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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

18
Jul20

Eu não nasci para isto

Rita Pirolita
Eu nunca mudei de sexo porque não nasci hermafrodita e não precisei de decidir à pressa, a menos que alguém o tivesse que fazer por mim por implicar com a minha sobrevivência!
Eu nasci da junção de duas coisas que todos conhecem e fazem parte de uns e de outros, que só por serem diferentes é que se complementam e dão origem a algo!
Eu não nasci para mudar de género quando ainda não posso votar ou conduzir, nem tenho fígado para aguentar uma bebedeira ou bastando os meus pais darem-me autorização entre os 16 e os 18, porque daí para a frente até posso encomendar por catálogo fornecido pelo BE!
Eu não nasci para votarem numa lei que chocalhe gente, num saltitar de retornos fáceis demais para serem tomados com seriedade e responsabilidade, cujas consequências não serão assumidas, já que o relatório médico não é necessário para iniciar a mudança de sexo e de nome, mas depois já se pede a intervenção do médico para alterar para a anatomia com que o paciente se identifique! Com que provas de sanidade??? 
Quem vai pagar as cirurgias, os tratamentos hormonais, as consultas no psicólogo, as angústias de identidade, lidar com as tentativas de suicídio por deixarem fazer o que se quer, quando ainda não se tem maturidade para perceber o que vai na alma, quanto mais no corpo ainda em transformação?!
Eu não nasci acima de tudo para inventarem terminologias, meterem coisas em cabeças imberbes que todos sabem serem influenciáveis. 
Ninguém pode viver protegido numa redoma mas parece que todos estamos perdidos num mundo de possibilidades, em que os seres mais jovens são plataformas de experimentação e expiação de projecções imaturas e frustradas de gerações passadas que foram vítimas de espartilhos como se de repente prisioneiros de longa data postos na rua não soubessem lidar com a imensidão da liberdade e achassem que o mundo seria infinito mas é apenas uma prisão maior que aquela de onde saíram, onde para travar a sofreguidão se vão impor mais regras que as anteriores. 
O nosso mundo não muda pelo tamanho, muda pela atitude e aceitação.
A multiplicidade de escolhas num mundo pouco ou nada inteligente, não nos torna mais sensatos, livres e altruístas como seria de esperar, torna-nos sim escravos da desorientação!
Ainda hoje tenho dificuldade em escolher o que vestir, para meu descanso a roupa muda-se como uma capa e eu nem sou nenhuma heroína!
Espero mesmo que esta lei seja para aplicar a casos muito específicos e devidamente analisados por quem de direito, psicólogos, sexólogos, médicos no geral, comissões de ética, o que for preciso porque estão a mexer com vidas, se assim não for só me resta concluir que foi largada na praça para baralhar mais uma geração já de si perdida, para mais tarde ser fácil de (des)governar, controlar e alienar! 
Propaganda! Quantos mais sacrificados?...

 

15
Jul20

A ideia de mim

Rita Pirolita
Não sei que ideia fazem de mim fisicamente mediante aquilo que escrevo! 

Se calhar não gostava de saber ou tanto se me faz, não posso mudar o que tenho e não me achando feia, não tenho defeitos físicos, tenho imperfeições carismáticas, aceito de bom agrado aquilo com que nasci, sem algum dia ter tido a coragem de mudar artificialmente fosse o que fosse, bem ok, usei aparelho nos dentes mas não usei óculos nem botas ortopédicas, também não tinha que me calhar tudo!

Se têm de mim a ideia de uma figura frágil, submissa, cândida e doce...é porque não leram uma vírgula daquilo que escrevo, não me conhecem de todo, se pensam que sou muito expressiva e transmito rebeldia, provoco alvoroço, sou insubmissa, inquieta, arisca e muito convicta? Talvez vislumbrem algo mais próximo da realidade que eu imagino de mim! 

Como eu me vejo e sinto e aquilo que os outros pensam, costuma ter alguns pontos de encontro mas outros nem tanto se tocam!

Ora vejamos.

Muitos me acham bonita, eu acho-me interessante e nada sensual, muitos me acham atlética, não pratico nada e nunca fui adepta de exercício com rotinas, comparo-me mais a uma mulher russa dos murais de propaganda comunista, alta, rude, de membros fortes, ombros largos, mãos e pés grandes, de aspecto nada frágil, lábios largos, olhos rasgados, maçãs do rosto proeminentes, orelhas pequenas, cabelo farto, forte e indomável.

Não tenho ar feminino e doméstico, a pedir cuidado e protecção, sou a mulher que caminha ao lado de alguém, não faço frente a todos nem me acanho escondida, vou quando me dá na gana da justiça! 

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