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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

20
Jul20

Deixem-se de parvoíces

Rita Pirolita
Sabem aquelas pessoas que a cada minuto do dia que lêem uma coisa diferente sobre vida saudável, assim que podem vão logo praticar ou comer, nem que seja com uma cenoura enfiada no cu enquanto bebem um copo de leite de burra a tapar o nariz! 
Tudo o que apareça nas redes sociais ou digam na TV, é verdade! 
Tanto é que conseguiram convencer as pessoas que a diabetes é hereditária e não resultado de maus hábitos alimentares que despoletam tendências familiares que foram potênciadas por alimentação cada vez mais processada ao longo de gerações e assim se desresponsabilizam pela própria saúde. 
Assim as cadeias de fast-food cumprem o seu acordo com os laboratórios, uma mão lava a outra do mal que provocam oferecendo de bandeja aos laboratórios mais doentes e dependentes de medicação, que são mantidos mais tempo vivos graças aos avanços da medicina para continuarem a gerar lucro. 
Vivos mad doentes a arrastarem-se, magros ou gordos demais e com um mau aspecto de zombies! 
Um sistema que mexe com a nossa vida cada vez mais perverso, lucrativo e nada fiável!   
O Estado no seu estado paternalista tenta impingir hábitos de vida saudáveis como se se preocupasse deveras connosco, começando pelo conselho de reduzir o consumo de açucar, como se começassemos a fazer dieta ou a deixar de fumar e passados um ou dois anos de bom comportamento tivéssemos o corpinho limpo de todas as toxinas. 
O mal já está lá e quanto mais tarde a mudança mais difícil é recuperar mas sem dúvida mais vale tarde que nunca.
Temos agora que estar mais atentos e até quem sabe ir tirar um mini-curso de leitura de rótulos de embalagens, quando todos sabemos que os ingredientes não são controlados e a informação nutricional também não. 
Não existe marca nenhuma que vá alterar o sabor do produto para algo menos apelativo, reduzindo efectivamente os ingredientes prejudiciais, sabendo que se tirarem uns têm que substituir por outros tão maus ou ainda piores. 
Por isso nada vai mudar e os rótulos vão corresponder cada vez menos à verdade!  
Após esta breve opinião que espero tenha sido elucidativa continuam mesmo assim a gozar da liberdade de se empaturrarem de merd@, voltando à esquizofrenia bipolar dos yogas, sumos detox, dieta do ar, da Lua e mais do raio que os parta, eu conheço gente assim, que salta de dieta em dieta, o corpo deve ficar tão baralhado que absorve tudo, numa de prevenir os períodos de jejum de coisas boas de que a dona maluca o pode privar num futuro tão alucinadamente imprevisto, tanto que ao fim de um mês ou dois, o próprio corpinho deve cagar no assunto e o ponteiro da balança nem mexe! 
É impossível alguém comer tudo num dia que faça parte da roda dos alimentos e ainda por cima nas quantidades recomendadas, já que a própria roda está sempre a sofrer alterações e cada vez mais se inventam alergias e intolerâncias disto e daquilo, quando o problema está no processamento e não no produto original, cujo resultado final é tudo menos o que vendem. 
Não acredito que o leite ou carne de hoje em dia tenham algo a ver com os produtos de há 100 anos atrás e já havia a venenosa Coca-Cola mas ainda havia esperança, a perdição tinha apenas começado!
Gente que mistura no mesmo prato salada com sobremesa, tudo numa amalgama vomitada!..
A nossa açorda pode não ser o melhor exemplo de boa aparência mas os olhos também comem e já sabemos só de cheirar, que a açorda é boa como a porra e tão simples que é de fazer, agora dar mau aspecto a comida que vocês detestam mas fingem que adoram, espetar com fruta e vegetais num copo misturador e beber meio litro de pega-monstros, isso já é um Inferno, depois andam a comer salsicha alheia às escondidas e despejam o mau-humor da flatulência das sementes de chia nos outros!
Ora, deixem-se de parvoíces, criancices e figuras tristes, sejam felizes e percam tempo com coisas realmente importantes!
14
Out19

