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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

25
Abr21

Sem ninguém que nos goste

Rita Pirolita
Nasci antes do 25 de Abril de 74 mas sem idade ainda para ser gente de fazer a Revolução, agora tenho idade para dizer que no tempo de Salazar é que era bom mas nunca o direi. Já nasci com o carimbo póstumo de dizer em liberdade nos arrabaldes da capital, ditada pelo cravo e capitães. 

O herói morreu cedo e vai ficar até tarde, as gentes celebram este dia com amargo de pobreza e desprezo.

O que retenho a seguir a 74 é a moda colorida na cidade, as viúvas e homens cinza no resto de Portugal até hoje ficaram. 

Ninguém nos governou, continuamos sem ninguém que nos goste.
07
Ago20

Independência

Rita Pirolita
A questão da independência da Catalunha ou mesmo da Lombardya e Véneto no Norte de Itália, está a ameaçar o estado instalado comodista e comilão da UE. Regiões que reclamam a sua riqueza, que não seja gasta a alimentar despesismo. 
As regiões que geram riqueza, clamam para si a ordem social mais equilibrada e justa. 
Que a independência seja vossa pela recusa de sustentar uma monarquia obsoleta, pelo amor ao que construiram e não querem ver delapidado, pelo controlo da vossa economia e pela libertação da escravatura de uma Europa que reduz tudo à mediana e consensual pobreza.
Pena que a aclamação de independência foi plantada nas escolas e manipulada por quem não vos quer bem!  
04
Ago20

Emigrados

Rita Pirolita
Aos poucos vou arranjando espaço em mim para organizar ideias e aceitar memórias das tormentas, deitá-las cá para fora sem arrependimento e com bom senso.
A minha saída do país para começar vida noutro sítio coincidiu não por acaso com uma fuga de lugares comuns que já me cansavam de uma pobreza remediada, da morte de quem me pôs no mundo, porque ficar nos locais muitas vezes não resolve nada e na dúvida a mudança é sempre a melhor aposta.
Deixei para trás uma familia que se resumiria a 2 elementos, tudo o resto desde primos a tios ou avós não se falavam desde a altura da minha adolescência por zangas de partilhas, nada de novo, o mais comum deste mundo em países de famílias pobres como o nosso, que mais tarde podem descambar em novos ricos medíocres mas que não passam de remediados, uma raça pouco humilde e chata que está sempre a queixar-se que não tem dinheiro se calhar para ninguém lhes pedir emprestado?...Não tenho nada para discutir com este tipo de gente nem tenho paciência para aturá-los a falar sempre do mesmo!
Amigos? Deixei muito poucos, uns já tinham emigrado, o contacto era feito por email ou Skype muito esporadicamente até se resumir a enviar mensagens por cortesia pelo Natal e Fim de Ano, quando calhasse pela Páscoa também e tão somente se ficaria por aí.
Isto com pessoas que conhecíamos desde o tempo da escola.
Naturalmente a maioria casa-se e tem filhos, a disponibilidade para estar com os amigos que não constituíram família e que ainda vão tendo tempo para gozar a vida não é nenhuma, muitos mudam de terra de cidade e os laços perdem-se. 
Restam assim muito poucas pessoas com quem estamos regularmente.
Quando te vais embora ainda manténs à distância alguma frequência no contacto na ilusão de acalmar a saudade e a lágrima de pena de já não poder ir à praia, de estar mais isolada sem amigos ou família. 
Passado uns tempos começamos a espaçar os contactos e chegamos ao ponto de só falar no Natal e alguns aniversários. 
Cais na frustração de estar sempre a telefonar como se devesses explicações ou para aliviar a culpa que te fazem sentir de teres decidido ir embora, porque os outros ficaram no mesmo sítio, não mudaram, não abandonaram nada nem ninguém, continuam na vida de queixume mas lá vão andando, dizem eles, rodeados de amigos mais ou menos sinceros, de relações familiares mais ou menos dependentes e tóxicas, enganosas e enganadas, da dor e consolo nos funerais de quem vai partindo, enfim...   
Notamos em quem ficou um desprezo, uma mágoa por os termos abandonado que nos querem fazer pagar com mais distanciamento ainda, além da intransponível distância fisica que já nos separa. 
Alguns sentem que já não os veremos vivos e chateiam-se com a dureza das decisões que separam e magoam! 
Não ficamos para o bem nem para o mal, não nos podem pedir ajuda ou apoio, não têm lata para pedir dinheiro emprestado, nem um beijo ou abraço podemos dar por isso descomprometemo-nos com quem ficou e nota-se zanga em respostas cada vez mais esporádicas e frias.  
Não se lembram que também nós, ainda mais nós, estamos mais sós e desamparados, a começar tudo de novo e tudo é diferente, casa, carro, trabalho, clima, comida, pessoas, hábitos, culturas, horários...e não podemos gritar a pedir ajuda porque do outro lado do mundo não nos vão ouvir nem compreender, acomodamo-nos por isso ao silêncio dos que estão lá longe sem cobrar e a tentar compreender e aceitar que coração que não vê não sente, o que só é verdade para quem quer que assim seja.  
Quem acho que merece continua a ter carinho da minha parte, pessoas que gosto ou a quem não quero mal apenas me basta saber que estão bem e fico descansada.
Curiosamente algumas pessoas que não da família revelaram uma preocupação fora do normal e verdadeiro desejo que tudo corresse bem mas se não estivesse feliz que voltasse que haveria lugar.
Não preciso de tocar ou ver para acreditar, basta sentir uma voz, uma lágrima ou uma gargalhada com verdade que já me sinto mais perto de quem quer que seja que me queira bem também. 
17
Jul20

