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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

26
Fev20

Sair de pijama à rua...

Rita Pirolita
No país dos veados e eu não tenho cornos que saiba, dos ursos e eu não sou nada peluda, que tenho a certeza, dos esquilos e eu não tenho pelos no rabo, porque tenho a certeza que não sou peluda, os chamados cuelhos por oposição aos pintelhos do pinto ou pito, dos coiotes e eu não uivo, das cabras e eu sou do monte e não da montanha... 
Trago ainda no corpo, clima de gente e não de ursos, o vício entranhado de pensar no que vestir antes de sair à rua.
Nem me passa pela cabeça sair de pijama e casaco da neve como tanta gente aqui faz, figuras tristes. 
Dou-me ao trabalho de abrir o armário da roupa e olhar para as coisas que possam fazer pamdam, não tenho muita roupa mas a que tenho está bem escolhida para rimar como deve de ser e não embarcar na moda da falta de gosto, que também abunda por estas terras de esquimó.
Fazem questão de vestir a pior coisa que têm lá por casa, tão má que mais parece o pano do chão e despentear o cabelo de propósito atrás, na nuca, para ter aquele ar 'negligé', de quem acabou de acordar e sai para a rua com a beleza que Deus lhe deu, que não é nenhuma e ainda piora quando se querem vestir pior que um sem-abrigo, andam de calças rotas, que aquilo é mais buraco que pano e com camisolas cheias de buracos das traças mas tudo a exibir a marca cara como a porra.
É para dizer que têm pouco mas bom? Que estão solidários com as pessoas que vivem na rua? Que usam a roupa à exaustão até ficarem naquele estado miserável e por isso mostram que são muito poupados e andam a contribuir para um mundo melhor com uma vida mais sustentável?
Não sei mas andam todos convencidos que andam a fazer uma boa figura e uma pessoa nem se aproxima para lhes dar uma moeda ou oferecer um café e donuts do Starbucks, porque têm cara de malucos em vez de desgraçados e esfomeados!
Pois eu ainda dedico uns segundos de preocupação com a indumentária e ao início ainda me chegava a vestir toda bonitinha, para depois cobrir tudo com um casaco da neve que mais parecia um edredão, linhas direitas e tufos tipo Michelin.  
Comecei a entranhar a ideia que não merecia a pena desperdiçar tempo com cores ou padrões, o melhor era resumir a cor ao preto, que dá com tudo e que fosse confortável e quente para depois lhe espetar em cima com um casaco tipo chouriço nada feminino, que não realça curvas nem banha, só serve para o que foi criado, proteger bem do frio e nessa tarefa dou os meus parabéns a quem concebeu estes cobertores ambulantes, cumprem o propósito.  
Não cheguei ao ponto de colocar sequer a hipótese do pijama, seja de que padrão fôr e tenho quase a certeza que nunca lá chegarei, mas também já estive mais longe de compreender o seu desfile em público! 
06
Jun19

Carlota Bolota e o bullying

Rita Pirolita
 
Não sei porquê mas do nada veio-me à ideia o nome de Carlota Bolota, fui ver e de facto esta menina existe, é gorda, bem disposta e sofre de bullying e isso já a incomodou mais que agora que é mais crescida.
 
Ora vamos por partes: 
 
Primeiro dizem que as estatísticas apontam para um aumento do número de crianças obesas, depois que devemos comer de tudo mas se queremos emagrecer...TUDO engorda, que devemos ser activos, mesmo quando temos 90 anos e só queremos sopas e descanso, que devemos ter uma ocupação, já que não há empregos quanto mais não seja a fazer voluntariado em coisas para as quais pagámos uma vida inteira mas que o estado arruinou por tanto roubar e por fim, que os gordinhos são na sua maioria bem dispostos ou porque se entregam aos prazeres da mesa e fazem o gosto ao dedo ou para esconder a frustração que sentem ao se olharem ao espelho todos os dias mas que acima de tudo se devem aceitar como são e há gostos para tudo e corpos para todos os gostos, baixos, magros, altos, gordos, obesos e até obesos mórbidos alimentados pelos seus pares cuidadores e aumentadores das várias camadas adiposas, refegos e banhas a transbordar de camas, de onde já não saem há anos num coma calórico. 
 
