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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

24
Jul20

OCD - Obsessive Compulsive Disorder

Rita Pirolita
Como hei-de arranjar uma forma descontraída de começar a escrever sobre uma adição, descontrolo, vício, comportamento desviante, tudo meu que só a mim prejudica e muitas vezes é aproveitado por preguiçosos e outros que se encostam à sombra da bananeira!
Eu sou a chamada OCD - Obsessive Compulsive Disorder, com a limpeza, organização e cheiros no meu espaço e corpo, com os outros não me preocupo, desde que não tenha que lhes tocar por isso consegui viajar para verdadeiros paraísos cheios de lixo, mau cheiro e gente que não tomava banho, por falta de água ou porcalhice mesmo. 
Respeito todos os costumes e culturas, mesmo os que gostam de viver na merda, desde que seja longe de mim ou eu esteja só de passagem e tenha agilidade para quando vier a vontade me empoleirar e cagar de alto sem tocar em nada...
Vou ao ponto de mesmo que passe umas meras horas a dormir num hotel, antes de usar a cama desvio os lençóis e sacudo tudo para ter a certeza que não durmo com cabelos e pintelhos alheios, alguns fluídos já devem estar entranhados no colchão, não vejo mas sei que estão lá e mesmo isso me mete nojo mas não tendo alternativa, tenho que dormir em qualquer lado mais fofo que o chão.
As colchas dos hotéis nunca são lavadas, por isso nem o cu mesmo com cuecas sentem lá. 
Para mim é preferível acampar sempre que o tempo e local permitem e dormir na MINHA tenda, aconchegada no MEU saco-cama!
O WC...ora este compartimento sofre o meu olhar de escrutínio e leva com toalhitas húmidas quase até ao tecto, nunca me encosto à cortina ou paredes da banheira, tomo sempre banho de chinelos, não vá apanhar pé de atleta ou qualquer outro tipo de nojenta micose humanóide, na sanita faço logo duas descargas de autoclismo, para não correr o risco de respingos estagnados e conspurcados, limpo-a quase até por dentro, não gosto da ideia da minha merda tocar superfície onde outras tantas tocaram, a minha será sempre especial mas nunca deixará de ser merda claro, apesar de mais preciosa e acarinhada por vir das minhas entranhas já que me preocupo tanto com uma alimentação equilibrada! 
Costumam dizer os gurus das práticas saudáveis, 'que somos o que ingerimos' e eu acrescentaria, o que cagamos é o que metemos cá para dentro! 
Teorias tão antigas como o cagar. 
Comecei a falar de limpeza e quase acabo a falar só de merda, não tenho arranjo para este meu desarranjo mental que me ocupa tanto que nem tempo tenho para aturar maluqueira alheia.
Ora bem, ia eu nos hotéis que não são casa minha, gostava eu muito que fossem, fosse eu a Paris Hilton a ver se não vivia até morrer num hotel meu, na penthouse claro!
Se sou assim com sítios temporários imaginem com sítios alugados ou de caracter mais permanente como uma casita, tudo tem que estar impecável mas detesto o acto em si de limpar, eu explico. Gosto de viver em espaços imaculados mas detesto limpar, por isso não há cá biblots em casa, para apanhar pó e teias de aranha já basto eu que vou para velha, tal como adoro andar lavadinha mas detesto o acto de tomar banho, é uma trabalheira além de que com uma pele seca que nem jacaré como a minha, tenho sempre que hidratar ou seja depois de sair do banho sujo-me outra vez a barrar o corpinho com um creme viscoso.  