Sulilândia

Rita Pirolita
Uma semana decorrida no país das fanecas e besugos e mais propriamente no local dos carapaus de corrida, num trio de horas de saída já me deparei com cromos e situações em barda com sustos de 5 em 5 segundos. 

Além de ontem à noite terem morto uma pessoa à facada, na bomba da gasolina por aqui perto, esta Margem Sul continua com aquele equilíbrio periclitante entre violência e pacatez e como já adivinharam vou falar do marasmo e monotonia dos velhos que ficaram e seguram as pontas e da miscigenação que esbate cores e comportamentos por estes lados, em vez dos pormenores de sangue a que não sou insensível de todo e até me fazem arrepiar e questionar todos os dias em que mundo vivo e para onde caminhamos, quando vamos parar e como vamos acabar?...

Nesta margem da Sulilândia, desde que pus o meu pé de princesa tamanho 41 fora de portas a magia deu-se... 

Primeira dificuldade, entrada árdua em entroncamentos com visibilidade dificultada por tapumes, publicidade, arbustos descontrolados, bermas selváticas, sobrevive-se até à próxima rotunda onde ninguém respeita as regras de entrada, contorno e saída, mais um anjo que nos põe a mão por baixo sem nos enfiar o dedo no cu que nos pode enrabar desta para melhor ou despachar para o hospital! 

Desvio-me de condutores de Mercedes e Audis que nunca percebi porquê acham que têm direito a mais estrada que os outros e com a mania das grandezas e vistas dilatadas devem achar que o seu bólide é maior que um comboio, caros condutores destas marcas, hoje passei por um Lamborghini estacionado em passeio de terra batida, isso é que é vender droga à séria, agora vocês novos ricos empertigados, só vendem chamon caldo Knorr e louro prensado! 

Entro no segundo balcão dos CTT, depois de correr papelarias, à procura de um simples cartão de telemóvel, que parece estar esgotado, tenho a sensação de estar nas Filipinas onde só vendem comprimidos à peça e quando há.

Até obter um cartão que seja, na verdade até precisava  de dois, vou deitando o olho pela fauna, ciganos de BMW a receber rendimentos pagos pelos impostos dos outros, inclusive das senhoras que os atendem ao balcão com salamaleques de simpatia forçada mas tem de ser, já que estão lá batidos todos os meses e vivem por ali perto ou até são vizinhos, homens de meia idade vestidos à jogador da bola com pinta de Quinta do Conde, cabelos oleosos e muita carapinha. 

Depois de 10 números despachados, chega a minha vez, peço dois cartões e só me arranjam um, refundido na secretária da chefona que ainda olha para mim como a decidir se me concede o último ou guarda para um amigo ou familiar! Lá o deu de má vontade à colega e porque não deixei de lhe lançar um olhar perscrutador como a dizer, 'mas que é esta merda, já corri dois balcões dos CTT e não levo nem um cartão, quando até precisava de dois?' 

Lá saio rumo às estradas atropeladas de gente que se atiram como a tentar a sorte do suicídio assistido, por um qualquer automobilista incauto que circule e não dê conta fora das passadeiras de quem tomba para o lado contrário ao passeio!  

Quase a morrer do coração já não me compadeço com velhos à beira da estrada a ver passar os carros no ameaço da travessia, por mim ficam lá até ao fim do dia a comer pó e a cheirar gasolina! 

Continua a saga, passo por um camião que está parado à espera de passagem para virar em rua estreita sem levar muros atrás, consigo vislumbrar por trás do condutor um calendário típico de camionista ou mecânico, com uma morena toda nua, com um bom par delas. 

Há que tempos não via moçoilas em tais preparos nestas cabines de suor, comida, peidos, arrotos e putas.

Chego à farmácia e peço 3 embalagens de coisa corriqueira, só têm duas...bem vinda às Filipinas outra vez.

As coisas escasseiam em país de tanques em vivendas encavalitadas, dealers subsidiados, velhos resmungões, jovens desengonçados e quarentonas com falhas laterais na cremalheira montadas em bons carros... 

Juro que saí de Portugal e não era assim, sinto agora a riqueza mais descontada e a pobreza mais contada que nunca.
15
Jul20

Quem tem cu tem medo?...

Rita Pirolita

Impossível passar ao lado das eleições no Brasil, acompanhadas de tumulto social que se tem precipitado em manifestações desgarradas, zangas de amigos e familiares, perseguições e agressões a opositores de um e outro lado, encenações e vitimizações, enfim, a confusão social e intelectual, o vazio de ideias que dizem, a direita aproveitar para ganhar pontos, estando ela própria ligada ao ecumenismo de mandamentos da Bíblia-banha-da-cobra, enquanto isso, deixamos existir e até alimentamos vergonhosamente, regimes tiranos e castrantes de há décadas como o venezuelano e chinês, dá muito jeito ter um produtor com mão de obra escrava e uma jazida de petróleo controlada à custa da pobreza e desgraça dos povos! 
E porque conquista apoiantes a direita? Não estariam escondidos com certeza mas são os mesmos que agora estarão desiludidos com os resultados da esquerda?
Além do desespero geral dos indecisos, mais manipuláveis e sujeitos às flutuações das falaciosas medidas políticas que têm governado o mundo, a esquerda também nunca se soube concentrar, é uma força que apelando à igualdade, prostitui as minorias que com meia dúzia de conceitos sectaristas ligados a fobias e muitos "ismos", acabam por fazer o trabalho sujo de dividir e espalhar a confusão para as tiranias ganharem terreno. Populações inteiras que se enterram pelas próprias mãos, que se julgam e martirizam não percebendo que a defesa em altruismo, deveria ser da raça humana, fauna e flora de que dependemos e não a exacerbada manifestação apalhaçada e às vezes violenta e desafiadora na brejeirice, por grupinhos que apelam a direitos que deveriam ser conquistados em modo universal. 
Ser de esquerda num ambiente liberal é viver do capitalismo com moderado pudor se não à descarada, ser de esquerda num ambiente de terror, é disfarçar muito bem que se é de direita!
Acabo até eu por fazer estas distinções, parece já não haver terminologia menos extremista e esquizofrénica com que possamos comunicar, mal, mas dizer alguma coisa no entanto!
Ora a esquerda na sua senda da uniformização por baixo, proporcionar a desgraça para pôr populações à míngua receptivas a qualquer migalha que possam deificar e até pensar que são conquistas, no fundo retira gradualmente direitos, que com qualquer pequeno ajuste parece uma grande evolução social mas na verdade regredimos um par de passos para depois dar um baby step na infantilização do povo, que se revê na protecção lamechas e dependente de um Estado paternalista, protecção essa que não precisaríamos se tivéssemos crescido e ganho competências para a auto-determinação, integridade e coerência que tenha objectivos nobres em jeito de comunidade, que apenas querendo o bem individual esse será a extensão para o bem-estar vizinho! Mas não, funcionamos por oposição para podermos sobressair, pensando que para sermos os melhores temos que enfraquecer o inimigo que inventámos, magoando com crises e guerras, para que se torne frágil e assim possamos ser o melhor do pior, ao invés de termos coragem e altruismo em combater um competidor forte para beneficiarmos da evolução e engrandecimento pelo pluralismo, de visões que quase sempre são complementares no bem. 
Apesar de me sentir um ET, entendam que só me quero dar com gente que pense normal e naturalmente, não me identifico com ordes excitadas de grupetas que à falta de cabecinha limpa se apoderam de todas as dores das minorias sem saberem da origem da doença! 
Como já não temos paciência para parar e pensar, deixamos que o trabalho esforçado e forçado nos retire tempo e domine por cansaço o curso da nossa vida, entregamo-nos a discussões fúteis sobre futebol, tricas e endeusamento de heróis da mula russa, quem discute muito futebol parece que percebe muito de muita coisa mas fala muito do nada que é o futebol, tudo isto é fado e se aplica também ao racismo, à homofobia, ao feminismo moderno, à xenofobia...
Andamos entretidos com o trivial secundário, um mundo paralelo, para não termos que pôr mão na irmandade corrupta, que tanto trabalho daria limpar, sabendo nós que todos temos um pouco desse sangue e por isso o desculpamos e despenalizamos, como gostariamos que nos fizessem a nós. 
Neste sentido, a divisão entre esquerda e direita mais não é que uma quezília de birras, a mesma moeda com duas faces mas mesmo assim a mesma merda materialista com o valor que lhe atribuirmos.
O fascismo cresce por aproveitamento de um comunismo vazio e disperso na sua falsa hegemonia de criar uma sociedade alienadamente livre de tão uniforme, ao ponto de não se notarem nem reivindicarem diferenças por mérito, presa na normalização.
Até parece que percebo de política, não, percebo mais de massagem e decoração, os dois cursos que tirei mas sinto que não faço um esforço grande para não me deixar alienar, a desgraça é tão evidente que é um atentado à minha inteligência tornar-me mais uma na carneirada de punho cerrado na rua, já basta comer e cagar como todos e chega, por isso me admira que tanta gente se deixe dominar por programas e campanhas politicas tão promissoras de apartheid.
Mediante isto, sinto mesmo que uma dona de casa seria um bom exemplo de governação ou seja a maioria de nós seria boa para governar e porque não deixamos que isso aconteça? Porque quem tem cu tem medo e cada vez mais a população mundial age por terror aos prognósticos em vez de se concentrar em pôr mãos à obra e mudar já o presente, as revoluções são sempre para amanhã e já é tarde demais, todos representam algo e não fazem nada. Concluo então que poucas pessoas como eu têm o cu desligado do medo, o meu é mais pragmático, está ligado à merda, não exclusivamente mas maioritariamente!

14
Jul20

Juro

Rita Pirolita
Juro que a próxima vez que uma pessoa que aparente ser mais ou menos equilibrada, disser que o Canadá deve ser um grande país, organizado, civilizado, rico, com um bom nível de vida, blá, blá, blá...sem nunca lá ter vivido pelo menos um ano, prego-lhe com uma cachaporra na cabeça e todos os estúpidos que se vão armar em ricos para os países de origem, numa de amesquinhar os que lá ficaram a aguentar o barco, que apodreçam com os invernos de urso polar!

Quando alguém pensa em emigrar só dá conta do transtorno que dá começar vida nova, num sítio diferente, quando já está com as patas na lama! 

Todas as coisas estão interligadas e basta desbloquear a primeira que logo tudo começa a deslaçar mas não é fácil!

Para procurares trabalho precisas de comprar um carro, para conduzir precisas de tirar a carta novamente, precisas de alugar casa, ter acesso a um telemóvel e já agora internet para responder a anúncios de emprego, não vais andar a entregar curriculos de porta em porta com 20 graus negativos, precisas de um cartão de residência, isto tudo depois de já teres feito e pago um teste a provar que falas um inglês que se perceba, como se estão a borrifar para a credibilidade da formação que trazes do país de origem, fazem-te frequentar escola profissional ou universidade na tua área, no mínimo 2 anos, precisas de uma morada fixa e uma despesa de água ou luz para poderes pedir documentos de identificação, tais como segurança social e cartão de saúde, precisas que alguém se responsabilize, dando prova que possui pelo menos 10 mil CAD numa conta bancária, para cobrir eventuais gastos que possas ter, pelo menos nos primeiros tempos e voltando à boca da serpente, já viram se uma pessoa não consegue tirar a carta de condução? Fica em casa a apodrecer com a vida toda embrulhada! 

O país tem petróleo não se justificam portanto as dívidas que saltam de governo em governo, o último do Trudeau está a tapar o buraco de milhões deixado pelo anterior, também mas não só, com a legalização da canábis, um mercado que lhes faltava controlar, a saúde é tendencialmente gratuita como o sistema português, não existindo privado mas os hospitais já começam a dar sinais de rebentar pelas costuras, o que não se percebe, sendo o segundo país maior do mundo, só tem cerca de 36 milhões de almas penadas e como já disse tem petróleo, além de agricultura e gado, o imposto sobre o trabalho chega aos 40%, tal como um recibo verde em Portugal e na maioria dos trabalhos é feito o desconto à cabeça, para gastos não cobertos pelo sistema geral de saúde, tais como dentista e oftalmologia.

Os canadianos não são limpos têm é muito emigrante para lhes limpar a merda, vezes demais se vê gente a atirar lixo pela janela do carro para a berma da estrada, dizem que assim criam mais postos de trabalho e mantêm ocupados os que cumprem penas suspensas com trabalho comunitário!

Não são profissionais, percebem superficialmente do ofício não o suficiente, não são desenrascados, são automáticos e programados, não são honestos e são incapazes de dizer que "não", preferem nunca mais aparecer a mostrar posição sobre algo. 

Sendo o Canadá um país construido e habitado por emigrantes, são eles próprios, os antigos, os mais racistas relativamente a emigrantes recentes, já para não falar da humilhação e destruição constante a que votam os índios, oferecendo subsídios de coitadinhismo que só levam a uma vida de álcool e drogas, associado ao facto de não os deixarem aceder a postos de trabalho decentes por imposta incapacidade, sendo que gerações já estão condenadas à deficiência física, doença mental e consequente dependência do governo, num ciclo vicioso que muito poucos conseguem quebrar.

Existem muitos sem abrigo, serão sempre demais, num país que se diz civilizado, se por um qualquer azar se fica sem trabalho ou casa é muito dificil conseguir crédito novamente, morrem na rua ou em casas de abrigo! 

Parecem mais cultos e educados que os americanos, desconfiem, é só uma camada de verniz e quando cai, mostra o labrego que há em todos os povos.

Para poupar, já foi tempo, nesta terra onde não há muito para gozar, se tirares mais que duas semanas de férias por ano já és alvo de inveja e olhares de soslaio! 

Os que se põem mais a jeito são aqueles que vêm de países extremamente pobres e têm uma carrada de filhos e família para sustentar e ainda enviam dinheiro para os velhos e sobrinhos que ficaram a amargar a pobreza lá na terrinha, esses é que alinham a trabalhar que nem cães! Os mais vulneráveis são os mais explorados! 

Come-se mal e paga-se muito, entre obesos e gente que paga balúrdios por ginásios ninguém parece saudável, andam mal vestidos, são mal encarados e mal acabados, desperdiçam muita comida e pouca paciência têm para a reciclagem ou reaproveitamento. 

Os psicóticos, os sem noção, ganzados ou bêbedos e sei lá mais o quê, são mais que muitos, não existem muitas pessoas normais que não vivam com inveja dos bens materiais do vizinho, que não tentem ter a maior mansão do bairro e o carro que mais barulho faz e mais gasolina gasta.

É por isto tudo que acho sermos naturalmente iguais mas podiamos ser mais normais e se algum dia achei que todos deviamos ter a oportunidade e liberdade de procurar uma vida melhor, hoje estou mais convicta que cada um deve procurar a sua forma de felicidade. 

Sempre soube que a riqueza material não traz felicidade gratuita, se já nasci de graça para ser feliz para quê pagar tão caro pela vida que não quero? 

Era só isto!

01
Abr20

Quizzzzzzz

Rita Pirolita
Se me perguntarem qual a minha cor preferida?...

Turquesa-mar quase sempre, laranja muitas vezes, verde, roxo com verde pistachio, vermelho com fuskia, tantas vezes o preto e branco.

Que carro gostaria de ter?...

Não precisar!

E viver numa mansão?

Antes o aconchego

Numa Ilha?

Sem sair

Casar?

Nunca

Ter filhos?

Muito menos

Um filme denso?

Esplendor na relva

Romântico?

Detesto o género

Musical?

Idem

Destino preferido para viajar?

Em mim 

Para viver?

O isolamento

Partilhar?

O simples 

Não complicar?

O simples 

Trabalho?

Que forma estranha de vida

Felicidade?

Sempre, sem pensar

Pobreza? 

Nunca, nem saber o que é

Ir à Lua?

E voltar

Contemplar?

Sem parar 

Aceitar?

O que é 

Não reclamar?

Do que não é

A natureza? 

Das coisas

O Universo?

Avança

E eu descanso...
28
Jan20

Burros e ovelhas

Rita Pirolita
Muitos na ânsia de mostrar bondade tornam-se agressivos!
Na ânsia da compaixão mostram raiva, pensam combater injustiça com vingança, serão assim tão altruístas ao ajudar a manter a pobreza de ideias?
Ao ler os comentários sobre uma notícia de um menino que tinha sido posto de parte no colégio por ter Síndrome de Asperger, chegou mesmo a ser expulso da turma a pedido de muitos pais, por a sua condição estar a prejudicar o ritmo de ensino dos restantes alunos, veio-me isto à cabeça!
E aqueles que viveram num tempo onde estas diferenças não tinham ainda sido catalogadas e se esperavam resultados medianos para passar, as negativas eram selectivas e as excelentes notas eram discriminatórios.
Quem era usado como bom exemplo pelos professores cá fora era trucidado por malvadez.
Quem se esforça por ser melhor ou o é naturalmente, é uma ameaça e eleva a demanda de objectivos. 
Uns atrasam e outros apressam, será que os poucos restantes devem tentar acompanhar o ritmo da maioria ou devem ser ainda mais isolados para estimular ou rentabilizar o rendimento?
Os ostracizados não serão todos os que são diferentes mas não querem impor essa diferença a ninguém, apenas querem ter a liberdade de viver e explorar porque não se sentem diferentes, os outros é que os vêm assim? 
O ensino é uma tentativa de chamar a todos burros e empenhado em criar ovelhas desde sempre.
18
Dez19

Mistura bombástica

Rita Pirolita

A mistura encapotada e falsa de culturas e classes sociais diferentes no mesmo espaço, foi sempre apanágio de grandes cidades em países ricos, que se querem mostrar inclusivos e civilizados, quando em países pobres essa separação é descaradamente propositada. 

As classes são falsamente criadas pelas elites, para distrair da escravização, domínio e controlo pela ignorância, com degladiações e falsas lutas por melhores condições que nunca serão alcançadas.

A pobreza e dependência económicas dos mais desfavorecidos, é criada pelo próprio poder instalado para controlo de actos e ideias de uma forma barata, traduzida em subsídios  que fazem o favor de manter a pobreza sem morte por abandono completo, pela qual o estado não quer ser responsabilizado nem pode ser culpado.

Ajudas poucas, o suficiente para não deixar morrer mas também não deixar mudar a condição social, tudo acompanhado neste melting pot de abandono escolar, pouco interesse com o que se passa fora do bairro, e criação de algumas iniciativas que funcionam numa área muito restrita da comunidade e que o poder local vende como sendo o caminho para uma vida melhor.

É pura ilusão mas tem que se dar ao povo pão e circo, fazê-lo acreditar que só disso deve viver. Se viverem com pouco também não podem pedir nem ansiar por muito.  

Enquanto populações desfavorecidas viverem de subsídios do estado, irão sempre ter a atitude e pensamento de reclamar  e se aproveitar de direitos sem cumprir deveres, as classes massacradas pelos impostos sentem-se mais responsáveis por preservar os espaços que ajudaram a pagar.
Diferentes culturas e costumes nunca convivem pacificamente, principalmente quando a tentativa de mistura é vista no seio de cada grupo como ameaça à sua identidade e costumes, respondendo a essa inclusão forçada com violência, destruição, revolta e consequente marginalidade. 

Cada bairro ou comunidade, podia ser visto e sentido como um jardim, que tem que ser cuidado com orgulho e concorrente com vizinhos igualmente bons.

Os resultados nesta área ao longo dos tempos, são a prova de atropelos atrozes à identidade pessoal e comunitária mas os estudiosos de algibeira, continuam a insistir na mistura bombástica dos outros mas bem longe deles, porque ganham bem, saem cedo e moram na Lapa!

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