Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

22
Fev20

Racismo

Rita Pirolita
O ideal seria vivermos em feliz comunhão e miscigenação, até chegarmos ao ponto de não haver raças distintas e aí arranjaríamos de certeza outras formas de segregação que não fosse por raça, religião, género ou riqueza.
A diferença será aceite quando deixar de existir e formos todos iguais em aspecto e condição, numa monotonia visual de almas deambulantes em ruas esterilizadas em que ninguém é pobre ou rico, preto ou branco, gordo ou magro, triste ou alegre.Estes extremos que não dispensarão um líder mundial, que poderá ser um computador sem dor ou lágrimas reais, são característicos de regimes comunistas, socialistas ou de extrema-direita, nunca típicos da tão proclamada democracia, bandeira hasteada, esfarrapada por tanta intempérie e nunca honrada!
Os portugueses emigrantes dos primeiros tempos em França, não foram viver no meio da lama e dos ratos nos bidonville? Os franceses já lá estavam a ocupar os sítios e trabalhos melhores! 
Os africanos que chegam a Portugal vão viver para bairros da periferia à procura de trabalho, que nem para os que cá estão já existe ou não querem fazer. 
Dos ciganos, que têm fortes raizes nómadas, não se pode esperar que a maioria viva do trabalho ou respeite a ordem e paz social, vitimizam-se e aproveitam os subsídios, sem nunca ter descontado ou contribuído na comunidade para a ajuda que recebem. 
As mulheres, os gays, os deficientes, os pobres...são todos descriminados e há-os pretos, brancos, ciganos e às riscas. As comunidades querem manter os seus costumes, são segregados por não pertencerem ao local que habitam, chegam a reboque de promessas de vida melhor, a fugir da guerra, da fome ou da perseguição, não lhes são dadas oportunidades de luta nem defesa.
A revolta da desigualdade traduz-se em delinquência e agressividade e assim se distanciam e são postos de parte, perdendo o interesse na integração. 
Existem exemplos de existência pacifica controlada, entre comunidades diferentes mas nunca convivência saudável ou mistura de culturas no mesmo local. 
É natural que pessoas do mesmo país ou cidade se agrupem em comunidades e eles próprios exerçam exploração e até humilhação sobre os novos vulneráveis que chegam, em troca de guarida, salários baixos e trabalho precário. 
Ninguém está para ajudar ou se o faz é de forma dura e vingativa para exorcizar o passado do seu próprio início, outrora não facilitado por outros também. Enquanto existirem países que fomentam a existência de coitadinhos, de escravos que limpam a merda dos que os recebem por ordenados baixos, más palavras e maus tratos, tudo em nome da luta de classes, fomentada pelas elites para desviar os olhares da corrupção.
Enquanto a maioria se culpar e roubar a ela própria,  iremos ter sempre bairros da lata, bairros sociais metidos em buracos e distantes dos olhares dos mais ricos e ordem e paz que não serão respeitadas. 
Os pobres são o isco, a origem e o bode expiatório das desgraças do mundo, para gáudio dos ricos.
Lembro-me agora, que cresci com ciganos, pretos e deficientes que naquela idade pequenina, eram apenas seres com quem brincava, andava à porrada, dava a mão e agora já não os tenho, nem sei onde páram mas às vezes recordo-os, para voltar à inocência livre de preconceitos.
Não será isto tudo fruto da vazia complexidade dos adultos que criam problemas e hierarquias de poder e humilhação em vez de simplificar como as crianças e os cães tão bem sabem fazer?
02
Fev20

Tanta desculpa

Rita Pirolita
Temos aí outra onda de pedidos de desculpa que se vão repetindo na história vergonhosa da humanidade. 
Canadianos pediram desculpa a Indios e Japoneses, Australianos a aborígenes, brancos a escravos...
Ninguém pede desculpa pelas guerras, pelos homicídios e roubos, mas tudo continua a acontecer a cada segundo em cada canto do mundo, por diferença de raça, religião ou simples malvadez. 
Com tanta desculpa que ainda teríamos que dar, não chegariam 10 milhões de anos. 
As desculpas evitam-se, ou os erros são inevitáveis?
Não estaremos condenados a inventar outra dimensão, que comporte um recomeçar limpo e exorcizado dos erros desta existência aleatória? 
Não desejaríamos ser o oposto, seja lá isso o que for, desta miserável falta de senso? 
Como não temos comparação com outros mundos, não competimos para sermos melhor e ainda assim conseguimos ser o nosso pior pesadelo.
Somos filhos abandonados à nascença, órfãos de altruísmo.
Não estará na altura de pedir desculpa por existirmos, por não termos evoluído, por apenas sermos mal do mesmo mal?
Não está na altura de pensar que se um meteorito nos travar a reprodução, não se perde nada e tudo se transforma, sem deixar rasto nem memória, sem arrependimento nem saudade do nada que fomos?
28
Jan20

