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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

28
Jan20

Burros e ovelhas

Rita Pirolita
Muitos na ânsia de mostrar bondade tornam-se agressivos!
Na ânsia da compaixão mostram raiva, pensam combater injustiça com vingança, serão assim tão altruístas ao ajudar a manter a pobreza de ideias?
Ao ler os comentários sobre uma notícia de um menino que tinha sido posto de parte no colégio por ter Síndrome de Asperger, chegou mesmo a ser expulso da turma a pedido de muitos pais, por a sua condição estar a prejudicar o ritmo de ensino dos restantes alunos, veio-me isto à cabeça!
E aqueles que viveram num tempo onde estas diferenças não tinham ainda sido catalogadas e se esperavam resultados medianos para passar, as negativas eram selectivas e as excelentes notas eram discriminatórios.
Quem era usado como bom exemplo pelos professores cá fora era trucidado por malvadez.
Quem se esforça por ser melhor ou o é naturalmente, é uma ameaça e eleva a demanda de objectivos. 
Uns atrasam e outros apressam, será que os poucos restantes devem tentar acompanhar o ritmo da maioria ou devem ser ainda mais isolados para estimular ou rentabilizar o rendimento?
Os ostracizados não serão todos os que são diferentes mas não querem impor essa diferença a ninguém, apenas querem ter a liberdade de viver e explorar porque não se sentem diferentes, os outros é que os vêm assim? 
O ensino é uma tentativa de chamar a todos burros e empenhado em criar ovelhas desde sempre.
20
Nov19

Não sou boa pessoa

Rita Pirolita
 

Porque algumas actividades nobres e nada menores, não são remuneradas e vivem de voluntariado e donativos, como recolha e tratamento de animais abandonados e bombeiros voluntários?
 
Não sou altruísta ao ponto de adoptar uma criança.
Nunca quis assumir a responsabilidade de cuidar de alguém que vai depender de mim por muito tempo, tal como não gosto de assumir pagamentos a prestações. 

Seria capaz de ter 10 ou mais filhos se à idade em que perdem a piada, por volta dos 6, 7 anos, se tornassem independentes e mais tarde só nos encontrássemos para beber um copo e comer uns petiscos, numa convivência leve e esporádica.   
Os cães conseguem manter a graça até morrer e mesmo a sua dependência de outros, nunca é tão longa como a de um filho, que ainda faz o favor de se reproduzir e dar netos, que dão um trabalhão e dores de cabeça, principalmente depois de passar o tal estado de graça que passa a desgraça.
 
Como já disse não sou boa nestas coisas de ajudar à distância por uma causa, prefiro ficar quieta a ser ajuda de sofá, porque já sei que os abutres se abotoam e isto não é desculpa minha, infelizmente é a realidade. 
Não vou estar a alimentar quem come da desgraça, mas sou capaz de ajudar numa situação pontual, por impulso, de me revoltar por uma injustiça à minha frente, tal como sou incapaz de tratar mal seja quem fôr e dá-me nojo gente que bate e não respeita os velhos, que mal-trata e abandona animais, que viola crianças, as explora e mata ou lhes põe armas na mão, que 'rouba' crianças a famílias, com a falsa desculpa que serão para adopção e depois as retém até ao limite do tempo permitido, para darem lucro à instituição que as acolhe. 

Eu sei que não sou muito boa pessoa, podia ser melhor...e os que querem mostrar que são muito bons, o que serão???
11
Ago19

Lamúrias de rico

Rita Pirolita
 
Todos os ricos dizem que se esforçaram muito para chegar onde chegaram, que engoliram sapos e fizeram das tripas coração, que começaram a fortuna a limpar retretes, blá, blá, blá...
OK, chega de tanta carnificina e coisas viscosas! Quanto às retretes, eu também já limpei muitas, incluindo a de cá de casa e continuaria a limpar a merda dos outros se não tivesse mudado de trabalho.

Ninguém cai nessa lamúria, já todos chegamos à conclusão que a trabalhar ninguém lá chega e que esse estado de graça se consegue com muita, mas muita sorte, estar no sítio certo e no momento certo para agarrar a oportunidade.              
Até ao último suspiro todos estamos sempre alerta para um furo!
 
Se me dissessem que com a minha pobreza, toda a injustiça, fome e guerra desapareciam, era capaz do sacrifício mas também porque não sou rica e por isso não sei se seria difícil abdicar de boa vida, mesmo para salvar o mundo. 
 
Se fosse rica os pobres não seriam da minha responsabilidade, teria um massagista/chef vegan, sempre on call, aliás se fosse bem parecido até podia viver na casa de apoio à piscina.  
 
PT? Ia dispensar, detesto fazer exercício e muito menos que me gritem aos ouvidos e me dêem ordens quando sou eu a pagar, mesmo que fosse para outras coisas.
Lembrem-se que já deixei lá atrás, a proposta do massagista e chef bem parecido, tudo num só.
 
Se tivesse coragem, mudava tudo em mim, desde a ponta dos cabelos às unhas dos pés, como sou pobre tenho que me contentar com o que tenho e fingir que 'estou feliz por mexer, ter dois bracinhos para trabalhar e se for preciso vou limpar escadas'. Coisa mais orgulhosamente pobre para dizer não há.
 
Se tivesse coragem tinha filhos e a nanny que os aturasse, ficam sempre bem na foto de família, é suposto ter herdeiros para deixar tamanha fortuna e mostrar que mesmo depois de parir três ou quatro bezerros continuo em forma, à custa de muito  trabalho e sacrifício, nunca cirurgias. 
A treta do 'sacrifício' tem sempre que se meter nas conversas dos ricos, haja oportunidade e pimba.
 
Notem, a casa que tenho não me foi oferecida pela câmara, não estou desempregada e não vivo de subsídios. 
Sempre pertenci à classe de burros que trabalham para os ricos ficarem mais ricos e se enaltecerem com a esmola que dão aos desgraçadinhos! Eu e a maioria pagamos isto tudo.
 
Mas como já disse se estivesse do lado dourado não ligava a estas injustiças, já que seria graças a elas que quando me sentisse deprimida entrava no meu Mustang a chorar e a dizer mal da minha vida, com o cartão de crédito a saltar da Louis Vuitton para umas comprinhas ou mais uma viagem a locais modestos claro, só para desanuviar.

Com tudo isto seria uma pessoa além de linda por fora uma boa samaritana, que é uma coisa que não tem preço nem se pode medir, o que quer dizer, que não gastaria dinheiro a comprar lindeza interior, nem precisava de provar o grau de belezura das entranhas; não comeria animais, a não ser escargot; usava sempre vegan leather e fake fur; falaria tão bem inglês como escrevo português e o meu lema seria:
PROTEGER OS ANIMAIS E EXPLORAR AS PESSOAS.

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