Não gosto desta minha condição paranóica mas estão a perceber porque me amofina tanto a vida e depois ainda tenho o desplante de marrar com o moço para que seja tão picuinhas com os pormenores como eu. 
A minha tese é que ele não deve só deitar uma mão, numa de macho que até ajuda lá em casa deve sim partilhar irmamente tarefas, porque suja e usa tanto como eu o mesmo espaço e pode deitar a mão mas é a outras coisas. 
Cada vez se tem encostado mais a reboque da minha genica e pouco se mexe, nem em nome de contrariar o sedentarismo natural do processo de envelhecimento, qualquer dia bebe e come deitado, como um cão que tivemos! Embora muitas vezes me acuse e com razão, de gastar o chão e a roupa com tanta esfrega que lhes dou!
Mesmo assim não consigo deixar de lhe achar piada, mesmo quando fico brava e ele se cala perante o meu fortíssimo poder de argumentação, tão bom que comigo como advogada o Pedro Dias saia em liberdade e ainda lhe faziam uma estátua no átrio da Igreja!
Mesmo assim o moço que se deixe da lanzeira de ter corpo de rico e carteira de pobre e largue a nota para pagar a uma empregada, deixa assim de explorar a minha força de trabalho de forma escravizante! 
Bem também não é tanto assim, as máquinas de lavar e secar, essas sim é que são esmifradas cá em casa até ao último parafuso, além de que se tivesse empregada ia-lhe moer tanto a cabeça que não aguentava nem meia hora por este doce lar, porque achando-me eu tão perfeita nestas lidas da casa, nunca vou sequer considerar que alguém faça tão bem o trabalho como eu e depois confesso, não sei mandar de todo em pessoas ou animais mas sei fazer, ai isso sei e nunca me enrasco com nada. 
O que não sei, se for necessário aprendo e morro a tentar. 
Eu sei que sou uma chata do caraças e que é muito difícil preencher os meus requisitos de limpeza e nível de exigência mas também tento sempre viver em espaços com tamanho ajustado ao uso que lhes dou, no fundo uma pessoa não precisa de um ringue de patinagem quando nem patins tem mas mesmo assim tem que lhe limpar o cotão, porque para ter portas fechadas numa casa que parece assombrada, antes prefiro viver no anexo do jardim, é mais saudável e também porque não sou nada cagona e o segredo está em ter uma boa vida mas não ostentar para não ser alvo de invejas, maldade, percalços e medo de ser roubado, rodeado de alarmes, grades, portões até ao céu que nem consigo ver o mundo lá fora, arame farpado, cães ferozes... 
Enfim nem quero pensar quando for rica, se me vou preocupar tanto em defender aquilo que é meu ao ponto de nem gozar a vida?...Prefiro ter pouco guito e morrer consolada de papo cheio de felicidade!
Mas se alguém me quiser fazer milionária eu não digo que não e compro uma ilha só para mim!
Também já tive muita gente a pedir-me ajuda para limpezas e mudanças mas como sabia eu que eram uns tesos da merda e ia dar cabo das minhas ricas costas de graça, dei sempre desculpas esfarrapadas para que os estúpidos não tivessem dúvida nenhuma que eu não era pacóvia e que sabia os interesseiros que eles eram. 
Porque não usam a amizade que lhes sai da boca para outros convites? Oferecer uma massagem nem que seja na esteticista lá do bairro, fazer um jantarzinho vegan de vez em quando...cuidar dos filhos é que não me peçam, já disse por aqui que não sei mandar em putos nem me dou ao respeito, além de que quem os tem que os ature e carregue, que o meu corpinho é um templo!
31
Mar20

