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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

Não gosto

Rita Pirolita
Não gosto de pés nem que gostem dos meus, de tão magros parece que têm ossos a mais, são perfeitos para figurações em morgues.
Andar de bicicleta? Só para pélvis masoquistas, fico toda assada, parece que fui para a cama com um elefante.
Maminhas de silicone?...Nenhum cirurgião me vai tirar o prazer de dormir à frango de churrasco de peito virado para o colchão.
Detesto usar saltos altos, mas tenho um par para emergências que espero nunca surjam na minha vida tais como casamentos, batizados ou funerais chiques, já que não me convidam para os casamentos chiques, sempre posso confirmar que essa gente também morre e não preciso de convite.
Não gosto de ver fotos e vídeos meus nem ouvir a minha voz, tudo é mais bonito que a dura realidade, ângulos e expressões patéticas, dentes amarelos e rugas que não reconhecemos nem queremos ver, mas os outros levam com isso todos os dias, é para não andarmos tão convencidas da figura triste que fazemos.
Já para não falar nas fotos do cartão de cidadão ou do passaporte, não podes mostrar os dentes e não deves ir muito maquilhada...eu não matei ninguém para ter aquele ar de presidiária.
Sempre desconfiei de testes psico-técnicos, tinha bons resultados para empregos de contabilidade, quando não sou barra, detesto matemática e sou mais ligada às artes.
Há muitas outras coisas de que não gosto às vezes nem de mim própria!
19
Nov19

Pés para que te quero?

Rita Pirolita
 
Os pés são a base do corpo e merecem por isso conforto e sempre que possível embelezamento mas muitas vezes a moda não se compadece com o aconchego, já para não falar na dificuldade de acertar com o calçado de meia-estação.

Podemos usar uns ténis no outono mas se vem a chover e não são impermeáveis, quando chegarmos a casa aproveitamos para limpar os cascos amolecidos
Podemos usar uma sandália, ainda com dificuldade em deixar a memória das noites quentes de verão mas corremos o risco de a meio da tarde não sentirmos as extremidades enregeladas.
Se saímos de bota de meio cano na esperança que sejam mais frescas por não terem metade do cano podemos ser apanhadas por um dia de verão de São Martinho e temos chispe recozido para o jantar. 

Isto são apenas exemplos de como não conseguimos lidar com a imprevisibilidade da meteorologia mas há quem não consiga lidar com a imprevisibilidade do ridículo ao virar de uma esquina.
 
A moda da sandaloca à gladiadora por exemplo...Existiam tais mulheres romanas? Estou a imaginar mulheres com ombros à camionista, que passavam o dia a malhar no ginásio da metrópole e ao fim de semana eram comidas por leões. 

Sandálias que conferem coloração arroxeada a pés duplamente gordos com o inchaço do calor, deixando a descoberto um peito do pé com pelo no topo e dedos que parecem mini salsichas a tocar a calçada de tanto escorregarem para a frente com o suor. 
Sapatos de plataforma que parecem botas ortopédicas e dão andar de gueixa atrasada mental. 

Depois existem aquelas pessoas como eu, que têm uns pés feios como a porra mas que não se importam e quando doí até se descalçam em plena cidade. 

Existem ainda outras pessoas como a tia de uma amiga minha, que já tem mais de 90 anos, não sai de casa, vai ao quintal de andarilho, não faz ginásio nem natação e apanhou pé de atleta. 

Eu já tive pé de atleta mas nunca fiz nenhuma maratona e nasci para andar descalça ou a chinelar.
14
Out19

Bidés

Rita Pirolita
 
Nunca percebi a existência de bidés nas nossas casas quando isto foi uma invenção dos franceses, terão sido as primeiras gerações de emigrantes que trouxeram a moda na primeira vez que vieram passar férias a Portugal?...

Não sei, mas esta peça sanitária apenas ocupa espaço em casas de banho modestas e de parcas áreas que vê-se mesmo nunca foram desenhadas para andar a bailar lá dentro. O bidé serve para quê? Para lavar as miudezas baixas, os pés, para pôr de molho as meias e cuecas, para pôr os chinelos de praia para mais tarde lavar na banheira enquanto se toma banho?

Nunca abriria as pernas para lavar a patareca num sítio onde estiveram de molho peças de roupa que cheiram mal ou chinelos de praia cheios de areia, que pisam tudo e mais alguma coisa, para não falar de uma paleta de cores de décadas anteriores que sobreviveram até aos nossos dias, raros exemplares em verde musgo, grená, passando pelo rosa velho ou mesmo castanho.
Será que uma pessoa se sente lavada quando o faz às prestações? Não será como ir ao cabeleireiro para lavar, cortar e secar, chegar a casa, ter que tomar banho com uma touca na cabeça, para não ir por água abaixo o trabalho que pagamos há meia hora atrás, porque já não aguentamos os cabelos que picam nos mamilos e umbigo?

O que tenho a dizer é que o bidé foi inventado num país onde as pessoas não são conhecidas por esmerada e diária higiene corporal, pelo contrário, alturas houve em que não se lavavam desde o nascer até ao morrer, ainda hoje me parece que não é fama. 
Eu tive uma tia que emigrou para França muito nova, depois da época de Napoleão, e desde aí nunca mais tomou banho, apenas se limpava com algodão embebido em água de rosas, dizia ela para não gastar a pele, de facto manteve uma pele bonita e jovial até idade avançada

Já viram o que a existência de um bidé faz, faz-nos desprezar e pôr em segundo plano a banheira ou poliban, ganhamos assim uma pele luminosa e macia até ao fim da vida sem precisar de gastar dinheiro em peelings ou esfoliações!  

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