Pão de Açúcar

Rita Pirolita

 

Comia 3 a 4 carcaças por dia ao lanche, com um camião de manteiga pura e 20 colheres de açúcar por cima e não tenho o mau colesterol elevado. 
O Pão de Açucar...essa novidade, prenúncio de centro comercial na Margem Sul, onde no mesmo sítio tudo se vendia, que conforto! 
Na secção de praia cheirava a vinil de bóias e plástico de cadeiras de jardim, na pastelaria cheirava a bolos, na padaria a pão, na peixaria a peixe e nos embalados...não cheirava a nada porque estavam embalados e por isso privados de trocas com o ar.
O petrolino, versão ambulante do Pão de Açúcar, vendia igualmente mais variedade de artigos do que poderiamos algum dia desejar ter numa vida inteira, algumas vezes pensei que poderia até vender filhos e mulher, só para fazer soma certa com um alguidar ou uma barra de sabão azul e branco!
A carrinha do leite cheirava a vaquinha e a do peixe cheirava mesmo muito mal, nem vos digo ao quê porque vocês já sabem! 
21
Set19

Dégolas!

Rita Pirolita
 
 
Como já perceberam, não sou fundamentalista com nada e até gosto de dedicar algum tempo da minha vida a experimentar coisas que pareçam válidas e exequíveis, para assim ir fazendo as minhas escolhas, aproveitar um pouco daqui e dali para tirar as minhas conclusões, boas ou más, passando é claro por muitos erros.

Há muitos anos decidi não comer mais carne, ovos ou beber leite, tudo isto me andava a enjoar, o cheiro, o sabor, as digestões difíceis e longas demais, enfim, passei a sentir-me melhor e isso foi o mais importante. 

Um dia quis ser mais saudável que a própria saúde e comecei a fazer uma alimentação macrobiótica, muito disciplinada e rigorosa, acompanhada por um interesse crescente pelo budismo e consequente evolução e limpeza espiritual. 
Escusado será dizer que adorei a descoberta mas aquilo não era para mim, andava na rua a arejar o esqueleto com o peso que tinha perdido.

Deixei-me de coisas e passei a guiar-me mais pela minha intuição sem nunca pôr de parte o precioso conhecimento que até ali tinha adquirido. 
De facto comecei a andar mais espevitada e não abandonei a fórmula até hoje.

Continuando a adorar a cozinha portuguesa, que é uma das melhores do mundo, de vez em quando faço incursões pelo seitan ou pelo tofu, pelo couscous ou pelo bulgur, cogumelos e vegetais sempre a transbordar do prato e sopa forever!
Já me aventurei a comprar comida vegetariana processada e a desilusão foi grande, desde salsichas de soja a queijo ou patés vegetarianos...dégolas!
Nunca represento um problema para os amigos quando me convidam para jantar, não têm que fazer um prato especifico para mim porque sabem que me desenrasco sempre com os acompanhamentos. 

Faço por ser flexível, até porque gosto muito de viajar, e ser picuinhas em países como a China, Malásia ou Filipinas?... Ninguém te liga nenhuma e se não fizeres pela vida passas fomeca.

Por tudo isto, não lido bem com pessoas que se controlam demais na esperança de viverem até aos 200 anos e morrerem saudáveis...que seca, esses mais vale despachá-los logo, jovens e ainda belos para não azucrinarem mais a cabeça aos outros.

Não concordo com o sacrifício de animais para satisfazer prazeres gastronómicos, está provado que não precisamos de carne para viver ou sobreviver, pelo contrário, o seu consumo excessivo traz problemas de saúde e ambientais, por outro lado sou capaz de gracejar sobre o excesso de zelo de determinadas pessoas em seguir à risca o que quer que seja, privando-se de dar e receber alegria e da liberdade de fazer asneiras de vez em quando.

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