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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

04
Ago20

A desilusão da iliteracia

Rita Pirolita
Muitas vezes me indago se sou a única a fazer comentários em páginas de outras personagens sem esperar que me retribuam, o que acontece por cortesia e por impossibilidade de passarem ao lado pelo forte pendor dos meus comentários que tento se caracterizem sempre por grande lucidez ou muito gozo e riso ou tudo isto misturado.
Quando leio algum texto que me desperte atenção tenho curiosidade em ver o mais que se passa em estaminé alheio, todas as vezes acabo por gostar apenas de algumas coisas, das outras todas aceito a diferença e a liberdade de não concordar, gosto apesar de tudo de dialogar pela escrita e que por aí me conheçam e contestem ou concordem.
Esta atitude nunca é reciproca o que me leva a pôr várias hipóteses e tirar outras tantas conclusões. 
Ou as empertigadas das bloggers assim que deparam com um comentário meu vão espreitar o meu blogue e quando lá chegam detestam ou gostam e não dizem nada fechando-se em copas ou não percebem nada do que escrevo ou talvez se façam de desentendidas e desistam. 
Não comento à espera que alguém me venha fazer a cortesia de ler o que escrevo mas parece que quase todos os que já têm um número considerável de visualizações e seguidores, de tão importantes que se sentem já não podem responder do seu pedestal de merda invisível a personagens menores como eu. 
Não que eu goste de dizer que tenho muitos amigos ou admiradores por estas bandas virtuais, esse não é o objectivo pelo contrário, não aceito pedidos de amizade, mesmo sabendo que perco a grande e cobiçada oportunidade de aumentar as visualizações e divulgar os meus textos.
A única razão porque estou nas redes sociais é apenas para divulgar o meu blogue de uma forma natural, sem aceitar amizades ou pagar promoções e dar dinheiro a ganhar ao já multimilionário Zuckerberg. 
Por outro lado não gosto de criar laços muito íntimos com quem conheço pessoalmente dá sempre confusão, todos os poucos conhecidos que tenho não me sabem por redes virtuais, gosto sim de conhecer pessoas que se mantenham à distância sem me importar com a sua aparência, vida pessoal ou se têm perfis falsos ou não, pouco me importam esses pormenores, gosto de ler gente que se sinta livre atrás da escrita.
A escrita protege de olhares indiscretos e expõe-nos como nada mais, com uma verdade incotornável e às vezes indizível. 
A proximidade física e a convivência diária que não com esse alguém que queremos nos acompanhe na vida, destrói o respeito mutuo e dá sempre espaço a abusos,  nunca encontrei excepções começando pelos mais próximos, a família.
Confesso que tenho quase a certeza que não passo despercebida, também não quero acreditar que elas andam todas nos sites de maquilhagem, roupa, cabelos e vida cor-de-rosa e eles a ver pornografia e futebol. 
Talvez suscite inveja nas gajas e medo nos gajos?...Nããã, pensar isso é cliché, é banal demais!
Acho que a maioria percebe o que escrevo, não lhes interessa é pensar sobre o assunto ou não têm argumento de contestação, digo isto porque o moço é a pessoa mais inteligente, fofinha e meiguinha também que alguma vez conheci na vida, por isso é que estou com ele, já ele está comigo porque ainda não desistiu de aturar uma cabra do monte irascível e solitária como eu. 
Ora bem o moçoilo cá da casa percebe e muito bem tudo o que escrevo, critica às vezes e elogia muito, não que seja um cego babado da sua amada e por isso parcial, ele não mistura essas coisas e eu muito menos.
Diz que os meus textos são de leitura que falta o ar, pudera escrevo sempre tudo de uma penada e de forma sofrega, sou assim em tudo na vida, sendo a liberdade e a solitude as mais indispensáveis para me sentir viva, como estava a escrever, o moço diz que até me expresso bem demais com as letrinhas todas e raramente deixo algo por escrever sobre um tema, é por isso que deduzo que a maioria das pessoas não sendo tão inteligentes como ele, percebem mas não muito, não se aventuram por isso a comentar ou a entrar em guerras de boas palavras mesmo que saudáveis, por medo ou sentimento de inferioridade de logo na primeira investida ficarem sem argumento e terem que se retirar de fininho! 
Gostava que assim não fosse que a maioria fosse mais forte, menos preguiçosa para ler textos longos e coisas com sumo que fazem pensar mas é precisamente o oposto que me faz desistir de seguir outras páginas, quando as suas autoras acabam por mostrar que são superficiais, que analisam tudo pela rama, que não entendem o impacto e importância de conhecerem bem sobre o que escrevem, de viverem e sentirem com lucidez e sagacidade, não percebem nada do que comento e respondem a alhos com bugalhos com uma iliteracia que me surpreende face à página que até augurava ser boa.
Deixo assim de seguir quem apenas quer escrever para os amigos perseguidores e conhecidos admiradores que dão sempre ámen a tudo sem mostrar o que não tem, porque mais não tem de facto para dar e a mais não é obrigado, 'expulsando' no entanto e sem demora os desconhecidos que picam e agitam. 
Não quero acreditar que seja uma desilusão assim tão grande para os que me lêem, talvez para muitos seja um choque, para alguns um prazer e para nenhuns uma coisa indiferente, vazia e fútil! 
Pior que não prestar é vir a este mundo e sair dele sem pensar em quase nada, saber pouco do que se anda a fazer ou passar tão despercebido que nada ou pouco se agita!
25
Jul20

