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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

20
Jul20

Logo se vê ou se esquece

Rita Pirolita
Não é o nível de gravidade que chama o Estado a assumir responsabilidades nem catástrofes naturais incontroláveis que não foi o caso no nosso país e sim a natureza suja das acções e alto nível de corrupção, abuso e aproveitamento do poder político e compadrios. 
Enquanto os bombeiros não forem particulares ou mais profissionais e não maioritariamente voluntários, o Estado tem responsabilidade, enquanto quem morreu ou perdeu as casas, era eleitor e pagava impostos, o Estado tem responsabilidade, enquanto deixaram a floresta chegar a este ponto de desordenamento por interesses económicos, o Estado é responsável, enquanto forem accionistas de empresas que fornecem coisas obsoletas que falham na catástrofe, o Estado é o grande responsável.
Enquanto deixarmos que nos enganem e inventem as desculpas que querem e podem, nós somos responsáveis porque deixamos que façam e digam tudo com total impunidade, sem uma única trovoada seca que lhes caia em cima mas vamos lá passar o verão atrás dos caracóis, da cerveja e da bola de Berlim, depois logo se vê ou se esquece.
30
Jan20

País de pobres

Rita Pirolita
Filhos de pobres que habitam um país pobre!

Somos assim, vindos de gerações pobres que trabalhavam a terra e pagavam ao médico da aldeia filho de famílias ricas com porcos ou galinhas.
Tinha-se uma ligação aos filhos que não morriam ao nascer, de lucro e não de despesa, dois braços por cada boca.

Passamos a filhos que não trabalham mas comem à custa dos pais, fruto da ânsia de classes baixas, que se esfolaram para ascender, que se envergonham da dureza e pobreza da terra humilde, fazendo do curso de universidade dos filhos o baluarte da sua conquista mas esqueceram-se que doutores e engenheiros encabeçam uma empresa ou indústria mas não a movem sozinha, os patrões serão sempre em menor número. 

Estes pais, no seu egoísmo de novo rico, esqueceram-se que as elites continuam a dominar as profissões nobres e rentáveis, onde pouco se faz e muito se ganha na gestão do império, que os patos bravos tentaram atingir a muito custo, numa desesperada afirmação pela qualidade e acesso às mesmas oportunidades, quando apenas queriam parecer mais nobres e ricos.

A resposta à humilhação de ser pobre é usar a cunha, a corrupção e pontapear outros para que não impeçam o caminho da subida. 

Mas será sempre uma questão de riqueza? 
Os pobres não podiam pagar escola aos filhos, agora que podem dar cursos superiores, os filhos não têm emprego, apenas as elites se continuam a mover à vontade e a explorar, não só os mais pobres mas ainda por cima e mais humilhante, os pobres com cursos, o ensino superior não lhes permitiu mesmo assim, usar as ferramentas para combater a desigualdade sempre assente no poder. 

A ascensão social faz-se por casamento ou profissões pornograficamente bem pagas, como jogadores da bola, idolatrados por darem pontapés na bola ou por influentes cargos políticos, sempre nos meandros da corrupção mas nunca condenados.

Só nos países pobres se deixam passar os grandes desfalques e se rouba uma maçã, ou foge aos impostos, pensando que grão a grão enche a galinha o papo!

Era tão bom que a riqueza não se bastasse a ela própria e não fosse tão adorada e cobiçada! 
Mas a riqueza sabe que cala e compra o conhecimento e este será sempre escravizado em nome da hipocrisia!

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