Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

05
Set20

Lesma do mar vai a Fátima

Rita Pirolita
O ano da visita do Papa a Portugal, para a celebração dos 100 anos das visões da santa em cima da oliveira coincidiu com a moda dos vestidos, calças, blusas, calções, tudo com folhos mas estes eram diferentes dos típicos, apareciam normalmente na vertical das peças, nas costas de um vestido qual dragão, ao longo da perna da calça, nos ombros... 
Estes folhos despontam de toda e qualquer peça de roupa, acredito que também nas cuecas, já que os biquinis  apresentam esta deformação orgânica. 
Não me desagrada de todo, confere um ar fofinho a quem usa, desde que não abuse. 
Eu chamo-lhe feitios orgânicos porque tal como a arquitectura de Gaudí, nesse ano a moda manifestou-se em formas que aparentavam ter vida própria, folhos que ondulavam com o movimento do corpo e flutuavam ao vento. 
Por esta razão não deixei de fazer um paralelismo inevitável com estes trapinhos ondulantes, digam lá se não parecemos umas lesmas do mar??? Isto sem desprimor nenhum para o bicho giro e viscoso que se desloca em harmonia total com o vai e vem da água dos oceanos e que por sinal apresenta cores lindas bem na moda, que podem ir desde nudes a um amarelo canário deslavadinho ou um verde lixíviado.
E agora deixo aqui a minha sugestão de bom gosto e muito fashion, se forem a Fátima pagar alguma promessa levem uma peça de roupa deste tipo, se em vez de joelhos rastejarem, vejam o efeito lindo que faz, tirem fotos e divulguem, se possível com o crucifixo gigante da Joana Vasconcelos como pano de fundo.
Sugiro títulos para os videos que se vão tornar virais de certeza: "Milagre! Lesmas do mar sobrevivem fora de água" ou "Pague promessas em grande estilo".
Estas foram as sugestões de uma pobre rapariga que nem liga a modas, que não acredita em Fátima e que nunca viu uma lesma do mar ao vivo, pero que las hay, las hay.
09
Ago20

Incêndios...outra vez!

Rita Pirolita
Lá vou escrever mais uma vez sobre o flagelo de 2017.
Quando já todos e até o próprio governo confiavam que a desgraça já tinha sido tanta que só talvez para o ano teríamos que lidar com os incêndios outra vez, alinhando as ideias, nunca fazendo nada como sempre para inaugurar a próxima 'abertura de época' com anúncios de mais meios, formação e prevenção que nunca se concretizam mas ficam bem no discurso falacioso de promessas políticas. 
Quando estávamos mais ou menos descansados, veio mais uma vaga de calor inesperada, a chuva teimando em não cair e armou-se o circo desastroso e angustiante, um cenário de gente carbonizada, casas destruídas, carros queimados abandonados, com ocupantes desaparecidos, deixados todos à sua sorte, bombeiros que tentam salvar povoações, casas e pessoas e deixam arder o desabitado porque não chegam a todo o lado! Pessoas que teimam em não deixar os haveres e não podem ser obrigadas a partir e é aqui que me detenho hoje na escrita deste texto. 
Mais ou menos pela mesma altura a Califórnia foi assolada por incêndios, algo a que estão também infelizmente habituados, a par do problema de falta de água potável. 
Vi apenas duas declarações de proprietários em solo californiano, com um cenário de destruição por trás, à medida que expressavam a sua tristeza e aflição mas que apesar de tudo, tinham sido abençoados por estarem vivos e terem conseguido salvar algumas fotos de família e os animais de estimação, apenas tinham ficado com a roupa do corpo mas prontos para iniciar vida nova e a reconstrução, pena as pessoas que também morreram, penso eu 31,  provavelmente a tentar a fuga mas não conseguiram, não ficaram de certeza para trás com a ideia que sozinhos conseguiriam salvar os seus pertences.
Os nossos desgraçados portugueses choram em estado de choque em frente às câmaras a dizer que perderam os haveres de uma vida inteira, conseguidos com enorme esforço, que perderam familiares a tentarem salvar as casas, que se recusaram a abandonar as casas, à espera de bombeiros ou que um milagre os salvasse, mudando a direção do vento ou trazendo uma chuva de dilúvio salvador. 
Nada disso aconteceu para muitos que morreram a fugir ou debaixo dos escombros. 
A diferença de atitudes está na pobreza monetária que leva a pobreza de decisões e comportamentos de sobrevivência assentes na ideia de abandono ou ajuda pós catástrofe.
Na Califórnia ninguém por um segundo deixou de acreditar que passado pouco tempo iriam iniciar a construção das suas casas com a cobertura dada pelos seguros. 
Em Portugal os seguros em caso de catástrofe natural tentam escapulir-se à responsabilidade de pagar seja o que for e a ajuda angariada de milhões será toda roubada antes de chegar aos mais necessitados, podendo esses apenas contar com o seu esforço e ajuda de amigos próximos que também não podem fazer muito porque foram atingidos pela mesma desgraça.
Os discursos políticos de consolo são um desconsolo de resignação à incompetência descarada em desgovernar tanto um pais tão pequeno.
As pessoas sentem que estão por sua conta, que nenhum governante as vai ajudar a não ser na aparição, beijos e palmadinhas nas costas, até à próxima desgraça. 
'O presidente exige que o Governo tire todas, mas todas as consequências da tragédia.'...e concluo eu, mas que não assuma responsabilidades nenhumas da desgovernação desastrosa!  
17
Jul20

Meu querido Quinto Império

Rita Pirolita
Todos os anos ficamos indignados com os fogos mas vamos esquecendo, como se esqueceram todas as outras tragédias no país em que até hoje as vitimas continuam sem ajuda. 
Os únicos que não vão esquecer tão cedo, são os que perderam familiares, casas e negócios que num mar de eleitores portugueses são muito poucos, visto que os sítios onde vivem sofreram com o devastador abandono da terra.  
Somos solidários impulsivos mas temos pouco sentido cívico e comunitário por isso as tragédias são esquecidas pela maior parte dos portugueses que não foram atingidos directamente por elas e porque somos preguiçosos e pouco participativos, preferimos ter governos paternalistas que prolongam a tradição Salazarista, a quem preferimos pagar para que cuidem mas que apenas roubam e se aproveitam do descuido, em vez de pedirmos contas fazermos exigências e participarmos mais em cada comunidade ou bairro.
A desorganização que consome meios e permite que a tragédia aumente, bombeiros desorientados por comandos pouco eficazes, falta de formação, falta de meios, voluntários a mais, tudo o que se gasta neste circo que vai matando populações e consumindo floresta, dava e sobrava para limpar terrenos, organizar plantações, criar postos de vigia e ter bombeiros profissionais.  
Os portugueses deixam e os políticos portugueses sabem que os portugueses deixam que esta política de despesismo e roubo se perpetue sem culpados e responsabilização porque somos uma cambada de veraneantes bonacheirões com memória curta. 
Este é o preço que todos pagamos por deixar andar e não parece que vá mudar. 
Não acredito em Deus mas este mau exemplo de democracia que nos desgoverna só vai parar de causar tantos estragos com um grande e urgente milagre.  
Meu querido Quinto Império, naquilo que te transformaste...
28
Nov19

Cultura permanentemente utópica

Rita Pirolita
 
 
 
