrevivência a qualquer preço só para satisfação de crenças, livrar-se da culpa por matar o sofrimento e alimentar a auto-comiseração de ter um coitadinho para cuidar e por quem chorar a toda a hora.
Acabem com o circo e mandem os palhaços para casa!
25
Jul20

Depois da paixão

Rita Pirolita
Muitos dizem, depois da paixão vem o amor sereno, agora que mais penso na partida de quem amo, apetece ir primeiro, o sofrimento da perda será de certeza à medida do amor ganho!
Mas como sou boazinha e detesto fazer sofrer quem gosto...que abra caminho, eu cá ficarei viva e inconsolável!


22
Jul20

A culpa do luto

Rita Pirolita
Como se faz um luto? Só quando se chega lá se sabe. 
Todos podem querer ajudar mas é melhor que se apercebam da incapacidade e impossibilidade para o fazer, porque o luto é pessoal e intransmissível, não para gáudio de quem o sofre sem orgulho nem afronta de firmeza!
O luto de quem morre novo, em sofrimento, de repente, esperado, desesperado, velho mas boa pessoa, irmão, melhor amigo, quem nos cria...
Sem pedir ajuda, ninguém se ofereceu por terem visto força maior para aceitar, assim se acharam diminuídos! 
A quem culpar? Alguém ou ninguém? 
Quem subtrai a própria vida não fica para acusar ou até dizer que fez da culpa dos outros a sua dor e por isso se libertou desse peso?!
Um luto forte e chocante agarra-se para sempre todos os dias na recordação e ajuda a preparar e atenuar a angústia dos vindouros! 
Era só isto, fiquem bem e que só os maus se suicidem ou nem vivos cheguem a este mundo! 

 

14
Jul20

Fraqueza

Rita Pirolita

Às vezes no silêncio...🎵🎶🎼
Às vezes no silêncio da vida apetecem-me coisas fúteis e até desprezíveis que me irritam se estiver sóbria e alerta de pensamento!
Uma ida a um centro comercial ou praia a abarrotar de gente, comer pipocas no cinema, ir ao próprio do cinema, estar a jantar no conforto modesto e ver notícias de matança de gente em terra distante ou crime passional na terra mesmo ao lado, pretos e ciganos em favelas, em rixas ou a irem presos, divórcios de famosos, não são mais que nós, gente pobre, nós em regozijo de classe média baixa, de coração podre para o vizinho mas mole na ajuda a quem não vive perto, revoltados contra padres sempre comilões e faustosos que abusam de indefesas criancinhas. 
Somos nós a denunciar uma justiça que não funciona, que devia ser universal e inata. 
Existe uma satisfação com a corriqueira desgraça, tudo para nos sentirmos melhor sem nada fazer, tudo se resolve nas novelas por isso na vida também!
Pois é, sou um ser desprezivel, mais ainda por admitir esta minha fraqueza que outros também têm, quando páram para ver o acidente na estrada, tão ladrão é o que vai à loja como o que fica à porta!
Serei eu assim que por ter passado mal na vida, um mal comportável, senão não estaria aqui a falar dele, me quero sentir humana e próxima dos meus iguais, na alegria e no inevitável sofrimento...
Sou uma ladra pouco ambiciosa, de cesta pequena mas ainda assim uma ladra!
Porra para todos nós que não prestamos para nada!

28
Fev20

Fogo-fátuo

Rita Pirolita
Será que acredito que existo?

Sempre senti que o conhecimento já veio agarrado a mim desde o momento da parição mas a existência sempre teimou em afastar a realidade. 

Sinto-me num corpo desalmado, que flutua e vê de fora por dentro, que julga a justeza de seres alheios que tenta expiar os males do mundo como um redentor que sofrendo as dores de outros, purifica e alivia quem em desespero de guerra e doença luta por ficar vivo. 

Será que é assim tão importante ficar por este mundo o máximo de tempo que conseguirmos a fintar a morte? 

Quase todos acreditam noutra dimensão mas ninguém nunca teve confirmações do além a não ser inventadas, nunca nada vem de luz divina fora da nossa imaginação. 

Que Deus tão fogo-fátuo que vive no nosso meio, inventado à nossa medida e nos abandona na morte, quando o deixamos de pensar. 