Investimento no futuro

Rita Pirolita
Passamos a vida a matar o prazer do presente e a agourar e precaver catástrofes no futuro. 
Usamos cremes para evitar rugas antes que elas apareçam, porque já temos a certeza que vão aparecer ou porque queremos retardá-las ou até eliminá-las? 
Como saber se não teremos uma pele melhor sem a sufocar com make-up, ou desgastá-la com limpezas e peelings?
Não teremos curiosidade em saber como seremos naturalmente daqui a uns anos? 
Cada vez mais quero saber, é um desafio ver e até ir aprendendo a ficar satisfeita com o avanço, mais que desiludida ou irritada, treino assim a boa disposição, aceitação e positivismo e é sinal que estou viva!
Esfalfamo-nos a trabalhar, obrigam-nos a entregar rendimento do presente para assegurar o futuro na velhice, perdemos os melhores anos a juntar para gastar nos piores.
E se não chegarmos lá ou chegarmos em tão mau estado que só nos reste esperar ou desejar a morte?
Apostamos nos homens e mulheres de amanhã, lutando por  lhes dar a melhor educação quando os putos chegarem a adultos com a velocidade que isto leva, tudo o que se ensinou estará desactualizado, mas fizemos  o nosso melhor a pensar num futuro cristalizado, num presente que nem sabemos processar na sua causa e consequência.
Fazemos dietas para o próximo verão, para parecer bem aos outros, mais que para nos sentirmos melhor e mais saudáveis desde o presente dia que as iniciamos!
Deixa-se crescer o cabelo para se cortar no ano seguinte, porque a moda assim o manda e até sempre nos ficou bem, tirando anos de cima, num visual renovado! 
Fazer a guerra agora para alcançar a paz depois, quando a paz é que deveria ter presente e manter-se para evitar a guerra e não ser só futuro prometido.
Aprisionamos animais em cativeiro a prever a total extinção, tão evitável se agirssemos agora e já!
Fazemos seguros a puxar desgraça para acidentes que podem ou não acontecer, quem anda à chuva molha-se e se tiver guarda-chuva...também se molha!
Na próxima relação é que vou viver, descontrair, ter prazer e nunca traição!
Vamos adiando fazer e dizer em jeito desajeitado, à espera que tudo melhore! 
Se investimos no futuro, desinvestimos no presente e o futuro será tudo o que fizermos agora! 
A escolha é livre e não pode ser possuída mas pelas mãos nos passa a órfã responsabilidade!
25
Jul20

