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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

14
Jul20

Palpites palpitantes

Rita Pirolita
Nas redes sociais onde me sinto confortável com a distância e consequente frieza de poder dizer tudo sem me lançarem olhares paternalistas de reprovação, que por acaso sempre detestei, acham-se superiores para me lançarem facas pelos olhos e tentarem irremedialvelmente pôr-me no lugar?! 

Pois aqui deixo algumas considerações para os coninhas pagodeiros e pregoeiros da família, do amor e amigos forever.

A família para mim foi o pior exemplo de felicidade, destruiram o meu ânimo por uns tempos, até eu deixar, puseram-me no mundo para me dizerem que não devia existir e assim descarregarem as suas frustrações em comparações humilhantes, não causando eu problemas a ninguém achavam que tinha espaço de sobra para me puderem complicar a vida e consumir o meu tempo a levar com os defeitos e maldade dos outros, até que coloquei um travão e me largaram as saias. 

Pasmem, não sou a única, existem muitos, diria que a maioria vive estas situações, uns não se apercebem e outros andam convencidos que para terem apoio, não se sentirem desamparados e até sobreviverem, têm que aturar a tribo, sofrer as suas investidas e abusos de confiança que surgem sempre após convívio frequente, imposto por leis imaginárias da união que faz a força, quando muitas vezes o melhor seria ser órfã de seres e filha apenas do mundo. 

Quem não gostou de ser filha não tem que vestir a pele de mãe!

Se muitos assim vivem, eu devo ser das poucas que deram um pontapé nesses enganos e já foi tarde demais, mesmo assim não me livrei de tudo, vou continuar com um passado negro a morder-me os calcanhares. 

O meu pai levou a minha mãe ao suicídio, convivo com ele muito amiúde e quando acontece faço-o com muito nojo, ele sabendo do meu sentimento tenta limpar e fazer-me esquecer, não consegue nem conseguirá até ao fim da sua e da minha vida. Ainda tenho dó dele quando o vejo constipado mas passado um par de horas começam os tratamentos de coice e arrependo-me logo!

Não pude obrigar quem me pôs no mundo, supostamente mais sábia e experiente, a mudar de vida, ofereci apenas a minha ajuda para acabar com uma união obsessiva cozinhada nos infernos, ninguém quis saber de pôr um ponto final, às tantas parece-me que as pessoas habituam-se ou ficam viciadas na adrenalina da discordia, não querem mudar, ficam mais confortáveis com o que já conhecem, mesmo que seja monstruoso.

Aconteceu e não me livrei nesta situação de perda de sentir o que todos pensam, que não cheguei a tempo, que não fiz tudo ao meu alcance para evitar tal desfecho, que não me apercebi do que aí vinha por andar distraida ou ocupada demais, sinto sempre culpa em algum momento de recordação do tormento, uma angústia corrosiva e cortante!

Eu vivo com a minha parte de culpa, real ou inventada, para me martirizar e assim cansar a inquietação! 

A minha vida dava um filme de terror, pensam alguns mas eu aceito-a como normal, com a naturalidade de me terem acontecido coisas que são deste mundo e acontecem a tantos outros, a muitos ainda pior!

Passaram-me genes amassados, sou fruta persistente mas pedrada que se agarra ao ramo para não cair e apodrecer no chão, sem não antes mostrar a raça da sua polpa na boca de quem a gosta!

Estão a ver como as redes sociais são uma catarse para mim que não procurei psicólogos para me venderem banha da cobra a peso de ouro, não falei com amigos, uns não aguentaram a minha desgraça por a reflectirem neles, se lhes acontecesse pensaram eles que dariam em loucos, outros julgaram e deram palpite, com pais destes afastar-se-iam para todo o sempre e o moço? Esse esteve ao meu lado em silêncio, à espera que eu fosse falando quando tivesse coragem, fui falando, pouco, sem quase nunca chorar mas não resolveu nada, sou eu que tenho que curar a minha ferida com aceitação muito forçada do que aconteceu.

Existe uma condição fisica e mental para cometer suicídio, mas tudo o resto que a ele leva não cai do céu. 

