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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

02
Abr20

Tribunal universal

Rita Pirolita
Partimos sempre da premissa que perante um crime, ainda para mais se for hediondo, ficamos mais descansados quando se apanha e condena o culpado, nessa sede de justiça popular, muitos são apanhados sem culpa e morrem numa cadeira de julgamento, para alívio da maioria foi feita justiça embora algumas vezes seja condenado o inocente e o criminoso continue à solta, não oferecendo descanso nem segurança nenhuma, quando por fim se descobre que a pessoa errada foi condenada. 
Afinal nunca estamos seguros e somos os nossos maiores predadores e agressores.
Nada disto foge, muito embora a uma escala maior, da condenação que muitos países fazem de grupos terroristas. Pensam os Presidentes, 'vamos lá castigar e apanhar aqueles malandros, só para que os eleitores sintam que estamos a cumprir alguma coisa do que prometemos e obrigar a trocar a invasão de privacidade por maior segurança.' 
Assim se arranjam os bodes expiatórios para todos os males do mundo.
Se as intenções fossem verdadeiras e honestas as guerras nunca existiriam mas supondo que já cá estando a desgraça como está, até queríamos acabar com a miséria no mundo?...
Teríamos que condenar os ditos maus e estes iam mostrar ao mundo quem os atirou para o abismo da confusão...
Os que vendem as armas e provocam ou adensam os conflitos são os mesmos que pela frente fingem querer resolver e condenar uma só parte do problema!
Já perceberam agora porque é mais fácil e rápido condenar sem olhar a provas ou culpar um grupo que não se pode apanhar por ser tão grande, impessoal e por isso sem um rosto para dar? 
Para mais, a sua condenação seria a condenação de todos nós, que contribuímos directo no cenário ou indirectamente por eleições, para alimentar esta hipocrisia! 
A mim parece-me que só será eficaz uma condenação, julgamento e castigo universais a que muitos chamam apocalipticamente de bíblica ou Juízo Final, consequência de uma catástrofe natural, que bem merecemos nos cornos!
O pior é que ninguém sobrará para contar, melhorar e seguir em frente, só o Universo continuará.
01
Dez19

Nem pró menino nem prá menina!

Rita Pirolita





Ditadura da liberdade, é disso que sofremos e somos escravos, de uma liberdade coersiva, tão descartável que nem dá tempo para sermos consistentes, soltos e assumidos.

Fazemos tentativas inglórias de educar crianças num vazio sem referências, pensando que lhes estamos a dar liberdade para que cresçam sem grilhões, para que possam decidir o que querem ou fiquem confusas e mudem de ideias constantemente e queiram experimentar tudo sem se decidir por nada, como se fossem animais em cativeiro, objecto de experiências que logo se vê no que dá mas na realidade apenas nos estamos a demitir do trabalho que dá educar, porque em muitos casos também não sabemos como o fazer.

Não educar e deixar ao abandono é o poço da desorientação.  

Saltamos esquizofrenicamente da segregação sexual para uma mal enjorcada igualdade de género, acabamos por condicionar na mesma o carácter, com a nossa ansiosa mostra de adultos lutadores, que desfilam por causas nobres, em vez de expormos as crianças a cenários variados, para que a escolha seja mais consistente. 

Nenhuma criança vai pedir um brinquedo que não existe, se não que o invente ela própria e estimula assim mais a sua capacidade cognitiva.

A ausência de discriminação deverá sempre ter origem na igualdade de acesso às oportunidades e aí reside o problema, que nem nas auto-proclamadas democracias se cumpre, onde ninguém ocupa lugares por concursos justos de acesso e selecção ou mérito, onde até um lugar de pouco destaque e interesse é ocupado por cunha.

Salvo as raras excepções dos que se revelam génios, sem estarem expostos ao elemento para que mostram forte apetência e inclinação, dependem mesmo assim do factor económico ou sensibilidade de quem os acompanha, para poderem explorar e singrar na área para que estão dotados.

Sem comparação, é muito mais grave meter uma arma nas mãos de uma criança, que dar uma Barbie a um menino que a peça ou uma bola a uma menina.

As pessoas vão-se definindo e enriquecendo com a variedade de escolha e exposição aos vários ambientes que estimulam a capacidade de ultrapassar e resolver dilemas, problemas e questões, mais que pela imposição de uma longa, confusa e espartilhada lista de regras e condicionamentos de comportamento.

Não queremos adultos a sair do armário constantemente, porque nunca ninguém os aceitou como eram mas também não queremos aproximar géneros e desvanecer diferenças saudáveis e complementares com medo de ferir susceptibilidades.

É muito difícil, se não impossível, proporcionar igualdade de oportunidade de acesso, é mais fácil por preguiça política, colocar todos a pensar e concordar com o mesmo, numa consciencialização forçada e tolerância paralisante que culminam num desnorte de conceitos!

A diferenciação de género e do indivíduo deve-se basear na livre escolha e acesso a oportunidades e não na incongruência de quem não sabe o que quer ou não sabe ter ideias próprias, porque foi criado com mimo e dinheiro!

Post Scriptum em jeito de grito...

Porque há coisas mais importantes para resolver no mundo, que atiram este tema para um canto!

