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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

25
Abr21

Sem ninguém que nos goste

Rita Pirolita
Nasci antes do 25 de Abril de 74 mas sem idade ainda para ser gente de fazer a Revolução, agora tenho idade para dizer que no tempo de Salazar é que era bom mas nunca o direi. Já nasci com o carimbo póstumo de dizer em liberdade nos arrabaldes da capital, ditada pelo cravo e capitães. 

O herói morreu cedo e vai ficar até tarde, as gentes celebram este dia com amargo de pobreza e desprezo.

O que retenho a seguir ao de 74 é a moda colorida na cidade, as viúvas e homens cinza no resto de Portugal até hoje ficaram. 

Ninguém nos governou, continuamos sem ninguém que nos goste.

Este texto ainda está quente de escrito agora, não se deixem arrefecer pelo medo e cansaço. 
04
Ago20

Nenhum medo teremos

Rita Pirolita
A morte arrepia?... 
Cada vez menos quanto mais se aproxima.
Acabados de sair da boca do corpo para o mundo, ocupados com as dores de crescimento não pensamos no que estamos a pensar.
Em breve seremos adolescentes apaixonados em desespero de morte ou suicídio, tanto mais sofregos de alienação e sonhos quanto mais proibidos.
Desespero de momentos feitos eternos mas tão voláteis, de densidade incomportável por muito mais tempo. 
Sacudimos a vergonha e loucura de paixões passadas e tempo temos para aprender a crescer mais sem errar tanto.  
Olha-se para trás com nostalgia do fulgor, chegamos mais perto do gozo da quietude.
Pensamos na morte com mais clareza e um dia de tão perto estar nenhum medo teremos. 
20
Jul20

Prazer de líder

Rita Pirolita
O prazer mesquinho e sede de poder dos líderes mete-me impressão, parece-me robótico e muito pouco humano na sua boa vontade, na parte pior parece muito actual e generalizado como comportamento aceitável.
Todos os líderes acabam por chamar a si o papel de alienadores espirituais, no fundo qualquer politico, director ou patrão, têm que dominar e saber controlar pelo medo, pela mentira ou pelo falso respeito! 
Ninguém de jeito, num mundo melhor se deixaria dominar ou mandar por um igual, acharia que estava na posse das suas faculdades para tomar as melhores decisões para si e por consequência para todos.
Como líderes com muita sede de governar, têm que saber induzir confiança, destroem, desmantelam, amesquinham, atirando por terra a vida e amor próprio de qualquer um, despojam a auto-estima de todos, para depois injectar alienação livre de julgamento e contestação. 
Em campanhas políticas, seitas, igrejas, é necessário normalizar para nivelar tudo pelo mesmo para que não se formem ondas, todos devem estar anestesiados, serem coitados descriminados postos em banho-maria para alucinações colectivas e mais tarde dependência do despojador, que vende quimeras tão perfeitas de tão podres e pobres.
Como pode alguém ter coragem de fazer discursos de liberdade e independência, quando querem dominar e convencer a alimentar a sua única ambição, o poder. 
É ignóbil abusar de premissas honestas para conquistar o oposto. 
Também é verdade que quem se acomoda está a pedir que lhe chupem o sangue e os vampiros da sociedade estão sempre à espera em cada esquina, de vítimas enfraquecidas e doentes para atacar.
Mesmo eu não sendo nenhum exemplo de boa pessoa, nem por lá perto e cada vez menos gostar de gente, não faço mal a ninguém e seria incapaz de liderar ou mandar fosse em quem fosse. Ia sempre sentir que estava a anular alguém para que me seguisse cegamente e como bem se sabe, as pessoas quanto mais abandonadas e vazias mais vulneráveis a serem influenciadas e dependentes de falso bem estar e facilidades. Detesto gente mole e insípida!
As paixões e amores só são palpáveis se forem sofridos, traídos, conquistados, disputados, possuídos, dominados, espancados, ciumentos...
Que canseira, amar de verdade não dá trabalho, não é prisão nem causa sofrimento!
Tantas vezes pergunto, serei a única a notar falsidade em palavras de líderes, olhar diabólico em gurus de seitas, gestos programados em governantes?...
Se não sou a única porque continuam a existir e a ser adorados?... 
Sendo assim não bastaria só aos lideres e más pessoas ficarem quietos por algum tempo para respirarmos liberdade e bondade? Vá lá não custa nada, é só não mexerem uma palha.
Nunca pensei que chegássemos a um estado tão pavoroso neste planeta que o melhor seria a inactividade e não a evolução.
17
Jul20

Povo do caraças

Rita Pirolita
Os portugueses são um povo do caraças! 

