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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

08
Ago20

SWEG

Rita Pirolita
 
O que é isso de ter sweg??? Saber dançar samba e kizomba, devorar comida picante como quem bebe um copo de limonada e fazer tudo isto sem ter saído da Amadora? 
As brasileiras acham-se o último reduto de sensualidade, as orientais ainda não perceberam que já ninguém as acha misteriosas, passaram de moda e agora até fazem operações para arredondar os olhos! As africanas pavoneiam-se até aos 18 anos, na primeira gravidez engordam que nem umas texugas e ninguém mais olha para elas com desejo.
Depois existem aquelas como eu que tal como muitas outras, somos resultado de uma mistura infinita de raças mas parecemos tudo em geral e nada em especifico, abanamos o rabo mas não temos jogo de cintura para a kizomba, damos um jeitinho no samba, gostamos de música e comida de todo o mundo e temos pouco na montra para que os mais curiosos descubram o mistério mais badalado do armazém...os pacotes levam o que cabe lá dentro!
14
Jul20

Natural desnaturado

Rita Pirolita

Quantas vezes nos indagamos como se distinguem ou reconhecem os orientais ou negros uns aos outros? 
Uns com olhos em bico sem expressão de tristeza ou alegria, outros de nariz largo e lábio grosso, para nós são todos iguais mas eles distinguem-se e dizem que o branco é que é todo igual.
Não sei quem tem razão no ponto ou golpe de vista, não consigo ser de outra raça além da minha mas consigo perceber que em última instância, além de homens e mulheres, pretos ou brancos, somos todos humanos cada vez mais a fazer esforços desumanos para aceitação dos monstros em que nos tornamos. 
Com tanto avanço tecnológico, pensamos nós que somos mais civilizados, gordos ou deficientes, fruto dos venenos que criamos para consumir.
Nenhum de nós nasce a fumar ou se um animal nasce mais fraco, é entregue à decisão da natureza. 
Evolução e progresso não correspondem a mais civilidade ou respeito pelo equilibrio natural, correspondem sim e muito mal a contrariar o fluir, a domar o natural, a desfigurar, a tornar aberrante. 
Nenhum animal no seu perfeito não-juizo terá tatuagens, carros caros, mansões e trabalho para se cansar. 
Passamos do suficiente à sobrevivência para o excesso e desperdício. 
Não quero eu dizer que se matem os que não conseguem lidar com a competição desenfreada, já os mais inocentes são indefesos que baste mas a questão é, já algum dia vos passou pela cabeça que um elefante é barrigudo ou uma orca apresente refegos de gordura, uma baleia possa ter celulite ou mesmo que os pinguins podiam gostar de fumar mesmo não tendo pulmões para tal???