E se não acredito em mundos divinos e sim num Universo matemático, porque me sinto fantasma desta terra, observadora a planar por cima de catástrofes e a chorar da pena que sinto do sofrimento que não acaba, pela recusa do simples e Belo, que a humanidade sempre teve de graça mas nunca aproveitou até hoje?...
01
Fev20

A longevidade dos velhos

Rita Pirolita
A longevidade dos massacrados impressiona-me mas faz sentido, se resistiram ao sofrimento a ponto de sobreviverem é porque estavam destinados a ser mais fortes ou aí se tornaram mais resistentes para chegar muitas vezes perto ou mesmo ultrapassar os 100 anos. Como sobrevivem as mães de filhos mortos em atentados? Não deitam por todos os poros que têm no corpo, uma raiva e revolta que cala os gritos por impotência de contrariar a maré e trazer de volta os filhos mártires???
Pessoas com 90 anos, deixaram de fumar há 2 porque a reforma já não dava para o vício e vê-se que ainda estão ali para as curvas!...
Dizem que se não tivermos muitas flutuações na nossa vida, de local, de alimentação e talvez quem sabe de preocupações e com uma grande ajuda genética podemos viver para lá dos 100. 
Pessoas que rezam e têm muita , não têm rugas e parece que andam tanto tempo que até elas próprias pedem para ir embora porque acham que estão a roubar tempo de vida a outros e não é justo uns viverem até tão tarde e outros morrerem tão cedo.
Aqueles que se queixam de todas as doenças, nunca mais morrem e dão cabo da cabeça a quem os acompanha dia sim dia nãàs urgências do hospital. 
Os velhos velhacos por menos que durem parece que andam a atazanar meio mundo faz uma eternidade.
Já que Deus não existe para fazer justiça, gosto de acreditar que a bondade e o sorriso ajudam na longevidade e que os maus passam rápido por este mundo...mas na realidade os maus duram demais e os bons gozam sempre vida curta.
02
Dez19

Vitima nunca

Rita Pirolita

A violência doméstica continua na ordem do dia. Vou falar dela pela perspectiva de quem já viu e viveu alguma coisa e está alerta para não repetir erros de outros ou deixar prolongar situações pouco agradáveis por comodismo.

Ao mesmo tempo que se alerta para a importância da queixa, o não sentir medo ou vergonha de expor a situação, por outro lado a sociedade empurra no sentido contrário, silenciando com criticas e rótulos quem sofre este tipo de violência tacanha, encurralando a vítima num beco de silêncio e solidão.

O agressor será sempre alguém sem escrúpulos que não tendo respeito por si também não sabe respeitar a integridade e espaço dos outros e cuja única forma de amar que conhece é doentia, agressiva, dominante e humilhante num desespero de esconder a sua própria insegurança e complexo de inferioridade. Atacar antes que o ataquem.

A vítima por outro lado, também ela mal amada ou nunca amada, sempre incrédula e descrente na felicidade, que não  se sente no direito de viver, que é demais para agarrar, que não merece e não lhe pertence. A dor e mal estar são constantes num comodismo quotidiano.

Assim se convencem que têm que aguentar o sofrimento como uma cruz que carregam, segredado a algumas pessoas para angariar defensores da sua causa de comiseração e queixume, única forma de ter alguma atenção e pena, como um animal ferido que sorve parcas e mesquinhas manifestações de carinho e preocupação dos outros, que estão mais interessados em saber o que se passa do que em denunciar a situação ou mesmo ajudar.

No fundo tanto o agressor como a vítima sofrem do mesmo mal, baixa auto-estima e desamor, um manifesta isso com ódio, o outro com medo e submissão. 
Se estas pessoas se cruzam na vida, a violência continua entre quatro paredes, com umas queixas aqui e ali, até um desfecho algumas vezes macabro.

Estas famílias direcionam toda a sua energia para o desentendimento e ficam assim alheados do resto, não conseguindo proteger os mais vulneráveis desta vivência. 
Os filhos ou vivem e acumulam revolta e ódio generalizados por todos os que se aproximarem deles ao longo da vida, encontrando a melhor oportunidade para exorcizar este ódio nas relações intimas que vão tendo e destruindo, ou conseguem quebrar este ciclo, nunca incólumes de todo mas com a sanidade e clarividência suficientes para mudarem o curso das suas vidas, não voltarem a cometer os erros de que foram vítimas e conseguirem relacionar-se com o mundo de uma forma integrada, de partilha do melhor e esquecimento do pior.

Agressor e vítima só coexistem se ambos derem espaço um ao outro. Sem vitimização da vitima, o agressor dilui-se e perde força.

Gente criada com carinho e dedicação tem meio caminho andado para a felicidade, gente criada com pouco e mau,  não deve desperdiçar muitas oportunidades para iluminar os cantos escuros da alma, que todos temos. 

