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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

18
Out19

Vida enganada

Rita Pirolita

As poucas coisas em que fui acreditando ao longo da vida e não falo do Pai Natal, Deus, princesas, fadas, unicórnios...revelaram, não muito tempo depois, que não eram absolutas, a minha opinião e visão ia-se completando ou destruindo, com elementos muitas vezes pouco positivos.

Falo mais uma vez da macrobiótica e do período em que andei metida nisto até à ponta dos cabelos, pensava eu...

Comecei a frequentar retiros, conferências, workshops, restaurantes, seminários e a conviver quase somente com este grupo de pessoas.

Não nego que me sentia melhor em termos fisicos e até diria espirituais.

Comecei a abrir os olhos, quando descobri alguns comportamentos de compensação, face à rigidez das regras desta filosofia de vida, que para mim confesso, nunca foram difíceis de seguir, dai ter chegado à conclusão que estava preparada para ir em frente sem qualquer sacrifício e até com muito prazer, no entanto, algumas pessoas faziam das tripas coração e conseguindo enganar os outros por algum tempo mas não a si próprias por muito mais, acabavam por se render a tentações e vícios que nunca as tinham abandonado.

Dava com alguns a comer carne e a fumar às escondidas.

A vida é curta demais para ser enganada!

18
Out19

Ensinamentos milenares

Rita Pirolita
Já escrevi várias vezes sobre os preços pornográficos praticados em seminários e retiros de bem estar, amor e espiritualidade elevada, como também escrevi que só vai quem quer e pode pagar. 
Cheguei à conclusão que não se deve dar dinheiro para alguém repetir ensinamentos milenares em jeito de propaganda comunista e lavagem cerebral, para depois ir gastar em ganzas para se inspirar para o próximo ajuntamento de papalvos.
Confesso que na altura que ia a estes encontros, andava na fase da descoberta mas não era por isso que me deixava enganar e ia a todas, em primeiro lugar ia a tudo que era gratuito, para ver se gostava. 
Nunca cheguei a gostar de nada ao ponto de pagar!
Durante este estado de graça que não durou muito, fui um dia convidada pelo namorado de uma amiga minha, para assistir a uma sessão budista e lá fui contente e maravilhosa ao fim do dia até à rua do Elefante Branco, onde me enfiei numas escadas estreitas de um prédio antigo até uma sala, que se tinha uma janela devia ser tão pequena que ou não a vi ou não me lembro, para esta memória contribuiu em muito a sensação de sufoco, de ar saturado e pesado num compartimento não muito grande, aliás, apertado para meia dúzia de gatos pingados, vestidos de rastafari festivaleiro, descalços e ajoelhados nos tapetes coloridos que cobriam o chão. 
Pareceu-me que tínhamos chegado mesmo em cima da hora e a sessão estava prestes a começar ao som de um sino que se fez ouvir das mãos do mestre. 
Para o meu amigo e eu, apenas restava um buraquinho onde nos enfiamos com trejeitos de 'Desculpa' e 'Namastê' para ti também, sim tu, vizinho da frente, ao qual quando me baixar em posição de saudação vou conseguir lamber os teus calcanhares e tu vizinho de trás, desculpa não ter caprichado na pedicure esta semana e se sentires algum bafo orgânico, possivelmente fui eu mas não te preocupes que vindo de mim são tudo frescos do dia e a vasilha está sempre lavadinha.
Lá levantei e baixei a moleirinha 500 vezes, ao som de um bongo miniatura e abandonei o local ao som do sino, de mãos juntas em agradecimento.
Disse adeus ao meu cicerone e que tinha gostado muito mas que não me convidasse para a próxima, porque vinha ai o Verão e ia estar muito ocupada...a levantar copos, com a regueifa sentada na esplanada.
Saí do prédio, enchi o peito de ar poluído mas fresco, já tinha caído a noite e as putas pululavam naquela rua.
Rumei a casa com uma certeza nessa noite: as putas não são as únicas que fazem fretes e rezam todos os dias de cu para o ar...para sair dali para fora!
16
Out19

Nem cornos, nem asas

Rita Pirolita
 
As crenças dos que me rodeiam e o crédito nos que me rodeiam são como os  Unicórnios brancos e as Barbies voluptuosas, existem mas até há bem pouco tempo nunca pensei que pudessem ser bonecas rechonchudas, os cavalos brancos também existem mas nunca tiveram cornos nem asas.
 
Todos existem como pesadelo ou ilusão.     
 
Pagam para sair da solidão e assistir a seminários de tocar pessoas, comunicar em silêncio, habituar o corpo ao jejum. 
Quão coerente parece isto quando em vez de estarem a evoluir estão apenas a fugir da solidão para não perderem o sentimento de pertença e até de existência, mesmo que estejam zangados com os mais próximos e se escudem na desculpa de resolver os problemas não falando neles nem com as pessoas que fazem parte deles. 
 
Comerem produtos biológicos, quando a poluição está por todo o lado e a pureza é por isso duvidosa ou mesmo inexistente. Tomarem pouco banho para não gastar nem água nem pele. Reciclarem ao ponto de enterrar tudo no jardim, como prova da sua orgulhosa pegada ecológica. 
Não preciso de jardim para saber que vivo em cima de camadas de lixo e cadáveres. 
Não ando a abraçar ou tocar desconhecidos mesmo que não tenha amigos, pagar para o fazer legitima a aprendizagem? Isto aprende-se? Se se aprende tem que haver alguém que ensine? Quem ensinou os que ensinam???
Nao há resposta para isto, porque isto não se ensina!!!
 
Devemos ser curiosos e na procura ou simples observação retirar o conhecimento suficiente para separar o melhor do erro e partilhar gratuitamente com outros essa informação.
Gostava de me rodear mais de quem não segue seitas, pessoas, gurus e promessas de sabedoria e menos de alienados, iludidos e enganados.  

O mundo existiria tão bem sem nós e talvez deixe de existir mais cedo por nossa causa.
 

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