Aberrações humanas

Rita Pirolita


As marchas de Orgulho Gay que no mês de Junho, quase por todo o mundo civilizado saem à rua, mostram gente nua e colorida a dançar, beijar-se e apalpar-se...
Ninguém é parvo, não precisamos que nos metam pelos olhos dentro, a imagem que todas as pessoas são diferentes e que a luta pelos mesmos direitos não são só de género são também de raça, religião, deficiência, crianças, velhos... 
Todos os que têm um interesse comum a defender se agrupam, os políticos para roubar, os ricos para roubar, a igreja para roubar e todos os demais que não roubam mas  também reivindicam tanta coisa que às vezes não sabem bem o quê. 
O tema está na ordem do dia mas mal debatido e esgotado de tantos clichés. No fundo andamos todos a lutar pela liberdade e direito à diferença, mas as manifestações destes grupos, têm-se mostrado exibicionistas, vazias de conteúdo, intenção e conhecimento por parte dos participantes, carecendo de vozes representativas sólidas que possam ser levadas a sério, correndo o risco de cair numa brincadeira de crianças e não combater verdadeiramente e com inteligência que cale e tire a razão do ódio aos homofóbicos. 
Imaginem se as pessoas que têm pancada por pés fossem para o meio da rua fazer uma manifestação pelos direitos e liberdade de haver pés limpos ou sujos, arranjados ou não, em quantidades razoáveis ou mesmo defender o controlo de qualidade em catálogos de pés?
Na escola sempre fui posta de parte por ser gira e tirar boas notas. Quanto à beleza só as que se consideram feias morrem de inveja, quanto à sabedoria ou inteligência, poderia dizer que não era tão burra como os outros.
Não morri por trauma ou bullying, fui sim bafejada com a sorte de não mexer nem uma palha para a selecção natural de pessoas com quem seria penoso conviver. 
E agora?...Vou para o meio da rua com cartazes, celebrar o facto de não gostar de pessoas por ter sido alvo da sua inveja discriminatória??? 
Não preciso, todos os dias celebro a minha liberdade de acção e expressão, não convivendo com a maioria das pessoas que a podem tirar.
Se formos a ver bem, cada um de nós é um lobby em nome individual mas com muita vergonha de o assumir, por isso muitos se tentam encaixar num grupo, onde acabam por diluir a diferença e desaparecer como indivíduos, tornando-se numa amalgama pouco interessante, que por vezes gera  sentimentos controversos e nada consensuais na sociedade.

Trata-se acima de tudo de conquistar o direito e liberdade de expressão e assunção do amor. O amor verdadeiro nunca estará em causa na cabeça de pessoas loucamente saudáveis, que se apaixonam sempre primeiro por pessoas.

O género não deve ser vendido como uma amalgama confusa, é uma condição para a igualdade de tratamento e distinção de mundos complementares.

Somos todos únicas e diferentes...aberrações humanas.

 

12
Set19

A TV das ilhas

Rita Pirolita
 
Não sei se já repararam nos estúdios, adereços e roupa dos apresentadores de qualquer programa feito nas ilhas seja da Madeira ou dos Açores.

O décor dos estúdios parece o departamento de revenda de móveis danificados da Moviflor, as roupas são do mais requintado look tropical emigrante, as notícias são dadas com isenção e parcimónia em tom coloquial.
 
Quando esteve ‘desempregada’, a Manelita podia ter aproveitado para revolucionar o formato da informação nas ilhas, com o risco de ficar sem um ou os dois bracinhos na tentativa de adoptar um fila de S. Miguel.
Esta raça não ‘embarca no inferno’ de jornalistas desinformados, ignorantes, inconsequentes e mal educados.
 
Estes trabalhadores da comunicação além mar, não se cobrem de brilhantina e falso profissionalismo, não fazem reportagens esquizofrénicas em directo a encher chouriços, a trocar tempos verbais à Jorge Jesus e quase nunca perguntarem o nome de quem entrevistam, haja o mínimo de respeito pelos anónimos. 
 