Estão sempre prontos a amar, abrir os braços e sentar mais um à mesa, oferecer mais um copo e uma fatia de presunto, dar a cama, dormir no chão e amaldiçoar secretamente o hóspede com sarna que o mate em 2 dias...

O Sr. Presidente vetou a lei de financiamento dos partidos, para voltar para trás, sofrer umas alterações indeléveis e ser passada com 2/3 da Assembleia mas desta vez sem ser à socapa.

Todos vão ficar bem na fotografia, porque vai ser aprovada descaradamente às claras. 

Não é isso que os portugueses andam sempre a reclamar? Clareza e transparência na governação? Ai a têm e agora não venham dizer que também queriam que os partidos e governantes fossem honestos e não roubassem tanto?

Mais que nunca estão a fazer pior sem vergonha ou medo de julgamento.

Quando um povo não sabe o que quer, acolhe o pior do que não sabe.

Iremos ser os maridos enganados ou as mulheres surradas, que se encolhem e até derretem em elogios, ao golpista que lhes destruiu a dignidade mas onde sempre irão comer à mão e morder quem os avisar!
14
Jul20

Conversa da sogra

Rita Pirolita
Houve uma conversa com a sogra que muitos considerariam discussão da grossa e me deixariam de falar. Eu sou verdadeiramente directa, rude sem medo, prefiro dizer o que me vai na alma, seja mágoa ou revolta e continuar a relacionar-me com tudo esclarecido.
Ela como mulher muito dócil disse de sua justiça também e acabamos num abraço de lágrima quase a cair...o moço também se juntou!
22
Fev20

Tenho pena

Rita Pirolita
Tenho pena que me tenham criado para ser submissa e não tenham aceite a minha diferença, por mais pequena que fosse mesmo inserida no sistema.

Tenho pena de pais que não participaram na revolução do nosso país, mesmo que mais tarde se tenha revelado ilusória, que ficaram em casa calados porque a incerteza os assustava e o regime era certo e paternal. Ideias políticas que se amordaçavam mesmo à saída dos lábios porque o voto sendo secreto é uma boa desculpa para o silêncio de uma vida inteira que evita conflitos, perseguições e despedimentos.

Os tempos avançaram mas não mudaram, a única diferença é que agora podemos eleger de uma lista controlada os que nos roubam, as mentes continuam presas ao medo da critica, da luta, da voz alta da indignação.

A informação tem dono e como um vírus cibernético deposita alienações nas cabeças dos mais antigos, 'os trabalhos já não são para a vida e a culpa é de quem não quer trabalhar',  porque vidas anteriores foram gastas com dedicação escrava, na escola a levar vergastadas nas orelhas, no trabalho a cumprir horários e a lamber as botas ao gordo patrão, na vida a engolir sapos, a pagar impostos e contas a quem mais nos rouba e nunca fez nada pela vida a não ser enriquecer à custa da exploração do suor dos outros.

Tenho pena de quem torceu o nariz quando os retornados ocuparam facilmente cargos públicos, em vez de frontalidade justa, abusou de coscuvilhice doméstica para os acusar da novidade da droga, o tratar por 'tu' com uma falta de respeito pela parcimónia do antigo regime, a tão invejada descontração típica de locais mais quentes e onde a vida é mais gozada, regada com cerveja e comida picante.

Serve a desculpa que todos fizeram o melhor do seu pior? 

Tenho pena que as bestas abrandem o mundo!

Esta é a insustentável leveza de um universo que não se move nem muito menos levita de tão feio e pesado.