Animal de coice

Rita Pirolita
Muitas vezes me pergunto se sou normalmente humana e a resposta cada vez mais se aproxima da anormalidade e aberração associal que sou, não tanto anti-social.
Lá vou eu explicar mais uma vez sem me querer justificar ou desculpar.
Apenas faço constatações do animal que sou, adjectivado e muito bem pela minha mãe, umas vezes de 'mula ruça' outras de 'cabra do monte', pela precoce convicção e muita inquietude e agitação de alma e corpo! 
Na era tresloucada saía para socializar e me sentir normal e integrada, nunca fui de fazer amigos ou mesmo fidelizar conhecidos, saltitava com facilidade de grupo em grupo, nunca ficando ancorada às mesmas caras, hábitos e sítios, sempre foi um atentado à minha alérgica reacção à monotonia e pressão de corresponder às expectativas dos hábitos de jantarzinhos aos fins-de-semana, reuniões todas as noites no café do costume, aniversários e casamentos, batizados e funerais, bem a estes últimos não se escapa com facilidade, muito menos o morto.
Não procurando com quem desabafar, coisa que nunca me assistiu muito, não tinha também com quem me comprometer em confidências e mexericos! 
Esquivei-me assim de dar muita prenda e fazer sala em convívio forçado com hora e arranjinhos marcados, com que tentavam armadilhar a minha livre existência, por já ir ficando para tia e parecer mal ser maluca e libertina até tão tarde! 
Lá fui aproveitando o que me davam de bandeja, com a leviana assunção de que um dia se calhasse e se acordasse para aí virada, até 'assentava' a poeira mas não era meu interesse nem nunca esteve nos meus planos, ter filhos muito menos, esses nem pensar trazer ao mundo que já tenho uma trabalheira louca com o animal de coice que sou!
Tantas vezes altas horas da matina olhava à minha volta, atordoada por música ensurdecedora e pensava o que estava ali a fazer perdida em bebida e gente como eu, que preferia a dormência de noites mal dormidas para que os dias passassem mais alheios à desilusão de estarmos condenados a uma vida de trabalho de merda, com horários fodidos e ainda fodiamos mais a coisa numa espiral desesperante  de prazer nunca encontrado!
Passou-se a adolescência e grande parte da vida adulta em noitadas e agora da gente fujo, até fico doente com marcações seja do que for, não gosto que importunem a minha improgramável quietude!  
Arrasto-me na obrigação de em meia dúzia de vezes mostrar a mim própria que devo arejar a beleza e até ainda consinto um convívio curto, sem jantares ou coisas de monta, um café vá lá, para dois dedos de conversa.
Estão todos bem? Eu também! Até ao próximo ano, lá mais para o final mas sem ser no Natal ou Reveillon, Páscoa, Carnaval, feriados, aniversários, casamentos, funerais...o defunto que descanse em paz e não se incomode em avisar! 
O moço é que ainda me vai arrastando para alguns ajuntamentos, se não fosse ele por mim ficava longos períodos sem falta de gente, quietinha a fazer de conta que não existo! 
Embora faça uma tromba daqui ao Alasca e até chegue a ficar com febre e calafrios quando ele começa com combinações, lá acabo por ir e ser a mascote ou anfitriã da festa! 
Afinal sou um animal de palco e não tanto um bicho do mato!
20
Jul20

