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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

29
Nov19

Primos direitos...e esquerdos?

Rita Pirolita

 

 

Os graus de parentesco sempre foram um desafio para o meu raciocínio.
Nunca cheguei a perceber a extensão familiar dos compadres alentejanos mas sei o que são camaradas.
Facilmente baralho e troco tudo.
Pais e filhos, irmãos, avôs e avós, sogras e sogros, até aqui não me baralha, genros e noras também não, embora fosse mais fácil mudar só o género em vez de dar um nome diferente, por exemplo as noras podiam ser genras, já os genros se fossem noros não soava muito bem!
 
Bisavós, trisavós e tetravós e pára por ai, nãopentavós, porquê?
 
Os primos são sempre direitos, não há esquerdos, há chegados ou afastados mas não distantes e até que grau se é primo suficientemente afastado para com total certeza não arriscar a ter filhos malucos. Porque é que nas primas mais se lhe arrima? Só para fazer rima?
As tias-avós são umas lambonas açambarcadoras, acumulam logo dois parentescos numa só pessoa.
 
Enteados, são entremeados por uma família ou outra?!
 
Cunhados e cunhadas, é sinal que já há gente a mais para dividir a herança da cara-metade! Enquanto não se chega a esse ponto, às vezes pelo caminho vai-se dividindo a cama!

Toda a gente antes de ter um parentesco tem um nome, mas sabe tão bem receber uma boa herança de um tio ou primo do Brasil que nunca vimos nem sabíamos que existia, quanto mais saber o nome!
01
Jul19

Gostava de ter uma vida simples mas sai muito caro

Rita Pirolita

Cada um vive com a felicidade que conhece.
Os nossos pais cometeram erros crassos, como por exemplo ,só começar a gozar a vida depois da reforma.

Têm sorte se chegarem aos 65 anos e ainda mais sorte se lá chegarem sem se cagarem todos ao piscar um olho. 

Apercebem-se do erro que fizeram, é tarde demais para remediar, por vergonha fecham-se em copas e incutem o mesmo caminho errante aos filhos. 
Transformam-se em velhos amargos, querem dizer num dia tudo o que a época salazarenta abafou.
Fazem-nos sentir culpados e ignorantes por termos nascido 20 anos depois deles.

Verdade seja dita, não aproveitamos a liberdade de expressão, não sabemos falar e escrevemos ainda pior, passamos os dias a inventar desculpas incríveis para os atrasos ou ausências nos encontros. No tempo dos telefones fixos não tínhamos que puxar tanto pela imaginação, bastava não aparecer e tínhamos dias para inventar uma boa desculpa.

Todos protestamos, todos queremos mais, todos batemos com os burros na água. 
Respeitosos rezingões, agradeçam o facto de terem família, eu não tenho filhos e tive que emigrar! 

Pagas só por existires, se não pagares sobrevives na miséria:
Por inveja do bem estar dos outros, frustração e vingança dizem que temos que aprender errando, neste caso trata-se do erro de uma vida. 
Podiam dar uma grande ajuda se nos pusessem mais à frente na linha de partida, iríamos mais longe de certeza. 

O carácter não faz a diferença, o poder sim:
Que ninguém se queixe, já todos metemos cunhas e tentamos esquivar-nos a pagar um qualquer imposto só para poupar meia dúzia de patacos, os políticos fazem o mesmo, com a diferença que têm mais poder e mais dinheiro para distribuir pelos amigos. 

Os pobres querem ser ricos, os ricos sem eles seriam pobres:
Os pais precipitam o nosso percurso académico para o abismo dos cursos superiores, para colmatarem as suas frustrações de não terem dado nada na escola ou simplesmente por não lhes ter sido dada oportunidade e dinheiro suficientes, fazem-no também para provarem, quais novos ricos, que podem ascender a uma classe mais alta.

A liberdade física não existe, podes voar em pensamento mas ninguém vive de ideias:
Os de cima impedem a ascensão e escalada da classe abaixo, desta luta resultam filhos frustrados que não arranjam trabalho, a frustração é proporcional aos anos que passaram a queimar pestanas, os que apenas fizeram o secundário ou tiraram um curso profissional não sofrem tanto e vão com menos dificuldade para trás de uma caixa registadora de uma qualquer superfície comercial.

Tenho pena que os mais velhos e supostamente mais experientes, apenas nos deixem duas tristes certezas - morrer e pagar impostos!

Porra para a sabedoria, vem quando não precisamos dela!

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