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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

06
Ago20

Carta a CR7

Rita Pirolita
 
 
 
Cris Rony, 
Permite-me um batizado virtual com este nome de cariz internacional, brega que chegue mas com power e cheio de estilo!
Quanto aos impostos que esses nuestros hermanos te fizeram pagar é para aprenderes a não emigrar, o país queixa-se que tem vindo a perder tantos profissionais, não devias ter saído de Portugal e muito menos da Madeira, este nosso cantinho solarengo aguenta a tua fama e aqui, gente que até ganha um poucochinho menos que tu, NUNCA paga impostos e nesse aspecto a tua ilha é um Paraíso. 
O que no fundo te queria dizer com esta lenga-lenga toda é que para ti estarei sempre disponível para adopção sem perder a esperança, sou uma vegetariana sossegadita que gosta muito de sofá e só preciso de um cão ou dois para estar entretida!  
 

 

14
Jul20

Nem de lá nem de cá

Rita Pirolita
Costumo deleitar olhar e alma com televisão made in Madeira ou Açores.
Magazines culturais, de costumes, de festas e eventos religiosos. 
Sambas importados não e muito menos meninas de traço rude e cabelo oxigenado das américas do norte e latinas, essas se dispensam pela distância de hábitos e desfile de modas de além-mar, de lantejoula ou cetim agarrados a curvas em demasia, por isso deixo já de falar delas, mesmo fazendo parte da paisagem no verão das ilhas!
As notícias são de lá e por lá ficam, dadas com timidez cândida, sem contaminação, só a eles pertencem, só a eles dizem respeito com todo o respeito pelas do mundo. 
Se vivem sem guerra, longe da desgraça mundial, porque não evitarem o contágio?!
Existe poder informativo acima de qualquer palhaçada espectacular. 
Se têm programas pirosos? Se calhar, não vejo nem conheço mas aqueles que falam pelas gentes, são a delicia de ouvir sotaque recatado de boca mais fechada, conhecimento sem invenções ou circo de turismo. 
Almas habitantes das ilhas não se podem sentir perdidas nem na terra onde poisam o corpo nem no mar que nunca será seu, pela imensidão de ligar outros solos.
Em todos os locais de Portugal há uma rua Direita, da Igreja ou da Sé e uma praça Central, ali não será excepção mas a rua Direita pode não ser tão directa como isso. 
Mal sabiam as moçoilas na ansiedade de se livrarem da insularidade ao agarrarem-se a um continental, que se estavam a afastar da simples quietude e não do atraso ou monotonia, que iam mergulhar num mundo caro demais para o engano!
O isolamento pode desesperar e enlouquecer mas também protege da insana invasão. 
São estes piratas de barco fundado, feito de montes de preta pedra, de hortenses e esterlícias, que falam da terra em  permanente desterro orientado na imensidão do oceano, que se sabe Portugal e não ilha-país como tantas há por esse mundo fora.
Pedaço de nação que já foi o único que nos restava, resistente Adamastor a investidas espanholas de nos tirarem pedaço em terra-continente. 
Ilhas de refúgio real, de escritores e loucos artistas, prodigiosos poetas e prosistas de linguajar denso e polposo-sumarento.  
Se atrasados são estes, eu que não sou gente nascida lá nem muito menos sou de cá, será que me deixam ser de lá?...
 
09
Set19

Viagens

Rita Pirolita
Hoje é dos dias que escrevo sobre nada mas escrevo mesmo assim, não consigo conter o desejo de o fazer!
As malas de viagem são mais mochilas maneirinhas, que esticam e encolhem com a simplicidade e boa vontade, o tamanho da bagagem diz muito sobre o viajante e o que vai ou não lá dentro, diz mais ainda!
Prefiro levar pouco e poupar espaço para trazer, nem que seja brisas de mar e grãos de areia...há quem leve o que nunca usou, só use menos de metade e traga mais que não vai usar.
As viagens são para descansar braços e atafulhar a alma. 
Há quem compre a madeira, a concha, o osso, a escama, o marfim, a pele e o couro, a carapaça, o iman Made in China...tudo seco e ressequido que nem carapau, lambido e revendido. 
Há quem compre porque não levou e precisa, há quem não compre porque não precisa de precisar ou porque não lhe apetece precisar e as viagens são o cruzamento com locais, vidas e cheiros, alimento para repor a energia ou para fazer salivar os sentidos em hora de descanso.
Para uns a corrida contra o tempo, para outros o tempo que houver ajustado ao ritmo que se tiver. 
Uns reclamam a mordomia que nunca tiveram, outros aproveitam a benção da liberdade de não ter rotinas e contar apenas com a roupa que se veste e a alegria do imprevisto, de se perder por não ter mapa e acabar em paraísos.
Há quem programe tudo e faça lista, há quem deixe o acaso calhar e a intuição ditar. 

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