Prazer de líder

Rita Pirolita
O prazer mesquinho e sede de poder dos líderes mete-me impressão, parece-me robótico e muito pouco humano na sua boa vontade, na parte pior parece muito actual e generalizado como comportamento aceitável.
Todos os líderes acabam por chamar a si o papel de alienadores espirituais, no fundo qualquer politico, director ou patrão, têm que dominar e saber controlar pelo medo, pela mentira ou pelo falso respeito! 
Ninguém de jeito, num mundo melhor se deixaria dominar ou mandar por um igual, acharia que estava na posse das suas faculdades para tomar as melhores decisões para si e por consequência para todos.
Como líderes com muita sede de governar, têm que saber induzir confiança, destroem, desmantelam, amesquinham, atirando por terra a vida e amor próprio de qualquer um, despojam a auto-estima de todos, para depois injectar alienação livre de julgamento e contestação. 
Em campanhas políticas, seitas, igrejas, é necessário normalizar para nivelar tudo pelo mesmo para que não se formem ondas, todos devem estar anestesiados, serem coitados descriminados postos em banho-maria para alucinações colectivas e mais tarde dependência do despojador, que vende quimeras tão perfeitas de tão podres e pobres.
Como pode alguém ter coragem de fazer discursos de liberdade e independência, quando querem dominar e convencer a alimentar a sua única ambição, o poder. 
É ignóbil abusar de premissas honestas para conquistar o oposto. 
Também é verdade que quem se acomoda está a pedir que lhe chupem o sangue e os vampiros da sociedade estão sempre à espera em cada esquina, de vítimas enfraquecidas e doentes para atacar.
Mesmo eu não sendo nenhum exemplo de boa pessoa, nem por lá perto e cada vez menos gostar de gente, não faço mal a ninguém e seria incapaz de liderar ou mandar fosse em quem fosse. Ia sempre sentir que estava a anular alguém para que me seguisse cegamente e como bem se sabe, as pessoas quanto mais abandonadas e vazias mais vulneráveis a serem influenciadas e dependentes de falso bem estar e facilidades. Detesto gente mole e insípida!
As paixões e amores só são palpáveis se forem sofridos, traídos, conquistados, disputados, possuídos, dominados, espancados, ciumentos...
Que canseira, amar de verdade não dá trabalho, não é prisão nem causa sofrimento!
Tantas vezes pergunto, serei a única a notar falsidade em palavras de líderes, olhar diabólico em gurus de seitas, gestos programados em governantes?...
Se não sou a única porque continuam a existir e a ser adorados?... 
Sendo assim não bastaria só aos lideres e más pessoas ficarem quietos por algum tempo para respirarmos liberdade e bondade? Vá lá não custa nada, é só não mexerem uma palha.
Nunca pensei que chegássemos a um estado tão pavoroso neste planeta que o melhor seria a inactividade e não a evolução.
15
Jul20

Chef José Avillez - O melhor do mundo

Rita Pirolita
Assisti a uma entrevista ao recente eleito melhor Chef do mundo, José Avillez. 
Antes de começar a vomitar frases sem parar, não por indigestão, deixo aqui um curto reparo.
Estão a ver o jornalista Vítor Gonçalves que apresenta o programa na RTP, Grande Entrevista?...Não presta, por favor ponham-no de baixa prolongada, não importa se por depressão ou por lhe partirem as perninhas mas tirem-no da tela! 
Nesta entrevista fez perguntas em tom humilhante de galhofa, a um Chef que por mais mau que fosse não merecia e afinal só ali ia falar de comida, assunto que reune muito consenso, nem que seja pelo facto de todos gostarmos de comer por gosto e prazer e acima de tudo para nos mantermos vivos!