29
Mar20

Quem vê caras, às vezes vê focinhos também

Rita Pirolita
Não sei se vos acontece mas acreditando que sou tanto ou mais parvalhona que qualquer outro mortal, tenho tendência a comparar objectos e animais que me fazem lembrar determinadas pessoas!
Há pouco tempo andei à procura de umas botas que fossem confortáveis, aliás, todo o meu calçado tem que o ser, até parece que nasci em África e andei quase sempre descalça e agora qualquer sapato me magoa, também não tenho joanetes ou qualquer tipo de micose, apenas tenho uns pés saudáveis mas pouco femininos, feios de tão ossudos que são, tenho pés de figurante de morgue, apenas a cor não é tão azulada mas é pálida, como eu toda me transformei, num ser de pele pálida desde que estou na terra dos coiotes, dos ursos, dos veados e mais outros bichos fofos à distância!
Ora estava eu a dizer que andei recentemente à procura de umas botas que dessem para o dia-a-dia, para caminhada e que fossem bonitinhas também, uma bota versátil e todo o terreno. 
Já as comprei mas para as descobrir comecei a perceber que o lado dos homens 'had much more fun'. 
Lá comprei o número que me servia, para uma patuda como eu, no lado dos homens senti-me uma princesa, por calçar dois números abaixo, já que as formas são maiores!
Mas enquanto andei no início das buscas pelo lado das ladys só me deparei com coisas que apertavam os cascos, com ar de fufa ou com ar de bruxa que só lhe faltava a vassoura e assim surgiu a comparação ali por volta do 2º ou 3º par. 
O moço começou a saga e disse logo, isso são botas à não sei quantas, que é feia como um bode, tem uns olhos pequeninos de morcego e um queixo quase a bater no nariz, entremeados por uma boca de lábios muito finos e sumiticos, a aparência está tão próxima que só lhe faltam mesmo as botas de ar rústico, de atacadores até meia canela, todas esgoiladas e uma vassoura de cerdas desalinhadas, prontinha a voar!  
Há outra comparação que costumamos fazer, de mais longa data, tal como a amiga em comparação com a bruxinha!
Por estes lados, é normal os carros serem todos enormes mas há uns que exageram, então de vez em quando lá se vê passar uma pick-up de rodado duplo atrás, o que a faz parecer uma amiga nossa que tem um grande pandeiro. 
O namorado da altura em vez de dizer que era gorda, era mansinho e dizia antes que ela tinha os ossos largos, quando passou a ex, começou a dizer aquilo que pensava e passou a chamá-la de gorda mesmo!
Por isso quando vemos passar uma destas, lá dizemos, olha vai ali a fulana tal de traseiras generosas! 
Todas as outras comparações são muito corriqueiras, menos pessoais e todos vocês já as devem ter feito, atribuir animais a determinadas carantonhas que saltam logo à vista. 
Já todos nós vimos milhentas encarnações de porco, de cachaço a fazer duas e três dobras de gordura, de nariz de papagaio, de olhos enviesados como os peixes...
O moço a mim, diz que tenho "cara de focinho" de esquilo, por ter um nariz arrebitado e bochecha que se veja para guardar umas quantas avelãs!
Os orientais nos seus diagnósticos pela face, além de lerem tendências e doenças instaladas, também conseguem determinar o excessivo consumo de determinado alimento em gerações anteriores, dizem por isso, que eles próprios por comerem tanto peixe têm feições 'peixivoras', eu espero que noutras vidas não tenha comido muitos esquilos, além de serem uns fofinhos eu sinto que já devo ser vegan faz umas quantas reencarnações! 
Tarde reconheço que os animais me inspiram e as pessoas me esvaziam?!...
Outros casos, são retratos fieis de quem vê caras não vê boa disposição, os chamados cara de poucos amigos ou mesmo cara de cu, que até podem ser muito boas pessoas mas a mim não me convencem nem a chegar-lhes perto. 
Dou apenas alguns exemplos e depois vou-me embora, para não ser trucidada pelos respectivos fãs. 
Dizem que o Mourinho é uma pessoa muito bem disposta...
Com aquela cara de cu?! Duvido!
As mulheres acham sexy aquele ar, que meio mundo lhe deve dinheiro! 
Para mim nem barrado com maionese vegan!
Dizem também que o Tony Carreira é uma pessoa muito divertida!
Enche pavilhões é certo com as quarentonas ressabiadas e encalhadas mas quando dá uma simples entrevista é tão apagadinho, sem brilho ou ânimo, parece que já morreu e esqueceram-se de o meter no caixão! Não se esqueçam é de pôr o capachinho quando o homem morrer!
A Simone de Oliveira, uma referência enorme no panorama da música ligeira portuguesa mas a senhora a quem todos elogiavam a belezura, aos meus olhos sempre pareceu um camafeu e pode ser muito boa pessoa, amiga do seu amigo mas sempre que fala é tão amarga e revoltada, não é uma pessoa que serenou com a idade, está sempre a chover no molhado com a conversa da Revolução e da censura!
O António Sala em novo tinha ar de actor porno e agora tem ar de pedófilo e continuo a dizer o que digo dos outros, se calhar e espero bem que sim, é uma jóia de pessoa!
A Amália Rodrigues em tudo tão diferente da irmã Celeste, que sempre teve um ar sóbrio, sereno e de gente certinha da cabeça. Acredito que a Amália já tenha nascido com aquele ar esgrouviado e olhar vazio e nunca pôde fazer nada mas podia ter deixado de cantar, quando já só murmurava fado arrastado como um bebedolas!
Já o Toy, mostra o que é!
27
Fev20

My China is better and bigger than yours

Rita Pirolita
 
Será o que muitas matriarcas estrangeiras que ainda são do tempo de apreciar estas coisas pensam da louça trazida por colonialistas, nas raras vezes que vão jantar a casa de alguém. 
Quem recebe faz questão de exibir gosto requintado em especiais ocasiões, deixando que se cubram de gordura e molhos viscosos pratos pintados à mão, decorados com grãos de arroz ou finas flores de amendoeira, passarinhos ou rosas, azuis azulejo assentes em branco rosto de gueixa! 
Tudo de uma delicadeza bucólica estonteante, como as cálidas mulheres orientais de bolas rosáceas nas bochechas, com mãos longilíneas e pescoço de garça. 
Chávenas e copos cintilantes com rebordo dourado, tresandam a mofo de madeira da cristaleira, o chá pode não ser oriental, a comida também não e o vinho muito menos.
Depois desta generalização de pendor tão internacional, vamos agora ao caso muito específico de Portugal.
As mães exibem orgulhosamente e com cuidado como peça de museu, o melhor conjunto Vista Alegre e os copos Cristal d`Arques, em aniversários e jantares, no Natal e de quando em vez em lanchinhos com a familia emigrada, só para não pensarem que somos uns pobretanas atrasados e não sabemos o que é coisa fina. 
Não sei se todas as mães que têm 'china' o fazem mas as portuguesas lixam-se à grande, porque cada vez que usam esta parafernália que não passa de pedaços de caco bem pintadinho, quando as visitas desaparecem vão de requitó para a cozinha até para lá da meia-noite, lavar louça à mão, porque o conjunto foi deixado pela bisavó e nessa altura não haviam máquinas de lavar louça, por isso os lindos pratos não aguentam um detergente abrasivo ou mesmo uma esfregadela mais intensa, quase tudo tem que ser lavado por mãos de fada.
Os copos de cristal ficam manchados na máquina, têm por isso que ser postos a escorrer ao ar, sem toque de pano, se não ficam cheios de pêlo, já para não falar que tudo que tenha dourados não pode ir ao micro-ondas, esqueçam portanto a ideia de aquecer restos do dia anterior.
Mesmo assim, ainda se acredita que arejando um enxoval deste gabarito se está a dar uso digno nas alturas certas mas também que não sejam assim tantas para não se partirem muitas peças e depois andarem as visitas a comer num folclore de temas florais desirmanados, já que os nossos avós até para o gato punham pratos do cavalinho da extinta Fábrica de Sacavém.
Acho que os mais raros são os castanhos...os pratos, não os gatos!   

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