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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

04
Ago20

Nenhum medo teremos

Rita Pirolita
A morte arrepia?... 
Cada vez menos quanto mais se aproxima.
Acabados de sair da boca do corpo para o mundo, ocupados com as dores de crescimento não pensamos no que estamos a pensar.
Em breve seremos adolescentes apaixonados em desespero de morte ou suicídio, tanto mais sofregos de alienação e sonhos quanto mais proibidos.
Desespero de momentos feitos eternos mas tão voláteis, de densidade incomportável por muito mais tempo. 
Sacudimos a vergonha e loucura de paixões passadas e tempo temos para aprender a crescer mais sem errar tanto.  
Olha-se para trás com nostalgia do fulgor, chegamos mais perto do gozo da quietude.
Pensamos na morte com mais clareza e um dia de tão perto estar nenhum medo teremos. 
14
Jul20

Assunto carnudo

Rita Pirolita
Se há dias que não me apetece ter opinião sobre assunto algum é hoje e cada vez mais me acontece, outros, mais raramente vão surgindo de contestação e revolta, de querer abrir olhos alheios e mostrar o meu lado da questão, influenciado pelo meu passado de traumas e sucessos! 

Mas porque queremos todos opinar em alguma altura da vida, sobre seja o que for? 

Confesso que este sentimento de dever parecer a uma plateia anónima com a idade se vai desvanecendo, cada vez menos me importa o que os outros pensam de mim, o que pensam comumente e em comunidade-rebanho, não quero atrair atenções nem puxar a razão a mim! 

Poderia dizer que me estou a cagar para tudo mas na realidade não posso porque sou sociedade também, seria tamanho empertigamento pôr-me à parte daqueles que preciso para viver como uma observadora externa e independente, não permeável a vícios, tristeza, amor e paixões. 

Posso dizer que vivo bem sem muitos, convivo mal com a maioria mas não posso de todo deixar de viver sem alguns. É neste desequilíbrio que a minha solidão vai solidificando sem empedernir, espero eu!

Deixei faz tempo de tentar contactar fosse quem fosse em altura de celebrações e sinceramente espero que ninguém se lembre que não o fiz, porque no momento em que o fizerem perdem a oportunidade de estar calados por não poderem cobrar aquilo que nunca partilharam!

Quem não se lembra de mim em momentos de abundância, agradeço que não me fale em tempos de fome! 

Que obrigação ou prazer tenho eu em contactar gente que resolveu esquecer-me como castigo, por eu ter abandonado o país e aqueles que diziam gostar da minha companhia, não gostavam de mim e agora que não me vêem têm inveja de uma felicidade e riqueza material que adivinham nas suas tontas cabeças. Ser feliz sem ser rica, ainda mais me cobiçam.

Estas limpezas e reciclagem são como mudar de número de telemóvel, tiram contactos contaminados e relações impostas e doentias, só merecem ser apagados, esquecidos e se possivel nunca mais revisitados.

Quando não encontro assunto carnudo para escrever, mesmo assim de algo tento fazer tema e foi isso que se deu aqui, caso não tenham reparado.

Falar do trivial e constatar o óbvio, faz parte de momentos apesar de simples, de tédio também. 

Estou em modo monotonia mas com pouca nostalgia, estou deitada a sentir o tempo passar sem a preocupação de o preencher com opinião, estou apenas e só, aqui e agora, sozinha e bem!

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