Agora que passei a dor de ver a minha mãe morta no meio de um pinhal, a revolta tem-se adensado e é com isso que estou a lidar.

Os amigos não se mantêm à distância, tal como os amores, quando emigrei deixaram de me considerar na lista, levei ao menos comigo o moço e sua amada amizade que tanto respeita o meu espaço como eu o dele, sabendo o quão preciosa e rara é esta atitude prezo-o muito! 

Não sou dada a olhares românticos sobre sentimentos humanitários, a este ponto da evolução se não fizessemos mal uns aos outros, se não fossemos egoístas e invejosos já era um grande avanço. 

Não entendo os que me tentam puxar à sua razão, a razão do peace and love sem drogas, os que me acham uma solitária sofredora, sem amigos, amedrontada e em defesa constante para evitar ser magoada? Antes diria que aprendi com o que passei e observo muito para não errar, seria burra se não o fizesse, se errar é humano, evitar o erro é superar-me e melhorar.

Prefiro ter esta visão do mundo e das gentes que nele habitam, brutal, desencantada e para alguns insuportável de tão crua, que andar a brincar às princesas pobres sem reino, nem altar ou trono. 

Não me venham com caminhos floreados, o sonho pode comandar a vida mas a vida não é apenas e só um sonho, é para ser vivida como melhor sei e me vão deixando.

Ao magoarem-me tornaram-me mais alerta, menos respeitosa e com menos consideração por quem quer que seja, apenas me sinto mais limpa estando mais só que acompanhada, parece que este bem estar é inacreditável e até uma afronta para quem não sabe estar sozinho e por isso também não sabe estar bem em companhia, não sabendo têm inveja de um estado de espírito solitário-depurador, acham que ameaçamos a coesão de uma sociedade, ela mesma completamente esfrangalhada sem solução à vista!

O convívio constante trava a minha evolução e aumenta o desânimo, o convívio esporádico, sem apego, liberta-me e ler os escritos, ver os filmes e outras obras de arte, ouvir a música de quem gosto, faz-me sentir que estou neste mundo sem no entanto lhe pertencer ou me deixar agarrar, com um pé cá e outro lá, onde nem eu sei bem!

Os valores de família e amor foram tão candidamente incutidos, sem exemplo palpável que acredita a maioria, não poder viver sem isso, caprichos esses de sociedade de primeiro mundo que não tem mais nada com que se preocupar além da fútil moda, perfumes ou carros.

Somos tão iguais na frieza como no sexo, na amizade ou no amor, embora sejamos mais verdadeiros nos actos que nas ideias romanceadas dos sentimentos!

Eu é que sou agressiva de tão directa e ainda continuamos a torturar gente e animais? Não faço mal a uma mosca mas poderia arranjar todas as razões que eu quisesse para o fazer!

Trabalhar, ter filhos para perpetuar uma humanidade balofa que se consome a ela própria, como doença auto-imune que se ataca e flagela, pagar impostos, ser um bom exemplo só para exibir, nunca uma constante de verdade, morrer e deixar nada que se veja, sem passar princípios de jeito a filhos que não veremos muito velhos, refinados no seu pior a serem tratados como mal trataram os seus, que construiram um mundo de beiça torta porque estavam ocupados demais para pensar no melhor a deixar aos vindouros, quiseram apenas viver à sua maneira, donos de um egoismo, prepotência e independência tão mas tão mesquinhas!...

Pasmem-se, os nossos pais querem que olhemos para o que nunca fazem e dêmos atenção ao que apregoam de peito aberto, estão-se a cagar para o mundo que deixam e isso é inegável, está à vista. 

Não se demitam da responsabilidade e troquem a liberdade por segurança, ao porem a culpa nos líderes que elegeram e porque são tão iguais a nós, têm a mesma falta de vergonha e pudor, em desviar olhar e não limpar a merda que todos fazemos!

Falem sinceramente com o vosso interior, deixem de ser mentirosos e perigosos para as vossas entranhas, assumam que amar não tem nada a ver com estas balelas, amar é não saber que se é livre, não estar amarrado à calhandrice do mundo que nos puxa para um inferno terreno que tanto custa aguentar, criado de fresco por nós sobre lixo velho todos os dias!

A humanidade começou e proliferou, porque fodemos uns com os outros e contém-se em números quase insuportáveis porque nos fodemos uns aos outros a cada minuto!

Se acham os ecuménicos, cisores do bem e do mal, falsos altruístas e filantropos-lamechas de trazer por casa como chinelos escafeados que para sermos um bom exemplo em nome do amor, devemos a todo o custo e até contra-vontade manter a coesão da família e o valor da adorável amizade, é porque não vivem neste planeta!

Ide-vos foder, só eu sei das minhas maleitas e o Universo nem sabe da sua própria (in)existência!

 

PS - Eu sei que podia e talvez devesse, dividir este texto em 2, 3 ou mesmo 4 partes mas assim quem precisar e estiver a jeito apanha já com a injecção de uma só vez nas nalgas, esperando eu não ser necessário que alguns levem com um dedo pelo cu acima para abrir a pestana e perceberem melhor!

Isto tudo para não me chatearem mais os cornos com conversas da merda de salvação e conversão de almas!

IDE PARA O C@R@LHO!!!

10
Ago19

Barbies e Unicórnios

Rita Pirolita
 
"Nascemos e viemos ao mundo para quê? As religiões todas têm respostas. Recuso-as em bloco. Prefiro viver todos os dias com a Pergunta!
Recuso-as porque são falsas. Porventura consoladoras mas falsas. Roubam-nos a Terra em troca do Céu. Ao matarem a Pergunta matam-nos a alma!"
in Facebook Presbítero-Jornalista Mário Pais de Oliveira. 

Sigo esporadicamente este ser com a mesma liberdade que leio o logro e não malogrado Gustavo Santos!
 
Gosto de ler observações, as boas, as más, as malcriadas e as que não dizem nada mas são bem escritas e excessivamente educadas.
Rio-me dos estúpidos e belicosos e tento ginasticar a inteligência com os mais afoitos e lúcidos.
Este presbitero não pretende provavelmente ser mestre, embora alguns o sigam como isso, vejo-o como alguém que tem o dom de textualizar o que sente e o traquejo de bem comunicar. 
Já o Gustavo vomita as suas palavras ocas para as minhas orelhas moucas.  
 
Se transformarmos os loucos em mestres adorados, estamos a reproduzir o mesmo erro da humanidade de há mais de 2 mil anos a esta parte! 
 
Tantos seguem algo para se esvaziarem de responsabilidade, para se livrarem da tenebrosa evolução e descoberta da infelicidade e da morte como parte da vida entre tantas outras coisas e não como sofrimento castigador da simples existência. 
A vida é agora, a reencarnação é uma desculpa para não darmos o melhor de nós, afinal é-nos dada outra oportunidade, por isso vamos lá ser loucos e distribuir a irresponsabilidade por várias vidas, que nem sabemos quantas...
 
O melhor de nós é o pesadelo em realidade, não estamos uns para os outros, desde o início do mundo lutamos por comida, por território, no fundo por conquistas, não podemos abandonar esta condição porque sem ela não existimos, não sobreviveriamos até agora, sem ela seriamos ser alados, perfeitos e eternos. 
A destruição é a razão do prolongamento da existência, que em algum momento se vai extinguir a ela própria. 
Caminhamos para um suicídio esquizofrênico, dôr que tem que ser amenizada e paliada a toda a hora, com mentiras, bondade falsa e compaixão descompassada. 

As guerras, as doenças, o poder cruel, a insensibilidade da ganância são tentativas para glorificar e justificar o sentido do fim inevitável que chama a si religiões que adiem ou impeçam a queda do precipício.
 
A vida nunca teve ausência de guerra, infelicidade, morte e sofrimento bem como de paz e amor.
 
Por isso querer acabar com o mal e ficar só com o bem é outra religião que tem seguidores mas não nos leva a lado nenhum.  
 
Se sou budista ou ateia? 
Ás vezes, nem sempre ou nunca.

Não sou mais que ninguém, faço parte desta pequenez humana, mas prefiro estar mais tempo afastada da confusão sem pensar que lhe pertenço e pousar o olhar em Barbies gordas e unicórnios pretos.

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