Pensem apenas em crianças que nunca brincaram e cresceram no meio da morte, miséria, guerra e fome...o resultado é assustador, não é???

A não ser que sejam gerações depuradoras, que tragam a mudança por oposição ao erro em que nasceram!





03
Jul19

Embaixadora da Má Vontade

Rita Pirolita


Olá Caty Furté, escrevo esta carta para te dizer que como Embaixadora da Boa Vontade ainda não vi resultados, não sei nem o que isso é, como o Património Imaterial da Humanidade, não se vê! 
Que faria se fosses Embaixadora da Má Vontade!?...

Gosto muito de ver a tua figura elegante de camisa branca imaculada e calças à caçadora de elefantes no meio das lindas paisagens africanas e dos pretinhos com a tua melosa voz que mais parece um doce mamar, pões emoção ao falar das condições precárias em que vivem, apelas aos nossos cordões...desculpa, corações. 

Não pensem que eu não gosto de ajudar, gosto e sinto-me responsável por tudo um pouco que acontece no mundo, todos podemos contribuir para o bem ou para o mal! 
Aqui a questão é:
Quanto ganha a menina Caty e sua equipa de filmagem por sessão a mostrar moscas na boca de desgraçados? Pelo menos 5 dígitos, só ela! Onde toma banhinho, dorme e come? Numa cubata? Não me parece! 

Fazendo as contas pagar a estes marmanjos todos não é como ir comprar um pacote de leite à mercearia da esquina. 
Vou dar uma sugestão, acredito que já apanharam na moleirinha muito sol africano que é bué forte e o vosso discernimento ficou seriamente comprometido mas vamos lá...
O dinheiro todo que gastam em viagens, refeições, alojamento e ordenados podiam doar para ajudar por exemplo na construção de uma escola, até acredito que pelo cambio africano dava quase para construir uma aldeia inteira mas a minha sugestão nem passa por irem todos para lá, cheirar o cu uns aos outros, por isso esqueçam!

No fundo Caty, a minha ideia é, vais tu ou mandas alguém, porque quem quer que vá tem que pagar do seu bolso ou arranjar patrocínio para a viagem e aqui é que a ideia tem o seu cerne. 
Catyzinha, do pouco ou muito dinheiro que já ganhaste na tua vida de apresentadora de tudo, pelo menos gasta uns cêntimos mais IVA e telefona para a Go-Pro. 
Diz aos gajos que queres ir a África filmar com as suas câmaras à prova de tudo, até de pobreza, a MISÉRIA em que vivem. 
Vão ficar logo interessados e até te oferecem para o trabalhinho para aí umas três câmaras, com sorte ainda pagam a viagem e dão um vale por dia para uma sopa e sandocha. Colocas as câmaras todas na cabeça, assim nunca corres o risco de ser confundida com um animal selvagem que pode ter dois ou um corno, não, não é um unicórnio que em África está extinto há muito, tu vais andar a passear com três cornichos!!! 

Apanhas o aviãozinho e quando lá chegares vais logo ter com o presidente que normalmente é um ditador mas não fiques chocada, finge que não sabes de nada e com essa carinha laroca arranjas logo lugar na sua preenchida agenda. 
Tens que vestir a capa de agente secreta em missão Gorongosa...ai desculpa, perigosa. 
Vais filmar o dia-a-dia do senhor, a noite não nos interessa, tu é que sabes o que andas a fazer com o teu corpo e como mulher independente que és não temos nada a ver com isso. 

Passada para aí uma semana vais para o campo e mostras às 'pessoas de cor' a riqueza em que vive o seu presidente, o pessoal espalha a palavra, faz uma revolução, toma de assalto as contas bancárias do ricalhaço, distribui por todos e toda a minha gente passa a viver melhor!!! 
Um final feliz não é?! Até dá vontade de chorar!

Resolveste a situação, não precisaste de pedir dinheiro a ninguém e passas 'pela heroína', não vais é ganhar nada mas isso para ti é 'peanuts', né?! 
30
Abr19

Olhar de esguelha

Rita Pirolita
 
Não gosto daquele olhar de soslaio lançado pela senhora da caixa do supermercado, quando me pede 1 euro para a associação das mulheres sardentas, das crianças ranhosas, dos cães com sete patas, dos cegos e pernetas, dos cabeçudos e orelhudos...e eu respondo com um 'não' simpático, timidamente baixinho, como se tivesse vergonha de assumir o destino a dar ao meu próprio dinheiro, vergonha de ser assaltada e sentir-me coagida a explicar porque é que não contribuo com determinada quantia seja qual for a causa, que não duvido seja boa mas tenho a certeza que o dinheiro não vai para quem mais precisa e sim para um off-shore de um rico qualquer, que precisa tanto de dinheiro como eu de sarna para me coçar. 
Aquela sobrancelha levantada de desaprovação e julgamento, com uma piscadela de águia para quem está atrás de mim na fila, não me intimida, só mostra sim que a senhorita não sabe de certeza destes pormenores de desvio de donativos e eu é que passo por cabra insensível?! 
Esta gente do olhar de esguelha recebe um ordenado de miséria, quando dou conta já ouço o bip-bip das compras a passarem no leitor de barras e não preciso de gastar saliva a dar explicações, pago e encho os bolsos a mais um milionário.

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