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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

04
Ago20

Nenhum medo teremos

Rita Pirolita
A morte arrepia?... 
Cada vez menos quanto mais se aproxima.
Acabados de sair da boca do corpo para o mundo, ocupados com as dores de crescimento não pensamos no que estamos a pensar.
Em breve seremos adolescentes apaixonados em desespero de morte ou suicídio, tanto mais sofregos de alienação e sonhos quanto mais proibidos.
Desespero de momentos feitos eternos mas tão voláteis, de densidade incomportável por muito mais tempo. 
Sacudimos a vergonha e loucura de paixões passadas e tempo temos para aprender a crescer mais sem errar tanto.  
Olha-se para trás com nostalgia do fulgor, chegamos mais perto do gozo da quietude.
Pensamos na morte com mais clareza e um dia de tão perto estar nenhum medo teremos. 
25
Jul20

Os meus amores

Rita Pirolita
Pouco falei por aqui dos meus amores, paixões, desencontros e ilusões. 
Desilusões? Muitas mas como só se desilude quem anda iludido e o meu forte é mais sonhar, aprendi rápido a lidar com espirito prático com questões do coração, que para mim são mais do cérebro e sexo que outra coisa! 
Não sinto que vá expor aqui a minha intimidade porque vou falar de coisas que se passam praticamente com todos, é que não sei se já repararam, também sou deste planeta embora às vezes não o sinta nem se note muito, mas sou e tantas vezes não me apetecia ser, acreditem, adiante que para este texto não estão reservadas dúvidas existenciais e sim histórias de cambalhota! 
Sempre fiz questão de ser directa e nada armada ao pingarelho, tentando iniciar as aproximações com piada e nunca com planos mal intencionados de lixar a minha vida ou a de alguém, com rebanhos de filhos atrás, festarolas de casamento, a ficarmos gordos rodeados de filhos igualmente anafadinhos e parvos, a sermos desempregados e assim vivermos felizes para sempre na dependência do sustento-esmola dos pais!
Vamos lá à minha realidade passada.
Estava eu a dizer que sempre iniciei as coisas com naturalidade e descontração, coisa que muitas amigas e alguns amigos criticavam e encaravam como desleixo e despreocupação, também não estavam tão longe da verdade em alguns casos. 
Fazia questão de mostrar que não estava ali para esconder nada que fosse naturalmente humano e não para andar a contar as minhas aventuras passadas para provar que as minhas intenções eram as mais honestas do mundo, ninguém tem nada a ver com isso e só eu decido o que alguém pode saber sobre mim ou não. 
Ser sincera não quer dizer ser parva a ponto de contar tudo e não ter segredos, necessito de sentir que tenho algo só meu de direito, o controlo da minha vida, sem dar justificações a ninguém! 
Ora neste meu percurso tão errante como o de qualquer um que nasceu na década de 70, o apelo à educação nunca praticada por aqueles que a impunham, o famoso 'olha para o que eu digo e não para o que eu faço', ainda teve alguns resquícios de efeito negativo em muitos, eu não sofri com esse dilema! 
Tinha amigas que eram recatadas no sexo ou pelo menos faziam questão de transmitir essa imagem e quanto mais se esforçavam, mais se enterravam na mentira que lhes saia da boca, as chamadas sonsas.
Havia também aquelas que diziam não se peidar em frente aos namorados, iam a correr à casa-de-banho para pensarem eles que estavam na presença de uma mulher limpinha e boa cozinheira, a verdadeira fada do lar, tão perfeita que nem se peidava e se preciso fosse não comia para não cagar! 
Ora a minha sinceridade acompanhada dos actos era recebida por uns com alívio, por outros com supresa mas nunca com afastamento ou falta de identificação e sempre mas sempre com mau cheiro, elevado até às vezes ao nível competição, a ver quem conseguia expulsar mais ar em menos tempo! 
Nunca perdi nesta modalidade aérea e pouco palpável, quanto mais não fosse com o golpe baixo de obrigar o adversário a render-se, pelo alto teor de intoxicação no recinto do amor, ao qual sou imune, baixando os meus níveis olfativos para criatura dos mares!
O moço incomoda-se muito com cheiro que não venha das suas entranhas, é natural a mim acontece-me o mesmo, ao ponto de muitas vezes questionar se não terei comido botões de rosas a mais? Digo-lhe sempre que não havendo bela sem senão, posso ser uma doninha fedorenta mas sou bonitinha, bem acabada, organizada, cozinheira desenrascada e em tempos até soube tricotar, fazer renda e coser à máquina e à mão!
Ainda hoje mantenho uma performance invejável que penso me acompanhará até ao fim dos meus dias, com tendência a refinar! Tenho no entanto que redobrar o cuidado com os que incontrolavelmente possam vir de pantufas acompanhados de molho!

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