O sexo sem hu(a)mor não tem tanta piada!

Rita Pirolita
Vou falar de sexo com o pudor que merece da minha parte ou seja, nenhum!
Não precisam de comentar ou expor o vosso comportamento mas vejam lá se não sentem também um pouco do que eu sinto. 
Sempre me intrigou o seguinte, filmes românticos, eróticos, de suspense, policiais, de zombies, vampiros ou até canibais, parece que agora não há género que não tenha que enfiar no guião como condição sine quo non, uma cena lá pelo meio de pirueta em vale de lençóis, no elevador, nas escadas, é onde calhar, nunca se pensa em DST's, preservativos ou mesmo tirar as collants e calças, tudo é penetrável, até a roupa. 
Ora bem, estão a ver aqueles filmes em que na cena quente ela é filmada em slow motion com os cabelos ao vento em posições sem refegos, celulite ou mama descaída, tudo é perfeito e rápido que nem coelhos, elas surgem na cena seguinte de roupão ou com a camisa dele enfiada à porcalhona desleixada mas maquilhada que nem Bela Adormecida e com o cabelo sem pintelho a despontar fora do sítio, tudo arrumadinho mas com um olhar de badalhoca, que só Deus sabe e o gajo que esteve com ela na cama!?
Estão por outro lado a ver os filmes que são uma sátira a estes? Em que ela na cena sensualona cai da cama, parte um pé, entala os dedos na mesinha de cabeceira ou aparece o cão dele com um olhar que a intimida e envergonha e junta-se à cena, não, corta, isto já sou eu a delirar! 
Pois, eu sou mais inclinada para estes lados, para este tipo de tragicomédia, não que já não tenha tentado fazer de boazuda, sempre me foram dizendo que sou gira e devia explorar mais a minha faceta sexy, que segundo todos os homens, todas temos. 
Sinceramente nunca me senti assim, prefiro pensar em mim como alguém com graça e piada, de ar divertido de quem está bem com a vida, a nível fisico a imagem que penso transmitir é de alguém com uma postura pragmática, porte mais para o atlético, calço o 41 e sendo alta posso dormir de pé como as galinhas, é sempre o que me dizem para serem simpáticos e não desagradáveis ao confirmar que de facto sou patuda, tenho umas mãos enormes, embora seja proporcional, isto não é de todo o cumulo da feminilidade e delicadeza, por mais que tente não parecer um elefante dentro de uma loja de cristais! 
Ora bem na senda de tentar descobrir alguma coisa em mim que os outros viam mas eu não queria admitir, tentei em algumas alturas forçar-me a ser sensual, em câmera lenta e tudo, confesso, não deu o resultado esperado, saiu mal, deu merda mas fartei-me de rir, não sendo a única a ser contagiada pela cena, quem estava comigo também confirmou, que estávamos lá para foder e rir se assim fosse o caso e houvesse oportunidade e não para andarmos a brincar aos cowboys, a esconder-me do Índio que me quer dar com a pena na moleirinha para castigo ou fazer-me cócegas nos mamilos como tortura. 
Por falar em personagens de filmes, nem me queiram imaginar vestida de enfermeira put@ e ele com arreios de cavalo, porque se não aí é que morro de riso e não fodemos! 
Ainda mais, detesto lingerie com fitinhas, botões, lacinhos, rendinhas e outro tipo de tirinhas, em vermelho e preto ainda pior, não vai com a cor dos meus olhos. 
Detesto que tentem impor celebrações como o dia dos Namorados, lembrar o dia em que o conhecemos, celebrar a primeira queca, a primeira semana, mês, trimestre, meio ano ou ano...arre, não!
Detesto flores empinocadas, então aqueles arranjos de florista não têm piada nenhuma, nunca consigo distinguir um ramo de festa de um para funerais.
Não gosto que arranquem flores em geral, deixem ficá-las no jardim que são mais bonitas e mantêm-se vivas por mais tempo. 
Pétalas de rosa e velas, suporto numa massagem, se for oferecida tanto melhor e como estou de olhos fechados também não vejo as paneleirices da decoração.
Por outro lado sempre achei que as minhas colegas de escola na altura das descobertas e não era do caminho marítimo para a Índia, romanceavam e mentiam muito sobre a cena, quando descobriam que para engravidar não é preciso saber foder, é só preciso foder...já era tarde e que além disso para foder não é preciso amar ou andar em busca do amor nas cavalgadas, também só é preciso foder! 
É óbvio que se uma pessoa encontra alguém com quem se dá bem, que existe aquela química, como costumam dizer os entendidos desses subterfúgios da fod@, tem mais tempo de descontraidamente ir descobrindo as teias do prazer e explorar afectos, não os beijoqueiros do Marcelo, valha-me Nossa Senhora da Espuma aos Cantos da Boca, kanoije!
Pronto, já perceberam por esta altura qual é a minha visão e verdadeiro comportamento incontornável que tenho e tanto me caracteriza, de me rir de tudo e ter prazer ao mesmo tempo. 
Não se resumirá também o amor a um animalesco desejo, bastante humor à mistura e algumas dores de corpo pela ilusão e boa vontade, de em determinada idade insistir em fazer posições de há 20 anos atrás, dentro do carro já nem se fala, ou inventar novas posições que não dão em nada, a não ser em torcicolos e quedas mais ou menos aparatosas?!...Mas nada nos pára! 

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