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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

25
Dez20

Celebrar

Rita Pirolita
Ontem não celebrei tradicionalmente o Natal, não fiz a árvore, fez a sogra, não me juntei com a família que não tenho, só com a possível, não comi bacalhau, polvo ou perú, porque ainda não foram promovidos a alimentos vegan mas comi os acompanhamentos, não comprei coisas doces nem a título de excepção, não toquei em chocolate porque não aprecio e não fiquei acordada à espera de um Pai Natal que nunca vem, não traz nada de graça nem mesmo felicidade!

Ontem fiz o que faço todos os dias, celebrei a vida em paz sem me chatear ou cansar...muito!
29
Nov20

Harmonia novelesca

Rita Pirolita
O Natal está a chegar, menos de um mês falta, todos desejam frio para cumprir o uso da lareira e se não houver, será meio-Natal?!

Na serra talvez uns farrapos malucos ao vento que cobrem tudo de tom branco neve, sabem do tom que estou a falar? 

Não tão alvo como a roupa que o OMO lava mais branco mas também não tão sujo como casca de ovo ou amarelinho-mijo, branco o suficiente para ferir os olhos quando o sol lhe bate, compõe o ramalhete da cena a manta nas pernas, o gato a dormir aos pés, o livro do ano passado, ver um filme de Natal que passa há 20 anos consecutivos por esta altura!

Será para mim um dia como tantos outros, sem filhos nem família, porque não tenho nem uns nem outra!

Já começo a sentir um mórbido deleite em espreitar imagens de harmonia novelesca para não me sentir tão fora deste mundo, ouvir de quando em vez um coro de sinos na TV, uma música que não seja gritada demais em vibratos e falsetes, hossanas em igreja, ver anúncios estrelados com molduras esfumadas de neve, chocolates, carros e jóias e para terminar, não comer bacalhau, perú, rabanadas, azevias, sonhos ou bolo-rei...

Ou pensavam que também não ia celebrar esta época um pouco à minha maneira? Não celebrando! 

 
29
Mar20

Pratos, copos e talheres

Rita Pirolita

Por mim as molheiras podiam ir todas à vida, ninguém usa molhos que entrem em molheiras e depois ficam para ali esquecidos a criar aquela película de gordura que dá nojo com aquele mau aspecto que já não vão sair da molheira a não ser directos pela pia abaixo, com bastante água quente a correr para não agarrar aos canos! Por isso esta peça nem devia existir, é uma ocupa, além de que tem uma estética quase sempre vitoriana e romântica ou seja, uma falsa peça que só está ali para mostrar requinte mas depois não serve nem para pôr azeitonas, enfim... 
Os pratos grandes, fundos, pequenos e médios podiam ser todos do mesmo tamanho e brancos, a mim não me chocaria nada e reparam vocês e depois não conseguíamos distinguir a sobremesa das entradas ou dos pratos principais ou até mesmo da sopa!? Então mas vocês distinguem as coisas pelos sabores ou pelo tamanho dos pratos? Não me digam que também não sabem lidar com a piroseira dos pratos quadrados? 
O mesmo posso dizer dos copos, já sei, alguns copos em forma de balão guardam mais os aromas do cognac, os taninos, o chocolate, canela ou frutos vermelhos do vinho, a lágrima do Porto Vintage, pergunto eu mais uma vez, não basta distinguir a coisa na língua e depois lá em baixo tudo se mistura para se agarrar às veias ou sair? 
Quanto aos pratos grandes que estão tão na moda na cozinha gourmet, deixem que vos diga, confundem-se com os marcadores de mesa, que muitas vezes têm melhor aspecto que as gamelas fundas, onde depositam uma ervilha com aroma de sapo.
Os talheres são o último reduto do baralhanço, são uns confusionistas, além de grandes, pequenos ou médios também os há mínimos, para peixe, carne, sobremesa, chá, café ou laranjada, conchas, colheronas, pinças, facas de talhante ou de pão, garfos em forma de forquilha para tourear o pernil de porco ou evitar que o perú se escape de encontro à parede ou acabe no regaço da tia que levou a melhor prenda e que só vemos em ocasiões especialíssimas mas é a única que ainda resta com algum dinheiro para deixar e como não teve filhos...não custa nada aturá-la por umas horas ao ano.
Por fim aquela peça que serve para tirar o molho da molheira, que também nunca se usa tal como a molheira, dispensável meus caros...
E os guardanapos de pano e suas argolas estranguladoras? 
Podem ser usados com gestos de requinte mas são nojentos e se forem de áspero tirilene dão-me cabo da cútis labial, desculpem a poluição mas guardanapos de papel estão bem para mim obrigada, é usar e deitar fora, enquanto que os outros ficam tão cheios de carrapetas que até teria nojo de os pôr a lavar juntamente com as minhas cuecas! 

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