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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

13
Fev21

Um para a troca

Rita Pirolita
 
Foliões do Mardi Gras e outras festas carnudas, saiam à rua a ser o que quiserem, apalpem as mamas falsas das matrafonas, belisquem as nádegas dos marafados camafeus.  
Quer dancem em Ovar, Torres Vedras, Loulé ou Sesimbra, não insistam em mexer pé de samba que não é vosso, veio do outro lado do mundo e não trouxe calor tropical agarrado. 
Aqueçam-se do frio com o alcool, agarrem os bem agasalhados Caretos pelos cornos, agitem os guizos, bebam e dancem mas lembrem-se, queca de Carnaval logo se esquece ou resultado se vê no Natal! 
Tirem as máscaras ou escondam-se atrás delas, em três dias de vida, o Entrudo rouba um e deixa outro para a troca!
22
Fev20

Tenho pena

Rita Pirolita
Tenho pena que me tenham criado para ser submissa e não tenham aceite a minha diferença, por mais pequena que fosse mesmo inserida no sistema.

Tenho pena de pais que não participaram na revolução do nosso país, mesmo que mais tarde se tenha revelado ilusória, que ficaram em casa calados porque a incerteza os assustava e o regime era certo e paternal. Ideias políticas que se amordaçavam mesmo à saída dos lábios porque o voto sendo secreto é uma boa desculpa para o silêncio de uma vida inteira que evita conflitos, perseguições e despedimentos.

Os tempos avançaram mas não mudaram, a única diferença é que agora podemos eleger de uma lista controlada os que nos roubam, as mentes continuam presas ao medo da critica, da luta, da voz alta da indignação.

A informação tem dono e como um vírus cibernético deposita alienações nas cabeças dos mais antigos, 'os trabalhos já não são para a vida e a culpa é de quem não quer trabalhar',  porque vidas anteriores foram gastas com dedicação escrava, na escola a levar vergastadas nas orelhas, no trabalho a cumprir horários e a lamber as botas ao gordo patrão, na vida a engolir sapos, a pagar impostos e contas a quem mais nos rouba e nunca fez nada pela vida a não ser enriquecer à custa da exploração do suor dos outros.

Tenho pena de quem torceu o nariz quando os retornados ocuparam facilmente cargos públicos, em vez de frontalidade justa, abusou de coscuvilhice doméstica para os acusar da novidade da droga, o tratar por 'tu' com uma falta de respeito pela parcimónia do antigo regime, a tão invejada descontração típica de locais mais quentes e onde a vida é mais gozada, regada com cerveja e comida picante.

Serve a desculpa que todos fizeram o melhor do seu pior? 

Tenho pena que as bestas abrandem o mundo!

Esta é a insustentável leveza de um universo que não se move nem muito menos levita de tão feio e pesado.

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