Não sei se vai surtir efeito mas fica o pedido para afastamento vitalício!
Ora bem, vamos lá falar de comida, um assunto de bom gosto que domina e muito bem, os dias dos portugueses. 
Enquanto almoçamos já estamos a falar do jantar que se segue, mesmo sem a firme garantia que não estamos livres de sofrer um ataque cardíaco ou uma diarreia tal que nos leve por tanta alarvice, a meio da tarde, lá mais pela hora do lanche, que não será de chazinho e scones!
O Chef falou de reduções, geis de coentros, gelatinas, cozinha molecular com o seu nitrogénio liquido que nos põe a fumegar que nem dragões, tudo apresentado em pratos enormes e quantidades mínimas e concentradas, disse ele. 
Não é uma comida de encher bandulho, num restaurante com nome terminado em 'ia', não querem alarves a palitar dentes, a arrotar e a ameaçar bufa de pantufas com o rabo de lado na cadeira, onde se paga mais de uma centena de euros para se tanto, se darem 6 garfadas de provas. 
A propósito de nomes que terminam sempre em 'ia', a última inauguração do Chef Avillez é uma Pitaria, que no norte seria uma churrasqueira, já que por lá se chama pito ao frango. 
Continuando, esta é uma cozinha de suposições e sugestões, em que o cozido à portuguesa por exemplo, alegadamente deveria conter enchidos mas só a couve que foi cozida juntamente com as carnes lhe leva o aroma entranhado a fumado, para depois se servirem apenas duas folhas de legumes com umas nozes de gordura de porco que diz ele, se desfazem na boca. 
O que fazem às carnes que cozeram? Não foram servidas e só aproveitaram a couve e o molho para dar a comer aos pacóvios que se acham finos! 
Comida tão pouca que nem faz lastro para cagar, paga-se uma aguinha com couves a boiar e o cozinheiro e os ajudantes levam o precioso conduto para casa em tupperwares?
As flores são comestíveis, eu sei mas põem-nas nos pratos para a pessoa ficar com tanta pena de as comer de tão lindas que são? Paga-se para fazer dieta não comendo a sobremesa? 
O que menos engorda nos pratos são as flores está visto, por isso por mais lindas que sejam para quem está de regime, são a única coisa que se deveria comer durante uma semana inteira, era ver as obcecadas com a linha a pastar em canteiros pelos ajardinados recantos deste país!
O Chef falou também no lagostim que é mostrado a cores e ao vivo à mesa do cliente, regressa à cozinha e passados 5 minutos está no prato de pernil esticado, pronto a ser devorado. 
Se pensarem em provar a frescura de todos os pratos que servem, começam a levar vacas e veados até à mesa dos clientes e depois tiram um bife à pressa nas traseiras? 
Levam vasos e vasinhos com as plantas aromáticas ou vazões com abacateiros, mangueiras, oliveiras ou videiras para apresentar a carta de vinhos?
Podemos parar por aqui porque já me embrenhei demais nesta selva e não estou para me alongar a falar de coisas que não me dizem respeito, só ao Chef que faz muito dinheiro com a redução reduzida de alimento e fome dos clientes, bem convencidos que comeram uma refeição concentrada, uma injecção de puro prazer para os sentidos, um momento de deleite, uma explosãozinha de sabores, uma degustação dos deuses...blá, blá, blá. 
Só vos digo que enquanto escrevia este texto fui dando umas colheradas numa sopa feita por mim, daquelas à moda do norte, de pôr a colher em pé, com couve galega, grão e massa, estou aqui que nem posso consolada até às orelhas e o efeito já se está a fazer sentir no buraco baixo deste meu corpinho. 
Por isso vos deixo, já não aguento o cheiro que me envolve, vou só ali morrer gazeada!
19
Fev20

