Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

23
Set19

Arrepio

Rita Pirolita
 
 
Sabem aquelas pessoas com quem somos obrigados a conviver por questões laborais mas que nunca deviam ter tropeçado na nossa, já de si, errante vida? Quanto mais desejarmos que sejam nossas amigas, vizinhas ou até conhecidas do café, mas acabam por gostar de nós, porque somos as únicas com quem conseguem soltar uma gargalhada aqui e ali e até sentem uma invejazinha por sermos descontraídas, destravadas e irreverentes como elas nunca serão.  

São aquele tipo de pessoa que é tão oposta à nossa forma de ver e viver as coisas, que em vez de atracção existe repulsa, arrepio e pouca tolerância à sua presença mesmo à distância do horizonte, mais ainda na versão feminina, que tenta fazer concorrência directa aos seres do mesmo sexo, tempo perdido claro, mas também precisa de fazer amigos e não desgruda quando há rambóia ou simples mexerico. 
Mal elas sabem que são o tema principal da bisbilhotice e galhofa nos nossos momentos de descontração.
 
Pela descrição, até parece que me estou a referir a pessoas com comportamentos muito desviantes, tais como assassinos, políticos, palermas, estúpidos, etc. 
Mas não, estou apenas a referir-me a pessoas que para mim são sociopatas e psicopatas encobertos, para esta minha conclusão basta uma pessoa não saber estar sem trabalhar, ser sovina, convencida que é o cúmulo da pontualidade e profissionalismo, não saber falar de mais nada a não ser de trabalho, orgulhar-se de não gozar férias há 2 anos, ser peganhenta ao ponto de falar tão próximo da nossa cara que parece que nos vai passar aquele bafo negro de peçonha dos filmes de terror, para nos rendermos à sua seita de adoração e submissão lambe-botas ao patrão e ao Deus dinheiro, não aguentar uma relação por muito tempo e já quase se ter convencido que está sozinha porque é boa demais, mas continua a deitar a rede a tudo o que mexe e se não põe a hipótese de virar fufa, devia pensar seriamente no assunto e também não pensar mais em mim.
 
Eu trabalho para ganhar dinheiro suficiente para gozar a vida, não me esforço mais até ao próximo momento de necessidade e não disfarço esta relação interesseira com o trabalho. 
O trabalho por mais aprazível que seja é uma obrigação escravizante na visão de uma boémia contemplativa como eu. 
O amor próprio deste tipo de gente só subsiste com os elogios ao seu irrepreensível comportamento laboral e relação de fachada com os colegas, colegas que se forem como eu, escondem atrás de um sorriso amarelo, peninha da criatura que se esfola para mostrar que é a melhor e porque sem essa bajulação não é nada na vida nem põe um pézinho que seja, no adorável mundo da diversão e alegria.

Ainda existe um subgrupo desta espécie que também me põe os cabelos em pé, aqueles que nunca fizeram nada de jeito na vida, aos quais nunca pedi dinheiro emprestado mas a quem as minhas férias fazem muita impressão e são sempre demais!  
 
Ora dito isto, eu gostava de ter nascido já reformada e rica, sem saber que esta gente existe.
27
Mai19

Quanto mais 'miga' menos se lhe arrima

Rita Pirolita
Temos conhecidas de vista, aturáveis, conhecidas por arrasto ou solidariedade com amigos nossos, conhecidas do trabalho e depois vários níveis de amigas. 
 
Já tentaram catalogar os vários tipos? 
Eu vou tentar sem me rir muito.
 
Aquela amiga que pensa ter intimidade suficiente para nos tocar e estar constantemente a tirar cabelos, migalhas de bolacha ou borboto da nossa roupa. 
 
Há aquela que se dedica a sacudir a caspa dos ombros e aproveita para nos recomendar a melhor marca de shampoo anti-caspice ou a não usar blusas escuras.
 
A que se acha a maior sumidade com direito a MBA na área da amizade, reclama exclusividade em saber os nossos segredos mais obscuros e íntimos, tem que saber quem namoramos antes do próprio namorado, fica ciumenta se damos mais atenção a outra, chora no nosso colo porque não sente que é a melhor e única amiga e nós lá temos que a confortar sem que perceba que boas amigas vão-se encontrando ao longo da vida e ninguém tira o lugar a ninguém
Estas amigas não percebem que o coração não tem compartimentos e mesmo que tivesse, quando está tudo ocupado, arranja-se sempre lugar para mais um inquilino.
 
As amigas que nos procuram quando têm problemas com o namorado ou estão sozinhas e querem ir sair nem que seja ao centro comercial, a ver se arejam a solidão patarecal e quem sabe arranjam macho, conforme o nível de desespero, às vezes até marcha o rapaz do totoloto.
 
As que se estão a candidatar a grandes amigas e vão fazendo leves incursões nas nossas rotinas com mexericos como desbloqueadores de conversa. Só cai na armadilha quem quer!
 
Há umas de quem continuamos amigas porque o rapazito com quem andam é mais interessante que ela e até chegamos a pensar que não o merece e que nas nossas mãos estaria mais bem entregue. Nunca temos intenção de desfazer lares mas às vezes eles também chegam às mesmas conclusões que nós e a coisa até se proporciona, perdemos uma amiga e ganhamos um curto mas bom período de diversão.
 
Aquelas que ficam chateadas por virem a saber que o moçoilo com quem andam passou pelas nossas mãos e têm nojo de comer restos.
 
Aquelas que são tão chatas, narcisistas e mimadas que servem para ir ao centro comercial em dias que nos apetece beber um café e ver montras sem a intenção de comprar seja o que for, porque o guarda-fatos lá de casa rebenta pelas costuras
Nestes dias tomamos a decisão anual de dar roupa para a igreja, para nos sentirmos melhor com a desculpa de ajudarmos os mais necessitados, quando o que queremos mesmo é renovar os trapos e passamos nós a fazer de princesas pobrezinhas, sempre a queixarmo-nos que não temos nada para vestir ao olhar para um roupeiro quase vazio, isto na perspectiva de quem tem tudo o que quer e até demais.
 
Aquelas que estão sempre a cobrar saídas porque estão sozinhas e nós arranjamos namorado pouco tempo, estão-se sempre a insinuar, até parece que invejam a quantidade de quecas que damos. Elas quando estão acompanhadas ainda fazem pior, voltam a dar à costa todas chorosas, quando os gajos lhes dão com os pés porque voltam para a ex ou porque acabam por confessar que são casados e têm uma família numerosa ao estilo africano.
 
As peganhentas, que num par de meses de amizade nos tratam por 'migas' ou 'quiduxas'.
 
A amiga beta que está sempre a criticar tudo o que vestimos, calçamos, cabelo, make up, unhas, postura...e diz que o faz para nosso bem, para termos um ar decente e não brega, quando o que a corroí é a inveja desmedida do nosso corpo e das nossas conquistas.
 
As que se aproximam porque vêm que temos muitas 'connections' e através de nós acham que até podem arranjar emprego, gajo ou entrar nos sítios da noite frequentados por betos da linha com graveto.
 
No fundo estas são todas amigas 'contrafeitas'!!!
 
A verdadeira amiga é tão autêntica que não existem palavras para a descrever, todos sabemos o blá, blá, blá de trás para a frente - 'está lá sempre e quer se queira quer não, diz o que pensa mesmo que faça mossa.'

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub