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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

01
Abr20

Velhos jarretas

Rita Pirolita

 

Agora todos são solidários com a luta pelos direitos dos animais, antes andava tudo a falar das crianças e noutras alturas dos velhos. 
Vai de modas, na verdade são tudo boas causas e devemos proteger ou pelo menos não prejudicar, os que não se conseguem defender. 
Mas será que alguns são mesmo frágeis ou aproveitam-se da condição? 
Já vi muitos cães passarem-se da bola e desatarem à dentada.
Já vi putos atirarem-se para o chão do centro comercial a esbracejar e a rodar sobre as costas como um escaravelho de pernas para o ar, aos gritos, a chorar baba e ranho por não lhes fazerem a vontade de comprar tudo o que querem.
 vi velhos a correr todos à bengalada, a queixarem-se que ninguém lhes liga ou que são diabéticos e não se podem irritar. Que eu saiba, a diabetes não dá dores de cabeça, dentes ou ouvidos, que são as mais massacrantes. 
Aliás, hoje em dia, velho que não tenha diabetes, gota, osteoporose, colesterol elevado e joanetes, não é idoso que se preze e tem a garantia que ainda vai andar cá muito tempo, a consumir o dinheiro da reforma e a arrastar-se no queixume, dando cabo do juízo aos que o rodeiam.   
Eu bem os vejo no aeroporto quando vou viajar. 
Antes de levantar voo todos requisitam cadeiras de rodas até à porta de embarque, vão de cu sentado e passam à frente de todos, quando a viagem termina o mesmo número de cadeiras que foram requisitadas na origem do voo estarão no destino à espera dos mesmos velhos, é vê-los com a tesão do mijo a tentar sair à frente de todos, comigo não têm sorte que eu não lhes dou abébias. 
Se nem andavam na hora da partida ficam cá com uma energia de atleta à saída? Deve ser da mistura do RedBull com a despressurização, aquilo dá cabo de cabeçinhas com Alzheimer e Parkinson! 
Assim que põem um pé fora do avião metem a bengala debaixo do braço, saem disparados que nem foguetes e deixam os gajos da groundforce a arejar a cadeira de rodas e a lançar a cada velho que passa um olhar de comiseração e esperança frustrada, sem lhes darem oportunidade de praticar o bem e mostrar excelente serviço.
Nem todos os velhos são fofinhos, há-os jarretas ou velhacos e alguns até dá vontade de os matar antes de morrerem!
 
 
09
Dez19

Vou só ali vomitar...

Rita Pirolita
Mais uma vez me aborreço com a monotonia de quem vou comentando e encontrando pelas redes sociais.
 
Eu sei, vocês não, que não tive quem me desse educação, apenas deveres e obrigações para cumprir em troca de escola, comida e dormida. 
Eu sei que tive que me fazer, educar, cair e levantar, mais só que acompanhada.
 
Eu sei que não devo chorar muitas vezes e queixume nunca.
Eu sei que há maior desgraça que a minha, muito maior mas só da minha posso tirar conclusões e nunca fazer comparações, porque sou única como só eu sei. 
A raridade e diferença de outros não me é alheia, é até considerada mas por aí me fico, porque não posso ser outra!
 
Eu sei que estou noutro patamar de saturação de gente, assim vou seguindo no caminho do isolamento que cada vez mais sentido faz, porque a participação e tentativa de pertença, se têm mostrado com pouco sumo e de rara evolução! 
Eu sei que os que se pensam quase mestres na arte de fazer rir ou tentar ter piada, não aceitam ser ultrapassados ou ofuscados por aprendizes-alquimistas que não os veneram, os fazem parecer pouco naturais e até forçados e repetitivos na imaginação e na arte da escrita. 
Eu sei que sou uma aprendiz de geração espontânea, que nunca bebeu em mestres mas se identifica, revê e aprende com a crueza caricata da vida.
Serei uma aluna assustadora e desencantada que não se entrega a ilusões e modas, que não escreve um livro, que não faz palestras nem dá workshops de humor, que não come à pala em todos os eventos e mais alguns, que não se mostra no palco? 
Estarei puramente interessada em que apenas gostem do que escrevo, porque isso é também o que sou? Sendo mesmo assim desconfortável, que alguém me reconheça e saiba do menos bom em mim, não tenho pudor em mostrar, esteja rasgado na pedra ou escrito em veludo, desde que vá ficando por aqui. 
 
Mais uma vez sinto-me só em descampado, sem tertúlia que valha a pena para ficar e beber um copo ou dois.
Gente preguiçosa que gosta de ler coisas leves e fáceis, gente impaciente que não lê textos longos, só curtas do dia a evitar opinião ou baralho mental, gente que não sabe rir do sério com ironia.
 
Mais uma vez, cada vez mais, descubro mais gente, mais burra que um pepino, mais empapada que um molotov, mais instável que gelatina, mais peganhenta que arroz doce, mais morta que bife, mais podre que fermento...
 
Já conseguiram ficar com azia? Eu já, vou só ali vomitar...
 

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