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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

21
Mar20

Os deuses nunca estiveram loucos

Rita Pirolita
Lembro-me do tempo do auge da criação e gestão aceitável das cooperativas, logo a seguir à Revolução de 74 na senda da Reforma Agrária.  
Por breves momentos na história de Portugal o povo tinha a sensação que se podia governar e orientar, até começarem a subverter o espirito de solidariedade cooperativista com ganância e roubos. 
Na altura da crença única no mito, na era primordial da humanidade, que não me lembro, porque não estava lá mas pelo que resta e perdurou até hoje, consigo perceber as pueris e desinteressadas rezas, oferendas e sacrifícios a seres superiores, que à altura era o entendimento possível para os fenómenos do Universo. 
Saberiam os nossos antepassados assim tão pouco sobre o papel avassalador dos deuses? Umas vezes mostravam-se irados e outras bem-feitores de mãos largas, depois da tempestade espalhavam a bonança de colheitas generosas, mais alimento, mais bocas a nascer! 
Começamos a ser demais para nos entendermos, coisa em que já não éramos bons quando seriamos apenas dois, o Adão e Eva como todos sabem, começaram logo com divergências, ela comeu a única maçã de que dependia a máscula sobrevivência, romanceada em tentação e ele toma lá que vais ser mal parida por uma costela minha! 
Depois quando pensávamos que sabíamos muito da vida mandamos os deuses aos porcos com o comunismo e deu no que deu, porra e meia e merda inteira.
Passamos a acreditar em homens que se endeusavam a todo o momento, na ansia louca de que o seu caminho era inquestionavelmente certo, tão certo que descambou sempre em coisas tão desequilibradas como a fome e a guerra que continuam a matar milhões, domínio cego, ditaduras, desgraça, escravatura...You name it!
As mesmas atrocidades se repetem na destruição do ateísmo que esconde o capitalismo e louva o Deus dinheiro. Igreja e politica enrolam-se em lençóis de prostituta promiscuidade.
Para fugir à responsabilização pusemos a nossa vida nas mãos de líderes que pensamos eleger democraticamente. Ilusão mais ilusionada não há! 
E assim nos deixamos levar por promessas de maus pregadores e pagadores que representam e bem o nosso egocentrismo, narcisismo e misantropia. 
Sendo assim como podem representar os sentimentos de altruísmo humanitário se ele nunca existiu e esteve sempre no segredo dos deuses, como as tempestades e as estrelas cadentes nos antípodas da pré-história? 
Os deuses nunca estiveram loucos, não seria melhor deixá-los intocáveis lá bem em cima e não termos a pretensão de os ter mal representados cá em baixo? 
Se bem não fizer?...Pior do que já provocamos não virá ao mundo!
27
Jun19

Pai que estais no céu...

Rita Pirolita

A humanidade recusa-se a crescer espiritualmente, daí a necessidade de imaginar um deus protector no seu castigo, que nos arrasta para sacrifícios dolorosos e mutiladores para atingir o perdão e a felicidade.

Um deus que pede sacrifício em troca de bem estar, é um ser dantesco que vive do medo e alienação dos seus seguidores. 
A libertação vem de dentro para fora, não é mensurável em tempo ou espaço fisico, por isso a minha liberdade não acaba quando começa a do outro, é uma liberdade partilhada sem domínios de propriedade. 
Na nossa dimensão limitada de seres humanos não temos capacidade para imaginar um Deus que nos liberte, apenas queremos estar presos no conforto de pouco decidir. 
Se pararmos de criar Deus, ficaremos abandonados à nossa pequenez e frágil condição no Universo.
Se Deus existisse tinha morrido muito, de tanto rir da figura que fazemos. 
Nunca vamos querer estar por nossa conta e destino, por isso acreditamos num pai redentor e confortável que perdoa e nos demite de responsabilidades.
Deus é o que se pode arranjar nas nossas limitações e finitude, somos os cruéis predadores que atacam a sua própria espécie sem proveito nem piedade, para lá do propósito da sobrevivência pura e dura, sinal de um atraso evolutivo profundo. 

Um dia seremos diferentes, quando existirmos noutra dimensão, libertos de informação genética contaminada.

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