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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

22
Jul20

Prioridades

Rita Pirolita
Já falei por aqui amiúde de prioridades mas agora vou-lhes dedicar um texto inteirinho, também merecem, ó se merecem! 
O que será pior, dizer moderadamente asneiras à moda do norte em momentos de tensão ou não saber expressar ideias, interpretar textos nem escrever correctamente português? 
É óbvio que o pior dos cenários será misturar tudo isto numa só pessoa e não serão assim tão difíceis de encontrar!
Será pior ter formação ser bem falante mas pouco sensível e de vistas curtas ou ter pouca instrução e até parca cultura mas ser dono de sabedoria que parece conhecer mundo sem nunca ter saído do sítio onde nasceu, ter comportamentos equilibrados e sinceros que não pactuam com injustiças?
Será pior escrever todo o tipo de impropérios clubísticos, chegarem a vias de facto à entrada dos estádios antes e depois dos jogos ou gastar algum tempo a discernir as mentirosas notícias que nos tentam impingir e dedicar algum esforço em perceber o que se passa, não muito longe de nós e que também é consequência do nosso desleixo, em perceber que líderes pouco conscientes nos desgovernem com tanta facilidade? 
Na adversidade e gostaria que tivesse sido por educação doce e fluída, construí linhas por que pautar a minha acção, solidificar o interior largando lastro de coisas menores, o menos é sempre mais na sua magnânima simplicidade, persigo a coerência comigo própria e o uso exaustivo de lucidez. 
Guio-me assim por uma visão consistente, tento ao máximo reunir vários prismas dum mesmo assunto para assim ser mais segura na opinião. 
Não me quero autoproclamar guru da boa aventurança mas sem rodeios, a minha vida ficou mais simples e despreocupada, mais apetecível e descontraída!
Gente que tenha uma personalidade periclitante não será de fiar, será contida, sempre a querer agradar, politicamente falaciosa, corruptível, não olhando a meios para atingir fins, falsa, dissimulada, com pouco respeito pela integridade, desprezíveis coitadas.
Todo este cenário comportamental de muitos, relativiza perigosamente valores, o que pode afectar no seu extremo e pôr em causa o discernimento da verdadeira felicidade ou mesmo o sentido da vida e a importância da morte, o fio que separa ambas é tão essencial e ao mesmo tempo quebrável de tão forte, é tão preciso que alguém o veja com respeito, sem cegueiras ou artimanhas!
31
Mar20

Já que estou aqui a envelhecer

Rita Pirolita
Cada vez mais me vou apercebendo que no envelhecer se perde muito mais do que aquilo que se ganha e o pouco que se ganha já não faz tanta falta e falta força para gozar.
A sabedoria já vem tarde, só não queremos ter dores e chatices, queremos estar e comer como bem nos apetecer com a porra dos muitos limites, porque o corpo já não é o que era.
Podemos ser tão mais livres e deixar de trabalhar mas depois não temos onde gozar a liberdade, com dependências emocionais, se forem monetárias, pior e se forem somente monetárias, muitíssimo pior, de filhos e netos que nos rodeiam, por quem nos sentimos responsáveis e por quem sofremos e nos alegramos em amiúde ansiedade de bem estar. 
Neste momento em que ainda não sou velha nem nova, já amaldiçoo a sabedoria da experiência, cada vez menos me serve ou até sobra para uma vida de quem não teve filhos, de quem já superou o choque da violenta morte de uma mãe, que prepara e amacia o pêlo para a do pai mas que ainda me pesa e apoquenta que tenha de passar por ela ou por cuidado e amofinação na doença, por ser a filha única que tem que cuidar se assim for necessário, por obrigação e não por dedicação, a um pai apenas de concepção e não de presença ou educação! 
É um misto de desejo que a morte venha e não venha para quem ainda nos prende ou em último caso que nos leve antes para evitar o sofrimento de ver outras! 
Sinto-me mais simples até que um dia a morte já só leve um corpo, porque toda a vida já foi gozada mas se a sabedoria me trouxesse mais liberdade, menos amarras a gente que vou chutando para canto, menos chatices de que me vou esgueirando e cobranças que vou evitando, não pedindo favores a ninguém para não ter que retribuir...ah se a sabedoria me trouxesse essa liberdade já me tinha empanturrado e morrido de overdose vital! 
01
Fev20

Não percebem?...