 
23
Jun19

Peixe de apicultura

Rita Pirolita
 
 
Descobri por navegação aleatória nas redes sociais, que um amigo que já não vejo há mais de 15 anos se dedica à divulgação da aquicultura ou aquacultura e desde já aqui fica o esclarecimento do termo por parte de quem percebe da coisa:
Existem os dois termos, aquicultura e aquacultura, sendo este último um neologismo.
O vocábulo aquicultura vem registado na 10.ª edição do Grande Dicionário da Língua Portuguesa (1949-1958), de António de Morais Silva, designando o tratamento dos rios, lagos e esteiros, para a boa produção piscatória. No Dicionário Geral e Analógico da Língua Portuguesa (1948), de Artur Bivar, surge o significado de desenvolvimento, por processos apropriados, dos animais aquáticos úteis. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que está em linha, referem-se como acepções deste termo: preparação de lagos, rios, etc., para a boa reprodução dos animais aquáticos; criação de animais aquícolas dirigida cientificamente; o mesmo que aquacultura. Por sua vez, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, refere estes dois significados: estudo e tratamento das águas doces como rios, lagos, para uma melhor aproveitamento económico de animais e plantas aquáticos com interesse para o homem; criação de animais, vegetais... aquícolas ou aquáticos dirigida cientificamente.
O vocábulo aquacultura ainda não aparece registado nos dois primeiros dicionários referidos. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista o termo como neologismo com as seguintes acepções: cultura em água; criação (de peixes, crustáceos, etc.) em viveiros aquáticos; o mesmo que aquicultura. O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, refere estes significados: criação de peixes em viveiros com fins comerciais; cultura em água doce.
Finalmente, o Dicionário Aurélio Século XXI remete aquacultura para aquicultura, com o significado de arte de criar e multiplicar animais e plantas aquáticas.
Em síntese, o segundo termo (aquacultura) também é correcto. Trata-se de um neologismo. Há dicionários que apresentam os dois termos como sinónimos. No entanto, poderá dizer-se que o termo aquicultura é mais abrangente e de cariz mais técnico e científico. 
Maria Regina Rocha 21 de Agosto de 2001
 
E agora vou eu falar da minha experiência com estes peixinhos que apenas sei, são alimentados com merda, muita mesmo. 
 
Todos sabemos que a sobre-populaçao do planeta tem arruinado tudo e mais alguma coisa. 

Desde agricultura intensiva, poluidora e destrutiva dos recursos naturais à criação de tal forma elevada de proteína animal, que leva a aberrações de métodos e resultados apenas com fins lucrativos.
 
Embora todos justifiquem a exploração da terra com base na irradicação da fome e pobreza com a criação de mais postos de trabalho e mais comida, o que não me parece totalmente verdade e passo a explicar porquê
 
As grandes multinacionais agarram em nichos de mercado que se vendem facilmente em nome do lucro fácil e apoderam-se de áreas até ai mais ou menos auto-suficientes e exploram ao máximo a força de trabalho e a terra por ordenados escravizantes, dedicam-se assim a produzir mais comida, que os pobres que a cultivaram não podem comprar e os que a podem comprar desperdiçam. 
Ou seja destroem a terra e aumentam a pobreza e fome dos explorados que não têm poder nem conhecimento para se revoltar. 
Aparecem depois os intermediários com a conversa da treta sobre agricultura sustentável, biológica e a preços justos para produtor e consumidor. 
Nós destruímos a sustentabilidade natural do planeta e agora queremos fazê-la renascer de um monte de lixo tão tóxico que está quase morto, só para parecer fino e ganhar uns trocos???
Agricultores, pescadores e outros 'cultores' continuam a ser explorados e estão no fundo desta cadeia de chupistas que lucram com toda esta exploração de bens e almas.
A população mundial continua a viver a ilusão civilizacional, andamos cá há milhares de anos mas não somos assim tão evoluídos.
 
Não seria melhor controlar o aumento da população  e regular de forma eficaz as infrações à pesca e culturas intensivas, refreando assim o consumo e diminuindo o desperdício, teríamos produtos mais saudáveis que provocariam menos doenças diminuindo o controlo e lucro pornográfico dos laboratórios. 

Não seria melhor acabar com as guerras e não ter refugiados e sofrimento, nem gente voluntária que não ajuda o vizinho do lado nem sabe o que fazer da vida mas depois larga tudo e vai ajudar os coitadinhos lá longe, restos de população que os 'ricos' cospem e fazem questão de aumentar.  
 
Para que tudo funcionasse melhor não poderíamos ter o grande defeito de sermos feios, porcos e maus e andarmos a chafurdar na nossa própria merda em vez de vivermos dela com proveito e inteligência.
 
Todos contribuimos para que o mundo acabasse neste estado, os 'pobres' anseiam ser 'ricos' pelos mesmos métodos escravizantes de que são vitimas e que tanto contestam.

A responsabilização desta salganhada vem em forma de castigo primitivo e selvagem - Não temos para onde fugir!
 
Resumindo e concluindo, o peixe de aquacultura sabe mal e deixa-me muito mal disposta por isso, obrigada amigalhaço que não vejo faz muitos anos, por me transformares em vegetariana.
Se te encontrar conto-te das boas, por andares a ganhar dinheiro à custa de arruinar fígados com metais pesados. 
Dedica-te ao peixe de apicultura e a cardumes de cães!
 
 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub