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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

24
Jul20

Gira mesmo sem make-up

Rita Pirolita
Sou uma rapariga engraçada e jeitosinha, com alguma maquilhagem fico mais arranjada, com excesso pareço um palhaço como toda a mulher mas algumas não têm noção. 

No fundo o que eu quero saber com esta introdução é, e dirijo-me às senhoras modernas que percebem destas modas:

Digam-me como aguentam base na tromba sem sentir que enfiaram um fato de mergulho na cabeça e não conseguem respirar, como põem pó para tirar os brilhos sem sujar golas, como usam rímel sem sentir que têm um hipopótamo deitado em cada olho, como usam lip-gloss sem sentir que fizeram um bobó e não tiveram tempo de limpar a boca, como dão mais corpo às sobrancelhas sem que pareçam duas lagartas do pinheiro, como conseguem usar lentes de contacto sem parecer que têm pedregulhos nos olhos, como aguentam laca, por mais leve que seja, sem ficar com uma comichão no couro cabeludo que mais parece piolhos com epilépsia, como aguentam tratamentos que incluem choques elétricos, arrancar pêlos com cera a queimar (acho que esta já não se usa), lasers, unhas feitas num oito, escavacadas por brocas e gel que não as deixam respirar, manicure e pedicure com fungos à espreita prontos a atacar, como conseguem usar aparelhos nos dentes sem indicação ou para lá do tempo recomendado, com a idade que muitos têm não lhes dá um ar mais jovem, apenas parecem sapos com ar de parvos, descolorações que queimam o escalpe, secadores que queimam ainda mais, puxões de cabelo com escovas usadas noutras cabeças e finalmente porque é que as cabeleireiras são quase todas loiras e têm aquele ar de?...Desculpem esta última dúvida não pertence aqui.

Usamos maquilhagem e submeto-nos a tantas outras torturas para encobrir imperfeições e realçar qualidades, quando a beleza se encontra mais em coisas imperfeitas e assimétricas, carismáticas e únicas!

Sendo assim até me sinto gira sem make-up mesmo ao acordar, não assusto ninguém e mais importante, não me assusto ao espelho mas há dúvidas que me assolam minimamente mas se não forem desfeitas...também não morro por isso! 
01
Jan20

Napoleão e pastéis de nata

Rita Pirolita
 

No tempo em que comia napoleões... 

Só para vossa informação no norte um mil-folhas é um napoleão e pastel de nata é uma “nata”. 

Para mim um verdadeiro napoleão ou mil-folhas, como lhe queiram chamar, tem que ter recheio de creme branco, espesso e pesado, que me console até ao Halux.
Mania de agora, fazerem mil-folhas com creme amarelão, detesto!
Vou passar a explicar o meu ritual de degustação de um mil-folhas, quando ainda era criança. 
Só tinha direito à divinal invenção pasteleira aos fins-de-semana, o dinheiro não dava para comer bolos todos os dias!
Primeiro: 
Com a mão esquerda ou direita, eu sou muito normal pois vai com a direita, retira-se a metade superior que tem o marmoreado branco e chocolate, começando pelo indicador da mão esquerda, retira-se ¼ do creme branco que fica na ponta do dedo, procede-se da mesma maneira até ao dedo mindinho, deixando o polegar de fora.

Segundo: 
Com a mão direita, que a esquerda está ocupada com montinhos brancos na ponta dos dedos, juntam-se as metades de massa folhada com a camada de açúcar marmoreado virada para o interior, senão pega-se ao céu da boca e ainda morremos asfixiados como os cães com a manteiga de amendoim. 

Terceiro e último: 
Comer tudo à dentada, a seguir devorar o creme branco e chupar tudo muito bem, com prazer, até ao fim. 
 
Pastéis de nata, nunca com a colher, sempre carregados de canela e se possível comer de uma só dentada!
19
Dez19

Miúdas coquetes

Rita Pirolita

Nunca gostei de miúdas coquetes e rapazes mariquinhas, desde a infância até agora, mas olhando para trás só me posso rir e nunca chorar. 
 
Nunca alguém me conseguiu manter uns collants vestidos, davam uma comichão desgraçada nas nádegas ou mesmo uma Thermotebe, estalava tanto da electricidade estática que até deixava os cabelos em pé.

As miúdas picuinhas...tinha que as aturar no horário de aulas, depois metiam-se em casa a brincar com as Barbies e a estudar, enquanto eu cá fora andava entretida à porrada com os ciganos, a jogar ao espeta, ao pião, à carica, a saltar à macaca... 
Dentro do recinto da escola portavamo-nos todos bem e ninguém olhava a etnias, piolhos ou ranho. 
 
Só parava em casa uma tarde inteira, ao terceiro trambolhão que arrancasse mais uma vez a crosta dos joelhos.

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