Rita Pirolita
Não percebem que fui croma de escola, sempre posta de parte, a quem ninguém ligava por ter bons resultados sem grande esforço, apresentar trabalhos e falar de coisas que só os professores percebiam e me deitavam o olhar de pergunta telepática: 'Que estás aqui a fazer, num ensino redutor até para professores quanto mais para alunos, que não responde a quase nada do que perguntas, que te obriga a memorizar mentiras, que não satisfaz nem estimula a tua curiosidade, que te tenta amarrar o sonho a profundezas tristes e pesadas??? Que fazemos contigo? Não temos onde te pôr e para casa não te podemos mandar!'
Que não tinha ninguém com quem falar sobre Nietzsche, Carl Sagan, Salvador Dali, António Aleixo, Jorge de Sena, Haldous Huxley?...  
Não percebem que há muito desisti de procurar sabedoria  nos mais velhos e experientes? Só os maus exemplos de vida alheia me abriram os olhos.
Hoje sou o resultado de ter contrariado tudo o que vi e não gostei.
Não percebem que as minhas tentativas de diálogo são uma forma de evoluir e sobreviver neste marasmo de alienação, falta de ideias e tacanha argumentação?
Não percebem que fico profundamente triste quando calo alguém, não quero ganhar batalhas, quero-me tornar maior, se não for à vossa custa, lá terá que ser sozinha...
Não percebem que para chegar à conclusão que nada no mundo faz sentido, não precisava de ninguém nem ninguém de mim?...
23
Set19

Lista de compras

Rita Pirolita
 
Comprar farrapinhos? Só mesmo quando preciso, transpiro que nem uma mula nos vestiários, seja Verão ou Inverno. 
 
Eu sou um bocado mete-nojo com listas de compras!

Vou fazendo a lista, às vezes a meio da semana passo a limpo porque nem eu percebo os gatafunhos que escrevi e se não faço o trabalho de casa, na confusão do hiper não vou decifrar nada de certeza
Já me conheço, assim que ponho um na superfície comercial apetece-me logo fugir dali para fora, mas lá tem que ser... 

Mesmo com as pressas uma coisa posso afirmar, nunca troquei courgetes por pepinos, tomates por dióspiros e bananas maduras e moles nem olhar ou tocar. 
Já sei que Lisboa tem umas mercearias todas pipi.
A câmara deu dinheiro a umas tiazorras voadoras para abrir botecos na baixa. 
Uma lata de atum custa quase tanto como uma lata de caviar rasca, eu percebo, as embalagens têm uma qualidade 'gourmet superior' o que me leva a deduzir que quem compra nem abre as latas de atum normalíssimo ou bacalhau de escabeche, porque têm estampados de Almada Negreiros ou Paula Rêgo. 
Também podem aproveitar as latas para fazer candelabros, fica 'supé chique' e fazem concorrência à Joana Vasconcelos!

Os hipermercados  não têm aquela fauna de fim-de-semana, casais de fato de treino, ele de sapato de verniz e ela com salto de agulha. Voltem! Perdeu a piada ir às compras. 

Lidl e Aldi. 
Aquelas prateleiras estão organizadas de uma forma negligé, só para nos alienar.
50 variedades de tostas crocantes, mesmo ao lado de 30 patés de todo o mundo...Não se faz!
 
Termino as compras e vou para casa com a sensação de que fui à guerra e venci o inimigo.
Toda a minha alegria cai por terra quando dou conta que não comprei os coentros que estavam na lista, caramba, como é que eu não vi?...Isto não é esquecimento é falta de vista.


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