28
Dez19

Psicologia do meteorito

Rita Pirolita
 
Os psicólogos e outros terapeutas da cachola, só deixam de meter medo e de nos passar atestados de maluqueira, quando reconhecemos que são dispensáveis na nossa vida pela ineficácia das sessões e tratamentos. 
Não são os próprios terapeutas que passam a vida a dizer que o paciente é que tem que fazer o seu trabalho interior? São pagos só para nos ouvir e ainda temos que fazer o trabalho todo?... 
Não frequento estes senhores porque já não tenho cura e ainda os punha mais malucos do que o que costumam ser, no entanto a minha questão é, os padres desabafam com as beatas e as beatas com os padres, os advogados só falam com o Diabo e os terapeutas do vazio do cérebro? 
Se eles próprios sabem que a crença em Deus é fruto da nossa imaginação para que não fiquemos frustrados e perdidos neste mundo, com esperança de um dia dar uma dentada na cenoura à nossa frente...Com quem desabafam eles? Não é possível armazenar tanta maluqueira de tanta gente? Levam para casa e põem na lata das bolachas?... Todos os dias estariam comidas, é sabido que os antidepressivos dão muita fome. 
A conclusão mais lógica é que não ouvem nada do que dizemos e dão a desculpa do sigilo profissional, que a informação fica no consultório, bláblá, blá...pudera, entra por um ouvido e sai por outro! 
Eu prefiro que me chamem maluca, com a idade adquiri uma sapiência que tem vindo a apurar, que me faz sentir mais liberta por saber que a vida não faz sentido nenhum, nem temos missão alguma. 
A resposta à questão se estamos ou não sós no Universo? Até agora não aqueceu nem arrefeceu a vidinha neste planeta de fome, guerra e miséria. 
O que somos e fazemos é tão vulnerável à destruição de um simples meteorito que nos caia em cima e acabe com tudo num segundo.  
02
Dez19

Vitima nunca

Rita Pirolita

A violência doméstica continua na ordem do dia. Vou falar dela pela perspectiva de quem já viu e viveu alguma coisa e está alerta para não repetir erros de outros ou deixar prolongar situações pouco agradáveis por comodismo.

Ao mesmo tempo que se alerta para a importância da queixa, o não sentir medo ou vergonha de expor a situação, por outro lado a sociedade empurra no sentido contrário, silenciando com criticas e rótulos quem sofre este tipo de violência tacanha, encurralando a vítima num beco de silêncio e solidão.

O agressor será sempre alguém sem escrúpulos que não tendo respeito por si também não sabe respeitar a integridade e espaço dos outros e cuja única forma de amar que conhece é doentia, agressiva, dominante e humilhante num desespero de esconder a sua própria insegurança e complexo de inferioridade. Atacar antes que o ataquem.

A vítima por outro lado, também ela mal amada ou nunca amada, sempre incrédula e descrente na felicidade, que não  se sente no direito de viver, que é demais para agarrar, que não merece e não lhe pertence. A dor e mal estar são constantes num comodismo quotidiano.

Assim se convencem que têm que aguentar o sofrimento como uma cruz que carregam, segredado a algumas pessoas para angariar defensores da sua causa de comiseração e queixume, única forma de ter alguma atenção e pena, como um animal ferido que sorve parcas e mesquinhas manifestações de carinho e preocupação dos outros, que estão mais interessados em saber o que se passa do que em denunciar a situação ou mesmo ajudar.

No fundo tanto o agressor como a vítima sofrem do mesmo mal, baixa auto-estima e desamor, um manifesta isso com ódio, o outro com medo e submissão. 
Se estas pessoas se cruzam na vida, a violência continua entre quatro paredes, com umas queixas aqui e ali, até um desfecho algumas vezes macabro.

Estas famílias direcionam toda a sua energia para o desentendimento e ficam assim alheados do resto, não conseguindo proteger os mais vulneráveis desta vivência. 
Os filhos ou vivem e acumulam revolta e ódio generalizados por todos os que se aproximarem deles ao longo da vida, encontrando a melhor oportunidade para exorcizar este ódio nas relações intimas que vão tendo e destruindo, ou conseguem quebrar este ciclo, nunca incólumes de todo mas com a sanidade e clarividência suficientes para mudarem o curso das suas vidas, não voltarem a cometer os erros de que foram vítimas e conseguirem relacionar-se com o mundo de uma forma integrada, de partilha do melhor e esquecimento do pior.

Agressor e vítima só coexistem se ambos derem espaço um ao outro. Sem vitimização da vitima, o agressor dilui-se e perde força.

Gente criada com carinho e dedicação tem meio caminho andado para a felicidade, gente criada com pouco e mau,  não deve desperdiçar muitas oportunidades para iluminar os cantos escuros da alma, que todos temos. 

 

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