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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

09
Ago20

Que vergonha eu tenho

Rita Pirolita

 

 
Ainda sobre 2017...
A GNR, que deduzo para evitar a sua extinção é lhe dado funções de Protecção Civil, anda a evacuar à força aldeias inteiras para ninguém importante ser responsabilizado por mais mortes dentro de casas ou carros. 
Podem contribuir mais um pouco para o bem comunitário e evitar os roubos das casas que ficaram para trás, se os ladrões lá chegam as forças para os impedir também e prender os charlatães que se andam a fazer passar por Assistentes Sociais para enganar gente desesperada. 
Os oportunistas chegam mais rápido que a ajuda. 
Ao fim de 4 dias de inferno, durante os quais até vieram  constatar com toda a certeza, que tinham identificado a árvore precisa que tinha levado com o relâmpago em cima, só agora o presidente da Liga dos Bombeiros torna pública a sua suspeita de ter havido mão criminosa e amanhã até  poderá acrescentar, que talvez tenha sido ateado em vários pontos diferentes em pouco espaço de tempo, dificultando a vida aos bombeiros no seu combate.
Um sinal claro da urgência de sacudir a culpa do capote, enquanto vários responsáveis fogem de se queimar.
Quem desculpa que um sistema de comunicação de incêndios, o tal SIRESP, onde se gastaram milhões dos contribuintes, não funcione como e quando deve? Não deve ser culpado, porque foi tão caro por ser o último grito em comunicação deste tipo...
O modo de recepção destes sistemas não pode ser tão vulnerável à saturação da rede ou destruição para a qual quer alertar.
Na realidade não leva água aos incêndios, isso tem que ser força humana e aviões, que volta e meia caem ou não!
O IPMA já veio dizer que os seus próprios meios de detecção de fenómenos atmosféricos, apesar de serem os mais avançados, sofrem todos por defeito, de um erro de precisão do local e atraso no tempo. 
Trovoada seca, altas temperaturas, pequenos tornados, pouca humidade, chuva que evapora antes de tocar o solo...
Garanto que até acredito que o fogo tivesse origem natural mas custa-me tanto ouvir todos os dias, os verdadeiros responsáveis a desfazerem-se em discursos de culpa alheia, para baralhar as opiniões e fugir à responsabilização pessoal e política de tanto abandono e mortes evitáveis.
Tantos programas, entrevistas e declarações de políticos e responsáveis de grupos que não deviam ser politizados, em jeito de rescaldo de uma catástrofe que ainda se está a abater??? Para espalhar o ruído e a confusão antes que se descubra a verdade??? 
Que vergonha eu tenho de também ter deixado que isto acontecesse ao meu país e à minha gente!
Que vergonha eu tenho de quem tem a maior culpa, não assumir e continuar à solta, a mentir!
Que pena eu tenho de não acreditar num Deus que faça justiça e deixe a culpa morrer sempre solteira e desculpem-me, de um Inferno que queime os culpados!
08
Ago20

Atracção

Rita Pirolita
Todos se degladiam pela atracção de turistas, nem que seja a aldeia mais ranhosa e perdida no meio do deserto fronteiriço, sem qualquer vestígio histórico de monta como se os turistas fossem a única fonte de rendimento do país, mesmo em aldeias que não tenham ninguém...
Se calhar têm que começar a criar lugares assombrados com histórias ancestrais de terror, assassinatos sangrentos, pegadas de dinossauro em lajes de cimento ou virgens santas que perderam as cuecas, talvez assim comecem a florescer os extintos negócios locais e daí até alguém pensar em reanimar a indústria, agricultura e pescas, seja um passo!...
Isto sou eu a deduzir na minha inocente tuguice azeiteira!
Mesmo as mais pequenas autarquias, são apetecíveis, não são novidade as acusações constantes de derrapagens de orçamentos ou corrupção, de abandono das gentes em áreas tão fracturantes como a saúde, o ensino e a justiça...
É tudo tão fácil mas fazem todos o mesmo...não fazem nada e comem tudo!
Não têm a noção que além de não saberem disfarçar bem a mentira, o discurso convicto apela ao voto, a imagem é tendenciosa, nem sempre os de esquerda têm que se apresentar de camisa esgoelada sem gravata, quase de jardineiras e as ladys da direita de fato Chanel, quase com kiwis. 
As pessoas não se importam de ser enganadas, até têm mostrado que gostam mas queridos autarcas elevem o nível da coisa e caros eleitores reivindiquem mais requinte e beleza na mentira!
15
Jul20

A ideia de mim

Rita Pirolita
Não sei que ideia fazem de mim fisicamente mediante aquilo que escrevo! 

Se calhar não gostava de saber ou tanto se me faz, não posso mudar o que tenho e não me achando feia, não tenho defeitos físicos, tenho imperfeições carismáticas, aceito de bom agrado aquilo com que nasci, sem algum dia ter tido a coragem de mudar artificialmente fosse o que fosse, bem ok, usei aparelho nos dentes mas não usei óculos nem botas ortopédicas, também não tinha que me calhar tudo!

Se têm de mim a ideia de uma figura frágil, submissa, cândida e doce...é porque não leram uma vírgula daquilo que escrevo, não me conhecem de todo, se pensam que sou muito expressiva e transmito rebeldia, provoco alvoroço, sou insubmissa, inquieta, arisca e muito convicta? Talvez vislumbrem algo mais próximo da realidade que eu imagino de mim! 

Como eu me vejo e sinto e aquilo que os outros pensam, costuma ter alguns pontos de encontro mas outros nem tanto se tocam!

Ora vejamos.

Muitos me acham bonita, eu acho-me interessante e nada sensual, muitos me acham atlética, não pratico nada e nunca fui adepta de exercício com rotinas, comparo-me mais a uma mulher russa dos murais de propaganda comunista, alta, rude, de membros fortes, ombros largos, mãos e pés grandes, de aspecto nada frágil, lábios largos, olhos rasgados, maçãs do rosto proeminentes, orelhas pequenas, cabelo farto, forte e indomável.

Não tenho ar feminino e doméstico, a pedir cuidado e protecção, sou a mulher que caminha ao lado de alguém, não faço frente a todos nem me acanho escondida, vou quando me dá na gana da justiça! 

14
Jul20

Fraqueza

Rita Pirolita

Às vezes no silêncio...🎵🎶🎼
Às vezes no silêncio da vida apetecem-me coisas fúteis e até desprezíveis que me irritam se estiver sóbria e alerta de pensamento!
Uma ida a um centro comercial ou praia a abarrotar de gente, comer pipocas no cinema, ir ao próprio do cinema, estar a jantar no conforto modesto e ver notícias de matança de gente em terra distante ou crime passional na terra mesmo ao lado, pretos e ciganos em favelas, em rixas ou a irem presos, divórcios de famosos, não são mais que nós, gente pobre, nós em regozijo de classe média baixa, de coração podre para o vizinho mas mole na ajuda a quem não vive perto, revoltados contra padres sempre comilões e faustosos que abusam de indefesas criancinhas. 
Somos nós a denunciar uma justiça que não funciona, que devia ser universal e inata. 
Existe uma satisfação com a corriqueira desgraça, tudo para nos sentirmos melhor sem nada fazer, tudo se resolve nas novelas por isso na vida também!
Pois é, sou um ser desprezivel, mais ainda por admitir esta minha fraqueza que outros também têm, quando páram para ver o acidente na estrada, tão ladrão é o que vai à loja como o que fica à porta!
Serei eu assim que por ter passado mal na vida, um mal comportável, senão não estaria aqui a falar dele, me quero sentir humana e próxima dos meus iguais, na alegria e no inevitável sofrimento...
Sou uma ladra pouco ambiciosa, de cesta pequena mas ainda assim uma ladra!
Porra para todos nós que não prestamos para nada!

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