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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

25
Jul20

Os falsos taninos

Rita Pirolita
Nunca fui consumidora de vinhos armada ao pingarelho, nem muito menos bebedora assídua mas se provar sei dizer se gosto ou não e até identificar alguns ingredientes, sem aqueles rococós dos enólogos claro, contínuo no entanto a acreditar piamente que o melhor vinho é aquele que melhor nos souber, será esse o eleito e esse gosto pode depender do momento, da companhia ou só mesmo da porra do vinho que por mais carrascão que seja nada impede de nos saber pela vida!
Faz uns tempos vi um documentário que passou na TV sobre um chinês que vendia vinho falsificado, uma coisa em grande que movimentava milhões.
Isto não é para qualquer um, se começarmos a pensar em toda a parafernália de pormenores e coisas evidentes demais que se tem que ter em conta e reproduzir com algum cuidado... 
Coisas que saltam à vista, garrafa e conteúdo, tudo tem que ser parecido na cor e no sabor, o que exige algum trabalho de laboratório de alquimia. 
Pormenores, o rótulo, quase como se se falsificasse uma nota, depois ter muito paleio e entrar no mercado dos leilões para vender as falsas pérolas aos cagões que estão ansiosos por as comprar sem nunca as usarem, exibidas lá em casa como o fruto proibido ou reservado para a ocasião mais especial na vida, que para muitos será a sua morte, celebrada pelos que lhe fazem o funeral com a garrafa que finalmente se poderá abrir e que talvez tenha dado um bom vinagre.
Foi esta apropriação indevida de alguns nomes sonantes no mundo dos taninos, que já aconteceu com uns tantos vinhos franceses de renome e até com vinhos portugueses como o Pêra Manca, considerado um Picasso dos vinhos que resultou em falsificações que até a mim me fazem rir e achar que há gente que está a pedi-las e merece o que lhe acontece. 
Quem não tem dinheiro fica quieto, os que têm que chegue para se deixarem enganar...não tenho pena, não ficam mesmo assim na pobreza a passar fome, perdem uns tricos e apenas fazem figura de parvos que são!  
Se os cagões de países normalmente pobres e com regimes fodidos, se rendem à ostentação capitalista com exibição de Maseratis e Lamborghinis, com mais facilidade e por pechincha, ambicionam sem lhes custar tanto como um carro ou uma mansão, um excelente vinho de renome para pôr na redoma e mostrar aos amigos da mesma espécie ou para beber misturado com Coca-Cola como fazem os chineses, que como sabemos onde põem aqueles olhos em bico adulteram tudo. 
Ora quais serão os alvos preferidos da marosca para os meliantes armados em finos e cultos? Caso contrário nem uma rolha de cortiça vendem a um castor! Os ideais serão papalvos com dinheiro, que vivam em países onde não se produz vinho nem existe o culto e apuramento da sua degustação, o mais bebível que poderão ter provado será algo próximo de um Gatão, Mateus Rosé ou Lagosta. 
São estes os perfeitos candidatos ao engano que não só compram zurrapa que se calhar nem precisava de ser disfarçada com tanto requinte para gostos foleiro-mundanos de novos-ricos, como se a provarem ainda fazem estalinhos com a língua e dizem quanto custou a cada golo ou então mantêm a garrafa intacta fechada a cadeado e nunca provarão a merda que compraram.
Este é portanto o crime perfeito, criado especialmente para os que mais merecem ser enganados! 
25
Jul20

Armados ao pingarelho

Rita Pirolita
Tantos académicos fazem uso de uma linguagem anti-vernáculo de boa educação, quero eu dizer que usam nomes caros, pouco conhecidos pelo comum dos mortais que parece e talvez seja propositado, baralham e voltam a dar, sentenças e pensamentos. 
Não querendo eu ficar complicada a tentar descomplicar coisas que nos baralham, gostava no fundo de apenas perceber para quem escrevem estas almas fazendo uso de tão erudito linguajar? 
Querem bradar aos anjos-livreiros para que se desfaçam em lágrimas e os livrem do canto dos indigentes, apelar já aos céus para irem alcatifando o caminho da eternidade, dos prosistas e poetas imortais, de livro de prateleira e não de cabeceira?!  
Quero acreditar que não escrevem para eles e para os amigos, mal seria, mais ainda quando escrevem em jornais que estivessem a escrever numa plataforma pública para um público muito restrito e privado, os amigos mais chegados como se de um ritual maçónico se tratasse, congeminado no secretismo! Em última instância se nem os amigos o perceberem estará o criador textual a falar consigo, num monólogo de afogamento no seu narcisismo, um suicídio literário que se consome e alimenta como sistema entrópico, insuflado de admiração pelo seu fogo-fátuo? 
Ah espera, pode ser uma declaração de independência tão parva que ninguém percebe mas eles, os 'artistas', têm que ter espaço, isolarem-se para criar a obra de arte! 
Uns merdosos solitários que ninguém atura, é o que são!
Tantas vezes chego ao fim de alguns artigos e desisto de reler, porque estou cansada da frustração de nada perceber! 
Farão os autores de propósito só para se armarem ao pingarelho? Serei mais burra do que penso? Só quererão atingir as suas elites? Será uma linguagem secreta, codificada ou vazia apenas para baralhar? 
Fico com a sensação que muita gente não consegue perceber o que lê destes eleitos 'connoisseur' de qualquer coisa, iluminados não sei por que candeia que de vez em quando num gesto benevolente para com os pobres de instrução, que nunca serão burros forçosamente, escrevem uns textos com piada tímida, só para dizerem que não pertencem a um mundo à parte que só eles construíram e idealizaram, que até descem de vez em quando cá baixo para sentir a plebe!
Estes escritores de pedestal no seu discurso de equilíbrio politico-correcto, querem acrescentar uma pitada de radicalismo, fazendo uso de tiradas que parecem revolucionárias mas a cada parágrafo acabam a dizer que gostam de massa mas não se importam de comer arroz ou batata. 
Gente que vai a todas é de desconfiar, quando acabamos de ler coisas deste género a única conclusão a que chegamos é que o autor podia nem se ter dado ao trabalho de iniciar a escrita, que o mundo ficaria na mesma e nós também, sem tirar nem pôr ideias!
E talvez se eu não tivesse escrito esta merda também não se perdia nada?...

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