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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

05
Set20

Lesma do mar vai a Fátima

Rita Pirolita
O ano da visita do Papa a Portugal, para a celebração dos 100 anos das visões da santa em cima da oliveira coincidiu com a moda dos vestidos, calças, blusas, calções, tudo com folhos mas estes eram diferentes dos típicos, apareciam normalmente na vertical das peças, nas costas de um vestido qual dragão, ao longo da perna da calça, nos ombros... 
Estes folhos despontam de toda e qualquer peça de roupa, acredito que também nas cuecas, já que os biquinis  apresentam esta deformação orgânica. 
Não me desagrada de todo, confere um ar fofinho a quem usa, desde que não abuse. 
Eu chamo-lhe feitios orgânicos porque tal como a arquitectura de Gaudí, nesse ano a moda manifestou-se em formas que aparentavam ter vida própria, folhos que ondulavam com o movimento do corpo e flutuavam ao vento. 
Por esta razão não deixei de fazer um paralelismo inevitável com estes trapinhos ondulantes, digam lá se não parecemos umas lesmas do mar??? Isto sem desprimor nenhum para o bicho giro e viscoso que se desloca em harmonia total com o vai e vem da água dos oceanos e que por sinal apresenta cores lindas bem na moda, que podem ir desde nudes a um amarelo canário deslavadinho ou um verde lixíviado.
E agora deixo aqui a minha sugestão de bom gosto e muito fashion, se forem a Fátima pagar alguma promessa levem uma peça de roupa deste tipo, se em vez de joelhos rastejarem, vejam o efeito lindo que faz, tirem fotos e divulguem, se possível com o crucifixo gigante da Joana Vasconcelos como pano de fundo.
Sugiro títulos para os videos que se vão tornar virais de certeza: "Milagre! Lesmas do mar sobrevivem fora de água" ou "Pague promessas em grande estilo".
Estas foram as sugestões de uma pobre rapariga que nem liga a modas, que não acredita em Fátima e que nunca viu uma lesma do mar ao vivo, pero que las hay, las hay.
12
Mai19

Romarias e procissões

Rita Pirolita

 

 
 

No verão em Portugal não há cantinho que não esteja em festa, não há forma de escapar a cascas de melão deixadas para trás para engorda de moscas e abelhas, garrafões de vinho, bôlas de sardinha, chouriço, pão de ló, bagaço, Bolicaos e refrigerantes.

Os bombeiros na companhia dos cabeçudos são presença indispensável.

Quando era mais nova e não tinha mais nada para fazer nesses dias de canícula religiosa, se não ficar a assistir à procissão, quietinha à sombra para fugir de 40 graus ao Sol, lembro-me da presença habitual na banda de um bombeiro que não tinha um braço mas o outro tocava por quatro, ia de um lado ao outro do bombo com pujança e afinco. 

Das varandas, decoradas orgulhosamente com mantas acetinadas, os crentes pobres atiravam moedas e os emigrantes notas de ‘dola’ ou franco bem abertas, para toda a gente ver o quanto davam na sua boa fé. 

Os santos nos andores tinham cabelo preto cacheado e vestiam púrpura, miúdos arrastavam-se cansados na comunhão com camisas de renda até às orelhas, até hoje não sabem que mal fizeram para tal sacrifício de desidratação e dor de pés.

 

 

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