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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

25
Dez20

O dia a seguir à noite de Natal!

Rita Pirolita
O dia de Natal é passado a fazer coisas tão palermas e sem sentido como a nossa existência! 
Depois de uma ceia em que se andou a Guronsan e chazinhos durante a noite, em que todos acordam a rebolar em vez de andar, com polvo a marinhar pelas entranhas, sal a entupir veias, doces a fazer diabéticos a cada dentada, ácido úrico em forma de camarão ou garrafa, cabeça azamboada da mistura volátil e a recordar em loop as discussões e stress típicos de ajuntamentos familiares forçados e esporádicos...recordam-se heranças roubadas, dívidas de décadas nunca saldadas, ajudas cobradas ou mal agradecidas, funerais desejados em rezas de Voodoo, acusações a tios sovinas e maus como as cobras que custaram a morrer e a largar o graveto ou elogios a parentes fofos e doces como algodão que partiram cedo demais e deixaram apenas um par de cuecas cagadas! 
Nem todos que morrem viram santos, embora os maus que partem contribuam para que o mundo fique melhor.
Não vou falar de filmes como Música no Coração ou Sozinho em Casa, fósseis que já deviam estar num museu com impossibilidade total de visualização!
Reciclagem? Pôr tudo no mesmo saco e não separar lixo nenhum, não há tempo nem paciência, além de que fazemos isso o ano todo e não o fazer num dos dias em que se produz mais merda...não será pecado.
Passar pelo menos uma semana a comer roupa-velha, até de rabanadas e azevias, enfiar fatias grossas de bolo-rei rijo que nem um calhau na torradeira, para ficar ainda mais rijo e amaciar-lhe o sebo com manteiga.
Limpar a casa...é pecado até em pensamento, pelo menos até ao dia de Reis.
No próprio dia do nascimento do Salvador, vai-se ao beija-mão, a fazer de Rei Mago motorizado, visitar amigos mais chegados ou os ex-sogros, que querem ver o netinho rechonchudo e malcriado e dar-lhe o envelope com uma notita, porque hoje em dia já não se sabe o que os miúdos querem, dois chapadões na tromba de vez em quando...também assentam bem!
Depois de um par de dias tão produtivos, chega-se a casa para lá da meia noite com uma dor de corpo e entorpecimento na alma, em preparação para o trabucar do dia a seguir, que mais vai parecer escravatura.
Lá volta tudo ao mesmo e para o ano há mais.
Saímos sempre destas épocas como sobreviventes de guerra, a pensar que somos uns anjos por termos aturado tanta aberração mas não, apenas nos prestamos ao culto da hipocrisia, no fundo é como as pessoas boas e más, nunca mudam, refinam!
Até para o ano...mais refinados que finados!
25
Jul20

O veleiro e a ilha deserta

Rita Pirolita
O moço gosta de ver vídeos no Youtube de gente que atravessa mares e oceanos em veleiros, gente que vive em lugares remotos e construíu de raiz tudo o que tem, gente que deu a volta ao mundo numa pão-de-forma.
De vez em quando para entremear vê videos de quedas e acidentes! 
Há um grupo de visualizações que aviva os meus sonhos, a dos barcos, passo a explicar porquê.
Suponhamos que nos saía um prémio chorudo do euromilhões, ele ia logo a correr comprar um veleiro, isto partindo do princípio que dividiamos a fortuna e não seriamos burros que nem uma porta como um casal há uns anos atrás que em vez de dividir o prémio ainda gastou um dinheirão em advogados, porque ela reclamava o prémio por inteiro, apesar do namorado o querer dividir e estavam em jogo 14 milhões, se não me falha a memória. 
Ora indo com a coisa para tribunal o dinheiro não ficou disponível até que fosse tomada uma decisão ou seja, tiveram o dinheiro tarde e a más horas e ainda gastaram em advogados que sabendo do caso, esfregaram as mãos, fizeram arranjinho nas costas dos clientes, dividiram os honorários e fizeram-se pagar muito bem, aproveitando a estupidez dos namorados!
Imaginemos que não seriamos tão palermas, se nos saísse o cobiçado prémio, é legitimo que cada um empregasse a sua metade nas coisas que sempre sonhou ter, sendo assim o moço compraria o tal veleiro para viver e eu que sou uma enjoadinha, compraria UMA ILHA SÓ P'RA MIM com um cais secreto para ele atracar sempre que quisesse, no reino da solitude!
23
Set19

Arrepio

Rita Pirolita
 
 
Sabem aquelas pessoas com quem somos obrigados a conviver por questões laborais mas que nunca deviam ter tropeçado na nossa, já de si, errante vida? Quanto mais desejarmos que sejam nossas amigas, vizinhas ou até conhecidas do café, mas acabam por gostar de nós, porque somos as únicas com quem conseguem soltar uma gargalhada aqui e ali e até sentem uma invejazinha por sermos descontraídas, destravadas e irreverentes como elas nunca serão.  

São aquele tipo de pessoa que é tão oposta à nossa forma de ver e viver as coisas, que em vez de atracção existe repulsa, arrepio e pouca tolerância à sua presença mesmo à distância do horizonte, mais ainda na versão feminina, que tenta fazer concorrência directa aos seres do mesmo sexo, tempo perdido claro, mas também precisa de fazer amigos e não desgruda quando há rambóia ou simples mexerico. 
Mal elas sabem que são o tema principal da bisbilhotice e galhofa nos nossos momentos de descontração.
 
Pela descrição, até parece que me estou a referir a pessoas com comportamentos muito desviantes, tais como assassinos, políticos, palermas, estúpidos, etc. 
Mas não, estou apenas a referir-me a pessoas que para mim são sociopatas e psicopatas encobertos, para esta minha conclusão basta uma pessoa não saber estar sem trabalhar, ser sovina, convencida que é o cúmulo da pontualidade e profissionalismo, não saber falar de mais nada a não ser de trabalho, orgulhar-se de não gozar férias há 2 anos, ser peganhenta ao ponto de falar tão próximo da nossa cara que parece que nos vai passar aquele bafo negro de peçonha dos filmes de terror, para nos rendermos à sua seita de adoração e submissão lambe-botas ao patrão e ao Deus dinheiro, não aguentar uma relação por muito tempo e já quase se ter convencido que está sozinha porque é boa demais, mas continua a deitar a rede a tudo o que mexe e se não põe a hipótese de virar fufa, devia pensar seriamente no assunto e também não pensar mais em mim.
 
Eu trabalho para ganhar dinheiro suficiente para gozar a vida, não me esforço mais até ao próximo momento de necessidade e não disfarço esta relação interesseira com o trabalho. 
O trabalho por mais aprazível que seja é uma obrigação escravizante na visão de uma boémia contemplativa como eu. 
O amor próprio deste tipo de gente só subsiste com os elogios ao seu irrepreensível comportamento laboral e relação de fachada com os colegas, colegas que se forem como eu, escondem atrás de um sorriso amarelo, peninha da criatura que se esfola para mostrar que é a melhor e porque sem essa bajulação não é nada na vida nem põe um pézinho que seja, no adorável mundo da diversão e alegria.

Ainda existe um subgrupo desta espécie que também me põe os cabelos em pé, aqueles que nunca fizeram nada de jeito na vida, aos quais nunca pedi dinheiro emprestado mas a quem as minhas férias fazem muita impressão e são sempre demais!  
 
Ora dito isto, eu gostava de ter nascido já reformada e rica, sem saber que esta gente existe.

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