Se escrevo bem? Tem dias...

Rita Pirolita
Se escrevo bem? Tem dias...Só sei que me dá prazer expressar-me desta forma e gosto de reler o que faço, o que já não é mau sinal mas também gosto de desenhar. 

Sou humilde e estou farta de falsas modéstias.

O maior elogio que me podem fazer é ler e sentir o que escrevo ou desenho, se quiserem dialogar, cá estou também. 

Estas acrobacias não são principalmente recomendáveis a grunhos invejosos e inseguros que se abespinham e sentem ameaçados ou porque não digerem e não entendem o que leram ou porque se sentem esvaziados de qualidades, artísticas ou outras.

Gente mesquinha e má com muito tempo livre, façam um favor a esta inofensiva mortal, não considerem a minha existência, tenham muito pouco do que merecem e nada do que invejam!
01
Fev20

Vítimas do desamor

Rita Pirolita
 
Tenho vindo a experimentar uma mudança grande nesta fase da minha vida a caminho da menopausa, essa cabra como tantas vezes a chamo mas ela apenas e só cumpre a sua função e até agora tem sido uma operária muito discreta, "BenzaDeus", que continue assim até à reforma que eu prometo compensá-la com um adeus digno para sempre!
Este período, coisa de que espero livrar-me dentro em breve, tem sido repleto de transformações que são novidade, como foi a adolescência, não tão radical a nível físico mas a nível psicológico e de atitude está a ser dasafiante. 
Estou a aproveitar cada passo que dou para evoluir e agora faço-o com muito mais consciência e até prazer, dado que me apercebi mais da relatividade, incongruência e fragilidade da vida. 
Estou a assumir traços da minha personalidade, que de alguma forma por serem muito fortes, tive que refrear em nome de aparências, que o comum mortal inserido no sistema, trabalhador e cumpridor, tanto aprecia.
Chego à conclusão que exteriorizar e assumir me faz muito mais feliz, não preciso de aprovação contínua como se estivesse sempre sob escrutínio e não ligo a dedos apontados ou cochichos! 
Já tudo fazia parte de mim em potência mas agora perdi a pouca vergonha que tinha para o escrever!
Menopausa, o caraças...estou é a aprender todos os dias, a acumular experiência e a livrar-me do que não presta...estou a envelhecer!
Assumo que sou muito social, simpática e divertida, em contactos condenados à partida a serem fugazes, superficiais, de ocasião e momento, tenho a garantia que vão acabar e não tenho o compromisso de conhecer mais quem não me aguça a curiosidade. É bom que as coisas fiquem pelo passou-bem, nome, conversa sobre o tempo e adeus até um dia ou nunca mais, porque me vou esquecer com quem estive.  
Sou marcada por acções e momentos pontuais, a contínua alimentação de amizades diárias e profundas é cansativa, trabalhosa e de cobrança vampírica, tudo por subversão dos envolvidos, nunca por culpa da pureza do sentimento em si.
Esta sou eu na minha coerência e sinceridade para comigo, tenho uma memória cada vez mais selectiva e sou daquelas que em vez de viver na cidade e dar uma escapadinha ao campo quando precisa de desanuviar do reboliço, prefiro viver num deserto de planícies, quanto muito com umas dunas, a minha paisagem favorita e quando me apetecer, estabeleço contacto com outros seres humanos, o que raramente se verifica!
Cada vez menos procuro a proximidade ao vivo e a cores com gente, não tenho curiosidade na surpresa nem fujo da desilusão constante, deixo fluir, quem tiver que conhecer, lá me cruzarei! 
Não que eu despreze o ser humano, desprezo algumas existências mas também não dependo delas para a minha sanidade mental pelo contrário, infelizmente nos dias que correm, para me sentir limpa e integra tenho que me afastar da sujidade humana que graça em mentes alienadas, odiosas, indecisas, vazias até... 
Partilho espaço e vivências com alguém que acabou por chegar também a estas conclusões velhas e gastas mas no entanto fascinantes quando vividas, sentidas e postas em prática, esse alguém respeita o meu caminho porque também sabe muito bem o seu.
Neste aspecto cumpro os requisitos de bom uso das redes sociais, não me refiro ao anonimato, que não muda em nada o que penso ou expresso, sendo tudo assumido, mas refiro-me à distância que me proteje do compromisso falso com gente perdida, que facilmente bloqueio. Não tenho paciência e não me interessa investir em discussões que não me levam a lado nenhum, com gente que além de não perceber, muitas vezes ainda faz pior e teimosamente, não quer perceber!
Não entendo por isso a humanidade...
Passamos de uma fase de peace and love deixada pelos anos 60, para a fase do superficial e descartável, de relações fátuas e procuramos atabalhoadamente ansiosos, a profundidade e nobreza do amor em impessoais e frios contactos em redes sociais. 
A mim agrada-me este contacto global e disperso, para me informar ou desinformar, para aprender ou me irritar mas também o inerente distanciamento que uso em pleno, no entanto a maioria parece andar baralhada e não saber o que quer nem onde procurar...e o que essas alminhas se queixam da sua condição, que nem desgraçadas vítimas, do desamor dos tempos que correm?!
 
28
Jan20

Feios e meigos

Rita Pirolita
Tentam convencer as mulheres que por mais pequeno que seja, bem trabalhado proporcionará sempre prazer, que com conversa tudo se resolve e chega lá, pode é envolver mais mão-de-obra e demorar um pouco mais, que os preliminares são condição sine qua non para ter excitação garantida quanto mais um orgasmo, que o clítoris existe e todas gostam que seja estimulado à exaustão, que o ponto G não é a inicial da Gronelândia, que a maioria não sabe onde fica ou pensam que é um reino enregelado da DisneyWorld.
Não sei quem inventa tanto mas se todas somos diferentes nada disto pode ser a regra e as mulheres devem fazer ver que muito menos em matéria de sexo e prazer, não podem ser reduzidas a estatísticas e formatações.  
Faz falta ouvir mulheres reais dizerem que o tamanho para algumas importa, que não se resignam aos feios embora  trabalhadores e meigos, ou que pelo contrário serão o macho ideal por não serem tão solicitados e por isso menos susceptíveis de trair, que também não se queixem da infidelidade dos bonzões, já deviam saber melhor da cobiça e cabrice que anda à solta no mercado.
Que conhecer uma única queca na vida e ficar com o grande amor da adolescência para o resto da vida é careta e não mostra mundo, a não ser que vivam nas redondezas da Lagoa Azul. Que nem sempre estamos à procura de relações estáveis e para a vida, tipo conto de fada, quando a coisa acontecer logo damos conta do recado, com casório, divórcio e filhos tardios, ou não.  
Que podemos descontrair e ficar para tias mas com um passado recheado, para contar aos sobrinhos e mostrar o lado melhor da vida, aquele em que se faz o que nos deixam e muito mais que possamos inventar.
27
Dez19

Pensar 'deep'

Rita Pirolita
 

 

Vivo num país tropical...Não, não vivo mas quem me dera! 