"Nas palavras de Bill Mollison de que mais gosto, a Permacultura é “uma tentativa de se criar um Jardim do Éden”, bolando e organizando a vida de forma a que ela seja abundante para todos, sem prejuízo para o meio ambiente. Parece utópico, mas nós praticantes sabemos que é algo possível e para o qual existem princípios, métodos e estratégias bastante factíveis. Os exemplos estão aí, para quem quiser ver, nos cinco continentes e em mais de uma centena de países."
Não vivemos num Jardim de Éden nem num Inferno de Dante, apenas somos o Planeta Terra que deu origem ao milagre da vida  humana, que sem respeito o destrói! Todos os sistemas se recriam e destroem numa constante espiral. A sustentabilidade dos sistemas foi a primeira a existir, mesmo antes de a começarem a destruir e agora vêm com a palheta de freek chique, dos negócios sustentáveis!...
"Os australianos Bill Mollison e David Holmgren, criadores da Permacultura, cunharam esta palavra nos anos 70 para referenciar “um sistema evolutivo integrado de espécies vegetais e animais perenes úteis ao homem”. Estavam buscando os princípios de uma Agricultura Permanente. Logo depois, o conceito evoluiu para “um sistema de planejamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis” , como resultado de um salto na busca de uma Cultura Permanente, envolvendo aspectos éticos, socioeconômicos e ambientais."
Já sabiam isto desde os anos 70 e só agora é que anda tudo com a passaroca aos saltos com a "novidade"?!...Maganos dos australianos que não nos disseram nada, guardaram tudo para eles, não foi ético.
"No centro da atividade do permacultor está o design, tomado como planejamento consciente para tornar possível, entre outras coisas, a utilização da terra sem desperdício ou poluição, a restauração de paisagens degradadas e o consumo mínimo de energia."
Lá está, a pegada deve ser minima, não como os dinossauros que graças à sua grande pegada sabemos hoje que existiram, que não foi Deus que criou esta merda e não viemos todos do Adão e da Eva. 
Porque quando este querido planeta implodir de tão mal tratado por nós, que andamos com frescura a tentar remediar as feridas que provocamos com pensos bacocosnão vai haver vestígio nenhum da vergonha que fomos.  
"E por fim, aprender a governar nossas próprias necessidades, impor limites ao consumo e repartir o excedente para facilitar o acesso de todos aos recursos necessários à sobrevivência, preservando-os para as gerações futuras."
Pois...o pior é que as necessidades nunca são refreadas sempre que há oportunidade de poder a ambição é desmedida, o consumo é descontrolado e exagerado e ninguém reparte ou partilha a sua riqueza.
"Como parte dos sistemas vivos da Terra e tendo desenvolvido o potencial para desfazer a sustentabilidade do planeta, nós temos como missão criar agora uma sociedade de justiça, igualdade e fraternidade, a começar pelos marginalizados e excluídos, com relações mais benevolentes e sinergéticas com a natureza e de maior colaboração entre os vários povos, culturas e religiões."
Parece que estes foram os fundamentos da Revolução Francesa e pilares da democracia, nunca praticados até hoje.
"Oferecendo-lhes, em vez de sistemas fechados e fragmentários, o paradigma holístico contemporâneo, que tudo articula e re-laciona, para a construção de projetos abertos ao infinito."
Pois, Buda já o apregoava e existiu muito antes de aparecer o Cristo.
"As estratégias de design da Permacultura não existem apenas para o planejamento de propriedades abundantes em energia – este é apenas o primeiro nível de ação do permacultor. É possível desenhar também sistemas de transporte, educação, saúde, industrialização, comércio e finanças, distribuição de terras, comunicação e governança, entre outros, para criar sociedades prósperas, cooperativas, justas e responsáveis. O sonho é possível: a ética cria possibilidades de consensos, coordena ações, coíbe práticas nefastas, oferece os valores imprescindíveis para podermos viver bem."
Comunismo vs capitalismo. Todos temos que ser iguais e trabalhar para o bem comum. Houve um tal de Estaline lá para os lados da Russia e um tal de Mao Tse Tung lá para os lados da China...não parece que aquilo resultou.
"A Agência Mandalla DHSA, com sede na Paraíba, é uma OSCIP que está desenvolvendo tecnologias Sociais com base na ética e nos princípios e métodos de design permacultural, alcançando para a Permacultura a maior repercussão já vista no país (leia seção da página 4). Em menos de três anos, chegou a mais de 80 municípios de nove estados brasileiros, beneficiando diretamente duas mil pessoas com a garantia da segurança alimentar e a geração de excedentes para a comercialização. Entre as famílias beneficiadas, a renda média é de R$400,00 ao mês, sendo que há exemplos de agricultores auferindo renda mensal de R$1.700,00."
Seus capitalistas, a lucrar com os bens que possuem. Parece que não é a primeira vez que a humanidade vai por este caminho. Com milhões a viver no Brasil só 2 mil pessoas beneficiaram desta iniciativa...muito parecido aos Institutos, Fundações, Associações, Cruz Vermelha, Cáritas, Santa Casa da Misericórdia...
"Os Institutos de Permacultura

São oito no total, atuando de forma diversa. Aqueles que fundaram a RBP, Rede Brasileira de Permacultura (IPAB, em Santa Catarina, IPA, no Amazonas, IPEC, em Goiás e IPEP, no Rio Grande do Sul), funcionam como centros de pesquisa, formação e demonstração de tecnologias apropriadas, com apoio financeiro da PAL – Permacultura América Latina, instituição comandada pelo iraniano Ali Sharif, com sede em Santa Fé, Estados Unidos. A única exceção é o IPAB, que não possui centro demonstrativo e, por isso, atua de forma independente, dispensando financiamentos vindos do estrangeiro através da PAL."
 
Só uma é independente?!...Mas caminha a passos largos para também se financiar com dinheiro alheio.
 
"A exemplo do IPAB, o Instituto de Permacultura da Bahia (IPB), o Instituto de Permacultura

Cerrado Pantanal e o IPEMA (Instituto de Permacultura da Mata Atlântica), possuem projetos sociais e muitos parceiros, mas não fazem parte da RBP. A título de ilustração, cito o Projeto Policultura no Semi-Árido, implantado no sertão da Bahia, atendendo hoje 700 famílias de pequenos agricultores. Com o apoio do IPB, as famílias estão desenvolvendo sistemas agroflorestais e garantindo para si segurança alimentar, trabalho e renda. O projeto ajuda os sertanejos a combater a desertificação e conviver harmoniosamente com a caatinga."
Destroem a subsistência dos pobres, tornando-os miseráveis para depois lhes darem esmolas em forma de terra para cultivar ao abrigo de projectos financiados, cujos beneficiários nunca mexeram num punhado de terra!
"O IPOEMA (Instituto de Permacultura: Organização, Ecovilas e Meio Ambiente), no Distrito Federal, que é o mais novo entre os institutos brasileiros, vai atuar fortemente no atendimento a comunidades locais e tradicionais, além de trabalhar com pesquisa e formação de novos permacultores.Por enquanto, há pouca ou nenhuma interação entre os institutos de Permacultura do Brasil."
Pois...querem todos parecer mais diferentes que os outros...
"Mesmo na Permacultura, que está fortemente enraizada na cooperação, a competição tem acontecido, causando estranheza, mas, sobretudo, mostrando quando o processo ainda não amadureceu. Em ecossistemas maduros, assim como em sociedades tradicionais estáveis, as relações tendem a se tornar mais mutualísticas e simbióticas”."
A competição faz parte dos processos que estão mais que maduros, aliás já caíram de podres e as sociedades tradicionais estáveis não existem, porque o Mundo avança mesmo com cada um a puxar a brasa à sua sardinha. 
"Os projetos são chamados de autônomos porque são iniciativas de pessoas, famílias e comunidades que trabalham em cooperação e com recursos próprios para multiplicar os conhecimentos em Permacultura (todos recebem formação como professores do IPAB) e para oferecer exemplos de sistemas produtivos de apoio à vida no lugar onde moram."
 
A Humanidade é um projecto autónomo de avanço para a destruição.
 
"Nós da Rede Permear costumamos dizer que a nossa teia deve alcançar todo permacultor ou grupo de permacultores cujo trabalho tem como princípio de ação a ética da Permacultura. E queremos para esta rede tudo aquilo que um sistema permacultural deve conter: diversidade e abundância de idéias e projetos, cooperação, solidariedade, sinergia, diálogo e amor, muito amor. Por fim, que seja para todos um caminho de transformação."
 
Isto faz lembrar aqueles cabeludos dos anos 60 que fumavam erva e não tomavam banho...os...ai...os Hippies? Mas eram visionários, devia ser do LSD ou dos cogumelos estragados.
 
Eu acho engraçada esta frescura de ser vegan, guru, viver em comunidades, pertencer a seitas e fazer retiros mas foi graças a invenções malucas como a bomba atômica, guerras seguidas de períodos de grande prosperidade, industrialização e aumento do consumo, exploração de petróleo, criação de necessidades desnecessárias, que cada vez nos apercebemos mais da globalização e distribuição das consequências dos actos. 
Foi graças a todas as coisas boas, más e assim-assim que muitas pessoas não morreram de fome, graças à produção massiva de alimentos que os que mais necessitam não conseguem comprar, e os que menos precisam deitam fora, excedente desaproveitado e não partilhado. 
Foi graças a vacinas que muita gente não morreu, dando origem a gerações de contracultura à cultura vigente, que  lutam por causas tão variadas como o cancro de pele da toupeira cega do deserto, a extinção dos mamutes que já não existem, a anorexia em África, apoio a refugiados em provas de natação no Mediterrâneo, etc... 

Meus amigos enquanto andarem ocupados com utopias que não levam a lado nenhum, a brincar aos pobrezinhos ou a brincar aos nossos avós que viviam em condições miseráveis porque não tinham outra escolha, não andam a fazer mal a ninguém nem trazem mal ao mundo, aliás a vossa pegada ecológica vai ser tão pequena que seres de outro planeta que nos façam uma visita nem vão dar conta que vocês existiram. Namasté!

Permacultura

 
 
Tudo o que está entre aspas é da autoria do senhor acima mencionado, como vocês bem sabem o plágio não é ético, logo não é Permacultura.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub