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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

05
Ago20

Descubra as diferenças

Rita Pirolita

Agosto de 2017, um mês e ano de merda como tantos outros: 

Na Índia descarrilamento provoca pelo menos 23 mortos e mais de 60 feridos. Não chega a 1 minuto de notícia e imagens, sem entrevista nenhuma. 

Já todos sabem que a Índia tem uma rede de linhas férreas enorme que os turistas tanto adoram por se típico e rústico, a manutenção é inexistente, as linhas já são muito antigas, as pessoas são pobres e andam encavalitadas umas nas outras em comboios sobre-lotados porque gostam do calor humano que envolve a proximidade das relações, todas as manhãs antes de chegar ao trabalho dão dois dedos de conversa com o colega de viagem e aproveitam e fazem uns gráficos em excel para apresentar na reunião a meio da tarde, viajam assim sem ar condicionado, no meio de um clima horrivelmente húmido e peganhento.

É natural que isto aconteça e já todos estão habituados, não iriam morrer de acidente rodoviário ao volante de um carro que a maioria não tem, quanto mais de um Mercedes com estofos em pele e ar condicionado?!...

 

Na Serra Leoa, cerca de 400 mortos e tantos outros desaparecidos, barracas destruídas que não se conseguem contabilizar por serem tantas e clandestinas. 

2 minutos de notícia com captação de imagens no local, sem entrevista, o repórter não deve falar a língua das vitimas! Pessoas a desenterrar cadáveres com as mãos, filhos ou pais, não se vê vivalma de equipas de socorro, as pessoas desenrascam-se bem, já estão habituadas a sobreviver, também quem as mandou construir abrigos com lixo do 1º Mundo que apanham de graça, numa encosta tão perigosa.

 

Em países civilizados também acontecem desgraças naturais deste tipo mas as casas são maiores e feitas de materiais mais nobres por isso mete mais pena vê-las destruídas, porque está ali investido o dinheiro de trabalho digno de uma vida inteira, enquanto que uma barraca se faz em dois dias, por isso se ficar destruída em 2 segundos também não vem grande prejuízo ao mundo. 

 

Tudo isto se passa lá longe em países de moscas e lixo, pessoas menores e pouco instruídas, nada a ver com a confortável, limpinha e tão erudita Europa que ainda não percebeu que sofre de uma doença grave, crónica e autoimune, os seus órgão funcionaram muito bem até agora, livrando-se da merda para outros sítios longínquos e agora o corpinho assume as células saudáveis como atacantes sanguinários que nos querem chupar o sangue, que são o cancro que se espalha e mata infielmente. 

A Wikipédia explica melhor como se fossemos umas crianças de 5 anos:

Autoimunidade é a falha numa divisão funcional do sistema imunológico chamada de autotolerância que resulta em respostas imunes contra as células e tecidos do próprio organismo. São doenças que surgem quando a resposta imunitária é efectuada contra alvos existentes no próprio indivíduo. 

Continuemos... 

Portugal, mais de 60 mortos em incêndios, o país está a arder há mais de um mês, lideres políticos e Parlamento foram de férias aproveitaram a Silly Season que todos sabemos que é como os dias que antecedem o período menstrual, confusão e inaptidão para tomar decisões acertadas, sendo época ideal apenas para ir ao shopping desanuviar a passarinha, adiando assim ajuda a populações que ficam com a vida suspensa até todos voltarem ao hemiciclo e aprovarem reconstruções e libertarem os milhões de euros para ajuda mas tudo com conta peso e medida que as autárquicas têm que ser muito fortes, mediante tamanha desgraça que atingiu esta legislatura. Parte dos milhões senão quase todos, destinados à ajuda das vitimas da tragédia vão para a festarola das eleições, até lá os desalojados, que não comam para não cagar, que não tomem banho nem tomem os comprimidos, já agora façam o favor de não morrer ou suicidar-se e acima de tudo que se mantenham calados, cumpram a Lei da Rolha, porque não estão acreditados nem foram nomeados para prestar declarações ao país e só podem mostrar raiva contra os incendiários malucos que resolveram assumir-se todos este ano e são de espécie noctívaga, sabem bem que o contraste do fogo em pano de fundo funciona melhor à noite e também para ficarem desfocados nas fotos de denúncia dos crimes que a GNR tanto se esforça por apanhar em ângulo denunciador para depois acusar e libertar para novas aventuras. Têm que começar a ler boa ficção cientifica, Brian Aldiss por exemplo, agora que morreu em Portugal passará a ser um mestre do género, de certeza!

 

Itália, abalo sísmico em Nápoles destrói meia dúzia de casas e mata 2 pessoas, 3 a 4 dias de notícia com as mesmas imagens. Equipas que são mais que as mães alojam pessoas em ginásios e outros locais seguros, está Verão mas não vá alguém apanhar uma gripe e depois há mais desgraça e doentes para tratar. O presidente do município veio garantir quase antes do abalo provocar estragos que assegurava a reconstrução de todas as habitações, principalmente da igreja onde não vive ninguém mas é a casa do Senhor e um local importante para as pessoas rezarem por protecção.

 

Atropelamento em Barcelona, 14 vitimas mortais, noticiado todos os dias em loop até ao próximo ataque terrorista. Todo o santo dia, levamos com pelo menos uma horinha de fotografias de gente com ar desgraçado de presidiário, escurinhos que baste, com aquele olhar descaído de cão que adivinha a morte às balas dos policias heróicos e justos. 

A polícia anda no encalço dos meliantes da rede tentacular do mal e todos os dias faz perseguições seguindo as fortes pistas, que existem de uma forma delével no terreno ou de forma mais bombástica, manifestada através do rebentamento de botijas de gás, a que é difícil virar a cara e não dar conta. 

2 vitimas portuguesas, Marcelo e Costa aproveitam e vão tomar café às Ramblas, com todos os portugueses a pagar a comitiva em deslocação mas o Presidente é a cuspideira-mor, representante dos portugueses em terras de mouros nuestros hermanos e assim todos sentimos o pesar e através do PR damos também as condolências às famílias das vitimas e já agora estamos solidários e somos todos Barcelona. 

 

E dizem-me vocês, ó minha grande estúpida, uma coisa são catástrofes naturais incontroláveis e outras são facilitadas pelo homem...

Pois e eu respondo, ó meus palermóides, por isso ainda maior a vergonha, as que são provocadas pelo homem deveriam ser mais controláveis e de culpa e correcção mais assumidas, por outro lado os mais pobres não têm direito às lágrimas nem recebem ajuda e os mais ricos choram por todos os cantos com a desgraça que lhes aconteceu! 

 

Descubra as muitas diferenças entre estes cenários, se não conseguir continue na preguiça amorfa a olhar para a televisão que nem um jumento e a comer tudo o que lhe põem à frente, como sendo o destino normal dos acontecimentos contra o qual nada se consegue fazer, sentado no sofá a descansar em absorção boçal, dos concursos e programas de gossip e gritaria ou a gozar uma semana azeiteira no Algarve que bem merece depois de um ano desempregado ou a trabalhar o mínimo que consegue para estar ao nível do ordenado que recebe!

13
Jul20

Amanhã há mais

Rita Pirolita
Mais uma vez na praia...
Os dias passam em calma e entre sonecas na sombra fresca e passeios à beira mar, a molhar o pé com dor de tornozelo do gelo da água mas ombros a escaldar de um sol que se vai tornando baixo e doentio.
Casas de pescadores não tão pobres como antigamente mas sempre em protesto a puxar à chinela e faca na liga, cheira a peixe podre, a lixo ainda mais podre, moscas moles, cães poeirentos, rafeiros, velhos ternorentos ou rufias temerosos que espantam do território lulus de meia tigela à trela, sem a mínima autonomia de se defenderem, se não fossem os donos, a dentada já fervia!  
Vou reparando na fauna que pontilha o areal com as dunas e arriba em pano de fundo. 
Tios a fumar charuto com a sua extremosa gaja de falsas madeixas loiras, cabelo queimado do secador e do sol, pele bem passada, com bikini de cores fluorescentes de surfista reformada.
Homens de tanga, pensei que já não existissem de todo, embora em extinção mas ainda se vêem.
Pescadores que deixam peixe-porco na areia com anzol, surfistas a mostrar o rabo de lula na mudança do fato, caravanistas que trazem e deixam lixo para trás, o mais giro que trazem e levam com eles são os cães.
Gente ao sol das 11 às 16, hora do cancro em grande estilo estrela do mar, fica muito mal esta posição só deve acontecer no recato do lar, se tanto na piscina ou varanda e nunca em frente a menores, mais que isso é...estrela ressequida fora de água.
Baleias encalhadas, coxas presunteiras, gente super fit e insuflada, maratonistas de Verão, ciclistas alucinados, cães com raros donos apanhadores de merda.
Ritas fumadeiras aos pares, estendidas na toalha a fazer topless ou a dar gritinhos no mar, que a água até arrepia os cabelos do estômago, de mama descaída e refegos nas costas ao nível dos rins...se alguém olhar, que se lixe, elas já têm o 25 de Abril no sangue faz muito tempo, além de que agora está na moda, todos se assumirem seguros do seu físico, nem que seja só uma atitude porque não há outra saída.
Gajos sozinhos que se deitam ao lado de gajas sozinhas, a uma distância segura que não passe despercebido mas denote algum respeito pela privacidade mas acima de tudo a uma distância que não deixe escapar a oportunidade de lançar uns olhares em tentativa de abordagem... 
Gente que abanca o dia todo com putos, 50 chapéus de sol, marmitas, geleiras, barraquice que dê até antes do sol-pôr, depois é meter a pequenada na banheira, vai tudo a banhos de água doce antes do jantar e antes de alguém dizer 3 vezes arroz, já os petizes estão com a pálpebra pesada, moídos que baste para aturar o João Pestana. 
Outros ainda põem o pé na areia como quem é alérgico e tem prurido da ralé, só estão de passagem que aquela não é a sua praia, só vão para molhar o pézito de toalha debaixo do braço e chaves do carro enfiada no dedo mindinho, a balançar o reluzente porta chaves Mercedes ou Audi!
Quando o calor aperta vou para casa e vi isto tudo em duas horas pela fresca, entre passeios, um olho aberto e outro fechado de lanzeira que me atinge sempre na leitura de apenas duas páginas do livro da praia que já ando à um mês para terminar, lendo a mesma linha repetidas vezes de olhos trocados com molenguice...
Amanhã há mais se o tempo deixar e eu quiser!   
16
Dez19

Mula do cigano

Rita Pirolita

Está na moda gritar pela defesa das minorias que tanto foram massacradas no passado ou denunciar a subsidio-dependência dos que não querem sofrer dessas maleitas chamadas trabalho escravizante ou esforço descomunal para sobreviver, pagar impostos e ter uma vida de merda à mesma.

Ciganos...agora todos os defendem e deram conta da sua existência, fazem exposições alusivas aos seus costumes e cultura itinerante, até a Catarina Furtado já entrevista putos ciganos que querem ser veterinários e advogados sem irem à escola, assim também eu gostava.

Fazem campanhas de domesticação, a desincentivar os casamentos entre menores tal como o abandono escolar.

A verdadeira cultura cigana assenta numa recusa de grilhões, na liberdade de apenas obedecer às suas regras sociais e hierárquicas e tradições familiares, com as crianças e os anciães no topo da lista, brindados com conforto e a serem protegidos da fome e da doença, típico de sociedades ancestrais e pobres com sobrevivência dificultada, que sabem que as crianças garantem a continuação da família e comunidade e os velhos são o garante de passagem das tradições e ensinamentos que permitem a coesão da etnia.

Viviam descaradamente, antes mais que hoje, do roubo, pilhagem e aproveitamento da propriedade privada da qual não têm noção nem respeitam, porque os seus hábitos nomadas ancestrais não se compadecem com a posse de bens materiais, com criação de raizes e acomodação num só local.

Na verdadeira alma cigana o mundo é uma casa gratuíta, a natureza dá alimento sem trabalho de cultivo ou criação de animais, sendo um dos seus pitéus favoritos, o indefeso e fofinho, ouriço cacheiro.

Os cavalos são o seu transporte de eleição, um bem fácil de manter, desde que haja pasto selvagem ou alheio para os alimentar.

Com o negócio ilícito de ouro e drogas, disfarçado com a venda de roupa e calçado em feiras, não pagam impostos, não cumprem nenhumas regras comerciais, vendem marcas contrafeitas tal como os chineses seus concorrentes, não apresentam rendimento, candidatam-se a todos os subsídios possíveis, vivem em casas em vez de tendas e substituíram os cavalos por Mercedes roubados.

Assim se transformam em seres aparentemente domesticados ao aproveitar os direitos da sociedade e continuando ariscos ao cumprimento de deveres.

Os conflitos são resolvidos de forma primitiva, os choros e gritos das mulheres são acompanhados por homens de peito levantado, que tiram armas das malas dos carros para defender coisas tão importantes nesta etnia, como a honradez do nome de família ou da donzela prometida em casamento que dura 3 dias pelo menos, com tudo de bom e luxuoso que a tradição manda.  

Identifico-me muito com o espirito livre destes piratas de terra, mas não gostaria de ser mulher no seu grupo, ter pretendente marcado à nascença, casar cedo, rapar o cabelo e vestir preto até ao fim da vida em caso de viuvez, no verão, o calor que faz a roupa escura!

Por outro lado gostava de viver relativamente bem, sem trabalhar a vida toda, não ir à escola, já que nada se aprende, nem há empregos para gente instruída, não pagar casa, o Mercedes dispensava, porque não é marca que me atraia.

Todos terem medo, a ponto de dizer que não têm queixas dos vizinhos ciganos, que não são racistas, até se dão bem com eles e apreciam as suas festas e convivência estrondosas, à parte os tiros! Quando a coisa dá para o torto, aí é de fugir e eles que se entendam, matem e esfolem, que nem a policia os quer aturar.  

Uma das minhas amigas de infância era cigana mas não se notava nada porque já era domesticada, andava na escola e vivia num andar, qual gaiola dourada da civilização, tinha mais bonecas que eu, porque os familiares espanhóis lhe mandavam tudo de outras bandas e ventos mais evoluídos, eu orientava-me com duas bonecas e brincava uma vez por semana só com uma delas.

Todos sabemos que Espanha sempre foi forte em maus casamentos, caramelitos, torrão de Alicante, Toblerone, ciganada e bonecada.

Libertina e maluca sou eu e não recebo nenhum subsídio e pago impostos que me lixo.

Sou a verdadeira mula do cigano!

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