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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

Estou confusa

Rita Pirolita
Nesta fase de grande mudança física e emocional estou confusa como estava na adolescência. 
A menopausa é uma merda e para agravar o mau estar, somos bombardeadas todos os dias com exigências de manter um corpo bonito a qualquer custo e agora até os homens se quiseram meter ao barulho sem ninguém os ter chamado. 
Detesto exercício fisico, rotinas e obrigações, gosto de me mexer muito, não obedecer a imposições e ter a liberdade de ser feliz na parte que me toca fazer por isso.
Não entendo o sacrifício e malefício que são necessários fazer o corpo passar, com dietas de limões e folhas de alface de manhã à noite, choques elétricos, queimadores de gordura, injecções de gordura, bisturi tira gordura, bisturi põe silicone...depois todos dizem que sem esforço nada se consegue e que o sacrifício é proporcional aos bons resultados. 
Que mal fiz eu para continuar a ouvir sentenças bíblicas relacionadas com pecado e vergonha para descobrir o Santo Graal da aparência perfeita à custa de tudo menos ser saudável. 
Cirurgiões que deixam a sua assinatura na obra, fazendo o mesmo tipo de lábios ou mamas em todas as parvas que lá vão. Miúdas de 20 anos que já parecem ter 40 e se vestem como trabalhadoras do sexo reformadas, mulheres que parecem homens de tão musculadas, ratos do ginásio que não se parecem com nada que seja humano. 
Já ninguém ingere comida, todos sobrevivem com batidos e selfies no espelho do ginásio. 
Eu não sou nenhuma Miss mas esta gente faz-me sentir que sou normal, feliz e gostada, no fundo eu existo, já esta gente não sei se pensam quanto mais existirem.
16
Dez19

Polaroid

Rita Pirolita
 
 

As fotos antigas, de chapa, Polaroid ou rolo guardavam-se em álbuns pesados e gordos. 

Se a fotografia no passado era a captação de um momento agora é a preparação de uma pose.

Não havia selfies mas sim pedido a quem passasse que tirasse a foto e rezar para que não desatasse a correr de máquina na mão, mais tarde com temporizador, ou tirar fotos em que um ficava atrás da máquina mas aparecia na foto a seguir porque trocava com outro.

Exceptuando algum foto-jornalismo e fotos artísticas, as fotos antigas eram familiares, espontâneas, únicas, os rolos eram caros, não dava para apagar e repetir ou tirar 500 mil fotos. O que estava ficava, não se repetia e só por isso eram captados sempre os melhores momentos.

Eu sei que pareço uma saudosista velha do Restelo mas sinceramente já viram as fotos que partilhamos hoje?
Bocas de pato, poses de Barbie, narcisos solitários, rabos, mamas, pernas e pélvis ao sol...
Onde estão os miúdos a fazer castelos de areia com pás e baldinhos coloridos, os homens barrigudos e as mulheres com rufegos nas costas, os piqueniques no pinhal, os aniversários com bolo caseiro e amigos verdadeiros de longa data, os casamentos com os mais divertidos e bêbedos???
Onde estão as Polaroid, a fast-food da revelação, com o seu tom amarelado e moldura branca?

Já agora, sem recurso ao photoshop, se inventassem fotografias que fizessem de nós melhores pessoas?...Agradecida!  

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