Dito isto, estão na moda corpos de mulheres masculinamente musculadas mas também corpos roliços de pin-ups de pele branca repletos de tatuagens de cupcakes e lollipops, bem como miúdas magricelas com aspecto andrógino ou de lábios picados por abelhas e cabelo despenteado à Maluquinha de Arroios. 
 
No meu tempo os gordos eram gordos ou buchas e ou levavam na corneta se fossem mariquinhas ou eram os latagões de quem todos tinham medo, os magros eram lingrinhas, os pitosgas eram caixa-de-óculos mas para andar à porrada tiravam os óculos para ver melhor o inimigo e não partir os fundos de garrafa que eram caríssimos, as morenas eram as Marias Peludas e as loiras, o sonho de qualquer mãe ou rapaz do recreio, os sardentos tinham cagadas de mosca na cara, já para não falar dos pernetas, manetas e outros aleijadinhos que eram isso mesmo, aleijadinhos, que de cadeira de rodas, de muletas ou botas ortopédicas se faziam notar como podiam. 
O nosso bullying era quase sempre à vez, ou seja, um dia estavas a levar na tromba, outro estavas a dar na trombeta de alguém, não havia espaço para insultos, não perdiamos tempo com palavras ruins e desejos de morte, apenas joelhos esfolados, canelas deitadas abaixo, cabeças, braços e pernas partidas e assim reagiamos ao que nos faziam, não andávamos cá a descarregar frustrações com a nossa imagem ou sexualidade.
 
Isto tudo para dizer que vivemos numa era onde as modas não são tão rígidas, cada um anda como quer mas depois somos criticados a toda a hora porque ofendemos com a mais pequena palavra ou postura, não somos politicamente correctos e agora até pensar fora da caixa já é mainstream.
Ou seja, vivemos tempos em que ninguém sabe quem é,  o que quer ou o que lhe dá prazer, queremos ser tudo e não desaparecer no meio de tanta gente tão igual a nós, queremos ser iguais e únicos, iguais e diferentes...

Porra, garanto-vos que não entendo, nem consigo seguir este ritmo alucinante e alucinado e digo isto passando um atestado de sanidade mental a mim própria, porque me sinto mais equilibrada e em paz por não pactuar com estes tempos doentios.
17
Mai19

Sorriso de sapo

Rita Pirolita

 

 
 
Quem já usou aparelho nos dentes? 
Eu e foi daqueles foleiros de arame, cada vez que ia ajustar dava saltos na cadeira do dentista
No dia em que aquela tortura abandonou a minha boca mais ninguém gozou comigo na escola, pelo menos por aquele motivo.

Agora toda a gente anda de aparelho, ainda mais feio que os antigos, fazem questão de abrir sorrisos rasgados que mais parecem sapos malucos, nem se dão ao trabalho de pôr a mão à frente para tapar o monte de ferro.

Eu não sei ver a diferença mas parece que muitos dos aparelhos que andam nas bocas do mundo são falsos e baratos, kit versão Ikea da loja do chinês, porque é moda e dá status!

Em Portugal nunca vi tanta gente crescida demais, com tantos dentes tortos que justificasse o uso de tanto aparelho. 
Posso sugerir que os usem antes como porta-chaves, quando tirarem da carteira, tudo o que esteja lá dentro vem agarrado, serve também para tirar o borboto da vossa camisola favorita, até vou mais longe, na falta de um canivete suíço...

Uma colega de trabalho costumava dizer que tinha um Ferrari na boca de tantos tratamentos, coroas e pontes e nem usava aparelho.

Tenho saudades de sorrisos carismáticos, dentes partidos, separados, sobrepostos…

Se alguém se lembra de lançar a moda das botas ortopédicas, o mundo em vez de acabar à dentada acaba à biqueirada!

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