Em vez de uma senhora obesa na meteorologia dos Açores, todos preferiam ver uma sereia a anunciar altas temperaturas para o grupo central mas não é isso que vai fazer parar a chuva, característica quase diária destes territórios insulares. 
Esta senhora não é nenhuma caloira, não está ali para se despir e assim subir na hierarquia televisiva, lá está, o aspecto não influencía em nada a qualidade da informação sempre manipulada de raiz.
02
Mai19

Campistas

Rita Pirolita
Os campistas são bizarros, normais ou anormais, previsíveis, excitados, prazerosos, descontraídos ou contraídos e vão sendo outras coisas mais...  
Os 'tios' que antes de jantar aparecem de banhinho tomado, com ar de donos do parque de campismo, com a madame a reboque de braço enganchado, para o moscatel ou whisky com muito gelo. 
Homens de porte de titans, agarram ao colo com ligeireza lulus franceses de 2 quilos, de orelhas borboleta, olhos esbugalhados e ladrar irritante. 
Avós babados ou pais chiques e betos, fazem-se acompanhar de cão de marca, de língua azul, com 50 camadas de pêlo, preparado para dormir no congelador. Se a raça sofre muito com o calor, porque não vivemos na Sibéria e se está preparada para puxar trenós mas não é muito amistosa com crianças, pessoas em geral e apartamentos ou varandas são autenticas prisões...nada disso interessa, o que interessa é que o preço do cão mostra a riqueza de bolso e a pobreza de espírito.
Tratam os filhos por você Martim 'práqui' ou você Matilde 'práli'.
 Gente da barraca que nunca conseguirá tirar a barraquice de dentro de si...estão no sítio certo para armar barraca. 
Os que abraçam o balcão do bar, debruçam o peito e encostam a barriga com delicadeza, como quem vai tomar balanço e saltar à barra, mas afinal só querem fazer figura de engraçadinhos, tudo isto para pedirem 2 cafés porque já jantaram na caravana, ela de pochete debaixo do braço, cabelo curto de baixa manutenção à camafeu, em pescoço de galinha marreca, ele de calção, sapato de vela e barriga descaida de grávida em fim de tempo. Depois do café levam as chávenas vazias até ao balcão, como a mostrar aos outros o bom comportamento a imitar, pagam o serviço mas até dão uma mãozinha e deixam a mesa limpa para o próximo casal maravilha de jarretas. 
Os que conhecem todos e mais alguns, os que conhecem alguns de muitos e os que não conhecem ninguém, nem sabem do que falo porque não fazem campismo, como os festivaleiros radicais de trazer por casa, que dizem que  aparecem no parque de tenda em riste mas depois não assumem a dependência do comodismo e não põem lá os cotos. 
Os que lavam roupa e estendem sem pudor as peças intimas, os que guardam tudo e depois logo lavam em casa. Os que lavam louça de alguidar, com detergente e esfregão e os que comem enlatados e sandes. 
Os que com mais de 50 anos ainda se aventuram a conhecer Portugal em bicicleta e pedalam debaixo da canícula pós almoço. 
Aqueles que já passam dos 40, ainda não tocaram os 50 e insistem em tendas à medida, onde se entra quase em voo e de onde se sai a rebolar como baleia encalhada em águas rasas...quanto mais pensar em pedalar, dar cabo dos glúteos, gémeos, nalgas e outros apêndices afins. 
Mulheres de meia idade que se passeiam desnudadas em praias naturistas como se tivessem 16 anos, a engatar surfistas de abdominais definidos, ombros largos, olhos verdes e cabelo queimado, a curtir música techno e a fumar ganzas como se não houvesse amanhã.
Sarrabecos que se vestem à noite como se tivessem chegado de uma importante partida de golfe, com a sua dama loira de voz grossa que fuma Marlboro, não Ventil, tabaco de pobre, pequeno e mirrado, que não fica elegante entre dedos o tempo suficiente para espalhar dondoquice.
Os que vêm o jogo da bola de fim-de-semana e barafustam como se o caso fosse grave e talvez situação de fim do mundo, com bitaites na fila da frente, sempre a virar a cabeça para trás, à procura de aprovação em adeptos desconhecidos.
Os dias acabam em tendas pequenas ou grandes, bungalows, caravanas, carrinhas pão-de-forma, abrigos, tipis ou ao relento, em noites quentes e bem regadas com cerveja ou bebidas fluorescentes de discoteca da aldeia! 
  

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub