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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

06
Ago20

50 Sombras sei lá do quê!

Rita Pirolita
 
Acho piada a esta popularidade do mainstream doméstico ressabiado, feita de gente adulta que não leu o livro e muito menos viu o filme mas que (o)pinam sobre tudo, pondo no escaparate o mau gosto azeiteiro de comer e falar do que não sabem! 
Como o mistério da fama do Marco Paulo, ganhou tanto disco de ouro e platina e ninguém gostava do estilo ou muito menos comprava os discos?!...
Também vou só ali ver se consigo dar meia queca para não engravidar por inteiro! 
Além de achar graça à tradução LIVRE do título que fica mal de tão piroso, parece que vem ai chicotada em barda! 
Unam-se Capazes, desunhem-se para impedir a exibição do filme com mais violência doméstica dos últimos tempos mas que satisfez tanta dona-de-casa como nunca! 
Ou não desgostam ou disfarçam bem e adoram demais?!...
01
Fev20

Swarovski

Rita Pirolita
Se tantas lojas existem da Swarovski, muita gente deve comprar para oferecer ou fazer colecção de quinquilharia cara e frágil e que como bons bibelôs que são, cumprem bem a sua função, não servem para nada, a não ser para apanhar pó e perder o brilho intenso, característica que melhor define o cristal. 
Agora até começaram a surgir acessórios de moda, como pulseiras, brincos, anéis, broches...mas no início apenas se viam colecções de animaizinhos que eram lançados de tempos a tempos por espécie ou grupo, passarinhos, tigres, pandas, cavalos, dragões e tanta outra bugiganga como estrelas ou gotas de água...
Que prazer se tirará em olhar para uma lágrima de cristal ou um cavalo estático num esgar de esforço com as crinas ao vento, ou um tigre a rugir cristalizado no tempo? 
A loja tem a política, não sei se ainda mantem, de enganar os compradores com a balela que o produto não perde valor no mercado entre coleccionadores e até a própria loja o pode comprar de volta. 
Imagino que o possam fazer em casos raros de peças antigas e de produção limitada mas nunca praticarão preços de leilão em plena loja. 
Ou seja, a pessoa tem que ficar com uma quantidade de tarecos que ou estão devidamente acondicionados nas caixas originais ou se estiverem expostos, têm que ter seguro contra sismos, crianças, animais e pessoas com mãos de aranha, serem limpos de tempos a tempos e manipulados com muito cuidado. 
Para uma coisa que não serve para nada e ainda pica nos olhos com o brilho, não merece tanto cuidado e preocupação nem muito menos o dinheiro que custa!
A Swarovski é uma marca de classe média alta, que frustrada por não conseguir chegar aos diamantes e rubis se fica por algo com brilho intenso mas que igualmente não serve para nada senão para a cagança, tal como os pretos gostam de andar carregados de correntes e dentes de ouro, montados em carros brancos de jantes douradas.
Os verdadeiros ricos devem achar tudo isto uma mexeroquice, no máximo digna de jogador da bola! 
Como já perceberam eu não ligo nada a estes pechisbeques de vidro ou outros que sejam, os únicos cristais que me detenho a apreciar, são estes da minha varanda, mais naturais mas tão efémeros como o preenchimento do vazio com vazio! 
 
 
16
Dez19

Mula do cigano

Rita Pirolita

Está na moda gritar pela defesa das minorias que tanto foram massacradas no passado ou denunciar a subsidio-dependência dos que não querem sofrer dessas maleitas chamadas trabalho escravizante ou esforço descomunal para sobreviver, pagar impostos e ter uma vida de merda à mesma.

Ciganos...agora todos os defendem e deram conta da sua existência, fazem exposições alusivas aos seus costumes e cultura itinerante, até a Catarina Furtado já entrevista putos ciganos que querem ser veterinários e advogados sem irem à escola, assim também eu gostava.

Fazem campanhas de domesticação, a desincentivar os casamentos entre menores tal como o abandono escolar.

A verdadeira cultura cigana assenta numa recusa de grilhões, na liberdade de apenas obedecer às suas regras sociais e hierárquicas e tradições familiares, com as crianças e os anciães no topo da lista, brindados com conforto e a serem protegidos da fome e da doença, típico de sociedades ancestrais e pobres com sobrevivência dificultada, que sabem que as crianças garantem a continuação da família e comunidade e os velhos são o garante de passagem das tradições e ensinamentos que permitem a coesão da etnia.

Viviam descaradamente, antes mais que hoje, do roubo, pilhagem e aproveitamento da propriedade privada da qual não têm noção nem respeitam, porque os seus hábitos nomadas ancestrais não se compadecem com a posse de bens materiais, com criação de raizes e acomodação num só local.

Na verdadeira alma cigana o mundo é uma casa gratuíta, a natureza dá alimento sem trabalho de cultivo ou criação de animais, sendo um dos seus pitéus favoritos, o indefeso e fofinho, ouriço cacheiro.

Os cavalos são o seu transporte de eleição, um bem fácil de manter, desde que haja pasto selvagem ou alheio para os alimentar.

Com o negócio ilícito de ouro e drogas, disfarçado com a venda de roupa e calçado em feiras, não pagam impostos, não cumprem nenhumas regras comerciais, vendem marcas contrafeitas tal como os chineses seus concorrentes, não apresentam rendimento, candidatam-se a todos os subsídios possíveis, vivem em casas em vez de tendas e substituíram os cavalos por Mercedes roubados.

Assim se transformam em seres aparentemente domesticados ao aproveitar os direitos da sociedade e continuando ariscos ao cumprimento de deveres.

Os conflitos são resolvidos de forma primitiva, os choros e gritos das mulheres são acompanhados por homens de peito levantado, que tiram armas das malas dos carros para defender coisas tão importantes nesta etnia, como a honradez do nome de família ou da donzela prometida em casamento que dura 3 dias pelo menos, com tudo de bom e luxuoso que a tradição manda.  

Identifico-me muito com o espirito livre destes piratas de terra, mas não gostaria de ser mulher no seu grupo, ter pretendente marcado à nascença, casar cedo, rapar o cabelo e vestir preto até ao fim da vida em caso de viuvez, no verão, o calor que faz a roupa escura!

Por outro lado gostava de viver relativamente bem, sem trabalhar a vida toda, não ir à escola, já que nada se aprende, nem há empregos para gente instruída, não pagar casa, o Mercedes dispensava, porque não é marca que me atraia.

Todos terem medo, a ponto de dizer que não têm queixas dos vizinhos ciganos, que não são racistas, até se dão bem com eles e apreciam as suas festas e convivência estrondosas, à parte os tiros! Quando a coisa dá para o torto, aí é de fugir e eles que se entendam, matem e esfolem, que nem a policia os quer aturar.  

Uma das minhas amigas de infância era cigana mas não se notava nada porque já era domesticada, andava na escola e vivia num andar, qual gaiola dourada da civilização, tinha mais bonecas que eu, porque os familiares espanhóis lhe mandavam tudo de outras bandas e ventos mais evoluídos, eu orientava-me com duas bonecas e brincava uma vez por semana só com uma delas.

Todos sabemos que Espanha sempre foi forte em maus casamentos, caramelitos, torrão de Alicante, Toblerone, ciganada e bonecada.

Libertina e maluca sou eu e não recebo nenhum subsídio e pago impostos que me lixo.

Sou a verdadeira mula do cigano!

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