Vivo num país repleto de mórbidos obesos de cor rosada como porcos domésticos, que deixam rasto de gordura num bambolear preguiçoso para uma qualquer catedral de fast-food repleta de 'slow people'. 

Pessoas que se elevam a um estatuto de diabéticos, com colesterol elevado, hipertensão e outras doenças associadas, apenas porque comem mal. 
Muitos não nasceram assim mas transformaram-se em monstros fofos que procuram cuidado e atenção em médicos e Weight Watchers, que alimentam a peninha que se tem desta gente coitadinha, mal amada e ostracizada que se colocou nesta situação e que com uma pitada de amor próprio e um pouco de dedicação e motivação, resolveriam o problema ou nem o deixavam existir sequer.
 
Não sei porque como, se não tenho verdadeiro apetite e prazer, a comer o que como. 
Quero deixar os porcos para trás, na terra dos ursos. 

Está na altura de pensar 'deep' em fugir daqui e não pode ser de ânimo 'light'! 
16
Out19

Peixe com ar a mais

Rita Pirolita
Agora tenho um estranho prazer mórbido por vídeos de Mukbangs, com gordas não muito gordas mas muito mais gordas que eu, que não sou gorda. 

Deleite que me chega a incomodar de tão doentio, em ver caras de lua cheia com um orifício a sorver molhos, a mastigar alto e bom som hamburgueres suculentos, a dar arrotos de deitar paredes abaixo com bebidas sem açúcar, para não ficarem diabéticos, depois de ingerir uma refeição de 10.000 calorias carregada de sal e gordura. 

Os únicos vegetais que vejo entrar naquelas bocas santas que só comem merd@, são pickles ou couve e pimentos fritos em manteiga ou óleo de canola, tudo cheio de trans e polis. 

Com este circo de gula fico tão enojada que perco logo a vontade de comer mas por instantes continuo à espera que a gorda rebente no próximo minuto. 
Todos dão a derradeira desculpa que gostam de comer, por isso não se importam de ter o corpo que têm e até aprenderam a sentir orgulho no imenso espaço que ocupam, incentivam a obesidade e investem no consumo de comida processada de péssima qualidade com sabor a cartão do lixo vomitado. 
 
Consigo aproveitar-me de imagens com gordos a empanturrarem-se, só não consigo ver animais torturados, nem suporto o cheiro de morte e sangue da secção de cadáveres nos supermercados. 

Para mostrar até onde vai esta minha picuinhice maluca...
Um dia foi a família toda, que não é grande, para a Ponta dos Corvos no Seixal, o moço pescou um belo peixe, a sogra tirou-lhe as tripas mesmo ali onde foi pescado, apesar de todos darem palpites, que o peixe não pode ser amanhado no local do crime, nem as tripas deixadas nas redondezas, os outros amigos escamudos parece que conseguem cheirar o funeral, viram barbatana e vão-se embora, deixando outros pescadores do pontão a chupar no anzol.
Sem abrir o bico e com cara de nojo, assisti a toda a confusão que um peixe pode gerar mesmo depois de morto e esventrado.

O sogro assou o animal, o melhor naco foi para o autor do crime do carreto e todos comeram e lamberam os dedos, menos eu. 
Não consegui comer um peixe que vi morrer com ar a mais e água a menos, ser estripado à minha frente, assado e revirado, chupado até ao tutano da espinha, não consegui...
 
Para quem se anda sempre a queixar da violência, este seria um bom exercício. 
Ver um animal nascer, fazê-lo crescer saudável com comida a tempo e horas e sem o deixar envelhecer a criar carne rija e mal gostosa, aplicar-lhe a pena de morte, cozinhá-lo e por fim comê-lo. 
Quero acreditar que muitos ficariam de faca no ar e acabariam por desistir.
 
Já há seres vivos a mais, impróprios para consumo, a matar-se pelas próprias mãos nos Mukbangs!!!

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