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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

02
Abr20

História resolvida

Rita Pirolita

Ando cada vez mais farta de pessoas, apenas me apetece dar likes e fazer comentários fofos, em páginas de cãezinhos abandonados, mal tratados, bem tratados, de marca, rafeiros, pernetas, manetas, com cauda, sem ela, com tintins, sem ovários...TODOS!
Confesso que tenho muito mais pena dos animais mal tratados e abandonados que dos adultos ou mesmo crianças e velhos!
Passo a explicar: 
As crianças são maltratadas e abandonadas por pessoas que já foram crianças também, por isso os adultos têm obrigação de ter memória, serem responsáveis e assumirem como convém, a ideia e vontade de trazer uma criança ao mundo, em caso de dúvida não as conceber é sempre a melhor opção!
Quanto mais consciência se tiver dos actos mais se mede a força para os praticar e mais liberdade de escolha temos. 
O exercício não é difícil o problema é que a maioria das pessoas nem sequer o faz, nem perde um pouco de tempo a pensar no assunto e reproduz-se automaticamente, porque é o que vê fazer à sua volta e como somos mais animais de imitação que de imaginação...vamos na conversa e entramos no mesmo barco, assim quando formos ao fundo vamos mais quentinhos!
Os pais descuidados e mal-educados ou sem educação, provavelmente foram crianças vítimas desse desrespeito e vão criar filhos tanto ou mais irresponsáveis que eles, num ambiente de violência doméstica e humilhação ou excesso de mimo e pouca atenção.
Gente crescida, desentendam-se, descabelem-se ou matem-se...Agora, façam-no em privado, ninguém tem que levar com a vossa estupidez, principalmente as crianças que ainda não tiveram muito tempo para perceber bem o que andam cá a fazer ou que mal fizeram para levar com tal azedume tão dispensável em tenra idade!
Os filhos são usados para salvar casamentos, para roubar fortunas, para se prostituirem ou mendigarem e assim porem comida na mesa, para se viver à conta, para ajudarem a sustentar a casa ou pelo menos cobrirem o prejuízo...
E para serem gostados e criados em liberdade e consciência, não? Isso não interessa, além de que o mundo lá fora está tão perigoso e as novas tecnologias?...Uma autêntica ameaça à inocência e segurança das criancinhas? Tudo mete medo!
Não me digam que esta vida que temos caiu de Marte ou foi obra do Espirito Santo?...
Quanto aos velhos...os adultos que os abandonam nos hospitais, depositam em lares, desprezam, lhes dão porrada ou insultam e humilham...esperem até vocês próprios se começarem a borrar pelas pernas abaixo, indefesos, a ver o troco que os vossos filhos vos devolvem?...
A humanidade tem responsabilidade na sua reprodução e consequentemente na proliferação de maus hábitos ou bons costumes! 
Mas como a coisa nasceu torta tarde ou nunca se irá endireitar.
Quanto aos cães, são nossa responsabilidade, foram domesticados por nós, para estar ao nosso serviço e dispôr e acima de tudo não fazem um milésimo da merda que nós fazemos, para limpar a nossa porcaria era preciso um saco do tamanho do mundo, não merecem por isso maus tratos, desleixo ou abandono à reprodução incontrolável, pelo contrário, dão muito mais que aquilo que alguma vez possamos merecer, não somos nada dignos e não têm a mínima noção das consequências que os humanos os fazem sofrer, pelo seu natural e irracional instinto de se reproduzirem! 
Por isso no próximo Natal ou aniversário, em vez de fazerem filhos, cortarem pinheiros, ou reunirem-se à volta da lareira, para foder os que estão mais à mão de semear, como a família por exemplo, adoptem um patudo, se não for para o tratar bem, desejo que morram todos naqueles jantares enfarta burros com um enfarte fulminante, assim também não se reproduzem mais!  
Lavo daqui as minhas mãos, corpo e alma, história resolvida!  
06
Jun19

Carlota Bolota e o bullying

Rita Pirolita
 
Não sei porquê mas do nada veio-me à ideia o nome de Carlota Bolota, fui ver e de facto esta menina existe, é gorda, bem disposta e sofre de bullying e isso já a incomodou mais que agora que é mais crescida.
 
Ora vamos por partes: 
 
Primeiro dizem que as estatísticas apontam para um aumento do número de crianças obesas, depois que devemos comer de tudo mas se queremos emagrecer...TUDO engorda, que devemos ser activos, mesmo quando temos 90 anos e só queremos sopas e descanso, que devemos ter uma ocupação, já que não há empregos quanto mais não seja a fazer voluntariado em coisas para as quais pagámos uma vida inteira mas que o estado arruinou por tanto roubar e por fim, que os gordinhos são na sua maioria bem dispostos ou porque se entregam aos prazeres da mesa e fazem o gosto ao dedo ou para esconder a frustração que sentem ao se olharem ao espelho todos os dias mas que acima de tudo se devem aceitar como são e há gostos para tudo e corpos para todos os gostos, baixos, magros, altos, gordos, obesos e até obesos mórbidos alimentados pelos seus pares cuidadores e aumentadores das várias camadas adiposas, refegos e banhas a transbordar de camas, de onde já não saem há anos num coma calórico. 
 
Dito isto, estão na moda corpos de mulheres masculinamente musculadas mas também corpos roliços de pin-ups de pele branca repletos de tatuagens de cupcakes e lollipops, bem como miúdas magricelas com aspecto andrógino ou de lábios picados por abelhas e cabelo despenteado à Maluquinha de Arroios. 
 
No meu tempo os gordos eram gordos ou buchas e ou levavam na corneta se fossem mariquinhas ou eram os latagões de quem todos tinham medo, os magros eram lingrinhas, os pitosgas eram caixa-de-óculos mas para andar à porrada tiravam os óculos para ver melhor o inimigo e não partir os fundos de garrafa que eram caríssimos, as morenas eram as Marias Peludas e as loiras, o sonho de qualquer mãe ou rapaz do recreio, os sardentos tinham cagadas de mosca na cara, já para não falar dos pernetas, manetas e outros aleijadinhos que eram isso mesmo, aleijadinhos, que de cadeira de rodas, de muletas ou botas ortopédicas se faziam notar como podiam. 
O nosso bullying era quase sempre à vez, ou seja, um dia estavas a levar na tromba, outro estavas a dar na trombeta de alguém, não havia espaço para insultos, não perdiamos tempo com palavras ruins e desejos de morte, apenas joelhos esfolados, canelas deitadas abaixo, cabeças, braços e pernas partidas e assim reagiamos ao que nos faziam, não andávamos cá a descarregar frustrações com a nossa imagem ou sexualidade.
 
Isto tudo para dizer que vivemos numa era onde as modas não são tão rígidas, cada um anda como quer mas depois somos criticados a toda a hora porque ofendemos com a mais pequena palavra ou postura, não somos politicamente correctos e agora até pensar fora da caixa já é mainstream.
Ou seja, vivemos tempos em que ninguém sabe quem é,  o que quer ou o que lhe dá prazer, queremos ser tudo e não desaparecer no meio de tanta gente tão igual a nós, queremos ser iguais e únicos, iguais e diferentes...

Porra, garanto-vos que não entendo, nem consigo seguir este ritmo alucinante e alucinado e digo isto passando um atestado de sanidade mental a mim própria, porque me sinto mais equilibrada e em paz por não pactuar com estes tempos doentios.

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